O Bosque Das Virgens - Jean Dufaux & Béatrice Tillier



Roteiro: Jean Dufaux

Arte: Béatrice Tillier

Ano de publicação do original: 2008 (Volume 1), 2010 (Volume 2) e 2013 (Volume 3)

Editora: Delcourt

Tradução & Créditos Dos Scans: Ndrangheta & DecK'Arte


Sinopse


Um mundo dividido entre conflitos de humanos com seres híbridos, onde violência e guerra dão o tom dos acontecimentos. Mas, o casamento da humana Aube com o lobo Loup-de-Feu é a promessa do fim das hostilidades entre os dois grupos. Porém, algo dá errado e o que antes era um conflito de séculos assume proporções avassaladoras que ameaçam a existência do mundo deles em si. Humanos e Animais em guerra definem nesta história o rumo dos eventos, tendo em Aube a chave para o fim desse destrutivo processo.




Inomináveis Saudações a todos vós, Realistas Leitores!


Uma leitura que teria muito para ser melhor ampliada dentro das premissas de seu enredo principal se perde no meio do caminho, deixa pontos em aberto e escapa da categoria de ser uma obra-prima. Nunca comecei uma Resenha elencando os defeitos daquilo que li ou assisti, mas as capas das três edições de O Bosque Das Virgens podem enganar a qualquer um. Não é uma má obra, mas o Autor desviou-se diversas vezes da exploração do foco da luta entre Humanos e Animais para dar lugar a um romance que considero, no mínimo, muito forçado. O que manteve meu interesse na obra foi a belíssima arte de Beatrice Tillier, estabelecendo quadros de impacto e de sensibilidade como pinturas moldadas para apreciações de longa duração. No entanto, somente a parte gráfica não consegue segurar a perda de foco de todo o enredo de uma história.


Não vou explicar ponto por ponto, dando spoilers, o conteúdo da trama, não é assim que eu costumo resenhar. Nestas linhas, estou sintetizando as observações finais nascidas de minha leitura, as quais me levaram a uma grande decepção. Eu poderia encerrar isto aqui agora, dizendo que o agridoce e ingênuo final da história não estabelece nada de harmônico para quem busca leituras que saibam evoluir. Segui até o final apenas por causa dos desenhos, o que é raro de ocorrer comigo. 


Jean Dufaux me pareceu do segundo para o terceiro volume enfastiado, como se quisesse desfechar de qualquer modo a obra. Este é um tipo de desleixo que é passível de ser percebido por quem possui, como eu, o costume da escrita ficcional. Um baita conjunto de elementos mitológicos e alegorias políticas ele tinha em mãos para construir uma grande história que se expandisse por mais do que três livros. Há um vazio incômodo quando notamos que um Autor não está interessado em desenvolver com apuro e dedicação o que ele tem em mãos. E o centro da história toda sequer recebeu um tratamento digno.


O Bosque Das Virgens, que dá título à obra, é um sagrado refúgio para mulheres que fogem de qualquer opressão do mundo exterior. Apenas virgens são aceitas e passam a ser defendidas por criaturas da floresta como Faunos, Sátiros e Centauros. Os homens que se atrevem a adentrar no Bosque com más intenções não saem vivos dele e em paz elas permanecem protegidas por aqueles Seres. Uma concepção mitológica interessante que veio a ser desperdiçada pela falta de interesse do Autor em torná-la ainda mais interessante.


Um evento traiçoeiro leva ao desastre nessa utópica paragem no segundo volume e suas consequências são tratadas de forma medíocre no terceiro volume para dar ênfase ao supracitado romance. Dufaux inseriu o Deus Pan da Mitologia Grega como uma das personalidades mais importantes do Bosque e o utilizou de modo inconsequente e desastroso. Vergonhosamente, o personagem entrou na história, "mitou" em alguns momentos e desapareceu... Supõe-se que ao utilizar um Grande Mito como Pan as abordagens sejam grandiosas, não? Porém, a grandiosidade aqui sequer passou perto da presença do Senhor Da Gaita De Fole.


Aube é a pior protagonista que você puder imaginar, Estilo Saori Kido de Saint Seiya: sempre a princesinha a ser salva; a donzela em perigo se fazendo de vítima toda hora; a inútil que depende de outros para dar os próprios passos. Os demais personagens são pequenos demais para serem aqui mencionados, tanto quanto a Aube. Tal ocorre muito por culpa de Dufaux, o qual, declaro agora após a péssima experiência de leitura que tive, nem sabia direito para onde conduzir os acontecimentos. Ele, miseravelmente, encontrou a solução mais comum e previsível possível para um Acordo Pacífico entre os dois lados em Guerra.


Eu aguardava mais desta obra francesa, o que não ocorreu por minha própria capacidade em ficar inconscientemente criando expectativas em direção a tudo que chega até mim. Poucos lêem Quadrinhos Europeus e esta Resenha aqui eu sei que não vai ajudar em nada a mudar esse quadro. Eu nunca mentiria aqui dizendo que esta obra é fantástica, belíssima e sublime. Passando muito longe destes adjetivos, é somente uma leitura comum válida pela parte gráfica. Com toda a minha inominável sinceridade, assim lhes entrego este escrito.


Saudações Inomináveis a todos vós, Realistas Leitores!



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Jean Dufaux


Béatrice Tillier



























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