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quarta-feira, 8 de abril de 2020

Ele Era Um Dinossauro - Parte II

Eu te abraçaria, eu te agarraria
Mas meus braços não podem te alcançar
         Um jornalista em especial havia ficado frustrado com tudo. Seu nome não pode ser revelado no momento por questões de ética, mas havia um indivíduo que parecia ser o único, em todo o território vermelho e azul, que se incomodava com aquela situação. Não a morte do Michael Jackson, mas as centenas de registros da chegada de um kaiju (monstro gigante) sendo simplesmente ignorados. 'Queria ver se fosse no Japão' ele refletia... Mas não ficava pensando muito nisso pois era um digníssimo americano e se orgulhava muito de seu país. E era hora de ajudar seu país.

         Já no subterrâneo da Casa Branca, passando pelo sistema de segurança mais avançado já criado no planeta Terra, aconteciam experimentos sinistros e secretos patrocinados pelo governo, cujos quais você nunca descobriria se não fosse pela existência deste texto. Passando pelo cofre que continha a verdadeira mulher mais bonita do mundo, o video-clipe proibido da Madonna e o cálculo para solucionar a fome no mundo, cientistas reviam os arquivos relacionados com a fuga do Projeto D-42. Décadas atrás, o dinossauro foi encontrado congelado e foi levado, coberto por cortininhas pra ninguém ver, ao laboratório secreto do cientista maluco Genio Sin. Após estudá-lo com a sua equipe, houve nada de muito inédito na fisiologia do animal, viram nada que já não soubessem há muito tempo. Então o que sobrava era tentar reanimá-lo. Por que não? Quando conseguiram ficaram surpresos com a vitalidade que o monstro demonstrava logo ao ser acordado. Fora de controle eles não conseguiram detê-lo e ele escapou do laboratório chegando aos olhos do público, que apesar de ter ficado impressionado, acabou relevando o acontecimento por causa da surpreendente morte de Elvis Presley, o Rei do Rock. Pois é, duas vezes com o mesmo dinossauro.

         Essa infeliz coincidência que poderia ser enxergada como uma "coisa engraçada" e tratada como "brincadeirinha" por mentes sem qualquer senso de verdade, justiça e estilo de vida americano, na verdade era muito grave e séria para o jornalista mencionado anteriormente. Que palhaçada era essa? Os sensos de prioridade entre entretenimento, religião, ciência e política estavam sendo confundidos! E com o apoio dado pela mídia ele temia como isso ia ficar nos anos que viriam. Ele acreditava no espaço para todo tipo de noticiação. Porém, era um exército de um soldado só, então não havia muito que ele pudesse fazer.
         Amargurado e com depressão, vivendo de notícias sobre esquilos e rejeitando qualquer oferta de amor, o cidadão viu a luz mais uma vez. Mas sendo no dia da morte do Michael Jackson, ele também reviu a escuridão.
         - Mas chefe! O Michael Jackson já ocupou a primeira página diversas vezes.
         - Isso acontece porque ele é o Rei do Pop, seu velho teimoso.
      - Eu não estou tão velho. E também não sou teimoso. Eu não quero diminuir a inegável importância e influência do Rei do Pop, não é isso. Mas... eu não sei nem como explicar! Apareceu um dinossauro! Pela segunda vez!
       - Desculpa ser eu a te informar, nomeocultado, mas ninguém liga para dinossauros. Se fosse pra edição de domingo, tudo bem, a gente até colocava, mas não, ninguém liga. E ainda morreu o Mr. Jackson. Perto disso a chegada desse bicho aí é completamente irrelevante!
    - Mas como? Não é nem questão de gostar ou não gostar, é um dinossauro, é diferente!
         - Não é diferente não. A morte do Michael Jackson é diferente!
         - Mas todas as pessoas morrem! Me diga alguém que não morreu!
         - Keith Richards, Mick Jagger...
         - Tá, tirando os Rolling Stones.
       - Desista, sr. nomeocultado. Tem uma pauta muito interessante aqui que você pode ir cobrir. É sobre uma feira de alimentos orgânicos. Vá lá, e boa sorte. Não se preocupe - ele dizia enquanto o repórter saía da sala - um dia você vai ter a oportunidade de fazer a sua matéria sobre dinossauros, kaijus, HA-HA!

         Certo de que nunca mais entraria naquele prédio novamente, nem que sua vida dependesse disso, o escritor frustrado chamou um táxi e ficou o esperando sentado na calçada mesmo. Ele ficou refletindo. Estava sentindo ódio. Alimentos orgânicos? Ele não queria cobrir uma feira de alimentos orgânicos, só podiam tá brincando com ele. Agora havia um fogo dentro dele. Sabia que não podia deixar aquilo morrer. Era uma sensação carnal, primária e natural, ele não podia se esquecer dela. Sentiu que nada poderia pará-lo. Ele realmente havia visto, era real! Não como essas porcarias de U.F.O.'s e extraterrestres avistados por bêbados que também viam o fantasma de Jim Morrison... Drogados que viam até Papai Noel! Era real! Abandonaria tudo e superaria qualquer etapa para cumprir o seu objetivo de informar as pessoas sobre a existência daquele dinossauro! Sim.

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