Um grupo que
personifica a criatividade dos quadrinhos, mais sua habilidade de se
reinventarem, é a Patrulha do Destino.
Hoje em dia, o público
provavelmente já devem conhecer o grupo por causa de sua excelente série de TV,
que durou de 2019 a 2023. No entanto eles já foram personagens presentes nas
hqs desde os anos 60.
Criados por Arnold Drake e Bob Haney, a Patrulha do Destino eram basicamente uma antítese aos heróis da DC: Ao invés de serem esse panteão de heróis idealizados, a Patrulha era vítimas de acidentes que os tornaram deformados e rejeitados pela sociedade que protegiam.
No início, o grupo não
foi um sucesso, com sua primeira série hq concluindo de uma forma trágica, com
os integrantes se sacrificando para salvar uma cidade.
Porém, ao invés de deixá-los
no limbo, DC viria relançar a Patrulha do Destino em 1987, com a revista,
eventualmente, encontrando seu sucesso pelas mãos do Grant Morrison, que passou
a fazer as histórias focarem em aspectos surrealistas e psicológicos, com a
Patrulha sendo tratados como esse grupo de renegados que salvam com ameaças bem
absurdas, ao mesmo tempo em que lidam com seus traumas, encontrando uma família
e suporte em uns nos outros.
Como estamos em Outubro,
mês de Halloween, decidi dedicar esse texto a ser uma lista sobre 10 das
melhores histórias da Patrulha do Destino e falar sobre algumas de suas
aventuras bizarras e emocionantes que eles viveram.
Vamos começar...
10)
O colecionador de borboletas
Leitura:
Doom Patrol vol.2 nº23 e 24 (1989)
Se eu falasse que a
Patrulha do Destino teve uma história onde eles enfrentam ninguém menos que
Jack, o Estripador, a ideia já soaria legal pelo descrição. No entanto, Grant
Morrison subverte esse conceito com os heróis confrontado aquele que inspirou o
estripador que o público conhece, Red Jack. Ao invés de apenas um serial killer
britânico, Red Jack é apresentado como um ser de outra dimensão, que se
alimenta da dor e sofrimento de suas vítimas, para depois crucifica-los em sua
galeria, como borboletas.
Quando o vilão
sequestra sua companheira, Rhea (que estava em coma), com a intenção de
torna-la sua esposa, a Patrulha do Destino não tem escolha exceto confrontar o
vilão em sua dimensão, tendo que sobreviver as armadilhas e o controle de Jack
sobre esse espaço.
9)
O peso dos mundos
Leitura:
Doom Patrol Weight of the worlds nº01 a
07 (2019 a 2020)
Quem leu hqs como
Umbrella Academy, sabe que seu escritor, Gerard Way, manja muito de histórias
sobre heróis estranhos e conceitos surrealistas. Logo, é uma noticia animadora
saber que, em 2016, ele escreveu uma série de hqs da Patrulha do Destino para a
DC, sob o selo Young Animal.
Enquanto seu primeiro
volume é um ponto de partida para fãs novatos, sua sequência, O Peso dos
mundos, puxa as tramas estabelecidas para o próximo nível, com a Patrulha tendo
várias aventuras bem episódicas, como Homem Negativo se tornando o Homem
Positivo ou o grupo tendo uma aventura em um mundo digital.
Porém, aos poucos essas
histórias se revelam parte de uma trama maior, conforme Gerard Way desenvolve
uma sub-trama do Homem Robô ficando tão obcecado em querer resolver problema
dos outros, que ele acaba se transformando em um planeta artificial e tenta
assimilar outras formas de vida, virando o antagonista do final do volume.
A resolução que a
Patrulha encontra para deter o Cliff enlouquecido é uma combinação de conceitos
sci-fy em uma execução bem criativa e
momentos bem tocantes que desenvolvem vários dos personagens, principalmente
Crazy Jane, que se torna a líder, completando assim seu arco que vem sido
construído desde os anos 80.
8)
As guerras Tiresias
Leitura:
Doom Patrol vol.2 nº75 a 79 (1994)
Embora suas histórias
fossem bem viajadas e ideias absurdas, a fase de Grant Morrison também usava os
personagens da Patrulha e as situações estranhas que eles se metiam para
discutir tópicos bem complexos, como identidade, sexualidade, dadaísmo, trauma,
etc...
Tendo assumido os
roteiros após a saída de Morrison, Rachel Pollack, deu continuidade a essas
discussões, introduzindo uma nova integrante para Patrulha: Kate Godwing,
Coagula, que era uma das primeiras personagens trans nos quadrinhos.
Durante seu tempo com a
equipe, Kate foi se aproximando de Cliff, o Homem Robô, e os dois foram
desenvolvendo sentimentos. Mas a relação chegou a um grande obstáculo quando
Cliff descobriu que Kate era trans, provocando uma discussão
Ao mesmo tempo, a Patrulha
acaba sendo atacada pelos Construtores, seres antigos que manipulam o governo
para iniciar uma ofensiva contra o grupo e capturar seus membros, George e
Marion, o povo das ataduras, que se revelam serem escravos fugitivos.
Enquanto os esforços da
Patrulha para proteger seus amigos concede a essa história muitas cenas de
ação, seu melhor aspecto se encontra nas interações da Kate e o Cliff, com o
ultimo tendo que reconhecer como sua recusa em aceitar Kate como trans vem dele
estar projetando frustração por ser forçado a viver como um robô.
7)
A alma de uma nova máquina
Leitura:
Doom Patrol vol.1 nº34 (1990)
Não tinha como fazer
uma lista da Patrulha do Destino sem citar uma história que destaca os dois
inimigos mais icônicos do grupo: O Cérebro e Mousier Mallah.
Tendo sido introduzidos
como líderes da Irmandade do Mal (um grupo rival a Patrulha), esses dois, aos
poucos, evoluíram em um dos casais de vilões bem interessantes, com suas
motivações variando entre tentar dominar mundo ou Mallah conseguir um corpo
para seu amado parceiro.
“A alma de uma nova
máquina” mostra os dois conseguindo esse segundo objetivo, com Mallah
transferindo o Cérebro para o novo corpo do Homem Robô. Mal sabiam os vilões,
que o corpo tinha desenvolvido uma consciência própria.
Esse detalhe não só,
ironicamente, faz os vilões salvarem a vida de Cliff (cujo cérebro estava
prestes a ser destruído pelo corpo), mas o controle do Cérebro sobre esse corpo
defeituoso leva a história a ter uma conclusão trágica, bela e bizarra...típico
de uma história da Patrulha do Destino.
6)
A pintura que comeu Paris
Leitura:
Doom Patrol vol.2 nº27 a 29 (1989 a 1990)
Conforme eu expliquei
no item anterior, o grupo rival a Patrulha do Destino eram a Irmandade do mal,
que, liderados pelo Cérebro, buscavam dominar o mundo.
Na fase do Morrison, o
autor criou uma nova versão desses vilões: A irmandade de dada. Liderados pelo
Sr Nobody, os vilões passaram a ser um grupo dedicado a espalhar caos e loucura
pelo mundo, contrastando com a Patrulha, que são indivíduos traumatizados mas
que encontram um novo propósito na vida.
O primeiro grande
conflito entre os dois aconteceu quando, a Irmandade roubou uma pintura que
absorveu toda Paris. Sendo convocados
para investigar, a Patrulha acaba entrando na pintura e confrontam a Irmandade.
Porém, a batalha acaba
despertando uma entidade maligna que habita o quadro, O Quinto Cavaleiro,
levando os grupos a terem que trabalhar juntos para sobreviver e impedir o fim
do mundo.
5)
A patrulha do destino
Leitura:
My Greatest adventure nº80 (1963)
É raro eu citar a
primeira história de um herói no top 10. Mas no caso da Patrulha do Destino, eu
vejo sua primeira aparição como uma história bem divertida, mostrando o grupo
(composto pelo Homem Robô, Homem Negativo e a Mulher Elástica) sendo reunidos
por Niles Caulder, o chefe, e tendo sua primeira grande aventura, salvando o
mundo do perverso General Immortus.
Embora, a primeira
lida, pode parecer uma típica história da Era de Prata, tem algo bem charmoso
na forma como a trama explora a dinâmica dos heróis, com Niles agindo como um
mentor para esse trio de pessoas traumatizadas e fazendo-os perceber que suas
condições físicas não são defeitos, mas sim dons que podem ser usados para
ajudar a sociedade, dando uma bela mensagem sobre como qualquer um tem
potencial para fazer bem, independentemente de sua condição física.
4)
Abaixo o caminho do paraíso
Leitura:
Doom Patrol vol.2 nº35 e 36 (1990)
Um dos personagens mais
queridos da Patrulha foi Danny, uma rua senciente, capaz de se teletransportar
e se comunicar através de placas e
sinais. Em suas viagens, Danny oferecia abrigo para individuos, incluindo
homossexuais, transgêneros, e outros, se tornando um santuário onde eles podem
se auto-expressar e ser livres do preconceito do mundo exterior.
No entanto, essa rua
viva acaba atraindo a fúria de Darren Jones, um homem preconceituoso e obcecado
em livrar o mundo de tudo que ele considera “excêntrico ou peculiar”. Controlado
seus androides, ele inicia um ataque a Danny, planejando destruir a cidade e
todos seus habitantes.
Felizmente, Dany
consegue entrar em contato com a Patrulha do Destino, que se tornam seus
protetores contra esses invasores, que são derrotados em uma batalha bem
inspiradora, mostrando um grupo marginalizado defendendo sua comunidade.
3)
Indo para o Underground
Leitura:
Doom Patrol vol.2 nº30 (1990)
Uma das novas
integrantes da Patrulha que foi introduzida pelo Grant Morrison, foi Crazy
Jane, uma jovem com transtorno dissociativo de identidade, com cada
personalidade possuindo uma habilidade distinta. Conforme foi sendo
desenvolvida na hq, Jane virou uma das personagens mais complexas da fase de
Morrison, com suas histórias explorado suas outras personalidade.
O ponto que a revista
mergulhou de cabeça na psicologia da personagem foi logo após a aventura da
Patrulha e a Irmandade com a “pintura que comeu Paris”, onde as ações de Jane
acabaram fazendo ela desmaiar. Preocupado com sua companheira, o Homem de Robô,
com a ajuda do Homem Negativo, consegue entrar no Underground, uma série de
tuneis que representam a mente de dividida da Jane, e ele sai em sua procura,
se encontrando no caminho com diferentes personalidades.
Além de explorar o
passado da Jane e os traumas que ela sofreu nas mãos do seu pai, esse arco
também é uma boa história da relação do Cliff com a Jane, com o primeiro se
tornando um protetor/ figura paterna para a jovem problemática, algo que
futuras histórias viriam aprofundar ainda mais.
2)
Ataque a rua principal
Leitura: Unstoppable Doom Patrol nº05 (2023)
Apesar das minhas
descrições sobre o Niles Caulder, até agora, terem sido bem positivas, ele está
longe de ser um mentor perfeito. Embora tenha começado como um gênio estóico e
sábio, o personagem passou por uma mudança na fase do Morrison, se revelando
como o arquiteto por trás das origens de cada integrante da Patrulha. Embora
tenha expressado arrependimento por suas ações e buscado fazer pazes, a
confiança da Patrulha do Niles ficou bastante quebrada, com o grupo
demonstrando relutância em aceita-lo de volta.
Enquanto ele teve
alguns momentos de destaque após essa revelação, “Ataque a rua principal” marca
o momento onde o personagem confronta seus pecados, quando a Patrulha inicia um
ataque a uma instalação da Metagen, uma corporação que tem feito experimentos
em meta-humanos. Enquanto alguns integrantes lidam com as tropas dos vilões,
Niles e outros conseguem entrar no bunker, mas são emboscados por Brian
McClane, CEO da Metagen, que oferece a Niles uma oportunidade de ser seu
parceiro, dizendo que os dois buscam evoluir a humanidade através de seus
experimentos.
A resposta do ex-Chefe
da Patrulha do Destino não só demonstra a inteligência do Niles como também seu
crescimento, com ele reconhecendo a falha em sua filosofia, expressando que não
é tragédia que torna uma pessoa em um herói, mas sim como ela processa tal
experiência.
1)
A saga do Candlemaker
Leitura:
Doom Patrol vol.2 nº44 (1991), 54 a 63
(1992)
Enquanto personagens como
o Cérebro e Senhor Nobody podem ser os vilões memoráveis da Patrulha do
Destino, nenhum deles é o mais poderoso. Esse título pertence ao Candlemaker (O
Fabricante de Velas). Tendo sido criado por Doroty (a caçula da equipe, com o
poder de dar vida ao seus amigos imaginários), o Candlemaker tinha propósito
proteger Doroty contra aqueles que implicavam com ela. Mas, por causa de sua
violência e sadismo, a menina o reprimiu em sua mente, querendo evitar que ele
ameaçasse mais inocentes.
No entanto, por se
envolver nas aventuras da Patrulha do Destino, Doroty acaba indo parar em
situações onde, para sobreviver ou proteger seus amigos, ela era forçada a
recorrer a esse bicho papão. Eventualmente, o Candlemaker se aproveita disso
para escapar da mente de Dorothy, possuindo o corpo de um androide do Caulder e
iniciando um apocalipse, com a Patrulha sendo os únicos cientes de suas ações,
logo os únicos que tem chance de impedi-lo.
Enquanto o confronto da
Patrulha contra o Candlemaker é bem intensa, com alguns membros sendo
gravemente feridos e tirados de ação, o legal desse arco é toda construção para
o evento, com Morrison aproveitando as edições que tinha para colocar os
membros da Patrulha em jornadas pessoais. Isso resulta na conclusão de arcos, a
revelação do envolvimento do Chefe em sua origem (assim como a de seus
companheiros), o Homem Negativo lidando com o fato de ser uma fusão de Larry
Trainor com sua médica Eleanor, e a Crazy Jane se reencontrando com seu pai,
encarando o homem que tornou sua infância tão miserável.
Mas o personagem mais
desenvolvido nessa história é o Homem Robô, que, durante a batalha, assume o
papel de líder e coração do grupo, tentando garantir a segurança de seus
colegas, mesmo num cenário tão desesperador. Eu já era fã do Cliff nas histórias
da Patrulha, mas esse arco em particular o herói que melhor personifica os
ideais da Patrulha do Destino e seu crescimento.
Então é isso! Quais são suas histórias favoritas da Patrulha do Destino? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo.





















