Batman Vs Superman - A Origem Da Justiça - Um Filme Grandioso Demais Para Mentes Pequenas


Hoje, 24 de março de 2020, Batman Vs Superman: A Origem Da Justiça, completa quatro anos de sua estréia aqui no Brasil, que foi um dia antes da dos Estados Unidos. Na época, fui um dos únicos a defenderem o filme, tendo sido muito massacrado no Facebook, onde divulguei a série de textos que republicarei a partir de hoje aqui, originalmente no meu blog O Mundo Inominável. Para desagrado de muitos e agrado de quase ninguém, admito. 


Direção: Zack Snyder

Produção: Charles Roven e Deborah Snyder

Produção executiva: Geoff Johns e Christopher Nolan

Roteiro: Chris Terrio e David S. Goyer

Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Holly Hunter e Gal Gadot
Música: Hans Zimmer eJunkie XL

Direção de fotografia: Larry Fong

Figurino: Michael Wilkinson

Edição: David Brenner

Companhia(s) produtora(s):  DC Entertainment, RatPac-Dune Entertainment, Atlas Entertainment Cruel e Unusual Films

Distribuição: Warner Bros. Pictures

Inomináveis Saudações a todos vós, Realistas Leitores!

Sabem qual é a maior das mentiras do mundo do entretenimento? É aquela que nos faz crer que a imensa maioria da massa que anualmente lota as salas de cinema com refrigerantes e pipocas gigantes para assistir aos filmes do Subgênero dos Super-Heróis aprecia profundamente os mesmos de um modo total. Nessa imensa maioria encontram-se também os que lêem as histórias em quadrinhos protagonizadas por aqueles, pois imagina-se que a parcela dos que totalmente se dispõem a transportar-se para dentro da verdadeira compreensão de uma série de filmes que exijam a suspensão da crença seja bem maior. No entanto, aqui está uma verdade: até mesmo entre os nerds há aqueles que equivocadamente se arvoram no direito de julgarem rasamente o conteúdo de um filme somente porque a grande maioria, a massa, se decepcionou com o mesmo. Batman Vs Superman - A Origem da Justiça não é um filme para as massas, mesmo tendo sido vendido como tal; não é um blockbuster, mesmo que alguns por aí tenham a crença de que se trata de um; e nem aponta soluções fáceis para o espectador se sentir confortavelmente senhor de toda a essência do filme. A massa, no entanto, que está a vomitar destrutivas críticas arrasadoras do filme, pensa diferente, quer o showzinho, o espetáculo, o pirotécnico roteiro dos filmes esquecíveis cinco segundos depois de serem assistidos. Querem algo perfeitamente palatável e que até te faça ter sonhos felizes à noite? O SBT reprisa Hannah Montana todos os domingos ao meio-dia, é algo bonitinho, asséptico, que não machuca ninguém ou causa uma sensação de deslocamento no meio da exibição. E a Miley Cyrus era até muito mais gata do que é hoje, um verdadeiro colírio para os olhinhos de meninos que gostam de meninas e de meninas que gostam de outras meninas.

Zack Snyder determina durante toda a execução deste filme uma revolução estética que, muitas vezes, encobre todas as narrativas que se possam originar à margem do núcleo central narrativo. David S. Goyer e Chris Terrio envolveram oitenta anos de mitologia super-heroística em um filme que dialoga com a Nona Arte metalinguisticamente quebrando as mil e vinte e quatro paredes do tecido da realidade. Das críticas que li e das que vi e ouvi no YouTube, todas enfocam “falhas no roteiro”; críticas escritas por aqueles que ainda não se propuseram a se desvencilhar do veneno da tridimensionalidade ou quadridimensionalidade proporcionada pelos filmes anteriores deste Gênero. Não há falhas, apenas um jogo de palavras e cenas que precisam ser conectadas dentro da mente do espectador; não há erros, apenas entrelinhas que devem ser preenchidas pelo espectador; não há espaço para barrigas narrativas porque o objetivo do roteiro é dar ao espectador o onipresente, onipotente e onisciente sentido de que ele deve ser a divindade interpretativa do mundo imaginado e realizado na tela. Quem leu Planetary, de Warren Ellis e John Cassaday, compreende muitíssimo bem esse processo de interpretação que deve partir de dentro, sempre, indubitavelmente.

Além da obra acima citada, Snyder incorporou elementos de muitas outras, como as amplamente reconhecidas A Morte do Superman e O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller Lynn Varley. Há elementos de Astro City, de Kurt BusiekO Reino do Amanhã  e Paz na Terra, de Alex Ross; o jogo Injustice - Gods Among Us; e uma vasta gama de referências basicamente fundamentadoras de tudo visto no filme. Este, sob um olhar isento de Fanboy Essence, é uma obra-prima para quem compreende na totalidade a Nona Arte transporta literalmente para a Sétima Arte sem que a espinha dorsal de cada uma desapareça na fusão que ocorre. Para aqueles que aprenderam a ler através de revistas de Super-Heróis; cresceram cultuando a Magia Super-Heroística; realizam o sonho de infância, extremo sincero sonho, de verem seus Super-Heróis sendo tratados como deveriam sempre ter sido tratados na mídia cinematográfica, o Filme-Quadrinho é uma obra de arte no que este termo tende a ser definido do modo mais puro. O espectador comum não está definitivamente preparado, com suas pipocas e refrigerantes, a digerir toda a magnitude de um filme como este. No entanto, é muito louvável quando algum destes se esforça, abandona o senso comum e pesquisa informações sobre a riquíssima Mitologia Super-Heroística de um filme que elevou-se a um nível inalcançável para milhões de pessoas. Ou bilhões até o final de sua carreira cinematográfica comercial pela Terra.

O Mito aqui encontra, também, seu auge. Batman (Ben Affleck), Superman (Henry Cavill), Lex Luthor (Jesse Eisenberg) e Mulher-Maravilha (Gal Gadot) foram muitíssimo bem construídos por seus respectivos intérpretes como Deuses. Erroneamente, Estes são vistos por quem não se aprofunda muito em suas histórias, como Seres Perfeitos, livres das agruras humanas, acima do Bem e do Mal. Aprofundando-se, por exemplo, na Mitologia Grega, conhecemos a verdade sobre os Olimpianos e as demais Entidades abaixo deles: são seres mesquinhos, desprezíveis, egoístas, egocêntricos, cruéis e arrogantes detentores de uma megalomania suprema que excede todos os limites possíveis e impossíveis para seus atos. Tão parecidos com os heróis e vilões das HQ’s, principalmente os da DC Comics, que apresentam uma aura mitológica que nenhuma outra editora no mundo conseguiu ainda emular ou adaptar ao seu próprio multiverso. Porém, a Mitologia Africana, a Cristã, a Hindu, a Budista, a Ameríndia, todas as mitologias desta Terra versam sobre O Caminho do Deus Interno que precisa ser descoberto de diversas maneiras, sempre ao lado do Caminho do Herói teorizado por Joseph Campbell.

O Mito se expande, as imagens remetem a épicos de diversas histórias já contadas e ainda a serem contadas. A tragédia do Batman, um Orfeu que tem de descer aos Infernos para redimir sua alma, é recontada assumindo um novíssimo ângulo de compromisso para com a expectativa da sempre insuperável fibra e garra do personagem. A tragédia do Superman, um Apolo que percorre o mundo aproveitando a Carruagem Solar, um homem que é obrigado a ser um Salvador Prometido para esta Humanidade, trava diálogos com um Ser que deve ser revisto em todas as suas internas potencialidades. A insanidade caótica de Lex Luthor, um Ares com gosto de sangue nos lábios, um Satanás Contemporâneo instigando uma guerra por capricho e vaidade, é o Gênio do que se convencionou chamar de Mal, mas que, na verdade, é apenas mais uma maneira de enfocar uma realidade. A silenciosa dança serpentina da Mulher-Maravilha, uma Atena recolhida em sua guerreira sabedoria, uma Guardiã Celeste que traz a chave da vitória através do Sacrifício, é o toque mais precioso no meio das Lendas deste Universo de Mitos Eternos. E Apocalypse, O Juízo Final, O Ragnarok, O Dilúvio, aquele que personifica cada deformidade existencial da realidade apodrecida do mundo de Batman, Superman, Lex e Mulher-Maravilha, vem a demonstrar que há sempre que se buscar um sacrifício diante de tantos abismos egoísticos irrisórios que Deuses, Demônios ou simples homens e mulheres carregam inconscientemente.

Falar de tudo que BvS evoca requer tempo e apenas um texto como este não é o adequado. Aliás, este é o primeiro de uma série de textos sobre o filme, enfocando seus mitos conforme aspectos técnicos daquele como FotografiaTrilha SonoraMontagem Edição. Também enfocarei os personagens secundários e mais das diversas filosofias e pensamentos presentes no filme, vivas entidades que tornaram o roteiro ainda muito mais interessante. Este artigo inaugural aqui é dedicado a todos que realmente perceberam que o verdadeiro intérprete de BvS é o espectador e, não, o diretor, o produtor ou qualquer outro executivo da Warner. E, também, uma maneira de criticar os críticos 100% destrutivos do filme, cujo principal argumento é chamá-lo de “lixo” fazendo coro com milhares de internautas estão neste exato momentos fazendo. A liberdade de expressão é, sim, algo único; mas, destruir um filme apenas baseado em rasas interpretações mesmo tendo como base algum tipo de conhecimento quadrinhístico? Não é aceitável, o bom senso deve imperar e argumentos sólidos deveriam ser apresentados ao invés de muita opinião baseada no senso comum da maioria que vai aos cinemas. Estes, como dito no início, não compreenderão mesmo este filme; o filme que eles necessitam e merecem será visto sob a ótica do “amei” ou “odiei”, a divisão habitual da contemporânea comunidade cinéfila mundial.

É com intensa sinceridade que afirmo tudo que aqui escrevi neste artigo. Pode ser um artigo arrogante, pedante, presunçoso e preconceituoso, a começar pelo título; mas, a intenção é essa mesma, agredir para levar a um tipo de tomada de consciência e provocar para fazer com que reajam de alguma maneira ao mesmo. Não é nada agradável ser um dos poucos em uma sala lotada de cinema que compreendeu um filme tão complexo e verdadeiro quanto este, comparável ao também magnífico O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan. Seria tudo culpa mesmo dos filmes da Marvel que, com apenas uma exceção (O Soldado Invernal, de Anthony Joe Russo), viciou o grande público em infantilidades tremendas vendidas como “grandiosos filmes épicos”? Ou o grande público não tem uma grande cultura geral, não é culto o bastante para poder apreciar um filme deste imenso porte acadêmico voltado para os Quadrinhos? O grande público dos cinemas é a encarnação ideal do gado segundo a cortante interpretação de Friedrich Nietzsche conforme uma visão contemporânea?

Cabem a vocês, leitores virtuais, responderem a estas indagações.

Quinta-feira, morcegos baterão asas por aqui…

Saudações Inomináveis a todos vós, Realistas Leitores!


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