O cinema sul-coreano já
há anos tem mostrado sua marca, e alguns de seus filmes estão entre os melhores
da contemporaneidade. E Hope – O Primeiro Impacto é uma grata surpresa do
país asiático. E esse não é um mero filme, mas a produção mais cara de toda a
história do cinema sul-coreano, algo em torno de US$ 74 milhões de dólares.
O enredo do filme é o
já bem conhecido de invasão alienígena. No entanto, ao contrário da maioria dos
filmes hollywoodianos, em que a invasão é planejada, em Hope, ela acontece por
acaso e por uma sucessão de eventos que desemboca em um grande desastre.
No enredo, na provinciana
Hope Bay, alguns animais passam a ser encontrados com marcas de garras. O chefe
de polícia Beom Seok (Hwang Jung-min) a princípio acredita que possa ser um
urso ou um tigre, mas na realidade é um estranho e monstruoso visitante que
está por trás das mortes. E não tarde para que os moradores da vila também comecem
a ser assassinados. E a contagem de corpos só aumenta.
Lá pelo meio do filme é que descobrimos a razão de os alienígenas estarem atacando a vila: a nave deles caiu na região e um dos caipiras matou uma criança, que seria o príncipe desse império. Apenas no terceiro ato é que surgem os outros alienígenas, bem diferentes do primeiro. O roteiro do longa tem algumas falhas, e uma delas é que as diferenças de aparências dos aliens não são muito bem explicadas. Há também umas pontas soltas e incoerências. Somente no final é que sabemos que a personagem de Alicia Vikander é a rainha desse império e o de Michael Fassbender é seu guarda-costas. Vale salientar que o CGI do longa é ótimo, e que os personagens em CGI de Vikander e Fassbender ficaram com um character design muito bom.
Outro ponto do filme
que talvez seja desabonador é sua extensão, 2h40mim, o que causa certo cansaço
no expectador a partir do terceiro ato. Houve um momento em que achei que o
filme não acabaria nunca. Entretanto, a escala de conflitos e o final apoteótico
compensam o filme ser tão longo. Também há a personagem de Sung Ae, a
assistente de Beom Seok, que quando é apresentada aparenta ser a fodona, empoderada,
a típica mary sue, mas isso talvez seja ranço de nós, espectadores do cinema
ocidental, que já adquirimos certa implicância com personagens femininas mais
fortes por causa da forçação de barra woke. Todavia, podem acreditar que
a personagem de Sung Ae é tudo, menos uma personagem empoderada e “diversa”.
O filme também tem seus
momentos de humor, que ajudam a quebrar a tensão. Esse humor, porém, talvez
cause estranhamento no público ocidental, porque não estamos culturalmente
muito acostumados com o humor sul-coreano. Contudo, não é nada que prejudique a
experiência do longa. O final termina em aberto, com um gancho para uma sequência que não tenho certeza se será realmente feita. Merece louvores a direção criativa de Na Hong-jin. Sem dúvida um dos melhores dirteores sul-coreanos contemporâneos, responsável pelo excelente e pesadíssimo O Lamento.
Em suma, Hope – O
Primeiro Impacto é um filme que certamente merece ser assistido na tela
grande. É uma pena que talvez não tenha sido tão divulgado. Merece já uma
posição no ranking dos melhores filmes do ano. Nota 8 de 10.

















