No último texto que postei, eu apresentei uma lista recomendando histórias de cada um dos membros
fundadores dos X-Men.
Mas, quem conhece a
história dos X-men nos quadrinhos sabe que, embora os integrantes da primeira
classe sejam populares hoje em dia, suas histórias na década de 60 não foram
bem recebidas pelo público, com a revista tendo sido um fracasso de vendas na
época.
Isso só veio a mudar em 1975, com Giant Size X-men nº1, quando Len Wein e Dave Crockum reinventaram os X-men, com introdução de novos personagens, recrutados pelo Professor Xavier para resgatar a Primeira Classe, que tinham sido capturados por Krakoa, a ilha viva.
Ao invés de um bando de adolescentes americanos, o grupo era
composto por jovens adultos de várias etnias e regiões do mundo.
Para muitas pessoas,
incluindo eu, essa formação (Giant Size) é uma das mais icônicas dos X-men,
tendo sido responsável por introduzir vários personagens queridos da equipe,
como Tempestade, Noturno e, o mais importante de todos, Wolverine.
Mas supondo que vocês
estejam procurando uma hq específica para conhecer um pouco mais um dos
personagens individualmente, qual opção poderia ser dada?
Pois bem... nesse texto
irei responder essa pergunta apresentando uma recomendações de histórias para
conhecerem cada membro da formação do Giant Size.
Mundos
a parte (Tempestade)
- Leitura: X-Men Worlds Apart nº01 a 04
Sendo uma das X-men (ou
X-Women nesse caso) mais adoradas pelos fãs, Ororo Munroe tem uma quantidade de
histórias que exploram vários aspectos de sua personalidade, como heróina
disposta a sacrificar sua vida e felicidade pelo bem maior (ex: “Lifedeath”,
publicada em Uncanny X-men vol.1 nº nº186
e 198) ou a líder badass e respeitada dos X-men (ex: “Dançando nas
sombras”, publicada em publicada em Uncanny
X-men vol.1 nº169 a 170).
Mundos a parte explora
todos esses aspectos, e mais em apenas 4 edições. A trama em geral, envolve a
Tempestade, agora estando casada com o Pantera Negra, se sentindo dividida
entre sua relação com os X-men e suas novas responsabilidades como rainha de
Wakanda. No meio desses dilemas, o bicho-papão de seu passado, o Rei das
Sombras, faz seu retorno e começa arruinar a vida da Ororo, desde incriminar
seu aluno de um assassinato, possuir o Ciclope e tentar fazê-lo eliminar os
X-men e, forçar a heroína a lutar contra seu marido.
Esse arco é recheado de
um momento marcante da Tempestades atrás do outro, dando ao leitor uma ideia clara
do porque ela é respeitada por todos os X-men como a figura mais próxima de uma
deusa.
Como
ser um artista (Colossus)
- Leitura: X-men Unlimited nº14
Apesar de sua aparência
grande e intimidadora, Colossus é uma figura simpática e adorável, o típico
grandalhão com um coração inocente. Mas isso não significa que ele seja ingênuo
ou alienado aos problemas a sua volta.
Em “Como ser um
artista”, o integrante russo dos X-men recebe uma tarefa de montar uma pintura
para a exposição. Entretanto é exigido que ele faça completamente diferente de
suas pinturas belas, algo que reflita tragédia e problemas da realidade.
Conforme a história vai
se desenvolvendo, o dialogo de pensamento a dificuldade de Piotr em expressar
tais aspectos pois ela usa arte como uma forma de escapismo dos aspectos
trágicos de sua realidade (ex: o preconceito que ele sofre por ser um mutante,
o fato dele ter deixado sua família e país, todas vezes que ele teve que deixar
seu pacifismo de lado para lutar pela humanidade).
Ao final da história,
ele cria uma obra que, não é compreendida pelo público. Mas, para ele,
representa uma tragédia bem pessoal, mostrando como, por baixo da pele de ferro
do Colossus tem um homem lidando com uma complexidade de sentimentos e dilemas.
Sendo uma pessoa que
usa arte como expressão (não só textos, como tbm desenhos), ver como essa
história explora nesse lado artístico do Colossus, conseguiu torna-lo um dos
X-men mais relacionáveis.
Meu
mais querido amigo & Na próxima vida (Banshee)
- Leitura: Classic X-men nº16 & Uncanny X-men First
Class nº03
Nem todos os
integrantes do Giant-Size foram introduzidos na mesma revista. Tendo como
exemplo o Banshee, ele antecede todos, tendo sido introduzido em X-men vol.1
nº28, como um agente da Interpol sendo manipulado pelo Fator 3, até que os
X-men conseguiram liberta-lo do controle dos vilões. Desde então, ele tem sido
aliado leal aos heróis e lutado ao lado deles em várias aventuras, incluindo
aquelas que envolviam lidar com seu primo, Black Tom Cassady.
Porém, duas histórias
que dão um foco exclusivo no personagem de Sean Cassady são Meu mais querido
amigo e Na próxima vida. Embora tenham sido publicadas em épocas diferentes,
essas duas revista são conectadas por explorarem o romance de Sean com sua
falecida esposa, Maeve (mãe de sua filha Syren).
Meu mais querido amigo
é situada no passado, mostrando como Sean conheceu sua futura esposa. Durante
esse flashback, não só é mostrado o nascimento do amor entre os dois mas também
detalhes inesperados do mutante, como o fato dele ter sido um jovem rebelde,
que se metia em perseguições com a polícia (irônico visto que ele viria se
tornar agente da Interpol) e como seu primo Black Tom Cassaday era um homem com
mais sucesso na vida do que ele, o que fazia Sean sentir um complexo de
inferioridade. Isso demonstrou como o amor de Bashee por Maeve o levou a ter
que crescer e se torna um homem mais responsável.
Já “Na próxima vida” se
passa no presente (tecnicamente na época do Giant Size, mas isso não vem ao
caso), mostrando o passado literalmente voltando para assombrar Sean, quando
ele começa a ter visões do espírito de Maeve, culpando-o por ter falhado em
salva-la. É uma história com um final triste e, ao mesmo tempo, tocante, que
puxa Sean a aceitar a perda de sua amada e decidir seguir em frente, ao invés
de ficar obcecado pelo passado.
E
quando tinha um (Pássaro Trovejante)
- Leitura: Giant Size X-men: Thunderbird
Enquanto maioria dos
integrantes da primeira classe continuaram presentes nas hqs dos filhos do
átomo e tiveram histórias memoráveis, John Proudstar, o Pássaro Trovejante não
teve essa sorte. Por julgarem muito parecido com Wolverine em termos de
personalidade (ranzinza, impulsivo, se metia em brigas com Ciclope), os
criadores decidiram que ele morreria no X-Men vol.1 nº95, como forma de mostrar
a seriedade da nova fase dos X-men para os leitores. Embora essa decisão tenha
atingido o objetivo visualizado, ela privou o personagem do John Proudstar de
poder ser mais desenvolvido, com personagem tendo permanecido morto por um
longo tempo.
Isso mudaria a partir
da Era Krakoa, quando os mutantes descobriam uma forma de ressuscitar todos
personagens que tinham sido mortos, incluindo o Pássaro Trovejante original. Ao
invés de viver em Krakoa, onde ele era visto como um mártir, Proudstar escolheu
voltar para sua terra natal. Entretanto, ao chegar lá, ele descobre que o
governo tinha sequestrado todos os apaches suspeitos de serem portadores do
gene-X. Suspeitando que sua vó estivesse entre as pessoas capturada, Proudstar,
como um verdadeiro badass, vai salva-las, enfrentando sozinho vários agentes,
incluindo seu velho inimigo, o doutor Martynec.
Para um personagem que
passou muito tempo morto, esse quadrinho foi o remédio que o Pássaro Trovejante
precisava, permitindo o personagem sair da imagem de um “Wolverine 2.0” (como
diria Chris Claremont e Dave Crockum) e se mostrar um homem dividido entre suas
dois grupos e suas heranças (mutantes e apaches). Ao final de sua jornada,
Proudstar aprende não a rejeitar um lado dele por outro, mas sim a valorizar os
dois como parte de sua identidade.
A
saga da Redroot (Solaris)
- Leitura: X-men Unlimited Infinity nº106 a 111
Com o sucesso de Giant
Size X-men nº1, maioria dos novos membros permaneceram sendo protagonistas das
edições seguintes do título dos X-men.
Todos? Não exatamente.
Uma exceção a regra foi
Shiro Yoshida, o Solaris. Apesar de ter ajudado Xavier a resgatar seus alunos
de Krakoa, Shiro se recusou a permanecer na equipe, considerando que seus
poderes deveriam ser usados a serviço de seu país. Isso o levou a ter um papel
como um aliado ocasional do que um membro oficial. Mas isso não significa que o
esquentadinho não teve umas histórias legais para os leitores curiosos.
O exemplo mais recente
que cito nessa lista é a intitulada Saga da Redroot, onde Shiro é escolhido
pela Tempestade (atual rainha da nação mutante de Arkko em Marte) para ir ao
Outworld resgatar a mutante Redroot. Sua busca se torna uma jornada rigorosa,
com Shiro tendo que passar por vários obstáculos, incluindo Sentinelas da Orquídea
(liderada pela Moira Mctagget), monstros do deserto e um frio intenso. Porém, mesmo estando cansado e ferido, Shiro
continua a tentar cumprir com sua missão, demonstrando ter uma determinação tão
intensa quanto suas chamas.
Assim como clássicos,
tipo “Homem Aranha: Se esse for o meu destino...”, essa história, embora
desconhecida, é mais um exemplo de como o valor de um herói não se encontra em
sua força física, mas sim em sua força de vontade e convicção. Ao mesmo tempo,
ela desenvolve o personagem do Solaris, mostrando como o herói que era leal ao
governo de seu país passou a dedicar seu poder para ajudar aqueles que
necessitam dele.
Eu,
Wolverine (Wolverine)
- Leitura: Wolverine vol.1 nº01 a 04
Se o assunto são
histórias individuais dos, Wolverine dispensa comentários. Gostem ou não, ele é
a face dos X-men na cultura pop, sendo protagonistas de várias aventuras
próprias, seja nas revistas da equipe ou em seus títulos solos. Eu poderia
fazer um texto só falando sobre as melhores do Wolverine (na verdade... eu já
fiz!). Mas, como nesse texto envolve apenas uma recomendação por personagem, eu
seguirei a regra citando apenas uma história que recomendo para os interessados
no carcaju: Eu,Wolverine
Essa obra clássica,
escrita pela dupla do Chris Claremont e o Frank Miller, mostra Logan voltando
ao Japão após saber que sua paixão, Mariko após saber que sua paixão Mariko
Yashida foi forçada a se casar por ordem de seu pai, Lorde Shingen, que possui
negócios com a Yakuza. Ao tentar resgata-la, Logan é derrotado em combate pelo
lorde japonês. Humilhado, Logan passa a viver nas ruas com a ninja Yukio. Porém
seus caminhos começam a se cruzar com Shingen e seus aliados do Tentáculo,
levando Logan a ter que confrontar mais uma vez o vilão e libertar a mulher que
ele ama.
Enquanto muitas
histórias focam no Wolverine como esse selvagem, rude, que mata sem hesitar
história como “Eu,Wolverine” mostram o quão longe da verdade está essa visão.
Logan pode ser ranzinza e solitário, mas, no fundo, é a forma dele lidar com a
montanha de traumas que ele passou. Apesar de parecer não se importa com a
forma como outros o julgam, Logan deseja encontrar algo que prove que ele não é
esse selvagem que muitos o consideram. Por isso ser rejeitado por Mariko, sendo
visto como “indigno”, é mais doloroso do que todas as lutas que ele travou. Por
meio dessa narrativa, Miller dá ao Logan uma jornada de queda e renascimento (similar
ao Demolidor na Queda de Murdock), mostrando Logan atingido um estado
deprimido, mas escolhendo se opor a Yakuza não a pedido de Mariko, mas sim por
sua própria escolha. O que poderia ser uma história sobre vingança, se torna
algo mais profundo sobre identidade e equilíbrio interno.
- Leitura: Uncanny X-men vol.1 nº204
Quem me conhece provavelmente consegue imaginar o quão animado eu tava para fazer esse capitulo onde posso recomendar uma história do meu herói favorito, o Noturno. Durante seus anos de existência, o personagem teve várias aventuras divertidas e bem escritas, graças, em parte, ao seu charme ousado e personalidade otimista.
De todas essas peripécias, minha favorita é “O que aconteceu com Noturno?”, que mostra Kurt sofrendo de uma crise de fé, após seus colegas terem ido batalhar contra o Beyonder. O fato de ter sido ignorado pelo deus cósmico, combinando com suas inseguranças quanto ao seu desepenho como um líder começa a fazer o elfo azul questionar sua crença, chegando ter um argumento com sua namorada, Amanda.
Porém, logo ele é forçado a confrontar essas dúvidas internas quando testemunha uma moça sendo sequestrada pelos homens de Arcade. Encontrando-a no Murderworld, Noturno se torna o protetor dela, ajudando-a sobreviver as armadilhas e os cenários surreais do Arcade.
Embora a história tenha cenas de ação bem criativas, a melhor parte é o desenvolvimento do Kurt. Ver um dos X-men mais otimistas tão deprimido pode parecer uma descaracterização, porém o roteiro de Claremont humaniza o protagonista, mostrando como até mesmo alguém com uma fé tão forte como Kurt pode passar por questionamentos diante as experiências (algo compreensível quando se tem em mente que isso é um universo onde deuses mitológicos são reais). Seria fácil a história seguir o caminho previsível e ter a história concluindo provando que os ideais são os corretos, Claremont opta por não dar uma resposta clara, mostrando como fé em religão não é algo absoluto, mas sim um instrumento pessoal, que indivíduos como Kurt uma sensação de controle na vida, dando a essa aventura quadrinesca um aspecto bem profundo e reflexivo.
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