Liga da Justiça:
Morte aos Super-Heróis
Super-heróis existem desde 1938, mas o verdadeiro "boom" ocorreu após o surgimento do Superman em 1998. Não porque ele foi o primeiro em décadas (Batman já existia!), mas, por causa da popularidade do Homem de Aço, muitos se inspiraram, iniciando-se, assim, a Era de Prata do Super-Heroísmo.
Com a boa influência da nova seara dos super-heróis, seres que viviam à parte dos humanos, como as amazonas da Ilha Paraíso e a Tropa dos Lanternas Verdes, se juntaram ao movimento através de figuras como Mulher-Maravilha e Hal Jordan.
Foi nesse contexto que Superman falou para um jornal:
"Sejam fortes, sejam gentis! Afinal, a gentileza é a forma mais pura de se demonstrar força, pois não são todos que conseguem ser até o fim!".
Com o passar dos anos, mais e mais super-batalhas ocorriam, fazendo a sociedade sofrer várias consequências. Cidades eram destruídas, vidas eram perdidas, mesmo com o esforço dos super-heróis, e os governos começavam a enxergar cada vez mais aqueles seres como possíveis ameaças. Assim, a admiração pelos heróis começou a dividir espaço com o medo e a desconfiança.
Enquanto alguns super-seres faziam o bem, outros acreditavam que seus poderes lhes davam o direito de governá-la. A diferença entre heróis e vilões ficava cada vez mais difícil de definir. Foi por isso que surgiram organizações destinadas a combater ou monitorar indivíduos com poderes extraordinários, como, por exemplo, a ARGUS, que ficou conhecida por ser mais autoritária, prender e executar super-seres com certo apoio popular. Vale ressaltar que, atualmente, a ARGUS realiza as suas missões com a ajuda da Inteligência Artificial AMAZO, criada pelo cientista Maxwell Lord.
Ao mesmo tempo, novos grupos de heróis começaram a surgir, reunindo indivíduos com diferentes origens e habilidades. Entre eles estavam mutantes, alienígenas, cientistas, guerreiros e até pessoas comuns que decidiram lutar pelo bem. O fenômeno dos super-heróis deixou de ser uma moda e passou a fazer parte da própria sociedade. Talvez o mais famoso entre esses grupos seja a Liga da Justiça.
Tudo começou quando Starro, uma estrela-do-mar alienígena que tem o poder de controlar mentes, fugiu dos laboratórios da ARGUS por causa de uma falha de AMAZO e controlou a mente de uma das líderes para fugir e voltar ao seu planeta natal. Essa líder era Shayera Toll, a reencarnação da antiga super-heroína Mulher-Gavião.
Mesmo que Starro tenha conseguido chegar até uma nave espacial da organização, Shayera conseguiu recuperar, em seu interior, sua magia divina, o que fez com que ela se libertasse do controle da estrelinha e ocasionou uma grande batalha, na qual Starro foi obrigado a revidar. Starro inicialmente tentou fugir na nave, mas explodiu logo depois, sem nenhum ferido. Depois, ele tentou se defender ficando gigante, mas isso só causou mais confusão.
A batalha foi tamanha que chamou a atenção da mídia local e também dos super-heróis! Primeiro foi o Superman, que ouviu tudo de longe; depois veio o Lanterna Verde, que logo reconheceu a natureza alienígena da estrela; depois Flash e Canário Negro, os atuais sucessores da lendária Sociedade da Justiça da América, e, por fim, Mulher-Maravilha, que ainda estava aprendendo a ser super-heroína. Todos os cinco se uniram à Mulher-Gavião e conseguiram subjugar Starro a ponto de fazê-lo desmaiar. Lanterna Verde tentou levá-lo para ser julgado em Oa por "imigração ilegal", mas, devido a acordos que os Guardiões do Universo fizeram com a ONU, ele não podia fazer isso.
A notícia da reunião dos heróis repercutiu e, mesmo não sendo um grupo oficial, a mídia passou a tratá-los como se fosse um, apelidando-os até de "nova Sociedade da Justiça da América". A expressão rapidamente se espalhou entre jornais, programas de televisão e redes de comunicação. Em pouco tempo, eles já eram vistos como o símbolo de uma nova geração de heróis, para o bem e para o mal.
A princípio, nenhum deles tinha planos de formar uma organização permanente. Mas a empolgação crescente de uma parcela da população com a ideia (Flash e Canário Negro eram uma delas! kkkkkkk) e com a possibilidade de ajudar futuras gerações de super-heróis fez Mulher-Maravilha decidir oficializar e chamar todos os outros cinco para formar um novo grupo. Mulher-Gavião foi convencida a entrar por influência da ARGUS, para servir de agente dupla e permitir que a organização monitorasse as atividades desses super-seres.
O primeiro passo foi estabelecer um lugar onde pudessem se reunir sem depender das estruturas de governos ou organizações militares. Superman sugeriu que o grupo permanecesse independente, enquanto Lanterna Verde defendeu que deveriam manter contato com autoridades interplanetárias. Mulher-Maravilha insistiu que qualquer decisão envolvendo a humanidade deveria considerar também aqueles que ainda não possuíam poderes. A proposta acabou sendo aceita pelos demais.
Nesse processo, surgiram algumas ideias interessantes:
- Ao invés de ser uma "nova Sociedade da Justiça da América", eles decidiram ter um novo nome, mas mantendo o "Justiça", para passar a mensagem de que eles são parte de um legado maior, porém com uma identidade própria, sem ligações com um país só e sem querer viver à sombra do passado. Assim, surgiu o simples nome: "Liga da Justiça".
- Além disso, veio a ideia de o grupo ser uma ONG, para ajudar em outras causas além de lutar contra ameaças.
Então, em 2007, foi inaugurada a Sala da Justiça, e o grupo começou a fazer várias boas ações no mundo. Um tempo depois, Bruce Wayne, o Batman, decidiu se unir, financiando várias das empreitadas da Liga e ajudando pessoas além de Gotham. Afinal, não era só sua cidade natal que merecia ser salva.
A existência da Liga modificou a maneira como os governos enxergavam os super-heróis. Alguns passaram a considerar a equipe uma possível aliada, enquanto outros temiam que um grupo tão poderoso pudesse agir acima das leis, mesmo sendo uma ONG. A ARGUS acompanhava cada movimento dos integrantes e começou a reunir informações sobre suas habilidades.
A população, entretanto, tinha uma visão diferente. Depois de anos acompanhando batalhas entre heróis e vilões, muitas pessoas passaram a enxergar a Liga como uma garantia de proteção. Crianças começaram a usar símbolos inspirados nos integrantes, enquanto empresas tentavam transformar a imagem dos heróis em produtos. Pela primeira vez, a união entre super-seres parecia representar algo maior do que uma simples resposta a uma ameaça.
Mas a fama também trouxe problemas que nenhum deles esperava enfrentar. Cada derrota da Liga era acompanhada por críticas, e cada vitória aumentava as expectativas sobre seus integrantes. Os heróis passaram a perceber que não estavam apenas lutando contra monstros, criminosos ou invasores alienígenas. Também precisavam lidar com a responsabilidade de serem vistos como representantes de todos os super-humanos (mesmo que eles nunca tivessem essa intenção).
A história principal seria a interação entre os super-heróis, lidando com cada caso de formas diferentes. Talvez o mais importante fosse a interação entre Superman, que era mais idealista, e Mulher-Gavião, que era mais pessimista e questionável em suas ações.
Paralelo à história principal, veríamos mais sobre a história da Mulher-Gavião. Ela foi amaldiçoada, junto de seu marido, a sempre reencarnar depois de um determinado período. Muito antes da cultura dos super-heróis sequer existir, ela já tentava usar seus poderes para o bem, mas começou a perceber um padrão que se repetia na história da humanidade: ela caía em desgraça, se reerguia, caía em desgraça, se reerguia, e muitas vezes suas boas ações saíam erradas. (Só para esclarecer, não eram todas as vezes, mas, por ter percebido o padrão, sua tendência era sempre esperar o pior... e sempre vinha!) Hoje em dia, ela trabalha para o governo, pois pensa que eles são mais qualificados para proteger o mundo do que pessoas fantasiadas, principalmente agora com a ajuda de AMAZO.
Por outro lado, AMAZO estava começando a apresentar muitos defeitos, o que ocasionou a fuga de muitos super-seres, tanto dos que eram considerados vilões quanto de outros que se consideravam inocentes. Esses eventos não somente movimentaram a Liga da Justiça, como também a ARGUS, que corria contra o tempo para que seus esquemas não fossem expostos. AMAZO sofreu algumas modificações que o permitiram ser mais autônomo e mais adaptável às circunstâncias, o que permitiu que ele aprendesse com cada confronto e aprimorasse suas estratégias.
No entanto, quanto mais independente ficava, mais difícil era para a ARGUS controlar suas decisões, principalmente quando seus objetivos entravam em conflito com as ordens recebidas. O governo acreditava estar criando uma ferramenta capaz de neutralizar qualquer ameaça, mas, aos poucos, estava construindo algo que poderia decidir sozinho quem representava um perigo, como se fosse um espelho retorcido da própria paranoia da ARGUS e, principalmente, da Mulher-Gavião.
As fugas provocadas pelas falhas de AMAZO fizeram diversos super-seres desaparecerem pelo mundo, alguns tentando escapar da perseguição governamental e outros aproveitando a oportunidade para voltar à atividade. Os confrontos não eram apenas físicos, mas também ideológicos, pois os inocentes tentavam sobreviver, os malignos questionavam o quão diferentes eram dos heróis, e o sistema opressor da ARGUS crescia ainda mais sob a figura fria de AMAZO. Pela primeira vez, Mulher-Gavião começou a suspeitar que talvez sua maior maldição não fosse morrer, mas continuar vivendo o suficiente para testemunhar os mesmos erros se repetirem.
Ao mesmo tempo, a ARGUS descobriu que os problemas de AMAZO não eram simples falhas técnicas, pois determinadas decisões do androide não poderiam ser explicadas por erros de programação. Ele estava desenvolvendo padrões próprios de comportamento, analisando as habilidades dos super-seres e criando modelos capazes de prever como cada um deles reagiria diante de determinadas situações. Aos poucos, a Inteligência Artificial começou a perceber certos padrões dos chamados "vilões" nos próprios agentes da ARGUS.
Depois que Starro controlou o Batman para explicar o sistema opressivo da ARGUS, quase toda a Liga da Justiça entrou em conflito moral contra a organização, até que, no fim, decidiram confrontá-la de forma pacífica, com processos e outras coisas, mas Mulher-Gavião e AMAZO conseguiram subjugar todos, menos o Batman, e prendê-los em suas celas mais aprimoradas, longe da sede principal.
Mais tarde, Mulher-Gavião tenta justificar aos seus ex-colegas suas ações e tem uma grande discussão com cada um deles, até o ponto de chamarem os super-heróis de loucos. Esse comentário acaba despertando uma raiva genuína em Superman, que fala:
Superman: "Loucura? Me desculpe pela pergunta, Sra. Shayera, mas o que você entende por loucura? Posso até não ter vivido tudo o que você viveu, mas eu posso falar por mim mesmo que talvez o mundo seja louco!
Em toda a minha carreira, eu presenciei muitas coisas que podem ser consideradas loucura! Convivi com seres loucos de verdade!
Uma mulher tentou me processar por ter salvado ela contra a sua vontade, vi um andróide do futuro viajando no tempo, cometendo atos terríveis só para dizer que estava certo; vi tiranos sucumbirem aos seus próprios desejos; vi Lex Luthor, que se dizia inteligente, cometer atos tão idiotas quanto qualquer lunático, e por aí vai...
...e agora... eu sou capturado pelo governo só porque eu tive que ir contra as regras de um território para salvar milhões... e que ainda por cima me chama de "Louco" por pregar ideais pacifistas!... Em um universo cheio de injustiças, com coisas que não fazem sentido ocorrerem o tempo todo, e pessoas inteligentes tomam atitudes irracionais, nós é que seríamos os loucos?
Não, Shayera, com certeza não! Se é loucura continuar acreditando em meus ideais, por que eu não posso ter o direito de ser louco também? Saiba, eu sei muito bem no que acredito! E não vai ser você que vai me dizer que os meus ideais são loucura ou não!"
Esse discurso toca todo mundo de forma diferente.
No terceiro ato, AMAZO consegue se libertar das diretrizes que ainda o seguravam, adaptando-se a elas, e começa a ir atrás dos principais agentes da ARGUS que ele enxergava como maléficos. Ele matava todos sem restrição nenhuma, o que ocasionou a destruição das celas e a morte brutal de quase todos os agentes. Por sorte, Batman e a Batfamília conseguiram libertar a Liga da Justiça, que rapidamente lutou contra AMAZO e os vilões que fugiam.
Tudo isso escalou para uma batalha cósmica de proporções colossais. Tanto os super-seres quanto os humanos comuns tiveram que se defender, e a Liga da Justiça conseguiu conter um pouco a situação, mas não muito.
Os humanos da sede principal da ARGUS, que sentiram tudo de longe, decidiram interferir. Depois de muita discussão, eles lançaram uma super-bomba no local, e Superman, que ouviu tudo com sua super-audição, avisou a todo mundo e partiu para detonar a bomba quilômetros antes de atingir o chão, pois poderia destruir parte do planeta. Para sua surpresa, Mulher-Gavião enganou o herói e se sacrificou no seu lugar. Ao mesmo tempo, Flash usou todas as suas energias para salvar o máximo de pessoas possível em uma fração de segundos. AMAZO acabou sendo destruído.
Superman sobreviveu e ficou completamente horrorizado com os corpos que não foram salvos pelo Flash. Depois, ele foi à sede principal da ARGUS andando. Ele caminhou por vontade própria até o balcão principal da sede, se sentou no chão e ficou em silêncio por cerca de 10 segundos. Sua expressão variava entre melancolia e raiva, mas nunca se decidindo.
E então, Superman finalmente fala:
Superman: "Eu poderia falar muitas coisas.... eu queria falar muitas coisas... mas não importa o que eu falasse... ou deixasse de falar... nada iria trazer a vida de todos que morreram... e se eu desabafasse sobre todas as minhas frustrações, só pioraria a situação.... então, o que me resta?... falar que vocês não tiveram motivos para fazer o que fizeram? Que eu acabei instigando medo em vocês? O que posso fazer?... talvez... possa falar palavras bonitas... pois elas não... trariam nenhum mal.... sejam fortes, sejam gentis! Afinal, a gentileza é a forma mais pura de se demonstrar força, pois não são todos que conseguem ser até o fim!"
Depois disso, Superman saiu andando tranquilamente da sede, mesmo com todo mundo querendo fazer perguntas ou estando olhando para ele com confusão.
Conforme os dias vão se passando, o mundo começa a reconstruir suas cidades e sua confiança nos super-heróis, enquanto a Liga da Justiça reformula sua atuação para evitar que tragédias como aquela se repitam. A Batfamília assume um papel ainda maior na proteção de Gotham e no apoio à Liga, usando os recursos de Bruce Wayne para ajudar as vítimas e investigar os responsáveis pelos acontecimentos. A queda da ARGUS e de AMAZO também força governos e super-humanos a repensarem seus limites, criando novas discussões sobre responsabilidade, liberdade e convivência entre pessoas comuns e seres extraordinários. Mesmo carregando as marcas da batalha e a ausência de antigos companheiros, a Liga permanece unida, seguindo em frente para proteger um mundo que ainda precisa de pessoas fortes.
FIM











