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domingo, 27 de novembro de 2016

Mulher-Maravilha: Direito de Nascença


"Repouse, pois vai precisar. Amanhã... Vocês podem todos ir para o Inferno. "

Cá estamos. Com muita alegria e satisfação, venho avaliar a segunda parte da compilação que estão publicando de todas as 36 edições da maior heroína de todos os tempos durante os polêmicos Novos 52. Não há qualquer exagero na minha introdução pois foram alegria e satisfação que senti ao ler essa aventura NOVAMENTE! A qualidade é inegável. No primeiro volume, "Sangue", a heroína descobria verdades inéditas sobre sua origem e deixava a Ilha Paraíso em confronto contra Hera, a deusa das mulheres que queria vingança matando um novo filho bastardo de Zeus antes mesmo dele nascer. Você pode conferir em mais detalhes no link abaixo:


Em sequência direta do volume anterior, Mulher-Maravilha vai com sua trupe recém-formada visitar Hefesto, o ferreiro dos deuses, responsável pela produção dos mais avançados artefatos divinos, inclusive o famoso laço da verdade. Essa primeira parte apesar de ser uma das mais simples já é surpreendente e envolvente, cativando e fazendo pensar. Em sequência uma das fases mais alucinantes desse arco tão rico em fases alucinantes: o momento que MM e sua trupe vão para o INFERNOOOOO!


Apesar de tudo dar em uma leitura bem rápida e dinâmica, a batalha contra Hades se prolonga por algumas edições, o que é ÓTIMO, pois toda a forma que o Inferno é representado é muito cativante, posso só não ter visto outras versões similares, mas achei muito original. A atmosfera é extremamente sombria e apesar do clima de aventura juvenil, há partes de violência bem grotesca, nível... Mortal Kombat. O Hades, introduzido no final do último volume, apesar de ter um visual que não aspira grandiosidade é um vilão curioso de acompanhar e tentar entender. Isso se repete em todos os personagens que são muito interessante e expressivos com suas características que fluem muito bem com as reviravoltas constantes. No que diz respeito à Mitologia Grega, não há qualquer economia de personagens. Aqui eles trazem apenas das edições #7 à #12 e mesmo assim há participação da maior parte dos personagens já anteriormente introduzidos, alguns novos que fazem curtas aparições e outros que tomam grande importância no enredo.


O tempo todo, em especial quando estão a caminho do Hades, mas não diminui muito em outras partes, a narrativa é boa demais. Há muitos elementos poéticos, mostrando que apesar do roteirista ser muito mais famoso por suas estórias de ambientação mais urbana (Coringa, 100 Balas), ele conseguiu trabalhar com elementos de fantasia dispensando comentários tranquilamente. Há filosofia o tempo inteiro, mesmo a trama não sendo do tipo que dá dor de cabeça, ele consegue fazer uma estória ágil de aventura que consegue ser super sensível e profunda! Os diálogos são muito bons! Não dá pra escrever sobre essa série sem ressaltar como Azzarello é um roteirista F-O-D-I-D-O!

Reverenciem

Atualmente ele deve estar em sua pior fase, escrevendo adaptações caça-níquel de clássicos dos Anos 80, como "Cavaleiro das Trevas 3" e o desenho da "Piada Mortal". Mas se você quer ler o Azzarello em sua potência máxima, confira o encadernado "Direito de Nascença". O que dizer das sequências de ação?! A aventura toda é uma montanha-russa de mitologia grega, terror, poesias com elementos fantásticos, filosofias e aí passa para sequências extremamente criativas de luta, dignas dos melhores videogames de ação, como "Uncharted", "Metal Gear" e "God of War". Os desenhistas Tony Atkins e Cliff Chiang (na maioria o Chiang) continuam arrasando como já mostravam nas edições passadas, aqui também havendo marcantes adaptações de personagens míticos e excelentes demonstrações de ambientes urbanos, florestas, o Tártaro e o Monte Olimpo.

Ares, o deus da guerra, faz uma curta aparição nesse volume, mas Discórdia continua roubando a cena o tempo inteiro fazendo jus ao posto de deusa do caos.

Diálogos, lutas, reflexões e ilustrações inesperadas e incansáveis... Chega a ser estranho avaliar esse arco pois há nada pra falar mal. Tipo que só vem elogios pra escrever, mas se há um trabalho pra fazer um post desse tipo, sem dúvidas é esse. Não só a melhor experiência que tive com a DC Comics nos últimos anos, mas uma das experiências mais marcantes que tive com arte em geral nos últimos anos. Quando a série terminou, há dois anos atrás, eu fiquei num pique fodido, ainda tinha acabado de sair de férias, escrevi um texto enorme registrando minha admiração pelo que havia sido feito. Deixo o link abaixo se quiserem conferir:


O texto chegou a ser compartilhado 20x no G+, o que não era comum entre os leitores do meu antigo blog, foi bem elogiado por meus amigos pessoais e ao ser compartilhado pelo Ozymandias Realista no popular site "Action&Comics" foi extremamente elogiado também, com várias pessoas chegando a falar como estavam esperando um post do tipo que fizesse jus à série. Mas... como pessoas que escrevem tem a segurança de uma criança que vai pra escola pela primeira vez usando aparelho... ao comprar esse encadernado temi que fosse descobrir a minha "antiga" análise como exagerada pela empolgação do momento que havia saído o desfecho da série. Pffff, que nada. Lendo de novo sinto a mesma coisa. É tranquilamente a série de herói em HQ do século XXI que eu mais recomendo para o público geral, fico ansioso para o lançamento do próximo (e o segundo do Aquaman também).


Terminando a análise, depois que eles saem do Inferno há mais duas edições lotadas de ação e mais reviravoltas. Pra ficar bonito, o cliffhanger é extremamente promissor. Com a DC soltando esses filmes que podiam muito bem nunca existir, cheguei a sentir um excelente contraste relendo "Direito de Nascença". Esse encadernado vale cada centavo.

JOKER






APROVA






COMO NUNCA





APROVOU






MERDA






NENHUMA






ANTES!


"Há um monte de histórias que você pode contar com o Batman. E há um monte de histórias que você pode contar com a Mulher-Maravilha também. Essa era a nossa ideia. " Brian Azzarello

S2

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