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sábado, 27 de janeiro de 2018

OPINIÃO RÁPIDA - Nova York, de Will Eisner


"Ele era modesto e sábio e, acima de tudo, interessado." Neil Gaiman

Um ano depois do respeitadíssimo Will Eisner morrer, foi lançada a coletânea Nova York, que inclui seus trabalhos...

-Nova York: A grande cidade
-O edifício
-Caderno de tipos urbanos
-Pessoas invisíveis

Já vi essa coletânea várias vezes em livrarias e afins, então acredito que seja o lugar mais acessível de encontrar os trabalhos do Eisner, que é aclamado como um dos maiores quadrinistas da história dos quadrinhos ocidentais. Eu sempre ouvi muito falar dele, mas não conhecia seus trabalhos quando era menor. A razão é que apesar do Spirit ser um aventureiro urbano mais próximo do estilo de super-heróis Marvel/DC, como dá pra notar pelo título das obras reunidas em "Nova York", o Eisner trabalhou com muitos quadrinhos de temáticas mais adultas. Adultas não por causa de sexo ou violência, estilo Alan Moore, mas mais pelos temas sensíveis, coisas mais complicadas que dificilmente fazem parte do prisma de preocupações dos jovens. Imagino que por isso, ele não tenha sido um dos muitos quadrinistas que eu admirei na adolescência, só vindo ouvir falar mais dele nos meus 18/19 anos. Se não me engano, ele foi um dos que começou a tratar HQs como coisas que não precisavam obrigatoriamente ser infantis.

Mo legal XD

O desenhista passou a maior parte de sua vida em Nova York, tendo criado forte carinho afetivo por lá. Todas as histórias dessa coletânea são em torno da famosa cidade. Há uma introdução do grande Neil Gaiman, e depois outra do editor que publicou o quadrinho. No início o que mais há são histórias curtas, um pouquinho maiores do que tirinhas. Muitas vezes é engraçadinho, em algumas é terrivelmente triste. Eisner com sinceridade reconhece a indiferença, a fome, a sede, crianças e doentes que morrem, o abandono e a superficialidade de alguns relacionamentos, tudo na geografia e na rotina de Nova York.


Como eu disse, o adulto não é por coisas que não poderiam ser mostradas pra crianças/adolescentes, mas que elas não entenderiam, por, na sua maioria, não fazer parte do mundo delas. Em "O Edifício", ele trata da forte ligação que alguns personagens que ele criou teriam com um edifício em uma cidade durante suas vidas, e também em relação a vida que tem um edifício, já que ele pode envelhecer e ser demolido. Há bastante sensibilidade nas ideias do senhor Eisner, uma sensibilidade que muitas vezes é pro lado da tristeza, mas principalmente, dá pra perceber que ele sente e que ele se importa, o que eu achei que tava bem sintetizado na frase do Neil Gaiman que eu deixei aspeada logo no início do post. Dá pra notar desde as poesias, que abrem as histórias, mostrando pontos de vista inesperados, de um cara que realmente tem afeição pela cidade que tanto inspira seu material criativo.


Isso fica bem claro na última parte "Pessoas invisíveis", que fala justamente de pessoas que não costumam ser notadas, portanto, é como se não existissem. Se tratando de um cara que tá desenhando o tempo todo uma cidade, ele não só faz todos os personagens bem expressivos quanto ao como eles são e como se sentem, mas também desenha bem os cenários, com bom domínio sobre dimensões e profundidade. Recomendado!

Will Eisner
OBS.: Daqui a pouco acabam minhas férias e eu não vou ter tanto tempo pra fazer análises. Então aproveitei que tenho feito várias leituras rápidas pra postar várias opiniões rápidas, hehe.

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