Há duas semanas, estreou no canal PARAMOUNT a nova série da franquia "STAR TREK": "ACADEMIA DA FROTA ESTELAR". Assistimos (com tristeza) aos três episódios já disponíveis e, abaixo, falamos sobre alguns personagens e damos nosso ponto de vista. Vamos lá??
Recentemente li uma postagem de um cidadão que criticava quem critica (desculpem a redundância) a nova incursão da franquia Star Trek: ACADEMIA DA FROTA ESTELAR. O autor dizia que alguns fãs tendem a olhar negativamente 'o novo', que não aceitam 'mudanças'. Embora isto possa realmente acontecer em alguns casos, o que posso afirmar é que a maioria que conheceu a franquia através de Kirk, Piccard, Cisco, Janeway e até mesmo Archer não irá gostar!
E afirmo isto porque a nova série não é para os fãs da franquia. A nova série tem como alvo os adolescentes. Uma simples olhada na imagem que ilustra a matéria comprova isto. Acredito que alguém da Paramount tenha pensado que é necessário atrair este nicho para a série, com o objetivo de substituir os fãs mais antigos. Assim, selecionaram os personagens mais clichês deste tipo de seriado e os transportaram para o universo Star Trek...
Muito se discute nas redes sociais sobre a atual tendência das séries e filmes em usar personagens que são encarados como minorias. Alguns chamam de movimento 'woke', outros de 'inclusão' e outros termos com o mesmo significado. E desde 'Star Trek Discovery' a Paramount tem insistido nisto. No Brasil chegaram inclusive a incluir o termo 'elu' nas legendas e dublagens.
Embora não exista nada de errado com as inclusões, seja válida a tentativa de diminuir o preconceito, a forma como isto é feito é forçada e muitas vezes completamente fora do contexto do que se está assistindo. O resultado disto tem sido um afastamento do público tanto dos cinemas quanto das séries de TV, incluindo aí a franquia. O autor, entendendo isto erroneamente, atribui a queda de audiência e a rejeição às muitas séries à 'resistência às mudanças e ao novo'...
Mas olhemos os personagens da nova série.
As séries adolescentes normalmente têm professores ou diretores 'linha dura' ou 'descolados'. Bem, 'Starfleet' tem os dois. Comecemos então com a chanceler/capitã Nahia Ake (Holly Hunter). Ela é a equivalente à diretora 'descolada'. Seu passado tem uma certa 'inspiração' em Piccard (em sua série solo). Piccard se afastou da Frota porque não concordou com uma escolha feita por ela, o que resultou na morte de milhares de pessoas em um planeta desestabilizado. Nahia se afastou porque, contrária à sua vontade, a Frota separou uma mãe (criminosa) de seu filho.
Ela é convidada a retornar para dirigir a Academia da Frota. Como ela vê uma chance de reunir novamente filho e mãe separados no passado, aceita. Porém, como dissemos, ela é 'peculiar'. Inspirada nos capitães citados anteriormente, ela gosta de música da década de 30 e as ouve em vinil (!!) em uma vitrola (que mesmo hoje muitos nem conhecem!!).
E, contrariando qualquer bom senso e regulamento, comanda a nave quase deitada na cadeira de comando!!! Ora, 'descolada' ou não, a Academia é uma organização militar e existem protocolos a serem seguidos. Se os cadetes têm de segui-los (cabelos cortados, uniformes, postura de respeito diante de oficiais), como a capitão pode comandar a nave como se estivesse em sua sala de estar?
A professora e vice-diretora/numero 1 de Nahia é: Lura Thok (Gina Yashere). Gosta de assustar os alunos e tudo o que diz envolve morte, sangue e honra (mas no fundo se preocupa com os cadetes), acredito que seja para parecer engraçado...
Para fazer um link com o universo Trek anterior, foi incluído o personagem Doutor (Robert Picardo) de "Star Trek Voyager", que é o professor chato, obcecado por ópera que obviamente é rejeitada pelos cadetes (cada um pode escolher uma atividade extracurricular). Infelizmente, pelo menos nestes 3 episódios, o personagem está perdido e sem função...
Para lembrar aos telespectadores que a nova série é um spin-off de "Discovery", foi incluída a personagem Tig Notaro (Jett Reno), a engenheira. Infelizmente mais tarde será incluída também a personagem Tilly, de que no início eu até gostava, mas que ficou insuportável com sua insegurança, meias frases, tolices, mesclado com momentos de brilhantismo...
Toda série de adolescentes que envolva colégios tem aquele personagem rebelde, indisciplinado, habilidoso em algumas áreas, que está sempre querendo largar os estudos e tem problemas com as autoridades. É sempre bonitão, saradão e muitas vezes bom de briga. Bem, ele está em Starfleet. É o garoto que foi separado da mãe e quer usar a Frota para localizá-la. É Calleb Mir (Sandro Costa), o mais problemático, saradão e que resolve muitos problemas...
Aqui os problemas com certeza surgirão. O personagem Jay-Kem Kraag (Karim Diane) é um klingon. Mas é um klingon pacifista, observador de pássaros e...meio covarde! Mas, piora ainda: há indícios, dá a impressão, de que será o personagem...gay!! O episódio 3 inclusive mostra um dos componentes do grupo rival (sempre existe em séries teen) que aparentemente se interessa por ele...
Toda série adolescente tem o nerd, o esquisito, aquele que fica sempre à margem. Bem, Starfleet tem seu exemplar. Na verdade é um holograma (assim como o Doutor), o 'primeiro holograma a cursar a academia da Frota". Ela tem várias habilidades, mas foi 'imbecilizada' para se passar por adolescente. Ela tem um sorriso 'congelado' no rosto e está fora dos padrões de estética destes seriados... É Sam (Kerrice Brooks), que provavelmente se dará muito bem com Tilly...
Temos também a sabe-tudo, espertinha, primeiro lugar, vinda de uma família nobre e que quer ser a capitã escolhida de qualquer maneira: Genesis Lythe (Bella Shepard).
Outro exemplar das séries teen é o arrogante,metido, sempre atlético e bom no que faz. Starfleet tem o seu: Darem Reymi (George Hawkins). Concorrente direto de Genesis, que também quer ser o capitão e que provavelmente terá algum envolvimento com ela. Mas ele esconde sua verdadeira aparência...
Há outros personagens, mas os alencados acima são os que aparecem (e aparecerão) mais. Como no caso de Tilly, outros serão acrescentados. Mas a Frota sempre precisa de um vilão. De preferência que seja marcante. Por isto escolheram Paul Giamatti para ser Nus Braka e ele faz como sempre um vilão divertido que já vimos em pelo menos 99,9% dos filmes e séries de que participou. Mas mesmo aparecendo pouco, se destaca.
Ah! Sentiu falta do 'par romântico' para o rebelde da vez! Mas não se preocupe, ela está lá. É Tarima Sadal (Zöe Steiner). Ela é uma betazoide, filha do presidente Emerin Sadal, no segundo episódio vai com o pai e o irmão a uma reunião para decidir se os batazoides voltarão ou não à Federação. Ela conhece Mir e há uma atração entre os dois. Mas, mostrando sua independência como mulher, entra para a Academia de Guerra e não para a Academia da Frota...
Estimasse que foram gastos 10 milhões de dólares por episódio e é possível vermos onde tudo foi gasto. Um visual incrível, diferentes naves espaciais, paisagens alienígenas deslumbrantes e... robôs flutuantes para todos os lados. Inclusive há uma cena em que a chanceler cumprimenta os robôs...por nome!! Mas o principal é esquecido: o roteiro! Era possível gastar mais com ele e tornar a coisa melhor.
A essência da série criada por Gene Roddenberry não está lá! Há toda a inclusão, diversidade, etc. Mas o que tornou Star Trek uma franquia amada não está presente. O segundo episódio transforma o primeiro em mediano. O terceiro mostra uma queda maior concentrando-se em rixas entre as turmas da academia de guerra e a da frota, na insinuação do homosexualismo.
O segundo episódio parece uma releitura do que acontecia em "Discovery". Embora houvesse uma presidente da Federação de Planetas, quem resolvia impasses diplomáticos era Burnham. Agora é a chanceler e tirando ideias de comentários de Mir!
Infelizmente usar a série para atrair adolescentes e defender 'bandeiras' não consegue agradar. O episódio piloto foi disponibilizado de graça no youtube e gerou em um dia apenas 1.800 visualizações. Para se ter uma ideia, acabei de verificar o youtube e o corte de um programa jornalístico, em 35 minutos gerou o mesmo número de views!
Levou cerca de 5 dias para chegar a 16.000 views. E com apenas 1800 'likes'! É a prova clara de que o público rejeita a abordagem atual da franquia. Não é por nada que a Paramount pensa em recomeçar do 'zero'! O que não vai funcionar se continuarem com o mesmo ponto de vista a respeito da condução das séries.
Já vi muitos falarem mal da Netflix por darem foco em 'bandeiras', mas a Paramount não faz o mesmo? Mesmo perdendo público?
Enfim, pode ser que haja um milagre e os demais capítulos reavivem a série. E quando digo 'reavivar', é porque já se diz que esta série já 'nasceu morta" e isto se fala desde que o trailer foi exibido há meses!
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