domingo, 10 de abril de 2016

ACCEPT: Passado e presente!


A banda alemã de Heavy Metal voltou à América do Sul para uma série de shows, contando com cinco apenas no nosso país! 


Este que vos escreve compareceu ao espetáculo no Carioca Club, em São Paulo, dia 8 às 19h. Desde quando retornou quase que do nada, em 2010, o Accept tem viajado o mundo em turnês, e nunca se esqueceu do Brasil. Eles vieram em 2011, em 2013, ano passado em 2015, no festival Monsters of Rock e agora marcam a quarta visita pós-retorno.


Pois bem, o Accept voltou a marcar a História, incessantemente, desde 2010. Ninguém esperava que com um novo vocalista e após um hiato de 14 anos, os caras lançariam o "Blood of the Nations", considerado em vários meios o melhor álbum de retorno na história do rock/heavy metal. Ele tomou o primeiro lugar em várias listas, passando outros veteranos como Ozzy Osbourne e Scorpions. Foi inclusive por meio desse álbum que eu conheci os caras e imediatamente me apaixonei, ainda mais que eu ouvia nada tão pesado naquela época.


Grata surpresa, em 2012 eles vem com "Stalingrad", que muita gente, incluindo eu aqui, considerou ainda melhor que o anterior, as pessoas chegavam a comparar sem qualquer exagero com os tempos dourados da banda nos Anos 80, quando havia clássicos como "Balls to the Wall", "Metal Heart" e "Restless and Wild". Pra fechar, em 2014 eles completam um tipo de trilogia, com essa formação nova, mas já amada, com Mark Tornillo nos vocais e Andy Sneap na produção: 



Blind Rage...

Minha família toda acha que esse búfalo é o capeta... Eu falo que "é o Blind Rage", mas não faz muita diferença.

É para esse álbum que os alemães dedicam a turnê. Eu não cheguei a achar melhor que os outros, mas ainda assim é sensacional e a recepção foi tão boa quanto com os anteriores. Em 2015 os caras tocaram apenas 11 músicas no festival "Monsters of Rock", pois não estavam entre as atrações principais, abrindo para Manowar, Judas Priest e Kiss. Mas mesmo com metade da setlist normal, haviam muitas pessoas dizendo que tinha sido o melhor show da noite! Tem uma amiga minha que nem conhecia eles e quando assistiu também falou que foi o show preferido dela. Tô falando, esses caras não são brincadeira! Além das músicas sensacionais as performances são magníficas, então vamos logo!




O fucking show!!!


Sem atrasos, os caras chegaram abrindo com "Stampede", já seguida das excelentes "Stalingrad" e "Hellfire", todas músicas dessa última fase. Não poderia ser mais notável! Com raras exceções, como o Iron Maiden nessa última turnê, por melhores que sejam os novos lançamentos, essas bandas antigas costumam fazer suas apresentações sempre mais baseadas nos trabalhos clássicos, deixando o que há de novo de forma meio tímida. O Accept passa longe disso! Todos os últimos três álbuns fazem grande presença na setlist, desde o início, até mais pro final em que eles tocam umas como Teutonic Terror no BIS. Resultado? Desde o início grande parte do público corresponde muito bem, provando que os novos trabalhos dos caras tiveram tanto impacto nos fãs quanto os clássicos antigos.


Bem, tecnicamente eles dispensam comentários. As músicas são pesadas pra caramba, mas com excelentes melodias, passa longe de parecer aquele estereótipo de música "bagunçada". Dessa vez eles fazem menos solos do que no passado, mas não é um problema, já que não param de qualquer forma. O que houve em certo momento foi mais uma apresentação em tom de brincadeira entre os dois membros originais, o baixista e o guitarrista, naquele clássico estilo de competição de guitarras. O vocalista Mark Tornillo consegue ser considerado carismático o show inteiro mesmo sem falar com a plateia o tempo todo. Ele interage muito bem durante as músicas e economiza em nada a sua voz que está em excelente estado, gritando bastante por um show de DUAS HORAS. O cara quase não se utiliza de efeitos, diferente do seu anterior, Udo Dirkschneider, que já está ficando meio fora de forma em sua carreira solo.

"You guys do some serious kick-ass around here, don't ya? Heh, I love it. We all do."

A segunda música do "Blind Rage" a ser tocada foi "Dying Breed", uma homenagem ao movimento do Heavy Metal que surgiu no último século, ao qual a letra se refere como uma fiel raça em extinção. Antes de começar, Tornillo a dedica a Lemmy Kilmister, vocalista do Motörhead que faleceu próximo ao Natal, ano passado, você deve lembrar.

Once upon a midnight, the metal flag was raised
Long ago a SABBATH BLACK cut through the PURPLE HAZE
Upon a SILVER MOUNTAIN a message loud and clear
SCREAMING WITH A VEANGEANCE that we will forever hear

They're the pride of our ages
In their anthems we trust
Like denim and leather
And DIAMONDS AND RUST!

Here's to... the rocking warriors
Here's to... our heroes and friends
And those who've gone before us
We're loyal straight 'til the end

They're The Last of a Dying Breed!
And we salute you...
The Last of a Dying Breed!

The ZEPPELIN LED it's voyage thru skies of PURPLE DEEP
The guillotine come crashing down and heads rolled in the streets
And in a land down under HIGHWAY TO HELL was paved!!!
An IRON FIST cut the deck and drew the ACE OF SPADES

They're the pride of our ages
In their anthems we trust
It's metal to metal
And dust to dust!!!

Algumas antigas apesar de não serem tão clássicas também estavam na setlist e foram bem recebidas pelo público, como "Midnight Mover", "Living for Tonite" e "Son of a Bitch", que foi a penúltima antes da destruidora "Balls to The Wall". No que se trata de variedade, o set estava extremamente completo. 22 músicas que contaram com clássicos, inéditas e raridades.


O baixista Peter Baltes e, principalmente, o guitarrista Wolf Hoffman, são extremamente careteiros brincando com a plateia, chega até a ser exagerado. Mas dá pra entender o grande sorriso que Hoffman exibe por grande parte do show, ele deve ser o guitarrista mais feliz do mundo tocando essas músicas com a facilidade que apresenta. Enquanto muitos passam a carreira tendo um certo nervoso do palco, os caras do Accept no mínimo não mostram isso, já que desde quando começou o show Wolf já estava fazendo contato visual com o público e interagindo bastante. Eles passam uma impressão extremamente à vontade. Quanto ao local, o Carioca Club, é um ótimo espaço, eles já haviam se apresentado lá antes, o público bem tranquilo, não se via brigas, além das rodinhas punk de sempre, é claro.


Chegando no final? Quase não se nota o tempo de duas horas do show. Músicas muito envolventes, perfeitas para um longo show, desde as mais pesadas, as mais rápidas e até as que tem pegadas mais suaves como "Princess of the Dawn", cada momento é imperdível. Ano passado eles podem ter tocado para um festival em um lugar bem maior, mas é uma pena que não estejam recebendo mais atenção, porque os caras estão com tudo. Possuem atributos que bandas de metal bem famosas atualmente não tem. Mesmo Metallica, Black Sabbath, Aerosmith e AC/DC de forma geral vivem de glórias passadas. O Accept revive as suas glórias passadas ao mesmo tempo escrevendo um dos capítulos mais interessantes de sua história no presente! Prova disso foi ao acabar do show o vocalista levantar um cartaz que tinham dado a ele, escrito em inglês:

"Eu amo vocês desde quando tinha 20 anos. Meu filho agora está com 20 anos e também ama vocês!".

Conquistas de uma grande banda. Com tamanha qualidade nas apresentações, tudo indica que o Accept está longe de acabar e ainda tem o futuro para cuidar também! Com certeza continuarão com muita gente acompanhando!


Setlist:

Stampede
Stalingrad
Hellfire
London Leatherboys
Living for Tonite
Restless and Wild
Midnight Mover
Dying Breed
Final Journey
Shadow Soldiers
Starlight
Bulletproof
No Shelter
Princess of the Dawn
Dark Side of My Heart
Pandemic
Fast as a Shark
Metal Heart
Teutonic Terror
Son of a Bitch
Balls to the Wall


Membros

Wolf Hoffmann - Guitarra
Peter Baltes - Baixo
Mark Tornillo - Voz
Uwe Lulis - Guitarra
Christopher Williams - Bateria


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