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domingo, 6 de agosto de 2017

A guerra que não foi guerra


Depois do puta preview que eu escrevi, não poderia ficar sem postar minha opinião quanto ao novo Planeta dos Macacos. O filme dá sequência a "O Confronto" de 2014, que por sua vez sequenciava "A Origem", que iniciou o belo reboot em 2011. Não é impossível ver o filme sem ter assistido aos anteriores, já que logo no início eles dão uma boa explicada no que se antecedeu. No início já há macacos do lado dos humanos que querem localizar Cesar e eliminá-lo, fica explicado que eles seguiam Koba, então com o retorno de Cesar na liderança eles temem punição. O filme continua diretamente do final do anterior, eles citam várias vezes o que o Koba fez e as sérias consequências.

Seria um desperdício ter essa cara e não ser vilão do filme

Cesar continua sendo um pacifista que prioriza a harmonia com sua família e toda sua comunidade (lembrando que ele tem uma esposa e dois filhos). Ao surgirem os primeiros complicadores, ele nota que deve ir atrás do coronel responsável pelas tropas que estão atrás dele e parte junto com alguns colegas macacos. Vamos falar de alguns personagens

Maurice: o orangotango que era carismático desde o primeiro filme. Aqui ele pode ser notado entre os outros macacos com ainda mais clareza. A relação de amizade que ele tem com o Cesar é bem explorada, foi uma boa ideia da produção, já que o pouco que os dois interagiam já era bem legal nos anteriores, aqui Maurice tem mais atenção.
A menininha: quando a garota é encontrada e adicionada ao grupo passa a trazer um tom mais infantil para as cenas onde participa. É um pouco clichê, mas a aceitação dela no grupo serve bem pra mostrar a natureza inclusiva dos macacos que seguem o Cesar.
Coronel: demora um pouco pra ele reeeeealmente aparecer direito no filme, antes a gente só ouvindo falar dele. Depois ele demonstra que não é só um líder dos humanos como qualquer outro, a história particular dele o diferencia dos caras que cobriam esse posto nos outros filmes.
Macaco Mau: É um dos novos personagens que se une ao elenco. Ele é diferenciado dos outros macacos na sua trajetória particular. Sendo meio atrapalhado, Macaco Mau é o alívio cômico, o que não existia nos outros filmes. Em alguns momentos há piadas que são inconvenientes e desnecessárias, mas há outros em que o personagem é engraçado naturalmente; então não chega a ser forçado o tempo todo.
Filhote do Cesar: aqui ele já está um pouco mais crescidinho, então é mais fácil de ser notado.

Há alguns personagens que referenciam outros da série antiga. Eles homenageiam, mas ao mesmo tempo já deixam claro que a trama toma seu caminho próprio, em vários pontos passando bem longe da história original.


Bem, o título do texto é negativo, então vamos lá: o roteiro decaiu bastante em comparação com o dos dois filmes anteriores, que eram mais envolventes e emocionantes, muito mais grandiosos. "Guerra" não combina com uma definição de grandiosidade. Infelizmente o roteiro apresenta várias soluções simples, até mesmo no final, em alguns dos pontos mais importantes da história. Também há momentos que são realmente surpreendentes, então há um equilíbrio, não chega a ser um filme com história completamente burra, mas se for comparar com os anteriores, é expressivamente pior, já que eles não tinham esse problema.


A direção do Matt Reeves é ótima como no filme anterior. O fato deles economizarem NADA em efeitos especiais ajuda a vida do cara, pois os personagens em computação gráfica são super bem feitos e aparecem o tempo todo. Isso traz um tom singular pra todos os momentos do filme, já que não há outro filme parecido por aí com macacos assim, nem mesmo os filmes antigos da série (antes eles usavam maquiagem e fantasias). Assim como nos anteriores, as cenas de ação surpreendem por serem EXCELENTES. Tem filmes como, por exemplo, o Batman do Christopher Nolan, você espera que vão rolar boas lutas, já que o Batman é um personagem que luta, mas há lutas bem ruins. Planeta dos Macacos não é um filme que você espera muitas lutas, mas as cenas de ação são MUITO bem dirigidas, como eu disse, o coreógrafo esculachou de novo.


Outro ponto que volta a chamar atenção é a trilha sonora. Aliás, aqui ela te prende no filme até mais que o roteiro, já que este último deu uma clara enfraquecida. Explicando porque a história enfraqueceu tanto: nos anteriores haviam mais questões subjetivas diferentes sendo levadas em consideração. Em "Guerra" a trama é bem direta de uma forma limitadora, não é mostrado o que ocorre em outras situações diferentes das onde se encontram os protagonistas e o foco principal da história, é como se não houvessem questões diferentes que se encontram em um ponto comum depois, não, é uma linha reta. Pra você ter uma ideia, chegando no final a gente não tem a mínima ideia de qual foi o paradeiro dos humanos, a gente só sabe o que rolou com os macacos do Cesar. É estranho pra um terceiro filme, com todo esse ar de conclusão de trilogia, ter um tom menor que o dos filmes anteriores, ainda mais com todo esse papo de "A Gueeeeerra". Os conflitos são bem feitos sim, mas dão uma impressão menos grandiosa e caótica do que nos últimos dois filmes.


No início do filme há cenas que lembram mais o tom de guerra do que em todo o resto do filme, e não era isso que havia sido prometido nos trailers. Mas falando de alguns outros pontos de qualidade que se mantiveram, há a sensibilidade entre os personagens, que continua bem sincera e convincente, é um dos pontos altos do filme. Inclusive continua impressionando como eles conseguem fazer personagens tão carismáticos tendo toneladas de computação gráfica. E é claro, há o principal, Cesar, interpretado por Andy Serkis que também deu vida a Smighoul e King Kong nos filmes do Peter Jackson. O cara continua arrebentando e o personagem é novamente visto em situações diferentes, sendo um protagonista que realmente muda. Isso deve tornar o Cesar um dos personagens mais interessantes do cinema mainstream moderno. Veja só como tem personagens que são tão legais, mas mudam nada ou quase nada por vários filmes, como Jack Sparrow e Harry Potter. O Cesar é um personagem que evolui muito, e isso aumenta a sensação de satisfação em acompanhar a jornada dele, já que você é recompensado com surpresas e reflexões.


Tem filmes que na terceira parte eles conseguem fazer um aborto total, mesmo os anteriores sendo sensacionais. Não é o caso do Planeta dos Macacos, é mais fraco que os anteriores, mas assim como há pontos negativos (se for comparar com os anteriores e as expectativas que criaram) também há pontos positivos que são realmente competentes. Não chega a ser indispensável como os anteriores, mas se você acompanhou a aventura do Cesar até aqui, deve estar curioso pelo o que vem em seguida, e "A Guerra" não chega a ser um daqueles casos onde não vale nem a pena assistir, mesmo deixando a desejar.

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