Assim como ser humano
vai aos poucos de um bebê que engatinha para um adulto capaz de andar, o mesmo
pode ser dito quanto a evolução dos quadrinhos dos X-men. Enquanto as primeiras
históricas, focadas na primeira classe, não foram tão bem recebidas, elas
introduziram o conceito da equipe aos leitores, algo que se tornou mais popular
com as histórias da equipe Giant Size. Com essa ascensão, vários criadores começaram
introduzir novos mutantes que vieram a encontrar seu lugar na equipe.
Hoje em dia X-men é um
dos maiores grupos quando se trata de número de integrantes, com cada
personagem tendo seus momentos de destaque e fãs. A quantidade é tão grande
que, se fosse falar só de metade deles, já faria essa ser uma das listas mais
longas do site.
Por isso, já tendo
falado dos membros fundadores e da equipe giant-size, dedicarei a essa última
parte para falar das recomendações que faço apenas aos membros conhecidos que
vieram após o sucesso do Giant-Size, os personagens que ao serem citados já
fazem os leitores pensarem nos X-men. Se acharem que eu não citei alguns de
seus favoritos, é só falar nos comentários.
Dito isso, vamos
começar....
Kitty
Pryde e Wolverine (Kitty Pryde)
- Leitura: Kitty Pryde and Wolverine nº01 a 06
A palavra que melhor
descreve as histórias focadas na Kitty é “crescimento e maturidade”. Quando foi
introduzida nos quadrinhos dos mutantes, ela a caçula da equipe, a jovem com os
quais nós leitores podíamos nos enxergar. Apesar de inexperiente, ela já era
mostrada sendo corajosa, engenhosa e protetora de seus amigos, mesmo que isso
significasse arriscar sua vida.
Seu desenvolvido seria
destacado quando ela descobriu que seu pai estava envolvendo em negócios com a
Yakuza. Ao viajar ao Japão para ajuda-lo, Kitty acaba sendo capturada e sofre
uma lavagem cerebral do ninja Ogun, se tornando uma assassina. Embora Logan,
acompanhado de sua amiga Yukio, consiga liberta-la o controle do vilão, Kitty
fica traumatizada psicologicamente. É
apenas graças a um treinamento que recebe de Logan, que Kitty encontra coragem
para confrontar Ogun, superando não só o inimigo que a torturou como também seu
trauma.
Essa minissérie não só
estabelece a relação entre Logan e Kitty (uma das melhores dinâmicas dos X-men)
como também marca o momento em que ela evolui da jovem insegura para a badass
lutadora da liberdade que os fãs atuais conhecem.
Going
Rogue (Vampira)
- Leitura: Rogue vol.3 nº01 a 06
Para muitos que cresceram
com os filmes, ela é apenas uma personagem indefesa e definida pela tragédia de
não poder tocar nas pessoas, devido ao seu poder de absorver energia. Mas, nos
quadrinhos, ela é uma figura bem mais complicada, lidando com vários problemas
como sua relação com a Mística (sua mãe adotiva), o conflito com as diferentes
memórias das pessoas que ela tocou, sua incapacidade de tocar em seu amado
Gambit, etc....
Das várias histórias
que abordam esses desafios que a Vampira teve que encarar, um dos melhores exemplos
é Going Rogue. Tendo sido publicado nas 6 primeiras edições do terceiro volume
da revista solo da personagem, esse arco mostra Vampira retornando a sua cidade
natal no Mississipi para encontrar a mãe de uma criança mutante que ela
resgatou. Sua busca sofre um desvio quando ela encontra um estranho, que diz
ser amigo de sua mãe biológica. Quanto
mais a Vampira vai se aventurando por esse mistério, ela vai fazendo
descobertas chocantes, envolvendo espíritos e um clone de si mesma.
Como algo saído do Além
da Imaginação, esse arco é uma daquelas hqs que abraça o bizarro e surreal,
porém, em seu roteiro, tem uma história bem pessoal, que explora a infância da
Vampira, mostrando como ela já tinha traumas e cometido antes mesmo da situação
com seus poderes, com a situação no presente levando-a fazer as pazes com seu
passado.
Essa série também tem a
melhor representação dos poderes da Vampira, com toque dela não só permitindo
ela ter os poderes e memórias da pessoa, mas também se visualizar na memória
dessas pessoas e entender seus sentimentos. Seu poder pode parecer uma
maldição, mas, quando usado direito, pode ser uma ferramenta que permite ela
compreender melhor as pessoas e também a si mesma.
Mitos:
X-men & Magneto não é um herói (Magneto)
Leitura: Mythos X-men
& Magneto not a hero nº01 a 04
Cedo ou tarde, eu teria
que falar do Magneto. Com certeza um personagens mais importantes da mitologia
dos X-men. Por um lado, ele é um dos maiores inimigos que os alunos de Xavier
enfrentaram. Mas, ele também lutou ao lado deles em várias ocasiões por
objetivos em comum, chegando a se unir a equipe em ocasiões.
Por causa dessa
flexibilidade minha recomendação consiste em não uma mas duas, que exploram o
Magneto em dois lados do conflito e entre heróis e vilões: Mitos X-men e
Magneto não é um herói.
A primeira história é
uma nova versão do “X-Men nº01”, mostrando o primeiro confronto dos X-Men
contra o mestre do magnetismo. No entanto, enquanto a revista do Stan Lee e
Jack Kirby focou mais em ação e os heróis se saindo triunfantes no final, essa
foca no debate ideológico entre Xavier e Magneto, com ultimo provando as falhas
nos métodos do Xavier e como a perseguição aos mutantes que o professor queria
impedir já tinha iniciado.
Já a segunda história
se passa logo após Magneto ter se unido aos X-men em sua nação na ilha de
Utopia, quando antigos rostos de seu passado retornam e começam a incriminar
Magneto de uns assassinatos a um movimento anti-mutante. Durante a busca para
limpar seu nome é colocado em questão a mudança de Magneto, visto que, mesmo
estando aliado aos X-men, ele ainda se demonstra capaz de ser cruel com seus
inimigos. Ao final da história, fica claro como Magneto não se vê como herói ou
vilão, mas sim alguém fazendo o necessário para garantir a sobrevivência de sua
raça.
Psi-War
(Psylocke)
Leitura: X-men vol.2 nº77 e 78
Embora tenha se unido
aos X-men na década de 80, Betsy Bradock, a Psylocke, viria a ter seu destaque
na década de 90, se tornando uma das integrantes mais populares da equipe e
participante de várias de suas aventuras.
Uma delas que eu cito
nessa lista foi a apropriada “Psi-war”, onde ela se juntou a Tempestade e uma
equipe numa missão ao Quênia para ajudar a mãe adotiva da Ororo e o povo de seu
vilarejo, que estavam sendo controlados pela entidade divina Anasi. Ao
confronta-la, foi revelado que Anasi era, na verdade, o Rei das Sombras, que
capturou Betsy e usou seu poder para ampliar seus poderes psíquicos e espalhar
caos pelo mundo.
Se culpando por essa
destruição, Betsy quase sucumbe ao desespero. No entanto é vendo Tempestade
reatando com sua mãe adotiva, que a ninja telepata encontra coragem para
enfrentar o Rei das Sombras, arriscando sua própria vida pela salvação de
todos.
Lifedeath
& Queda dos mutantes (Forge)
Leitura: Uncanny X-men
vol.184 a 188 e 226 e 227
Lifedeath costuma ser
considerada por muitos fãs uma das melhores histórias da Tempestade. No
entanto, esse também um arco de outro integrante dos X-men que não recebe tanto
reconhecimento: O Forge. Introduzido em Uncanny X-men nº184, ele foi
apresentado como um ex-veterano da Guerra do Vietnã e um inventor isolado, que
acabou sendo contratado pelo governo para criar uma arma capaz de neutralizar
os poderes de mutantes e super-criminosos. Infelizmente, sem que ele soubesse a
tempo, o agente Grych acabou se apossando do protótipo de seu neutralizador
para usar contra a Vampira (que na época era procurada pelo governo) e
acidentalmente acabou atingindo a Tempestade. Se sentindo responsável, Forge
resgatou Ororo e tentou ajuda-la se recuperar, levando os dois a desenvolverem
sentimentos um pelo outro. Esse romance logo encontrou seu obstáculo quando
Ororo descobriu que Forge criou o neutralizador, quebrando sua confiança no
inventor.
No entanto, Forge teria
seu momento de redenção, começando com ele ajudando os X-men a derrotarem os
Dire Wraiths, em uma batalha que custa a vida de seu mentor, o xamã Nazé.
Depois ele e Tempestade tem seu momento de reconciliação, trabalhando juntos
para escapar da dimensão do Adversário e ajudar os X-men a salvarem o mundo da
entidade, com Forge sendo quem aplica o golpe final.
Apesar da quantidade de
personagens envolvidos, tanto Lifedeath quanto a Queda dos mutantes são
histórias importantes para Forge, mostrando seu crescimento de um homem isolado
e traumatizado pela guerra, para se envolver nos conflitos e usar seus
conhecimentos (tanto de ciência quanto magia) para proteger as pessoas. No
entanto, é mostrado como as ações de Forge, mesmo as bem intencionadas, tem
consequências que ele é forçado a viver, criando uns conflitos bem
relacionáveis para o seu personagem.
O
coração dos bandidos (Gambit)
- Leitura: X-men vol.2 nº33
Nem todos os X-men
começaram do lado dos anjos. No caso de Remy Lebeau, o Gambit, ele era um
ladrão, tendo cometido vários roubos e crimes antes de fazer parte dos Filhos
do Átomo. Embora sua entrada na equipe permitiu ele se tornar um herói, seu
passado sempre voltada para assombra-lo.
Uma dessas ocasiões
veio acontecer quando os X-men capturaram o Dentes de Sabre, que demonstrou ter
uma rivalidade com Gambit. Curiosa, Vampira interrogou o mutante selvagem e ele
revelou seu primeiro confronto contra o cajun, quando os dois competiam para
roubar o amuleto de uma jovem. Com seu charme, Gambit consegue seduzir a moça,
e os dois começam um namoro. Porém, a aproximação dos dois leva a moça a se
tornar alvo do Dentes de Sabre, com Gambit, no final, tendo que tomar uma dura
decisão.
A reação de Gambit,
quando é confrontado por Vampira, expressa o conflito interno por trás de sua
atitude descontraída, expondo a insegurança que ele carrega sobre si mesmo.
A
vingança de Jubileu (Jubileu)
- Leitura: Wolverine vol.2 nº72 a 74
Uma personagem que
sofre muitas comparações com a Kitty Pryde é a Jubileu. Isso é normal visto que
elas compartilham certas semelhanças (ex: ambas conheceram os X-men quando
adolescentes; ambas representam o público-leitor jovem nas histórias; ambas tem
uma relação de mentor e aluna com Wolverine). Essa comparação se deve ao uso da
Jubileu no desenho dos anos 90, onde ela assumiu o papel que era da Kitty Pryde
nas hqs.
Porém, nas hqs, a jovem
X-men era um pouco diferente: Ao invés de ser uma jovem, com uma vida normal e
pais simpáticos, que é recrutada pelos X-men,
Jubilee era uma figura bem mais ativa. Tendo perdido seus pais ainda
jovem, ela fugiu e passou a viver em um shopping. Quando viu os X-men em ação,
ela acabou se envolvendo em suas aventuras, se tornando uma sidekick do
Wolverine e, logo depois, uma integrante. Ela era um modelo do jovem
adolescente dos anos 90.
Durante essa época, uma
de suas aventuras mais importantes foi “A vingança de Jubileu”, onde a heroína
descobre a identidade dos responsáveis pela morte dos seus pais e jura faze-lo
pagar pelo que fizeram. No entanto, para chegar até eles, Jubileu antes tem que
sobreviver a uma missão com Wolverine, para confrontar uns Sentinelas
reativados.
Nessa trilogia de
edições, tem vários momentos da Jubileu sendo uma badass (um grande contraste
com a versão que os fãs conheceram no desenho dos anos 90) com o auge sendo o
momento em que ela confronta os assassinos de seus pais, onde ela demonstra ser
capaz de não deixar suas emoções influenciarem seus valores morais.
Coragem
(Morfo)
-Leitura: X-men Série Animada T04 EP04
Nem todos X-men tiveram
sua origem nos quadrinhos. O Morfo, por exemplo, embora fosse baseado em um
personagem obscuro das hqs (o Changeling), foi criado para a série animada dos
anos 90. Originalmente, a ideia dos produtores era mata-lo nos primeiros
episódios, similar ao que aconteceu com o Passaro Trovejante nas hqs (algo que
os criadores quiseram alterar, com receio das consequências deles matarem o
único membro indígena da equipe). No entanto personagem acabou fez tanto
sucesso entre fãs, que os produtores o ressucitaram na temporada seguinte.
Por ser um personagem
original e sem material para adaptar, foi difícil produtores criarem histórias
para Morfo, resultando neles tendo poucas aparições na série dos anos 90 e
virando um alivio cômico no X-men 97. Mas, isso não quer dizer que não houve
tentativas, com um melhores exemplos sendo o quarto episódio da quarta
temporada “Coragem”.
Se passando logo após
Morfo ter recebido alta de seus tratamentos na ilha Muir para recuperar dos
traumas, ele se reúne com os X-men, ansioso para voltar a ativa. No entanto seu
estado mental é colocado em questão quando os X-men tem que lidar com a volta
dos Sentinelas. Ver os robôs que o mataram reabre as cicatrizes mentais,
fazendo Morfo sofrer ataques de pânico.
Embora a mensagem da
trama seja a importância de enfrentar os medos, ela dá o merecido destaque ao
Morfo que ele não recebeu em suas aparições anteriores. Sua personalidade bem
humorada contribui para dar leveza para situações difíceis que o grupo passa. Porém,
ele não é ignorante aos problemas a sua volta, tendo o coração de um herói e um
desejo de provar seu valor aos X-men. É apropriado que um personagem capaz de
mudar de forma acabe recebendo um arco assim sobre ele lutando para definir sua
própria identidade.
E
de Extinção (Emma Frost)
Leitura: New X-men
nº114 a 116
Um dos nomes mais
importantes das histórias dos X-men foi Grant Morrison. Sua fase é considerado
responsável por reinventar a imagem dos X-men para o novo milênio, introduzindo
vários conceitos novos e desenvolvimentos surpreendentes para os personagens.
Um dos maiores exemplos foi a ex-vilã e integrante do Clube do Inferno, Emma
Frost.
Já de cara no primero
arco “E de Extinção”, a vida de Emma passa por uma mudança inesperada quando
muitos de seus alunos são mortos no massacre de Genosha. Ela só sobrevive
graças ao desperta de sua mutação secundária, que transformar sua pele em
diamante.
Embora salva pelos
X-men, Emma não tinha interesse algum em fazer parte da equipe. No entanto, ela
logo acaba tendo um papel crucial em ajudar os heróis em derrotar Cassandra
Nova. Isso marcou não só sua entrada oficial para a equipe, mas o início de sua
evolução em uma de suas integrantes mais icônicas.
Uprising
(Spike)
-Leitura: X-men Evolution T04 EP05
Tendo crescido
assistindo X-men Evolution, não tinha como fazer essa lista sem citar o Spike.
Assim como o Morfo, ele foi outro personagem original, criado parar dar mais
diversidade para equipe. O jovem Evan Daniels foi introduzido na série como
sobrinho da Tempestade. Quando ele começou a manifestar seu poder de disparar
espetos de seu corpo, sua tia tentou convence-lo a se unir aos X-men. Embora
tenha se recusado no início, Evans acaba mudando de ideia após os X-men o
ajudarem a limpar seu nome, quando foi incriminado por Pietro.
Após vários episódios
sendo um integrante principal da equipe, agindo como o jovem rebelde, Evans
sofreria uma mudança (literalmente e figurativamente), quando seus poderes
sofrem uma evolução além do nível controlado, após ele tomar, acidentalmente,
uma bebida prejudicial aos mutantes. Com seu corpo revestido por uma armadura
óssea e incapaz de se passar por humano, Evan passa a viver com os Morlocks nos
esgotos de Nova York.
Isso levou a um dos
melhores episódios da série “Uprising”, onde Spyke passa a proteger os Morlocks
dos humanos que os oprimem nas ruas. Infelizmente, suas ações acabam levando os
Morlocks a serem alvos do anti-mutante Duncan Matthews e seus colegas, levando
os X-men a interferirem para ajudar seu amigo.
Apesar de ter sido o
última aparição do Spike antes do finale da série, foi um episódio que fechou o
ciclo de seu arco, com o personagem que antes não queria haver com a questão
dos humanos e mutantes, não só passa a aceitar seu poder como também a
responsabilidade para proteger os necessitados.













