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domingo, 8 de abril de 2018

PROJETO XEQUE-MATE #16



Pag. 67 - 69

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TALENTO

“Quando eu tinha 11 anos, eu já era bom.”
-- Bobby Fischer, décimo primeiro campeão mundial de xadrez

A designação de Grande Mestre do xadrez costumava ser reservada apenas aos melhores enxadristas do mundo. O czar russo Nicolau II criou o título para os cincos finalistas do grande torneio de 1914 que ele patrocinou em São Petersburgo. Mais tarde, o título foi adotado pela Federação Internacional de Xadrez (FIDE), que estabeleceu diretrizes de classificação. Inevitavelmente, o título proliferou-se até atingir o total de cerca de mil Grandes Mestres nos dias de hoje. Na atualidade, há tantos “GMs” que títulos não-oficiais como “Supergrandes Mestre” são utilizados para distinguir os jogadores principais dos restantes.
Sempre me perguntam o que distingue um jogador de xadrez de elite, que está sempre entre os dez primeiros do mundo, dos muitos jogadores que nunca chegaram aos vinte melhores ou cem melhores jogadores do mundo. Infelizmente, existem várias tantas razões para o fracasso quanto para o sucesso; é impossível fazer generalizações. Cada enxadrista tem razões próprias de sucesso ou fracasso. Entre elas, a mais discutida é esse assunto tão ilusório de talento.
Talento tem tantas definições e aspectos que não é de admirar que tenhamos dificuldade em saber quem tem e quem não tem. Os prodígios tornam isso fácil, mas pouco podemos fazer além de nos maravilharmos com gente como Mozart, que compôs sinfonias aos cinco anos, e Pascal, que criou teoremas geométricos originais aos 12 anos, nos muros da casa em que cresceu.


O xadrez, ao lado da música e da matemática, é uma das poucas atividades em que habilidade e originalidades superiores podem se manifestar desde a mais tenra idade. Em 1918, Samuel (Sammy) Reshevsky, nascido na Polônia, aos cinco anos, e com roupinhas de marinheiro, fez exibições em toda a Europa, derrotando salas inteiras repletas de adultos. José Raul Capablanca, segundo dizem, aprendeu a jogar aos quatros anos, só de olhar o pai jogar, e logo demonstrou ser pareo para jogadores talentosos. Rashevsky foi examinando e esquadrinhado por todo tipo de psicólogo em busca da fonte de suas habilidades maravilhosas. Como podia uma simples criança dominar um jogo sinônimo de complexidade e dificuldade?
Nós todos conhecemos histórias de crianças precoces e, em geral, aceitamos que esses indivíduos nascem com dons especiais. Todavia, mesmo seus talentos extraordinários precisam de oportunidade para serem mostrados. A controvérsia natureza versus educação não pode ser resolvida tão facilmente. Hoje, nós conheceríamos Mozart se seu pai fosse pintor em vez de músico?
Meu próprio desenvolvimento inicial certamente deveu-se, em grande parte, a fatores externos. Minha aptidão natural para o xadrez foi logo descoberta por minha família. Meu pai, Kim, na época lutando contra a leucemia, tomou a decisão de me enviar para a escola de xadrez quando eu tinha sete anos, e minha mãe, de bom grado, apoiou esse decisão. Hoje, ela gosta de me lembrar como se esforçava para controlar minha determinação, em vez de promovê-la. Ela conta a história de um telefonema de minha professora do segundo ano do fundamental, que me castigara por desafiá-la na aula. Quando ela me disse que eu não deveria fazer isso, porque todos pensariam que eu era o mais inteligente, eu respondi: “Mas não é verdade?”, não tenho saudade dos meus antigos professores.
Quase todos os jogos prodígios, em qualquer campo, podem dar crédito a um parente por ter impulsionado seu talento. Com relação a fatores internos, tenho certeza de que não teria alcançado tanto sucesso em outra coisa que não fosse xadrez. O jogo me vinha naturalmente, suas exigências se encaixando em meus talentos como uma luva.
Nem todos têm tanta sorte, mas nós podemos fazer muito para construir a própria sorte, quando se trata de combinar nossas habilidades e nossas carreiras. O problema é que, na medida que envelhecemos, raramente testamos nossos recursos e, sem esse teste, é impossível descobrir nossos dons. Se a oportunidade não se apresentou na tenra idade, ela pode ser criada na idade adulta. Podemos procurar novos caminhos para explorar e estender os limites de nossa capacidade em diferentes áreas.

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