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domingo, 18 de fevereiro de 2018

Quando você entende a demora pra republicarem um "clássico"


Tem algumas HQs que nos perguntamos como nunca foram republicadas no Brasil se só podem ser clássicos? Um recente exemplo foi a fase do Monstro do Pântano trabalhado por Mark Millar e Grant Morrison. Um personagem que atrai vendas com dois colaboradores na mesma situação. Logo que foi lançado ficou claro do porquê: era MUITO ruim. Não tem nada de bom em ler aquilo, as chances de não ter nenhum produto melhor pra você conferir é zero. Não chega a ser um caso tão extremo, mas quando você lê "Elektra Vive", também dá pra entender porque por tantos anos não se deram ao trabalho de republicar. Frank Miller, o próprio criador da personagem e de uma parcela valiosa do universo do Demolidor, é o escritor e desenhista da HQ recentemente republicada. Quem colore é sua ex-mulher, a premiada colorista Lynn Varley.


Tudo que o Miller fez do diabo da Cozinha do Inferno pode ser achado com considerável tranquilidade. Sua série original, o retorno supremo na "Queda de Murdock" e a origem do personagem, em "O Homem Sem Medo". O que tinha ficado um tempo sem republicar tinha sido o "Elektra Assassina", o que foi corrigido recentemente, sendo também um trabalho notável, referência de surrealismo em HQ. As que haviam sobrado eram "Amor&Guerra" e "Elektra Vive". O "Amor&Guerra" é bem curtinho e pouco expressivo pro cânone, talvez por isso não seja republicado em encadernado, diferente do Elektra Vive. Os desenhos de Miller estão maravilhosos, há vários momentos que você se lembra das maiores obras que ele fez, além de alguns experimentalismos que parecem ser característica dessa história mesmo. Agora vamos às decepções:


1.Diferente do que pode parecer pelo título e a capa, a história é do Demolidor, trata do retorno da Elektra, mas ela não é protagonista, então já saiba disso.
2.Deve ser a história mais enrolada que o Miller já escreveu, ela quase não anda. Compara com o que as outras séries dele faziam em pouquíssimas edições.
3.Apesar do cara ter escrito bem, a trama trata de pouco mais do que as crises que Matt Murdock já havia tido lá na época que a Elektra morreu mesmo, em histórias que eram muuuuuuuuuuuuuuuito melhores. Tirando um fator ou outro, quase nada, Elektra Vive parece apenas um tipo de remake dessa história, difícil de ser mais dispensável.

99999999999999999999999 vezes melhor e é praticamente a mesma coisa

Ou seja, é uma reciclagem, uma comida requentada cheia de fan-services, ficando claro pra quem, como eu, tinha a dúvida, de porque levaram 26 anos (desde 1991) para publicarem de novo uma história da Elektra pelo Frank Miller. Aparentemente é porque ela simplesmente não é tão boa quanto se espera. Tem muita gente que elogia, chegou a ganhar prêmio Eisner de melhor graphic novel, pra mim é um entusiasmo exagerado. Você pode aproveitar que veio essa onda de aumento de preço nas HQs da Panini e já cortar essa da sua lista, caso estivesse interessado. Creio que melhor opção seria terem pego "Elektra Assassina", "Elektra Vive" e "Amor&Guerra" e publicado tudo junto, já que Assassina é maior que as outras, mas nem tanto, talvez valesse mais a pena.

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