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segunda-feira, 6 de julho de 2020

Como Capitã Marvel foi sabotada pela ganância do estúdio.


Em 2008 a Marvel lançou Homem de Ferro, seu primeiro longa metragem. Mais de 10 anos depois e 20 filmes que mostraram o início do vingadores, a divisão do grupo em Guerra Civil , o surgimento do Guardiões da Galáxia, uma espécie de "Planeta hulk" em Ragnarock, e a vitória de Thanos em Guerra Infintia a Marvel decidiu finalmente fazer seu primeiro filme solo de uma heroína. Em 2019 foi lançado, Capitã Marvel.
A questão é por que esperar 10 anos para lançar um filme de uma heroína? Provavelmente a falta de confiança em filmes solo protagonizados por mulheres visto o fracasso que foram os fracos filmes de Elektra e Mulher Gato. Foi só após o estrondoso sucesso de Mulher Maravilha (segundo filme solo do DCEU) que a Marvel decidiu finalmente tirar a ideia do papel. Ideia essa que alguns podem apontar que já havia anunciado pelo estúdio antes mas que sempre era adiado quando chegava a hora de começar a ser produzido de fato. 




E olhando mais atentamente vemos que o próprio anúncio do filme tem muita relação com as tendências do mercado, uma vez que a ideia original era introduzir a Capitã em Vingadores 2, mas por conta da falta de tempo isso foi alterado.
Mas não sejamos inocente, tudo nessa indústria é resultado das tendências de mercado e a busca por lucro. Então porque a publicidade de Capitã Marvel sempre me causou desconforto? Simples, por mostrar uma gritante hipocrisia da Disney. A empresa do Mickey Mouse não apenas fez o filme como fez uma super divulgação completamente aloprada em cima do fato do filme ser protagonizado por uma mulher forte mostrando como ele as eram uma empresa preocupada com a representatividade. Mas se a Disney sempre se preocupou tanto com isso, por que só fez o primeiro filme feminino depois de 10 anos? Por que não fizeram um filme da Viúva Negra depois de introduzi-la como coadjuvante em Homem de Ferro 2? Ou um filme da Feiticeira Escarlate após Vingadores 2?

Sabemos que Capitã Marvel é um produto feito atrás de dinheiro, mas o que realmente me incomodava era essa necessidade da Marvel/Disney de se super divulgar como a empresa da representatividade que sabemos que não era. Para tentar concertar uma década de erros e exclusão de personagens femininas decidiram encher os olhos do público, dizendo que a Capitã era a personagem mais forte do MCU e somente ela poderia salvar os vingadores (um argumento extremista para fazer com que o público se esqueça da última década sem nenhum filme solo feminino) a Marvel tentou erguer ainda mais sua marca, mas dessa vez na base do grito.
Deu certo, o filme foi um sucesso de bilheteria arrecadando mais de 1 bilhão de dólares e teve uma recepção agradável da crítica, embora nada que seja marcante, o filme também conviveu com sua base de haters que o negativaram ao infinito o filme em sites de críticas como IMDB e Rotten Tomatoes. Inclusive essa parte tóxica dos fãs foi alimentada pela mesma Marvel por 10 anos, antes de se revoltar com o estúdio.

Mas foi isso, um estouro nas bilheterias mas um filme genérico para o público comum que acabou se esquecendo do filme logo após o fim do mesmo ( inclusive metade dos filmes da Marvel podem ser descritos dessa maneira) o filme pode não ser a obra prima mas está longe de ser   o pior filme do estúdio como muitos pintam. Existem coisas interessantes ali, o senso estético dos anos 90 é muito interessante para a produção, o que traz algumas boas piadas. E temos a ótima atriz que é a Brie Larson, mas que dessa vez foi sabotada por um roteiro fraco e uma direção atores também fraca, mesmo assim você percebe o quanto ela se entrega no papel tornado a personagem no mínimo carismática. Com um roteiro melhor e alguém mais competente na direção, é uma personagem que tem futuro. Isso se a Marvel não se autosabotar novamente (nem falo das piadas sem graça e fora de hora pois já estamos acostumados) falo mesmo da super necessidade de provar ser uma empresa, que suas próprias ações anteriores mostram que não é. 
Como eu falei anteriormente a Marvel precisava muito reverter sua imagem e para isso acabou jogando muita responsabilidade e forçando muita pressão em cima da Capitã. Para mostrar como o estúdio era a favor das mulheres acabaram apenas por abraçar o estereótipo da mulher extra forte. Ela não tem medo de nada, é super poderosa, ganha de todo mundo e tá sempre e fazendo uma pose foda. Ok. Mas quem é ela? Qual o tipo de conflito que ela tem? Ora, ela é uma persongem, tem que ter uma personalidade, uma história. Não pode ser apenas uma cara fechada com super poderes, esse tipo de personagem não é interssante para ninguém. Uma vez em uma conversa com um amigo meu, ele me chamou de machista e disse que se fosse o Superman eu gostaria. Mas aí que ele está errado, tem um abismo nessa comparação. Vamos ver o Superman de Zack Snyder (que tem uma base forte de odiadores) ele é um cara super poderoso mas que está procurando seu lugar no mundo, o personagem tem uma arco de descobrir seu eu interior, depois tem a questão dele ser afetado pela opinião pública, a complexidade de dividir seus afazeres como Clark Kent com os de Superman. Esta aí um personagem tridimensional. Depois assistam os filmes novamente em www.nerdonseries.com e comparem. 



Se fossemos comparar a Capitã Marvel dos filmes com o Superman seria com sua versão dos anos 50, em que ele era realmente apenas um personagem extremamente  poderoso sem nenhum timo de personalidade ou história própria, pelo contrário, ele chegava mais perto de ser um babaca arrogante e diga se de passagem, não representava a ideia original do personagem de 1938 nem a ideia contemporânea que temos hoje que surgiu em meados dos anos 70 e 80( e tanto o Superman daquela época como a Capitã dos filmes recentes enfrentavam o peso de representar uma ideia nas costas. Superman representava os EUA e tinha que mostrar como eram um país "correto e justo " enquanto a Capitã Marvel tem que representar a Marvel/Disney e mostrar como é uma empresa" a favor das mulheres) e sim, eu não gosto do Superman dos anos 50. Para passar essa imagem de superioridade da personagem, parecem ter se baseado em personagens fortes dos anos 80 como Rambo e T800, mas se esqueceram que até esses personagens tinham um arco que explicava suas motivações. Rambo era um ex combatente da guerra enquanto o Exterminador feito por Schwarzenegger era um robô sem emoção. O filme de 2019 até tenta inserir pequenos elementos em seu roteiro mas nada que seja bem explorado no decorrer do filme deixando implícito mais uma vez que a justificativa para a Capitã Marvel ter a personalidade que tem é simplesmente o fato da Disney ter que provar sempre que não é apenas uma empresa que se preocupa com a diversidade mas sim a empresa que MAIS se preocupa. Isso tudo vai por água abaixo quando sabemos que é mentira.

Mesmo assim a personagem esbanjou algum carisma no filme mostrando o quão excelente atriz é Brie Larson. Fica aqui a torcida para que o estúdio para de se intrometer de forma negativa no futuro da personagem e que os próximos roteiristas e diretores possam ajudar Brie Larson a trazer as boas histórias das HQs para o cinema em um futuro próximo.




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