quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

“HOJE EU SOU LADRÃO,ARTIGO 157, AS CACHORRA ME AMAM, E OS PLAYBOY DE DERRETEM”



   Ontem ao chegar em casa do trabalho, minha mulher estava em choque. Na porta de casa, por volta das 19, enquanto retornava de um curso, dois homens a assaltaram. Um estava na moto, com capacete, e o outro desceu do veículo para executar a ação. O irmão dela, que estava próximo, quando tentou se enteirar, teve seu celular logo exigido pelo agressor, que ostentou um revolver, calibre 38, sem pudor. Minha sogra, que estava na casa vizinha, tomou o celular da minha mulher, para que ela não entregasse. O “valente” que conduzia a ação, mandou entregar, ou atiraria na minha sogra. Isso não é um conto, isso é uma hipotese do que um cidadão comum está exposto, a qualquer hora da sua vida, graça a um efeito em cadeia provocado por uma legislação ruim, e uma cultura do mal carátismo tida como ser “esperto”, ou “malandrão”.Existe um mito bem popular, que faz a maioria das pessoas acreditar que um assalto é apenas uma ameaça a um bem material do indivíduo. Os otimistas que pensam assim, deveriam ponderar que a partir do momento que alguém porta uma arma de fogo para abordar outra pessoa, ambicionando se apropriar indevidamente de algo, como se seu ato fosse uma justiça dívina, nós estamos provávelmente a poucos segundos de morrer. Com míseros dois segundos de movimentos com o polegar, e o indicador, um “ser humano” pode disparar um projétil com velocidade prestes a atingir 400 metros de distância ou mais em um mísero segundo. Ao tempo que você lê isso, mais de 50 tiros são disparados sem pudor.





 Existe uma certa crença em um “código moral” de um assaltante, como se alguém que se arma para fazer o mal estivesse apenas “um pouco errado”. De acordo com a nosso código penal, artigo 157, a ação que foi praticada resultaria em “quatro a dez anos de prisão”. Se fosse de maior, caso fosse de menor, uma tradicional “reeducação”, com direto a ter a ficha limpa aos 18. Caso o indivíduo tivesse disparado em alguém, me deixando viúvo, algo que para ele seria corriqueiro, ai a pena dele seria de 20 a 30 anos. É redundante eu dizer que no Brasil há os sistemas de “réu primário” e redução de pena por bom comportamento.” Ou seja, eu teria a minha esposa assassinada, enquanto voltava de um curso para conseguir um emprego, na porta de casa, baleada e perdendo todos os sonhos e o que poderia realizar, a menos de vinte dias de fazer seu aniversário de 26 anos. Mas aos olhos da lei, quem haveria de me fazer isso, seria um “iniciante”, não podendo responder totalmente pelo que fez, e alguém comportado e sociável, já que não repreende guardas na prisão (fortemente armados, e não indefesos como quem ele costumava atacar) e os outros encarcerados, todos mais preparados a lhe dar um corretivo. Não para por ai. O alvo primário era a minha sogra, uma senhora de 55 anos, que trabalha de segunda a sábado como diarista há vários anos para uma família, ganha um salário mínimo e o reparte ao máximo com todos os filhos que tem. Uma pessoa que nem mesmo se preocupa consigo, do tipo que em domingo que tem de descanso chega na minha casa para querer lavar roupa, fazer o almoço e outras coisas, ao ponto de eu a ter que deter para não fazer tanto pelos filhos. Mais uma trabalhadora brasileira que seria estatística e notícia por uns minutos em normal policial na hora do almoço. 



É dito que o meio em que vivemos influencia a gente. Eu acredito, mas não cegamente ao ponto de dizer que alguém é totalmente manipulado por um sistema ao ponto de nunca ter uma atitude que parta de seu livre arbítrio. Cada vez é um número crescente de crianças crescendo em favelas, achando que o funk ostentação, o rap “criminal” e outras manifestações são a única forma deles falarem. A raiva crescente por não ter tido o básico o faz nos próximos anos arriscar a sua vida e a dos outros como forma de “pegar o que lhe pertence”. E não há quem vá lhe deter quando não há educação de qualidade, um sistema penal digno, um conselho tutelar que serve mais para desmoralizar os progenitores e mostrar que uma criança tem que ser um rebelde desde cedo. Porque a “rebeldia” é cada vez um comportamento mais aplaudido. Uma ideologia crescente que leis, regras, e hierarquias são para otários. Nós não vivemos mais em um mundo onde um herói seja algo respeitado. No máximo um anti-herói ou um vilão, isso em qualquer mídia. Pode ser na sua novela das 8, nas séries, no cinema, nos quadrinhos, nos livros. E música eu nem preciso mais acrescentar nada:Desenvolvemos um pensamento simplista e maniqueísta de achar que tudo se resumi a um Brasil pós colônia, onde um senhores caucasianos estão em posse de amplas terras, privando tudo de um negros pobres, e que 500 anos da nossa nação são e serão apenas isso por mais 500. Qualquer um que ouse mencionar o “caucasiano” que sai cedo para trabalhar e tentar ter uma vida digna, sendo estuprados por incansáveis taxas de impostos, e do negro que prefere abraçar o mito de não ter tantas oportunidades e o crime ser sua única compensação, logo será um intolerante, um fascista. Falar sobre redução da menoridade penal, porte legal de arma para o cidadão poder defender a residência, logo é coisa de “conservador reaça”, seguidor homofóbico do Bolsonaro. Gostaria eu que a solução fosse simples como pregam por ai de só tirar o PT (um dos vários tumores terminais do Brasil) do poder resolveria tudo. Walter Kovacs estava certo.




Força e honra.

Um comentário:

  1. Floyd... Está realmente tudo certo por aí? Não suportaria ver nenhum de vocês machucados ou pior... Não podem deixar assim, infelizmente os mesmos ladrões podem retornar e fazer algo pior. E por favor. Não faça quaisquer besteira, não...
    Mesmo estando longe, sabe que pode contar comigo. Ajudaria no possível.
    Força e Honra. Sempre.

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