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terça-feira, 1 de agosto de 2017

César está voltando...


"Se perdermos... Esse será um planeta dos macacos." Coronel

...E agora está declarando que vai à guerra. Essa semana já sai o novo filme do reboot de Planeta dos Macacos. Estou atrasado para esse preview, amigos, sinto muito, mas houveram imprevistos na minha vida pessoal, senão teria procurado postar semana passada. Os últimos foram "A Origem" (2011) e "O Confronto" (2014). O primeiro foi muito bem recebido, já o segundo dividiu visões bem extremas: teve gente que amou ao ponto de afirmar como era um dos melhores filmes que já havia assistido e outras que acharam o filme uma bela de uma merda. Eu me encontro no primeiro grupo e não vou considerar o segundo grupo na minha análise, já que é justamente o oposto do que pensei do filme, a um ponto que não consigo chegar num consenso pra poder levar em consideração.


"A Origem" era bem definido pelo título. O filme mostrava a origem do primeiro símio mais evoluído, o chimpanzé César, sobrevivente de uma série de testes para criar uma droga que revertesse o quadro de mal de Alzheimer. Adotado pelo principal cientista do projeto, Will Rodman (James Franco), César vai demonstrando sua inteligência superior conforme é capaz de interpretar o mundo ao seu redor e se comunica muito bem por sinais (algo que, vale comentar, cientistas já conseguiram fazer na vida real), mas eventos infelizes o levam a se separar de sua amável família adotiva e liderar a libertação de outros macacos que estavam presos em um vivedouro local. Ao mesmo tempo um vírus fatal para os humanos começa a se proliferar em decorrência dos experimentos que estavam sendo feitos.

"BANANAAAAAAAAAAS!!!!"

Com esse primeiro filme duas coisas ficaram claras. A primeira foi que era um filme fodão da porra que te dava vontade de estar no meio daquela revolução primata.  A outra é que não se tratava só de um prequel, mas de um reboot também. Na série original, os primatas dominavam o mundo por outras razões, não relacionadas a uma droga que aumentava a capacidade cognitiva deles. Um astronauta havia trazido uma doença do espaço para a Terra, mas ela não afetava os homens nem os primatas, mas infelizmente afetava os gatos e os cachorros. Em poucos anos todos estavam extintos, e os homens então adotaram os macacos para serem seus animais de estimação. Com o tempo eles notaram que os macacos eram inteligentes o bastante para serem treinados ao ponto de fazer serviços que os humanos faziam, mas não gostavam de fazer, em pouco tempo se tornando escravos, e escravos muito mal tratados. César, que havia vindo do futuro dominado pelos macacos, filho de Zira e Cornelius, era o líder da revolução símia contra as maldades dos homens.


Mesmo com essas diferenças, inclusive porque a viagem no tempo havia parecido uma baita desculpa esquisita pra poder dar continuidade à série no terceiro filme, ficou claro que a nova equipe criativa não queria fazer algo sem relação alguma com os originais. Era possível ver uma notícia de jornal dizendo que astronautas haviam ficado perdidos no espaço e o momento fatídico em que César se rebela contra seus detentores é quando ele se expressa verbalmente pela primeira vez dizendo "Não!", uma referência à mitologia da série antiga, onde diziam que a rebelião dos primatas havia começado assim também.


Apesar dos trailers empolgantes, haviam dúvidas quanto à qualidade da continuação que ia sair em 2014. Primeiro que é nada raro pegarem um filme super legal que tem um final aberto promissor pra uma grande continuação e se lambuzarem em sequências terríveis! E outra notícia ruim, ia mudar o diretor! O Rupert Wyatt que havia feito um trabalho tão bom estava saindo, ia ser substituído pelo Matt Reeves. A preocupação se mostrou desnecessária, já que foi uma sequência exemplar. Todos as escalas foram aumentadas, o enredo desenvolvido de forma inteligente sem ignorar os acontecimentos do filme anterior e os personagens realmente amadurecendo e mudando conforme passa a história.

"Planeta dos Macacos: O Confronto é a melhor sequência desde O Cavaleiro das Trevas."

O principal foi César, protagonista que herda o nome do personagem antigo, mas apesar de também liderar os macacos, teve uma trajetória um tanto diferenciada, mais madura e com seus conflitos existenciais envolvendo responsabilidade e moral tendo mais atenção. Foi um filme surpreendentemente completo; a ação era eficiente, o drama eficiente, as reflexões eficientes. No que se trata de semelhanças com os filmes antigos que nos permitem imaginar o que deve estar no novo que estreia agora, "O Confronto" mostrou os seguidores de César estabelecendo rigorosamente o ensinamento de que "macaco não mata macaco", para evitar que a comunidade símia caia no mal da civilização humana que mata uns aos outros em guerras e também houveram momentos, principalmente no final, onde eles dedicam bastante tempo a mostrar o olhar do personagem enquanto reflete sobre tudo o que aconteceu, o que é bem impactante quando você está envolvido no filme, isso também acontecia nos antigos.


Ao final do filme a comunidade de César havia saído de sua situação de paz a lá Jardim de Éden e entrado em forte combate contra os humanos após as ações do macaco traumatizado Koba, que até atirar no César atirou (filho da puta). Então temos um baita final aberto após muitas perdas e uma batalha de grandes escalas no setor onde haviam alguns humanos dos EUA que tinham sobrevivido ao vírus. Agora os humanos com certeza vão se colocar contra eles, o que ficou claro no trailer do filme, então vamos falar da GUERRA!


No lado dos homens, os inimigos

Após as ações do Koba atacando e escravizando os humanos, formou-se uma resistência humana para enfrentar os macacos. Como líder deles temos um coronel interpretado pelo Woody Harrelson. Nos trailers ele dá discursos dizendo como essa será a guerra mais importante da história da humanidade, já que caso eles percam, deixam de ser a raça dominante da terra, que passará a ser dominada pelos macacos. Para o César, que era um forte pacifista, estar pegando em armas de fogo, tudo indica que os humanos devem atacar os macacos de maneira bem covarde, senão é improvável que ele fosse se enfurecer assim.


No último filme o líder dos humanos era o Dreyfus, interpretado por um ator de primeiríssima linha, o Gary Oldman. O cara havia perdido a família para o vírus e quer ajudar os humanos a sobreviverem, matando os macacos se for preciso. Mas o Dreyfus não tinha um caráter perverso, ele realmente só queria fazer o que era certo. Quem tinha mais jeito de vilão do filme era o macaco Koba, interpretado por Toby Kebbell. Era o Koba que tomava as atitudes que levaram a todos os problemas, inclusive mentindo e matando. Isso causava um empasse no estilo Professor X e Magneto. O César era um pacifista compreensivo, tendo sido criado com muito amor em sua família, já Koba havia sido preso e torturado fortemente, não tendo qualquer tipo de empatia pelos seres humanos. Pelas imagens e trailers podemos ver que há alguns macacos ajudando os humanos, então devemos ter uma mistura dessas relações.


Mas isso não significa que César se tornará um radical como Koba, já que nos trailers também podemos ver os macacos acompanhados de uma simpática garotinha loira. Em um momento César justifica dizendo que ela tem ninguém. A garota aparece segurando uma bonequinha, que também é um elemento importante dos filmes antigos, desde o primeiro, aliás, creio que até no livro há a tal da bonequinha que evidencia a existência passada de humanos civilizados no planeta dos macacos. É bem provável que tenham colocado com essa intenção mesmo.



Divisões entre os macacos?

No livro e nos filmes antigos, apesar de viverem todos juntos havia uma clara divisão entre os orangotangos, os gorilas e os chimpanzés. O autor Pierre Boulle claramente queria com as diferenças de características entre estes três discutir os tipos de personalidades das pessoas do mundo real, com os gorilas sendo mais brutos e especialistas em atividades de administração, organização. Os chimpanzés eram a força criativa e curiosa, digamos assim, os sensatos, enquanto os orangotangos eram conservadores e teimosos, sendo bons apenas em decorar enormes quantidades de informação. No livro essas diferenças ficavam bem claras, nos filmes antigos houveram algumas exceções, não eram todos necessariamente da mesma forma. Nos novos essas diferenças ainda não ficaram claras, será que eles mostrarão dessa vez?


Os temas pra reflexão

"Você esta certo, eu sempre soube sobre os homens. Pelas evidências, eu acredito que sua sabedoria devia andar junto com sua idiotice. Suas emoções deviam comandar seu cérebro. Ele deve ter sido uma criatura guerreadora que leva guerra a tudo ao seu redor, até si próprio."

É difícil olhar pro filme do "Planeta dos Macacos" e não esperar algo que tentará te prender simplesmente por mostrar macacos dominando o mundo, afinal, está cheio de filmes desse tipo. O único que foi assim foi o remake do Tim Burton, que é considerado o pior de todos. De resto, o livro, os antigos e os novos, os filmes do Planeta dos Macacos são tão apaixonantes por apresentar uma sequência infinita de temas interessantes. Eu adoro Planeta dos Macacos que quando eu tô assistindo parece que eu tô ouvindo Black Sabbath. Não chega a haver um aprofundamento muito adequado sobre os complexos temas que ele traz, mas são tantas coisas interessantes que ele te faz pensar que acaba sendo uma viagem inesquecível!


Não chego a achar pretensioso, mas são críticas sinceras. Os filmes ampliaram as várias críticas que já haviam no livro do Pierre Boulle. Do extremismo político e o conservadorismo científico e religioso, eles também colocaram críticas ainda mais fortes à criação da bomba nuclear, a perseguição às pessoas por suspeitas de comunismo que estavam rolando na época da Guerra Fria nos EUA, uso abusivo de técnicas de psicologia comportamental, biologia evolucionista e representação bem pesada de fanatismo religioso. Sinceramente, pode parecer bobo por causa dos personagens macacos, mas eu não colocaria uma criança para ver os filmes antigos, ou ela entenderia nada ou ficaria bem assustada.


Coisas como religiosos louvando uma bomba nuclear dizendo que ela desce do céu para trazer a verdade a todos, e às vezes simples frases que passam rápido, como uma mulher fumando um cigarro mais saudável do futuro dizendo "agora que não vai me matar eu não vejo mais graça" ou "Era pra isso que o homem queria tanto petróleo? Pra matar os peixes?". São temas que mesmo não sendo explorados com toda a profundidade e complexidade que poderiam fazem a sua imaginação ir se ampliando mais e mais conforme os filmes avançam, o que, na minha opinião, é o que torna todos tão apaixonantes, e o do Tim Burton o mais fraco de todos.


Nos últimos filmes houve muita coisa interessante, mas de forma mais discreta, sem essa sensação de crítica pesada. Levando em consideração os tempos de politicamente correto em que vivemos, duvido MUITO que no novo filme eles coloquem referências mais chocantes à religiões como nos filmes antigos. Do jeito que não podem colocar um vilão que represente as facções terroristas orientais que já acusam os autores de serem xenofóbicos, acredito que eles devem seguir no tom mais leve. Vale lembrar que na Segunda Guerra Mundial os super-heróis da Marvel e da DC apareciam explicitamente socando a cara do Hitler e do Stálin na capa dos gibis, mas com a globalização os tempos mudaram.

Será que são os orangotangos, os chimpanzés ou os gorilas que estão ditando as regras?


A César o que é de César!

"Você é impressionante. Esperto pra caramba... Mais forte do que a gente. Mas você está levando tudo isso de forma muito pessoal! Tão emotivo!" Coronel

Um dos pontos que está fazendo a nova versão tão legal é a história do macaco César! Do primeiro pro segundo filme ele já mudou muito! Primeiro que o vimos nascendo, então vimos toda a mudança de atitude dele conforme ia conhecendo o mundo e sua origem, a forma que podia ser tratado pelos humanos por ser um macaco. Em "Confronto" então! Nós vimos a evolução dele pra um líder sábio, e o bacana é como deu pra acompanhar as mudanças. Tá certo que o personagem mais famoso do ator Andy Serkis é o Smighoul do "Senhor dos Anéis", mas eu não tenho dúvida que o César foi o papel mais bem desenvolvido dele. É muito emotivo, a gente acompanhou ele mudando bastante! Mesmo com toda a computação gráfica por cima fica muito claro como ele se sente, desde quando era um macaquinho ingênuo com suas dúvidas até se tornar um verdadeiro líder bravo e sábio!


Eu já achava o Andy Serkis um artista incrível, mas virei fã mesmo depois de ver o "Planeta dos Macacos". Em entrevistas ele tem dito que o César continua mudando em "Guerra", e agora veremos um lado mais obscuro do personagem. Pelo visto será profundo, tomara que também seja muito bom como os anteriores!!! Andy Serkis continua cuidando do personagem principal e Matt Reeves continua na direção, além do Woody Harrelson ser um ótimo ator, mesmo não sendo o Gary Oldman. Está animado? Também curte Planeta dos Macacos? Deixarei o último trailer do filme aqui pra fechar.



"Eu espero que... dessa ocasião solene... um mundo melhor surgirá. Nascido do sangue e da carnificina... do passado. Um mundo baseado em fé e compreensão. Um mundo dedicado ao sonho... de liberdade... tolerância... e justiça." César

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