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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

TUBARÃO 2 – EMOÇÕES BARATAS


Tubarão 2 (Jaws 2) de Jeannot Szwarc. Com Roy Scheider, Lorraine Gary, Murray Hamilton.

Na platéia, um pouco de inquietação. Os que viram o trailer, cochicham aos amigos, contando as peripécias que possivelmente vão ver. Os amigos, talvez, não viram. Mais uma vez temos um produto das vorazes usinas de Hollywood. A oportunidade de aproveitar um lucro de US$ 200 milhões de dólares de seu homônimo “Tubarão”, fez crer que “um é pouco e dois é bom”. Todavia, observando as expressões frustradas dos espectadores, à saída do cinema, leva mesmo a conclusão que três já passa de uma idiotice das grandes. Não se pode, realmente, cativar um público com a promessa de emoções baratas. O resultado é que todos saem chamando o tubarão de tubarinho: isso pode ser um depreciativo, como pode também ser um apelido carinhoso. Durante a exibição, algumas piadas nervosas, que mais evidenciam um total desencanto.
Assim se sentem os espectadores durante a após a sessão, onde foi visto um filme cuja má intenção e inocuidade deve ter saltado aos olhos dos mais fieis cultores das profundidades hollywoodianas. Enquanto o primeiro Tubarão ficou cargo do criativo enfant terrible Steven Spielberg (brilhante em Close encounters of the third kind / Contatos Imediatos do Terceiro Grau), o segundo, uma versão pálida e confusa, passou às mãos de um impessoal artesão, egresso da TV, Jeannot Szwarc. O bicho, que é o primeiro remodelado, foi ressucitado por Robert Mattey, mesmo inventor do anterior, a tal ponto que foi forçado a mudar-lhe o sexo: o tubarão é fêmea, não enxerga nada (por isso a coitada engole até helicópteros) e, pasmem! Está grávida. O resultado é uma agressiva piranha, inspiradora de compaixão e pena, eu gostaria de perguntar ao veterano Murray Hamilton como ele se sentiu ao interpretando um papel nessa catastrófica salada. Quem nasceu para ser Szwarc, jamais chegará a Spielberg. Não se salvam nem as insinuações sub-reptícias por debaixo da história, se é que as há, fazendo com que o filme não chegue nem ao gênero “terrorífico”, aproveitando os habitantes de uma fauna catastrófica, em que topamos com abelhas gigantes, ratos monstruosos, aranhas gigantes e formigas cavalares.
Resta saber até onde vai a megalomania do desejo de David Brown e Richard Zanuck, os produtores, que seguem ao pé da letra os princípios de Lavoisier, mas com uma visível adaptação: Em Hollywood, nada se perde, nada se cria: tudo se transforma na razão direta das revelações que podem trazer o mercado. Esse tubarão não passa de uma desmilinguida façanha de parte de uma equipe medíocre. Eu mesmo prefiro um banho de mar aos Domingos.


·    Publicado originalmente no jornal Gazeta de Alagoas, edição de 7 março de 1979.

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