Homem do Amanhã - Como James Gunn pode reinventar o Brainiac no DCU?

 



Um dos filmes que tem criado muitas discussões e teorias entre os fãs é o Homem do Amanhã, a sequência do Superman de 2025.

Das informações liberadas até agora, ficou estabelecido que o projeto terá como o foco um team-up entre Superman e seu grande inimigo Lex Luthor, para enfrentar uma ameaça em comum e muito maior: Brainiac (que será vivido pelo Lars Eidinger).




A escolha de Brainiac como antagonista já era algo pedido pelos fãs a muito tempo, com produtores da Warner tendo considerado introduzi-lo em várias projetos que não foram pra frente, como a sequência do Superman o Retorno, Homem de Aço 2 do Snyder e, o mais famoso de todos, o filme Superman Lives (onde o vilão seria interpretado pelo Christopher Walken).




Com grande inimigo do Superman prestes a fazer sua estreia na grande tela, surge uma dúvida: Como que será a abordagem que Gunn poderia usar em sua interpretação do Brainiac?

Tal como muitos personagens fictícios, ele teve várias interpretações ao longo dos anos, cada uma tendo conceitos que poderiam ser usados na trama do filme.

Pensando nisso, escrevi esse texto para apresentar algumas dessas caracterizações do Brainiac e como elas poderiam contribuir para tornar a versão do DCU em um antagonista marcante.

 

Introduzi-lo como o colecionador de cidades



A primeira versão do Brainiac a ser introduzida aos leitores de hqs aconteceu em Action Comics nº242, em 1958. Ele foi retratado sendo um invasor espacial, que vai de planeta a planeta, roubando suas cidades, encolhendo-as e colocando em garrafas (em algumas versões ele depois destrói os planetas).



Seus motivos para esse hábito variam dependendo do roteirista. Em sua primeira aparição, ele buscava apenas colecionar as cidades para reconstruir seu mundo. Porém, algumas edições depois, foi revelado que ele era um robô a serviço do cérebro cibernético de Colu, coletando cidades para seus líderes conquistarem os mundos.

Mas, a motivação mais conhecida viria a ser estabelecida na fase do Geoff Johns, que estabeleceu Brainiac como um alien obcecado por informações e conhecimento, com seu hábito de “colecionar” de cidades sendo uma forma de garantir que as civilizações que ele destruiu só possam produzir fontes de informações apenas para ele. 

Em outras palavras, Brainiac é praticamente um colonizador, destruindo civilizações e escravizando os sobreviventes para seu próprio enriquecimento, criando assim um tópico a ser abordado no filme do Gunn.



Supondo que a Warner queria dar um pouco mais de complexidade para o Brainiac, existem versões como a do Grant Morrison/Novos 52 que o retratam como salvador distorcido, vendo as ações dele como algo necessário para preservar as civilizações das destruição dos mundos que seriam provocadas pelos seus povos (como aconteceu com Krypton). Isso o torna um perfeito contraste ao Superman e sua fé nas pessoas e no futuro que elas podem criar.



 


 

 

Torna-lo um robô conquistador paranoico



Caso Gunn e a Warner pensem que a ideia de um alien que encolhe cidades” seja algo bobo demais e queria fazer algo mais sombrio e “pé no chão”, outra alternativa seria pegarem inspiração no arco “Brainiac Renascido” (publicado em Action Comics nº544 a 546, de 1983).

Escrito por Marv Wolfman e desenhado por Gil Kane, essa trilogia de revista foi responsável por reinventar o Brainiac para o contexto mais sombrio das hqs da época, com ele deixando de ter sua aparência verde e desejo de colecionar cidades e passando a ser um robô, de aparência esquelética, que, a bordo de sua nave, busca conquistar e/ou destruir os mundos que invade.




Por agora ser 100% máquina, é de se imaginar que Brainaic teria uma personalidade que assume que esses tipos de personagem demonstrariam em cultura pop (fria, lógica e sem emoções). Porém, em uma subversão, Brainiac, apesar de se mostra mais reservado do que antes, continuava a apresentar emoções, incluindo sadismo, raiva e, a principal de todas: paranoico.

O processo que o transformou em um robô também afetou sua mente, fazendo-o ter uma obsessão em eliminar o Superman, vendo o kriptoniano como um “anjo da morte destinado a destruí-lo”.

Se o Brainiac for mostrado como um robô conquistador, já mostraria ele sendo uma grande ameaça. Porém, se Homem do Amanhã explora esse lado paranoico do personagem, porém dar a ele motivações mais complexas para suas ações. Ele não estaria mais invadindo planetas aleatoriamente, mas sim aqueles que julga poderem, um dia, supera-lo em questão de desenvolvimento tecnológico, fazendo-o se sentir obsoleto.

Esse detalhe poderia criar um paralelo interessante entre Brainiac e Lex, já que, apesar de aparentarem estar em lados opostos, os dois vilões são motivados por inveja e desejo de se manterem em seu status quo.



 

Criar uma conexão com Jor El e Krypton





Um dos fatores responsáveis pela popularidade do Brainiac foram suas aparições no universo de desenhos animados da DC, produzidos pelo Bruce Timm, Paul Dini e o resto de sua equipe.

Tendo feito sua estreia no primeiro episódio de Superman Série Animada “O Último Filho de Krypton”, Brainaic da série foi reimaginado como uma Inteligência Artificial de Krypton criada pelo Jor-El, para armazenar todas informações de Krypton e cultura. Quando o Jor-El descobriu que Krypton ia explodir, Brainiac foi quem garantiu que o povo não acreditasse em suas palavras, enquanto ele secretamente transferia seus dados para um satélite, permitindo fugir da destruição




Essa versão se mostrou tão popular que acabou sendo usada em outras versões, com o exemplo na animação do My Adventures with Superman, onde Brainiac é o responsável pela destruição de Krypton, após descobrir que o povo estava considerando abandonar seu estilo de guerreiros e virar uma civilização mais diplomática e pacifica, fazendo Brainiac se sentir sem propósito.

 


Como o filme do Gunn estabeleceu que Jor El (e provavelmente os kryptonianos) são conquistadores, seria fácil estabelecer Brainiac tendo sido uma criação deles que continuou sua missão após o planeta ter sido destruído. Representando o que o Superman poderia ter se tornado se não fosse por sua criação com os Kent e sua conexão com a humanidade.

 

Se inspirar na versão Absolute



Um dos sucessos mais recentes da DC tem sido a linha Absolute, uma série de quadrinhos que se passam em uma realidade criada pelo Darkseid. Nessa continuidade, Brainiac não só possui um visual bem perturbador, mas também uma história melancólica, tendo sido um trabalhador de nível baixo da Coletiva Brainiac, uma raça de androides com mentes interligadas. 



Tendo sido criado com o propósito de descartar Brainiacs mortos, ele foi gradualmente ficando insano diante seus anos de isolamento, até escapar e passar viajar pelo universo, engarrafando e colecionando cidades para seus experimentos e entretenimento. Essa versão do Brainiac também tinha auxilio de cópias robóticas de si mesmo, que ele muitas vezes abusava e torturava (claramente fazendo-os passar pelo mesmo sofrimento que ele passou).



Se a principal mensagem do Superman de 2025 é sobre escolhas definirem quem somos como pessoas, então Homem do Amanhã, como sequência deveria expandir essa temática, mostrando escolhas podem levar um individuo para um caminho do bem ou do mal.




Nesse caso, tanto Superman quanto Brainiac são indivíduos que passaram por desilusões quanto ao seu povo e a missão que receberam. No entanto, os dois trilharam caminhos diferentes: Enquanto Superman escolheu usar seus poderes para ser um protetor e campeão dos oprimidos, Brainiac apenas refletiu o abuso que sofreu para outros seres do planeta (mostrando o quão tóxico essa experiência pode ser para as vítimas).




Então é isso! Como vocês acham que o Brainiac será representado no Homem do Amanhã? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões nos comentários abaixo.