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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

HORA DE SER DESNESSÁRIAMENTE POLÊMICO




Poucas vez eu utilizei o espaço desse blog para falar sobre política. Porque verdade seja dita, é um assunto que afasta muita gente, faz parte do “público” ir embora e chama outra parte. Política geralmente não se encaixa tanto com “espaço multicultural” que eu proponho aqui. Mas o engraçado, que eu estava lembrando esses dias, é que “política” foi o primeiro tema que escrevi bastante, aos meus 13, em 2007, quando ganhei minha primeira máquina de escrever, muito antes de qualquer computador.
A febre do ps2 tava diminuindo um pouco, e ao ganhar aquela obra de arte, que até hoje conservo, a formidável Olivette 82, eu dedicava de uma a duas horas por noite para escrever o meu “jornal”. Eram textos pobres, sem margens, cheios de erros gramaticais, e com fotos que eu extraia de revistas VEJA antigas que eu achava na rua, ou em casa, digo, coisa lá dos anos 90, do tipo que a Vera Fischer ainda era gostosa. Eu datilografava sobre as coisas que eu achava injustiças. Sobre as pessoas que eu achava que não tinham voz e pichavam nas paredes, evangélicos que botavam som alto na rua atrapalhando a vizinhança e sobre o governo do meu estado, que verdade seja dita, já no primeiro mandato estava precário, algo que eu sentia na pele por estar no ensino público e além de poucas aulas, passar semanas sem merenda.

Datilografada a página, ela não sofria nenhuma revisão, eu pegava uma moedas e tirava fotocópia delas por 0,10 cada, e saia por ai querendo vender para as pessoas a 0,25... É claro que quase ninguém comprava, e quem comprava, geralmente eram pessoas conhecidas, ou que achavam aquilo tão estranho partindo de uma “criança” que compravam por achar curioso. Vale dizer que nesse tempo, um jornal daqui da cidade custava 0,50, então eu estava perdido antes de começar, mas naquele tempo, não havia a vontade de desistir antes de começar, como é hoje.
Cortando para 2014, eu votei em Levy Fidelix no primeiro turno. Chocante, não? Talvez você lendo isso agora pense: “Mas esse rapaz parece ser tão instruído e sonhador, e vota num sem noção daqueles?”. No segundo turno, eu votei no Aécio Neves. Mas hoje, eu diria que se ambos se candidatassem, eu ainda votaria no Levy, mas jamais no Aécio. Entre inúmeros arquivos que eu começo e nunca termino, tinha aqui nos meus rascunhos de caderno um com o título “Por que Votei em Levy Fidelix”. Mas lembra que não escrevo muito sobre política? Acontece que o meio influencia a gente em certos pontos. Recentemente, o ANT do MEGABLOG escreveu um texto ótimo sobre como estamos reagindo ao Michel Temer e suas medidas “impopulares”. Um outro blog que comecei a ler, e conversar quase sempre com o dono, o MUNDO INOMINÁVEL também se pronunciou sobre sua indignação sobre alguns prefeitos eleitos esse ano. E ele até me confessou que algumas pessoas se sentiram ofendidas com o que ele escreveu, e entenderia se eu me senti-se também. Mas não há com o que se sentir ofendido, “cada pessoa é um mundo”. É claro, que se pudéssemos convencer aquela pessoa que gostamos muito, seja nosso cônjuge, irmão ou professor da nossa visão, o mundo seria cada vez mais bonito. Não. Não seria. Sabe por que? Porque seria um mundo sem personalidade, sem questionamentos, estático. Pegue por exemplo um caso de todos tipos de amigos que você pode ter:


O amigo A concorda com você em praticamente tudo. Tudo o que você faz, ele elogia, pode ser a maior barbeiragem do mundo, mas ele ta lá levantando o polegar como se você fosse um líder de um monastério e estivesse concedendo a suprema sabedoria. Tudo esse amigo lhe consulta, seja filmes, quadrinhos, livros, e do que você gostar, ele vai gostar. Mesmo que ele não goste, ele vai dizer “Mas o que você entendeu?” Você explicará e ele gostará também.

O amigo B nem sempre vai concordar contigo. Muitas vezes vai levantar discussões e dizer “Não é desse jeito, nem a pau que eu vejo assim”, vai confrontar suas maiores convicções, independente de você estar no ensino fundamental ou ter um doutorado. Quando lhe ver fazendo a citada barbeiragem, vai dizer bem na sua cara o por quê daquilo estar incorreto. Pode até lhe deixar chateado, por ele ser uma pessoa difícil, mas isso é o que ele é.

Caso não tenha reparado, eu sou o amigo B.

Antes de eu sair de férias, eu tinha escrito no meu velho caderno, um texto em seis folhas justificando minha visão do governo de Dilma já não se manter desde 2010, imagine em sua duvidosa reeleição em 2014. Mas no fundo, após quatro dias escrevendo e devaneando, decidi que era hora de parar, e acabei tirando férias e não mais tocando no assunto, me afundando no xadrez e não me incomodando mais com a situação do país, que pegasse fogo com o Eduardo Cunha jogando álcool e o Temer segurando os fósforos. Eu não me meteria mais. Só que ai, eu seria o amigo A e não o B certo? Por isso... Por que votei mesmo no Levi Fidelix?


Simplesmente por sua sinceridade e comprometimento político. Abaixe a pedra e eu explico. Rimou. Revise os debates de 2014, e veja que tirando as polêmicas baratas que seus adversários o causavam como “o senhor concorda com união homo afetiva?”, ele era um dos poucos que estava discutindo ferrenhamente os gastos públicos e a economia em geral, além de se mostrar um dos poucos a conhecer a constituição de trás para frente, estando portanto, conhecedor do que era seus direitos e deveres. Isso é ofensivo? Observando o nosso país, temos como “exercício de cidadania” o cidadão ser um eleitor forçado, votando muitas vezes em qualquer um para não ter que pagar uma multa. Sem o ensino médio completo e sem o mínimo conhecimento sobre seus direitos. Isso é “cidadania” na nossa nação. Buscar mais do que isso é “elitismo”. Indo direto na questão, Levi por causa de sua famosa resposta de “aparelho excretor não reproduz” foi tido na época como um dos exemplos máximos de homofobia no país. Se for pesquisar hoje em dia o significado dessa definição, encontrará coisas como “medo, aversão, repulsa, ódio ou preconceito”. Porém, de acordo com meu humilde conhecimento etimológico, fobia vem do grego fobos, que é o resultante de real medo. Eu por exemplo, ainda tenho certa fobia de altura, até subir em um telhado era uma tarefa conflitante para mim, só de chegar em determinado degrau, as pernas tremiam e eu travava de verdade. Era ali a manifestação do temor, de não conseguir passar dali, mesmo eu racionalmente sabendo que uma queda daquela altura não me mataria. 



Levi, ao ver um homossexual, travaria daquela forma e sairia correndo? Acredito que não. Acredito que existe uma abissal diferença entre ter medo de verdade de uma coisa, e ser um discordante. Dito isso, eu afirmo, Levi Fidelix não é um “homofóbico”. E se você toma como ofensivo a frase “aparelho excretor não reproduz”, devia primeiro tentar entender o contexto e o sentido aplicável dela. Vamos a mais exemplo. Existe a gravidade, que é uma constante independente da minha discordância. Se eu disser algo como “pular de um prédio sem nenhum equipamento lhe fará se esborrachar no chão”, eu estou sendo o que? “Logicafóbico?” Se você que lê isso é homossexual, tem um parceiro e amor no coração para criar uma criança, eu lhe incentivo a isso, afinal, desequilíbrio psicológico independe de opção sexual. Agora eu não posso tomar como ofensivo, ou lhe apoiar a se ofender com a simples afirmação do óbvio. Pelo menos na nossa humanidade, bebês só saem do útero, pode ser que em 2050 isso mude, mas por agora, é assim que a natureza funciona. A tolerância tem de ser cultivada em ambos os lados dos “fronts” de batalha ideológica que temos por ai.



As pessoas estão tão preocupadas com as pessoas que discordam de relacionamentos amorosos entre pessoas do mesmo sexo, que não param para ver pessoas se promovendo politicamente a partir disso. Além dessa questão muitas vezes ganhar mais voz popular que questões mais sérias na área de segurança pública, educação e saúde. Peguemos por exemplo um cara como Jean Willys, ídolo e referente da candidata Luciana Genro. Esse homem ascendeu sua fama em um reality show, que venceu em 2005, se fazendo de vítima por ser homossexual. Simples assim, alguém mais atento já se perguntaria “mas como o cara defende essa escolha como forte e independente, se vive se fazendo de vítima?”, mas isso estava longe de se acabar por ai, com ele, até então professor de português, com 1 milhão no bolso por expor sua vida íntima por 3 meses. Esse mesmo cara, após entrar na carreira política, defende que com 16 anos, um criminoso não possa ser preso, já que ainda é uma criança e não sabe o que faz, porém, na visão dele, além de projetos de lei, uma criança com 6 anos de idade tem de ver vídeos na escola com pessoas do mesmo sexo se beijando, pode fazer cirurgia de mudança de sexo e afirmar sua sexualidade. Com 6 anos. Além é claro, de se for um menino, que se julgue menina, poder frequentar o banheiro das meninas.



Ai depois as pessoas me perguntam porque passo tanto tempo no xadrez ignorando o mundo real...


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