Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco) é um mangá/anime que fez tanto sucesso (ou até mais) na França quanto no Brasil. No início dos anos 2000, um fã francês de Cavaleiros do Zodíaco, Jérome Alquie, produziu um trailer não oficial da Saga de Hades, que, de tanta repercussão, incentivou a Toei a animar essa saga do mangá de Masami Kurumada, que ainda não tinha sido adaptada para animação à época. Anos atrás, anunciaram que Alquié iria criar uma saga original dos Cavaleiros para bande dessinée, o gibi francês, e é essa HQ que temos no primeiro volume desta obra, Odisseia do Tempo, publicado pela editora New Pop no Brasil.
A HQ já começa com uma
retrospectiva do início do mangá/anime, com o renascimento de Atena como Saoki
Kido e o treinamento dos cavaleiros de bronze Seiya de Pêgaso, Shuryu de
Dragão, Hyoga de Cisne e Shun de Andrômeda. Também mostra as lutas na Guerra
Galáctica e o advento de Ikki de Fênix como vilão, querendo de vingar de Mitsumasa
Kido. Ainda mostra a derrota de Ikki e situa a história após a luta dos
cavaleiros de bronze contra os cavaleiros de prata do Santuário. Na verdade,
não dá para saber ao certo se Alquié está fazendo uma sequência do mangá ou do
anime. Creio que ele mistura as duas mídias. Na HQ, o único que chama Ikki de
irmão é Shun, porque eles são filhos da mesma mãe. No entanto, no mangá, todos
os cavaleiros de bronze são meio-irmãos, porque são todos filhos de Mitsumasa
com mulheres diferentes, uma vez que ele era o comedor-mor.
O enredo de Odisseia
do Tempo inicia-se com os Cavaleiros na mansão da Fundação Graad,
descansando após a batalha contra os Cavaleiros de Prata. Porém, a paz acaba
quando um homem chamado Dracma aparece, querendo saber a localização de Ikki,
com seus guardas chamados de estigmas. Seiya derrota facilmente um dos estigmas,
mas é vencido por Dracma. Shiryu, Hyoga e Shun são cabo dos outros estigmas,
mas são todos derrotados por Dracma. Seiya retorna vestindo sua armadura e, com
seu cosmo elevado pela máscara da armadura de ouro de Sagitário consegue enfim
vencer Dracma.
Eis que surge do lago Arctus
de Kelpie, que se apresenta como uma das doze horas do Deus do Tempo Cronos e resgata
Dracma. Por sua vez, o próprio Cronos fica enfurecido porque Arctus se revelou
e pode ter alertado Atena. Cronos deseja matar Ikki porque ele será o futuro
receptáculo de Hades, o Deus da Morte. Se ele der fim em Ikki, poderá fazer
uma média com Zeus e os outros deuses do Olimpo e ser aceito por eles. Aí já dá
para ver que Alquié não estudou muito mitologia, porque Cronos na realidade era
o pai de Zeus, Hades e Poseidon e líder dos Titãs. E, no mangá Episódio G, Aiolia
e os cavaleiros de ouro enfrentam outra versão de Cronos e os Titãs. A continuidade
de Cavaleiros do Zodíaco é bem bagunçada mesmo.
É óbvio que, com essas
revelações, Ikki fica possesso de ódio e parte para cima das Moiras, com uma
nova armadura de Fênix, que se adaptou ao Eréso. Na batalha, elas alteram mais
uma vez a linha de vida de Ikki, fazendo com que Shun fosse o receptáculo de
Hades, como ocorreu na Saga de Hades.
Odisseia do Tempo é sem dúvida um grande presente
para os fãs de Cavaleiros do Zodíaco. A arte de Alquié é muito bela, e com a
colorização fica até melhor. É nítida a influência de Shingo Akari, o character
design do anime clássico. Cada volume de Odisseia do Tempo será
centrado em um dos cavaleiros de bronze; o primeiro foi em Ikki. Nota 8 de 10.






