Battle Royale - Koushun Takami



Publicado originalmente em

O Mundo Inominável 

aos 22/08/2015, 

data que marcou

o meu retorno às atualizações 

constantes do mesmo

e de todos os meus outros

oito blogs



Nome Original: Batoru Rowaioru
Autor: Koushun Takami
Ano de lançamento no Japão: 1999
Editora Original: Ota Shupan
Ano de lançamento no Brasil: 2014
Editora Brasileira: Globo Livros
Tradução: Jefferson José Teixeira
Capa: Marcelo Martinez/Laboratório Secreto
Número de páginas: 666



Sinopse

“Em um país totalitário, o governo cria um programa anual em que uma turma de ensino fundamental é escolhida para participar de um jogo. Os estudantes são levados para uma área isolada, onde recebem um kit de sobrevivência com uma arma para se proteger e matar os concorrentes. Uma coleira rastreadora é presa no pescoço de cada um deles. O jogo só termina quando apenas um estudante restar vivo. Ao final do Programa, o vencedor é anunciado nos telejornais para todo o país. As regras do jogo foram criadas de maneira que não haja uma forma de escapar. E a justificativa da matança é mostrar para a população como o ser humano pode ser cruel e como não podemos confiar em ninguém - nem mesmo no nosso melhor amigo da escola.” 


RAPAZES


1. Yoshio Akamatsu
2. Keita Ijima
3. Tatsumichi Oki
4. Toshinori Oda
5. Shogo Kawada
6. Kazuo Kiriyama
7. Yoshitoki Kuninobu
8. Yoji Kuramoto
9. Hiroshi Kuronaga
10. Ryuhei Sakagawa
11. Hiroki Sugimura
12. Yutaka Seto
13. Yuchihiro Takiguchi
14. Sho Tsukioka
15. Shuya Nanahara
16. Kazushi Niida
17. Mitsuru Numai
18. Tadakatsu Hatagami
19. Shinji Mimura
20. Kyoichi Motobuchi
21. Kazuhiko Yamamoto


GAROTAS


1. Mizuho Inada
2. Yukie Utsumi
3. Megumi Eto
4. Sakura Ogawa
5. Izumi Kanai
6. Yukiko Kitano
7. Yumiko Kusaka
8. Kayoko Kotohiki
9. Yuko Sakaki
10. Hirono Shimizu
11. Mitsuko Soma
12. Haruka Tanizawa
13. Takako Chigusa
14. Mayumi Tendo
15. Noriko Nakagawa
16. Yuka Nakagawa
17. Satomi Noda
18. Fumiyo Fujiyoshi
19. Chisato Matsui
20. Kaori Minami
21. Yoshimi Yahagi


[RESTAM 42 ESTUDANTES]



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

Após MILÊNIOS sem atualizar este blog, O Mundo Inominável, o qual jamais fora abandonado, retiro-o hoje da Animação Suspensa no qual o mesmo encontrava-se para resenhar um dos melhores livros que já li até agora nesta minha existência de 39 anos recentemente completados: Battle Royale! Lançado em 17 países e elogiadíssimo por gênios como Quentin Tarantino e Stephen King, foi adaptado para o Cinema e Mangá com releituras da obra primeira idealizadas pelo próprio autor. Koushun Takami, com esta obra, foi desclassificado no Japan Grand Prix Horror Novel na fase final por causa do conteúdo. A edição nacional é primorosa, com capa contendo um relevo do mapa da ilha onde o jogo é realizado; um mapa mais detalhado da mesma na contracapa; Fonte Fairfilte que não cansa os olhos durante a leitura; e foi impresso em papel norbite 66,6 g/m². Quanto a conteúdo narrativo anteriormente citado, o principal destaque que dão ao mesmo em quase todas as resenhas que li em um ano é para a explícita ultraviolência contida nas páginas da narrativa. No entanto, esta criação que considero uma obra-prima da Literatura Ficcional Japonesa e Mundial, é muito mais do que rajadas de Ingram e machadinhas cortando pescoços.

Quarenta e dois adolescentes confinados em uma iilha, sendo obrigados a matarem uns aos outros, é uma premissa que geraria em inábeis mãos algo grotesco repleto de uma pornográfica exaltação pura e simples da ultraviolência. Takami, no entanto, se ateve ao fato de estabelecer um profundíssimo exame acerca da Humanidade utilizando cada um dos personagens de um modo peculiar, raro e coerente com uma narrativa irônica, nervosa, insana e brutal. Cada quadro narrativo moldura uma preocupação precisa em arregimentar panoramas e perspectivas para personagens que sabemos durante a leitura que não terão nenhuma chance de sobreviver ao massacre organizado pelo Governo da Grande República da Ásia Oriental, o fictício regime totalitário abordado em sua natureza opressiva durante todo o livro. Neste, há uma grande crítica à sociedade japonesa, à Mídia, à Educação e ao Fundamentalismo de todos os dogmáticos ismos embutida e, também, ao mundo como um todo na forma da indagação que me vem à mente toda vez que penso nele: SOMOS REALMENTE RACIONAIS OU ESCONDEMOS NOSSA BESTISLIDADE TÃO BEM A PONTO DE SERMOS VISTOS UNS PELOS OUTROS COMO SERES SOCIALMENTE ACEITÁVEIS???

A escolha por adolescentes como participantes do jogo foi nitidamente uma grande façanha de Takami porque exatamente temos a resposta da pergunta acima respondida. Na adolescência, instintos afloram, desafios explodem e é muito densa a linha que une racionalidade e irracionalidade guiadas por hormônios em plena expansividade agressiva. Sendo escolhidos para o jogo, apenas três alternativas lhes são possíveis diante da obrigatória circunstância de se tornarem: participarem dele, ficarem parados escondidos pelos cantos até o fim do mesmo ou o suicídio. O que você aí escolheria? Mataria seus colegas de turma? Ficaria parado, se movendo apenas quando um Quadrante da ilha fosse proibido (um detalhe a tornar o jogo mais cruel: caso um Quadrante estabelecido pelos organizadores fosse proibido e ainda houvesse alguém nele, a coleira no pescoço explodiria; outro detalhe agora lembrado: caso tentativas de fugir pelo mar houvessem, a coleira também explodiria...)? Ou se mataria para não ser obrigado a matar?

Entre os personagens que entraram de corpo, mente e alma no jogo, destacam-se Kazuo Kiriyama (o Estudante n° 6) e Mitsuko Soma (a Estudante n° 11). Cada momento dos dois é um lvro à parte porque a psicopatia neles presente, em graus diferenciados, dá-lhes um estranho carisma e empatia com o leitor. Shuya Nanahara (o Estudante n° 15), Noriko Nakagawa (a Estudante n° 15) e Shogo Kawada (o Estudante n° 5) formam o melhor trio de personagens que se pode ter em um livro do gênero por serem a linha central e definidora do derradeiro destino do jogo. Destaco também o ardiloso, asqueroso e desprezível Kinpatsu Sakamochi, o oficial do Governo encarregado de monitorar o jogo e que em específicas horas anuncia a toda ilha a lista de mortos em alto-falantes. Um dos mais tocantes momentos do livro é o suicídio do casal de namorados Sakura Ogawa (a Estudante n° 4) e Kazuhiko Yamamoto (o Estudante n° 21), narrado de forma intensa e poeticamente singela. E uma das grandes lutas do jogo ocorre entre Takako Chigusa (a Estudante n° 13) e Kazushi Niida (o Estudante n° 16), que demonstra toda a fértil capacidade do autor em criar uma dramatização nervosa ao infinito que enriquece o todo do cenário envolvido. E... Para não entregar spoilers desnecessários, vou parar por aqui, mas quero esclarecer que nenhum acontecimento sanguinolento no livro é entregue de modo gratuito, barato e vulgar como em um filme trash em seus momentos mais bizarros. O cuidado em elaborar a personalidade de cada um dos quarenta e dois "jogadores" é extremo, ficando clara a estima e o carinho de Takami para com cada um deles. Não espere, portanto, ler uma versão em prosa de Sexta-Feira 13, Halloween, A Hora do Pesadelo ou Massacre da Serra Elétrica; algumas partes do livro chocam bastante, sim, porém tudo é movimentado como um genuíno e mortal jogo de xadrez pela sobrevivência de apenas UM.

E é dificílimo escolher UM personagem preferido, já que adoro e amo a TODOS! Não os vejo como monstros e vilões, mocinhos e santas, mas como seres humanos como eu e você aí do outro lado. Quer uma leitura que seja um completo e intenso Tratado Sobre O Ser Humano? Leia, então, esta obra e nunca mais estudantes uniformizados serão vistos por você do mesmo modo que antes desta leitura... E até mesmo você se questionaria sobre sua própria humanidade... Ou desumanidade.

(PS: amanhã postarei uma resenha do Mangá Angel's Border, a falar do drama das Garotas do Farol que no livro não foi extensivamente tratado)

Saudações Inomináveis a todos vós, Realistas Leitores!


[RESTA 1 INOMINÁVEL]



Minha edição 



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