A Odisseia de Christopher Nolan tem sido um
dos filmes mais comentados (e controversos) do ano. Assisti justamente ao longa
ontem e agora posso dar meus dois centavos de opinião. No geral, gostei do filme,
sim. Está longe de ser o melhor do Nolan, mas não é ruim. Notam-se vários dos
maneirismos de direção e da assinatura visual do diretor, que é considerado o “Kubrick
do século XXI”.
Povo criticou o filme
muito por causa da “lacração” ou do conteúdo woke, que de fato está lá,
mas não é algo que prejudica tanto a experiência. Ao contrário do que disseram,
o papel do Elliot Page não é o de Aquiles, mas o de Sinon, personagem da Iliada,
mas que tem importância em A Odisseia, e, somando todo o tempo de
tela dele, só dá uns três minutos. Lupita Nyong’o interpreta Helane e sua irmã
gêmea, Clytemnestra, e, de tempo de tela, só tem uns cinco minutos. A arroz de
festa e “muié” do Homem-Aranha “Tom Rola” Zendaya interpreta Atena e uma menina
que os homens de Odisseu decapitam em Troia, e tem uns oito minutos de tempo de
tela.; isso em um longa com três horas de duração.
Acredito que Nolan pretendeu
com A Odisseia fazer sua própria versão de um épico e de um dos livros
mais clássicos da humanidade, escrito por Homero há mais de 3.000 anos. E ele
optou por adotar uma narrativa não linear. No início do filme, Odisseu,
interpretado por Matt Demon, está amnésico, vivendo em uma ilha com Calipso (Charlize
Theron), um pouco antes de ele finalmente conseguir voltar para a ilha de Ítaca, seu reino. E então, sim, ele
começa a se lembrar de sua jornada para casa após a Guerra de Troia e de tudo pelo
que passou.
Após cegar o ciclope
filho de Poseidon, Odisseu e seus homens são amaldiçoados pelo deus dos
oceanos, enfrentando pesadas tempestades. Ele também passa por inúmeros
percalços, desde a feiticeira Circe (Samantha Morton) transformando seus homens
em porcos até o confronto com gigantes laestrigonianos, e ainda tendo de
navegar pelo recife das sereias. No entanto, nada impedirá Odisseu de retornar
para sua bela esposa Penélope, interpretada pela ex-Mulher-Gato, e seu filho
Telêmaco, vivido por Tom Holland, vulgarmente conhecido como o Aranha “Tom Rola”.
Acreditando que Odisseu está morto, Penélope
tem sido assediada por inúmeros pretendentes, incluindo Antinous, cujo papel é
feito por Robert Pattinson, que também foi o Batman e o vampiro emo Edward de
Crepúsculo. Odisseu tem poucos discípulos fiéis; um deles é Eumaeus (John
Leguizamo, o Violador de Spawn, quem lembra dessa é das antigas). Ao
mesmo tempo, Telêmaco parte com uma tripulação para saber o paradeiro de seu
pai e encontra o rei corno Menelau, o marido da Helena, interpretado por Jon
Bernthal, o Justiceiro.
Nolan é conhecido por
ter um estilo de narrativa que mistura o realismo com conceitos fantásticos de
ficção científica, mas dessa vez foi a primeira vez que ele teve de trabalhar com
a fantasia mitológica. Ele quis fazer uma interpretação mais intimista de A
Odisseia, trabalhando o psicológico de Odisseu, inclusive com sua culpa, o
que destoa do livro. Quem leu o livro sabe que ele nunca se sentiu culpado por ter aniquilado
Troia. Odisseu não pode ser interpretado sob as lentes da moralidade moderna, bem
como nenhum dos personagens de A Odisseia. Telêmaco, por exemplo, no
final da obra, manda matar e dependurar as aias traidoras, coisa que não
acontece no filme, porque na visão moderna seria uma punição desproporcional ao
erro ou delito. No filme, a única aia traidora é a interpretada por Mia Goth. Muitos fatos da obra, inclusive, são mudados ou suprimidos no longa.
Entre eles, toda a parte em que Odisseu se envolve com a princesa Nausícaa.
Como saldo geral, creio
que A Odisseia é sim um filme que vale a experiência do cinema, é um
filme para “tela grande”, como dizem. Ainda que o cinema não seja Imax, a
qualidade das imagens e da fotografia é de encher os olhos. Destaque também
para as cenas de batalha, que Nolan se esmerou em fazer, algo que nunca foi o forte
do diretor. Não que A Odisseia vá ressuscitar o gênero de épicos, mas
sem dúvida merece a conferida. Bem sei que o filme está sendo bem divisível; o
que posso dizer é que vocês devem assistir para tirarem suas próprias conclusões.
Nota 7,5 de 10.















