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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

[O TEXTO TUMOR]




[ATENÇÃO]:

Não leia se texto se:

1.  Acreditar que energia negativa possa ser transferida.
2.  Tiver medo de destravar algo que se arrependa no seu subconsciente.
3.  ...




Esse não é o começo da história de Max, por conseguinte, não é também seu fim. Não é o dia mais importante da história de Max, bem como podemos estar diante de um enredo que fuja de clímax, clichês e lógica palpável, podemos estar diante de um enredo ao qual o enredo não aceite ser um enredo. Tal qual um “diálogo filosófico” tudo gira em torno de dois seres que conversam, mas trazem um universo de possibilidades em suas palavras, ao ponto do leitor se questionar sobre o que trata tudo isso.

 -- Max, você é um caso excepcional. Uma figura. Deixa só eu pegar meu caderninho para anotar o que você fez em vinte e poucos anos de vida.
-- Caneta bonita essa sua... Posso saber o teu nome e como sabe o meu?!
-- Eu sou um “arquétipo”, acredito eu. Mas eu tenha tantas particularidades, que posso ser alguém único na sua vida. Porém só na sua vida.
-- Isso é uma cantada?
-- Eu não “canto” ninguém, jovem Max. Isso é o tipo de ação humilhante que prefiro desmotivar que alguém faça.
-- O senhor ainda não falou seu nome...
-- Que tal... 40?
-- “40”?
-- Falaremos disso mais tarde. – Disse o estranho, agora seus movimentos com a caneta pareciam rápidos. Logo após uma piscadela maliciosa, ele retorna o raciocínio: “Vamos ver em quantas linhas eu te defino... Era uma vez uma criança romântica, imaginativa e arrogante. Fã de quadrinhos – Oh!—de fazer desenhos e... Hmmm... “Jogar xadrez?” Ah, já iria me esquecendo, “escrever”... Seu romantismo se converteu em frustração e cinismo. Sua imaginação verteu-se em impotência criativa? Sua arrogância parece o ter abandonado e dado lugar ao auto desprezo? E o xadrez o faz parecer burro. Eu acho que já peguei casos melhores para resolver, vamos encerrar aqui, Max. Se demita.


--... Até que ponto alguém pode se esforçar para querer que o outro acredite se tratar de um gênio ou um para-psíquico?
-- Sério que a sua dúvida é essa? O Ozymandias deve estar com a mente cansada para escrever uma continuação de diálogo dessas.
-- E quem porra é Ozymandias? Eu venho aqui para descansar, por a cabeça em ordem, e um otário que eu nunca vi na vida vem se achar engraçadinho como se me conhece-se.
-- “Ozymandias Realista” é o pseudônimo que escreve nossos pseudônimos. Nós somos subprodutos de uma “crise artística” dele. Ou melhor, não “nós”, você. Eu não posso ser preso em linhas ou quantificado. O Ozymandias acha que me cria, mas tô sempre no mínimo vinte anos avançado em pensamento que qualquer coisa que eu veja.
-- Meus delírios costumavam serem mais concisos.
-- Isso não é um delírio. Nós estamos passeando por camadas de vários inconscientes. Considere a existência da nossa conversa como um “exercício da incerteza multidimensional”.
-- “Sr. 40”, apenas pare. Eu já fiz isso que o senhor tá tentando fazer aqui, chegar pra um desconhecido e dizer coisas sem sentido querendo confundir porque acha engraçado, a diferença é que eu fazia isso pelo msn.

 
-- Seu nome “Max” se advém a sua pretensa identificação com o Max de “Mary e Max”. Sua tristeza atual se advém em aparentemente ter falhado em preencher todo seu vazio emocional com xadrez. Acha que se tornando um GM vai se sentir um vencedor pela primeira vez na vida. Fazia muito tempo que você não treinava tanto por algo, e perdia vezes mais que a proporção do seu esforço.
-- Então eu estou conversando com o meu “alterego”? O meu “amigo imaginário” que não imagino que falo há anos?
-- É uma simplória análise. Seu imaginar e falar são ações idênticas quando se está preso dentro da própria mente. Hoje mesmo, houve uma ruptura. Você conseguiu ser o Ozymandias por um instante, e o usou para me mencionar ao Joker, mesmo sem me conhecer direito. Dizendo que eu “o sabotava”. Já imaginou se eu não estiver sabotando o seu trabalho? Pensa na possibilidade de eu só ter lhe dado um empurrão na vida e você que paradoxalmente prolonga a queda?
-- Está me dizendo que “eu mesmo” estou “me tocando” sobre exagerar nos golpes que eu recebo? Acha engraçado todo o meu esforço resultar em derrotas como 5x0? 6x1? 4x0?!!! Apenas nos últimos três dias?!

 -- Tô na sua frente, seu palhaço chorão, para dizer isso e mais. Acha que treina? Que faz algo relevante? Botvinnik! Lasker! Fischer! Karpov! Esses caras respiravam xadrez. Acha que eles desistiram depois de perder uma centena de jogos? Você que é só um intelectual peso pena que pensa que pode aprender um século de teoria enxadrítisca com um tablet?
-- Vou reformular meu entendimento... Eu estou tendo um sonho lúcido, ou estou de maneira estática imaginando tudo isso pela minha mente ter dado um basta em mim. Posso estar em animação suspensa, e finalmente descobri o que as pessoas que ficam podem ver, embora é provável que eu não lembre de nada ao acordar. Mas o que é você? É uma representação antropomórfica do meu fracasso? Se for isso, não é você o meu refém? Uma sombra que só ganha fala com o meu pensamento? Se for isso, você não pode nem ser chamado de “você”, já que é só um reflexo. Como algo sem matéria ou identidade pode pensar em me intimidar? Ainda dentro da minha própria cabeça?



-- Você se intimida com o deus cristão. Indo pela maneira que tentou me definir, ele não é a mesma coisa?
-- Deus para mim é--
-- Eu já sei. “Um poder supremo que não é perfeito, assemelhado aos deuses gregos, que não pode ser compreendido e cada pessoa interpreta a sua forma.”
-- Coisa que s--
-- “Completa as minhas falas para me irritar e parecer mais esperto. Eu vou me acordar a qualquer hora e me livrar disso.”
-- Já chega, eu--
-- “Não preciso dessa conversa. Isso nem mesmo é uma conversa.”
-- SE--
-- “Sabe tanto o que vou dizer, por que perder seu tempo comigo?!!!” Deixa eu te simplificar: Nós somos caixas dentro de caixas. Sabendo que estamos dentro de uma, e tem uma dentro de nós. Não sabemos quantas existem, tudo o que sabemos, é isso.



-- E que “caixa” é o “Ozymandias”?
-- É um alterego daquele que gosto de me referir como “caixa a frente”, embora ele também não saiba que caixa é. Eu e você somos dois dos vários fragmentos que constituem a “persona” dele. Para estarmos conversando, ele deve estar escrevendo isso no blog dele, ou ao menos boa parte do que falamos.  É uma espécie de “Texto Tumor” dele.
-- Se eu começasse a acreditar nas suas confusões, ele não seria o mestre, já que somos dois personagens escritos por ele?
-- Ele não é mestre de nada. Ele também é escrito por alguém. Ele é tão “personagem” como nós. Imagine um ótimo quadrinho. Tudo aquilo, enquanto pensado e feito, existe. Mas quem o lê pensar ser algo sólido e real, com um material em mãos que é ficção. Se algo é imaginado, esse algo existe, mas não da forma que queremos. O que pode ser “ficção” em uma camada do multiverso, pode ser “real” na outra, já que essa foi a forma disso atravessar. Sendo assim, um cara pensa ler uma história que foi escrita por outro cara e só. Mas e se esse cara for algo escrito a acreditar que tem escolha ao ler aquilo? E se esse que escreveu esse cara, esteja sendo escrito por outro, e nisso uma cadeia cíclica de multiversos que se rescrevem, resultando em “reflexos” como eu e “personargens” como você? Quem será que escreviu o Morrison? E quem escreveria quem escreveria Morrison?
-- E o Ozymandias crê nisso? Estamos escritos para sermos ele?



-- Ele parece crer às vezes, caso contrário não estaria escrevendo isso. Nossas vozes ficaram mais altas do que devia e entramos no radar dele, por isso ele não parou de escrever, ele agora deve digitar isso para limpar da mente.
-- Mas ele precisa de mim. Mas não de você!
-- No que você me enquadra, Max? Em “um outro” que enlouquece “ o outro” ocupante de uma consciência para respirar um pouco na superfície? Quem você acha que eu sou? Tyler Dunder? Hulk? Mr. Hyde?

-- Uma escolha nunca aceita totalmente.
-- E o que é plenamente aceito na existência?
-- ...
-- Silêncio?
-- Não, só pensando, algo que você já deve saber. E toda a minha derrota e frustração? Basta embaralhar no meios “das caixas”? Acha que pode me apequenar diante do multiverso.
-- Depois eu que sou o “ego” que vocês acham que dão um soco... Entenda como quiser, não preciso acrescentar que “quiser” em relação a você é apenas um eufemismo, preciso?
-- Eu vou fazer um desenho.
-- O cara que desistiu de desenhar agora vai fazer um desenho? Porque não desenha o Papo Cabeça pro Joker?
-- Não me importa a existência desse “Ozymandias” e se só existimos na mente dele. Ou em um texto. Eu vou lhe exorcisar da minha mente. 
 -- Vai lá, Constantine! Tim Hunter! E todos os outros “magos” da Vertigo.
-- Seja esse desenho magia, psicólogia, ou atitude lógica diante da mais completa abstração que pode vim numa mente que não esteja esquizofrênica... Eu vou fazer um desenho com a sua imagem. Como um gênio em uma garrafa, para que infernize outro.
-- Sabe que a luta comigo é eterna se for por esse caminho, não é? Você não é o Dorian Gray, e se fosse parecido, sabe como terminou para ele.
-- Estou no esboço. Toda a raiva que eu sinto, rancor, boicotes. Tudo vai ser despejado aqui.
-- Estou em dúvida sobre o seu pensamento ser um fraco final de autoajuda feito pelo “Ozymandias Realista”. Logo ele que critica tanto o final da maioria das histórias, escrevendo um “fim” desses.
-- Desenhando as correntes...
-- Está confortável. Não vai desenhar a da outra mão?
-- Você não terá a outra mão. Não terá nem o antebraço esquerdo, quem dera a mão. Se dou-lhe tudo isso, você facilmente se libertaria. Mas vou lhe dar só uma mão e um martelo. Nem toda a sua astúcia vai lhe salvar.


-- Eu olharei para o seu desenho de vez em quando, 40.
-- Quer que eu faça o que? Prometa vingança? Grite um desesperado “Nãooooo”, para que você, no ápice da recuperada imaginação e arrogância, aumente sua autoimagem de herói? Só acho engraçado que ninguém consegue fugir do seu próprio reflexo, mas sempre estão ansiosos para os culpar de suas fraquezas. E quando eu “não estiver” mais na sua vida? O que vai acontecer? Outro “reflexo” vai tomar o meu lugar? Eu me libertarei para a clássica retribuição até ser preso novamente? Tal qual os grandes vilões que as editoras temem matar?
Não. Tudo apenas terminará... Dentro... De... Uma... Caixa... Menor...








Um comentário:

  1. Apenas... Se demitiu. Não acredito que fez um desenho após tanto tempo... E ainda assim, conseguiu expressar tudo nele.
    Se pudesse, te daria uma verdadeira surra. Com apenas um martelo...

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