De todos os períodos do
Batman, a Era de Prata, provavelmente não é vista com bons olhos pela maioria
dos fãs.
O motivo disso se deve a mudança de tom nas histórias em quadrinhos. No contexto da época, após as revistas se tornarem vítimas de uma campanha do psicólogo Fredric Werthan, que acusava quadrinhos de inspirar delinquência juvenil, foi criado o Comic Book Authority Code, que restringia vários elementos de estarem presentes nos quadrinhos, prevenindo-os de ficarem sombrios demais para o público-alvo.
Teve também a questão
de quadrinhos começarem a adotar um pegada conceitos sci-fy, como robôs,
aliens, viagens pelo tempo, etc...
Isso veio a se refletir
nas histórias do Batman e do Robin. A dupla que antes enfrentavam criminosos
fantasiados nas ruas, agora ficavam enfrentando aliens, cientistas loucos e tendo aventuras em lugares bem surreais, o que alienou os fãs de longa data.
Mas as histórias do
Batman terem esse clima campy impede elas de serem boas? É obrigatório elas
serem sombrias e urbanas para manterem qualidade consistente?
Esse capitulo da
retrospectiva vai provar que esse não é o caso, pois tiveram muitas histórias
que, embora não sombrias como as que vieram antes ou depois da década, tiveram
sabiam combinar elementos criativos da Era de Prata com
uns dramas surpreendentes, introduzindo algumas ideias bem subestimadas, e outras que, hoje em dia, são elementos-chaves da mitologia do Batman, incluindo personagens como a Batgirl (Barbara Gordon), o Mr Freeze, Hera Venenosa, entre outros. Acho que podemos dizer que, quando se trata de hqs
da Era de Prata, não se deve julgar um livro pela capa (nesse caso,
literalmente e figurativamente).
Mas, enfim, sem mais
delongas, vamos começar... eis a minha listas das melhores histórias do Batman
da Era de Prata.
O
Batmóvel de 1950
·
Leitura:
Detective Comics nº156
Uma das características
principais da Era de prata foi a popularidade do tom de ficção cientifica. Era
bem comum mídia como filmes e quadrinhos terem uma estética futuristas e tramas
envolvendo robôs e invenções criativas.
Esse aspecto se refletiu nas histórias do Batman, conforme o herói foi
substituindo suas ferramentas mais práticas por gadgets tecnológicas.
Um dos maiores
destaques foi nessa edição, intitulada apropriadamente “O Batmóvel de 1950”. A trama é bem simples, com Batman e Robin,
durante uma tentativa em captura uma gangue em perseguição, acabam tendo o
batmóvel destruído por uma explosão de uma ponte.
Sem seu carro e com
Batman com uma perna quebrada, Robin assume a responsabilidade de combater o
crime, enquanto seu mentor se dedica a criar um novo e mais poderoso batmovél.
A primeira vista, essa
história pode parecer que serve apenas para introduzir o novo veiculo toyetic (termo usado pra ser referir a um produto que pode virar brinquedo) e nada
mais, mas, quando lida do início ao fim, ela se torna uma história bem
divertida, que explora mais uma vez a independência do Dick Grayson na ausência
do Batman, como também a engenhosidade e determinação do Bruce, que se recusa deixar que sua perna quebrada o
impeça de criar o novo veículo.
O
homem por trás do capuz vermelho
·
Leitura:
Detective Comics nº168
Com um novo período de
histórias, isso significou Batman e Robin teriam que lidar com novos
adversários. Um deles foi o Capuz Vermelho, um misterioso ladrão que foi
estabelecido sendo um dos poucos criminosos a escapar do Batman, pulando num
tonel de produtos.
Quando o herói, ao
ensinar um curso, decidiu reabrir o caso do Capuz, o vilão voltou a ativa,
planejando cometer roubos na faculdade para desafiar mais uma vez o cavaleiro
das trevas.
Depois de várias
perseguições e twist, Batman e seus amigos conseguem capturar o Capuz,
descobrindo que ele era o Coringa. O capuz vermelho era sua identidade original
até os produtos químicos do tonel terem alterado sua aparência física e
sanidade, fazendo-o virar o palhaço psicopata que todos conhecem.
Essa seria a primeira
versão da origem do Coringa, que teria uma grande influência para futuras
histórias do personagem, incluindo algumas de suas mais importantes.
A
comissão de crime do submundo
· Leitura: Detective Comics nº176
Apesar de ser um
vigilante, Batman sempre auxiliou a lei, solucionando crimes e trazendo
criminosos a justiça. Mas o que aconteceria se as pessoas que ele ajudassem
fossem esses criminosos?
“A
comissão de crime do submundo” explora essa questão
quando Batman tem seu parceiro, Robin, sequestrado por uma rede de mafiosos.
Eles explicam que precisam da ajuda do morcego para descobrir a identidade de
um integrante que tem passado informações das operações da rede deles para a
polícia. Se Batman se recusar a ajuda-los, os bandidos executaram Robin.
Para uma história da
era de prata, essa possui um grande clima de suspense, com a dinâmica entre os
ladrões lembrando muitos filmes e séries como Poderoso Chefão e Game of
Thrones, onde cada um pode trair o outro. É interessante ver Batman tentando
encontrar uma forma de solucionar o caso, enquanto tenta encontrar uma forma de
escapar e salvar seu parceiro.
Os
milhões do Coringa
·
Leitura:
Detective Comics nº180
Já imaginou o que seria
se um dia descobrisse que alguém lhe deu uma grande fortuna? Que você virou um
milionário da noite pro dia? Parece que seria um sonho que vira realidade,
certo?
É isso que acontece com o Coringa nessa história. O palhaço do crime descobre que seu falecido rival, “rei” Balloney, lhe deixou todo seu dinheiro e joias. Sendo praticamente rico, o Coringa se aposenta do crime, comprando uma mansão e passa a curtir uma vida de luxo.
Sendo uma história de Batman, a felicidade do Coringa dura pouco, pois, quando o Imposto de renda vem cobrar imposto dele, Coringa percebe que o enganou todo dinheiro que Balloney era falso. Se recusando a confessar que foi enganado, Coringa decide voltar a cometer crimes, só que agora em segredo, para tentar evitar atrair suspeitas do Batman.
É uma das histórias
mais engraçadas do Coringa, mostrando como até mesmo um dos maiores vilões da
cultura pop tem que lidar com problemas relacionáveis, como falta de
dinheiro. Essa história inclusive, chegou a ser adaptada na última temporada
Batman Série Animada (ou Novas Aventuras do Batman).
Como
ser o Batman?
Leitura:
Detective Comics nº190
Um tipo de história que
nunca fui fã é quando envolve o protagonista sofrendo de amnésia. Sempre parece
uma trama bem previsível e feita apenas para forçar drama desnecessário.
Mas, existem algumas raras exceções, que executaram bem essa ideia. “Como ser o Batman” é um desses exemplos. A história gira em torno do Batman, durante um confronto com uns criminosos perdendo, misteriosamente, sua memória. Devido a esse estado de seu parceiro, Robin tenta ajudá-lo a recuperar suas lembranças, enquanto tenta solucionar o caso.
Mas, quando o menino prodígio é capturado, Batman é quem tem que salva-lo, mesmo sem ter recuperado completamente suas memórias.
O uso do Robin nessa
história é o ponto alto, com ele e o Batman trocando de papeis, com o aluno
ensinando aos seu mentor a voltar a ser o herói que ele é.
Os
Batmen de todas as nações
Leitura:
Detective Comics nº215
A bat-familia não foram
os únicos personagens inspirados pelo Batman. Na Era de Prata, o vigilante de
Gotham tinha outro grupo de aliados, embora não tão recorrentes quanto seus
sidekicks: Os Batmen de todas as nações.
Como podem adivinhar
pelo nome, eles são pessoas, de várias partes do mundo, que, se inspiraram no
cavaleiro das trevas, para protegerem suas respectivas regiões. Seus membros
consistiam em personagens como o Cavaleiro & Escudeiro (da Inglaterra), o
Mosqueteiro (da França), o Gladiador (da Itália), o Ranger (da Austrália) e o
Gaúcho (da Argentina).
Quando chega o momento
deles se reunirem em Gotham para conhecer seu ídolo, um grupo de mafiosos
captura um desses vigilante e assume sua identidade, para poder sabotar o
grupo.
Como todo bom mistério,
a história não revela já de cara quem é o impostor, deixando Batman (e,
consequentemente o leitor) a tentar deduzir a verdade por trás de suas falhas
em ação. Isso cria um bom clima de tensão e suspense, com Batman tentando
atender a expectativa desses vigilantes que o enxergam de forma tão idealizada.
O
primeiro Batman
·
Leitura:
Detective Comics nº235
O motivo do Bruce
escolheu um morcego como seu símbolo está relacionado ao momento em que ele viu
tal criatura alada entrar pela janela de seu quarto. Algumas versões futuras
dariam mais profundidade para essa cena, revelando que o animal possuía uma
conexão com um trauma da infância do futuro Batman. Mas, muito antes disso, teve outra razão por
trás da inspiração do símbolo do Bruce.
Nessa edição de Detective Comics, Bruce e Dick descobrem uma fantasia de morcego que pertenceu ao pai de Bruce.
Tendo uma leve lembrança, Bruce leu o diário seu pai,
descobrindo que, durante uma festa fantasia, ele foi sequestrado pelo mafioso
Lew Moxon, que estava a procura de um médico para remover uma bala de seu
ombro. Após fazer a operação, Thomas conseguiu derrotar os bandidos e
entrega-los a polícia.
Conforme foi lendo o
relato de seu pai, Bruce descobre que, embora Moxon tenha sido preso, ele jurou
vingança contra Thomas. Essa informação faz Bruce percebe que Moxon foi quem
contratou Joe Chill para matar seus pais. O cavaleiro das trevas sai em uma
busca pelo inimigo de seu pai.
Enquanto alguns fãs
leitores conheçam essa história mais pela conexão de Moxon com a morte dos
Waynes (pessoalmente acho um detalhe desnecessário e prefiro quando a morte dos Wayne é um simples incidente random ao invés de uma conspiração), eu curto mais essa
histórias pelos flashbacks do Thomas Wayne, já mostrando-o como um homem
heroico e de bom caráter, o tipo de pai que com certeza passou seus valores
para o Bruce.
Dá pra notar que essa edição foi uma inspiração para o Batman do universo Flashpoint, onde Thomas Wayne é quem se tornar o Batman, após testemunhar morte de Bruce.
Batman
conhece o Bat-Mite
·
Leitura:
Detective Comics nº267
É impossível falar do
Batman da Era de Prata sem citar um de seus coadjuvantes mais associados a esse
período: O Bat-Mite (ou Bat-Mirim).
Fazendo sua estreia nessa história, esse pequeno encrenqueiro apresenta diante Batman e Robin como um duende da quinta dimensão, similar ao Mr Mxy. Diferente do inimigo do Superman, Bat-Mite diz ser o maior fã do Batman, querendo ajudar o herói em suas aventuras.
Embora a dupla dinâmica rejeite sua ajuda, Bat-Mite insiste em
interferir em suas missões, com seus poderes de alterar realidade provocando
caos em Gotham.
Essa é uma história que
veio da Era de Prata, cheia de momentos surreais e bem criativos, ao mesmo
tempo introduzindo uma figura bem divertida do Bat-Mite, que, apesar de
chatinho, se mostra um personagem bem relacionável, representando o que seria
se um fã de super heróis tivesse o poder de interferir no mundo do seu ídolo.
O
Batman Zebra
Leitura:
Detective Comics nº275
Uma marca das histórias
do Batman na Era de Prata era o número de roupas e visuais diferentes que o
Batman usou, cada uma mais estranha que a outra.
Uma das mais memoráveis
foi o Batman Zebra, um visual que o herói ganha após um confronto contra o
Homem Zebra resultar nele conseguindo obter os mesmo poderes magnéticos que o
vilão.
Essa transformação do
Batman acaba se tornando um grande desafio para ele, visto que as novas
habilidades do cavaleiro das trevas são instáveis, fazendo-o ter que se afastar
de seus aliados, mostrando como ter poderes não é a mesma coisa que saber
controla-los.
A
ameaça do Cara de Barro
·
Leitura:
Detective Comics nº298
Uma mudança nas
histórias do Batman na Era de Prata foram nos tipos de inimigos que eles
enfrentavam. Embora tivessem criminosos fantasiados como de costume, agora
tinha a presença também de super vilões, com habilidades sobre-humanas.
Enquanto tiveram personagens originais, teve reinvenções de personagens
estabelecidos.
Nessa história citada, é introduzido um novo Cara de Barro. Seu alter-ego é Matt Hagen, um caçador de tesouro que, ao explorar uma caverna, encontrou uma piscina química que transformou seu corpo em barro.
Adquirindo poder de mudar de forma, Hagen
começa uma onda de crimes em Gotham, se tornando um grande desafio para a dupla
dinâmica superar.
O personagem pode até não
ser um antagonista complexo, porém sua aparição foi importante para estabelecer
o conceito que os fãs tem do Cara de Barro atualmente, como um monstro
metamorfo que tira o Batman de sua zona de conforto.
A
introdução maravilhosa da Batgirl
Leitura:
Detective Comics nº359
Com certeza uma das
melhores coisas acontecer com Batman nessa época foi o seriado dos anos 60,
estrelando Adam West e Burt Ward como a dupla dinâmica. Além de seu tom campy e
caracterizações divertidas dos personagens, o seriado foi responsável por
introduzir uma aliada icônica da bat-família: Batgirl.
Como a série estava
planejando introduzir uma nova sidekick para o Batman, a dupla Gardner Fox (um
dos maiores escritores da DC na Era de Prata) e artista Carmen Infantino,
decidiram apresentar a personagem antes nas hqs (podemos dizer que foi uma "sinergia invertida").
Nessa sua estreia, Barbara Gordon é apresentada como uma bibliotecária e filha do Comissário Gordon. Ao ir em uma festa a fantasia, vestida de Batman, ela interfere num plano do vilão Mariposa Assassina para sequestrar Bruce Wayne.
Inspirada pelo
evento, Barbara decide adotar sua nova identidade para auxiliar a dupla
dinâmica a capturar os vilões.
O que faz a história da
Barbara se diferenciar de outros sidekicks do Batman é como ela quebra o
paradigma: Normalmente, sidekicks são jovens, vitimas de tragédias que o Batman
adota e treina. Barbara não é órfã e não teve ainda o treinamento. Ela era
apenas uma jovem que, acidentalmente se meteu nessa vida de super herói. Ela
não decidiu combater crime porque é movida por trauma, mas sim pelo desejo de
querer ajudar.
O quadrinho não ignora a inexperiência da Barbara, com ela cometendo erros e atrapalhando os planos do Batman. Porém, diferente do Bat-Mite, Barbara aprende com suas experiências e continua a evoluir, uma qualidade que viria a definir a personagem e muitos integrantes da bat-familia.
Obs: Caso alguns
apontem, estou ciente de que a Barbara não foi a primeira Batgirl nos quadrinhos.
Essa foi a Bette Kane, sobrinha da Kate Kane (a batwoman) e interesse romântico
do Robin (Dick Grayson). Porém, eu sinto que Barbara é a figura mais importante
e tendo uma origem bem diferente, não tendo tido um mentor pra treina-la em seu
inicio de carreira.
Mulher
gato a imperatriz do submundo
·
Leitura:
Batman vol.1 nº65
Na segunda metade dos
anos 40 para os 50, a Mulher Gato tinha deixado sua vida criminosa para trás.
Tendo se aposentado e aberto uma pet shop, parecia que Selina Kyle tinha
encerrado de vez seus dias como a gatuna de Gotham.
No entanto, quando
Batman e Robin começam a investigar uns roubos ligados a felinos, as suspeitas
começam a cair sobre Selina, fazendo a cuidadora ficar tentada a voltar ao
crime. Seu grande teste acontece quando um mafioso propõe que eles trabalhem
juntos e se tornem uma dupla criminosa.
É uma história que
soube usar a aura ambígua da Mulher Gato, retratando ela como uma personagem
que deixa Batman, e os leitores, em dúvida sobre qual lado ela realmente está.
Ace,
o Bat-Cão
·
Leitura:
Batman vol.1 nº92
Além de novos inimigos,
Batman e Robin também conheceram novos aliados nessa época.
Um deles foi Ace, um cachorro que Batman e Robin resgataram. Enquanto tentavam encontrar o dono, o cachorro acabou criando afeto pela dupla dinâmica e passou acompanha-los em suas missões.
Para evitar que o publico notasse uma marca familiar na testa do cachorro, Batman e Robin lhe deram uma máscara.
Porém, a missão logo se torna algo
pessoal para Ace quando os heróis descobrem que o dono dele tinha sido
sequestrado por um grupo de bandidos.
Com a ajuda de seu
companheiro canino, Batman e Robin conseguem capturar os ladrões e salvar o
dono de Ace, que reconhece seu cachorro. Embora o animal seja devolvido ao
dono, o homem deixa claro que o companheiro estará disponível para quando
Batman precisar, tornando Ace um membro honorário da bat-família.
Sou
eu o Batman?
·
Leitura:
Batman vol.1 nº112
Eis um tipo de história
que se tornou bastante popular na cultura pop: O protagonista
despertando num asilo, onde todos dizem que sua vida não passou de uma ilusão.
Nesse caso, Batman desperta no manicômio, onde todos dizem que ele é um paciente que acha que é o Batman. Para o choque do cavaleiro das trevas, ele vê na TV um impostor e Robin em ação.
Se recusando a permanecer naquele lugar, Batman escapa e consegue
voltar para a mansão Wayne, apenas para descobrir que Bruce e Dick não são
Batman e Robin, deixando-o ainda mais confuso.
Esse Batman é o verdadeiro ou apenas um louco desiludido, como muitos
acusam?
É uma daquelas
histórias que consegue prender a atenção dos fãs com uma trama cheia de
reviravoltas inesperadas.
Batman:
O Super homem do Planeta X
Leitura:
Batman vol.1 nº113
Já imaginaram como
seria se o Batman tivesse os poderes do Superman? E saísse em aventuras em
outras planetas que nem o homem de aço?
A era de prata chegou a
brincar com essa ideia, com o homem morcego, em algumas ocasiões conseguindo
obter as mesmas habilidades que seu amigo heroico. Um dos casos mais famosos
disso foi na história em que Batman, ao sair para uma patrulha sozinho, acabou
sendo transportado para o Planeta X, onde ele não só adquiriu poderes (devido a
atmosfera do planeta) , como também descobre que foi transportado pra aquele
planeta por seu protetor, o Batman de Zur-En-Arrh, uma versão do Batman, só que
com um uniforme colorido e tecnologia futurista.
A história é
praticamente um Melhores do Mundo invertido, com Batman usando seus poderes
para proteger o Planeta X de invasores alienígenas, enquanto o Batman de Zur-En-Aarrh
o auxilia com sua inteligência e tecnologia.
A parte mais interessante é como o início e o final criam um mistério sobre essa aventura do Batman, deixando em aberto se ela realmente aconteceu ou se foi parte de um sonho Batman teve, com sua única pista sendo o bat-radio do Batman Zur-En-Arrh.
Assim como muitas
histórias da Era de Prata, essa aventura chegou a ser adaptada no desenho do
Batman Bravos e Destemidos.
A
Criatura Arco-Íris
Leitura:
Batman vol.1 nº134
De todos os vilões
bizarros que o Batman enfrentou nessa era, um dos que mais causou problemas pro
herói e seu parceiro foi a Criatura Arco Íris.
Tendo tido apenas única
aparição, o monstro policromático foi apresentado sendo uma criatura que
espalhava destruição por uma região da America do Sul, onde Batman e Robin
estavam enfrentaram um grupo de um ditador (todos estereótipos de latinos). Pra
dificultar ainda mais as coisas, a Criatura Arco-Íris possuía habilidades
distintas depedendo da cor de sua aura, tornando um oponente quase impossível de
vencer num confronto direto.
Por sorte, Batman e
Robin conseguem virar o jogo não só descobrindo a origem da criatura e sua
fraqueza, mas também contando com a ajuda dos moradores do vilarejo. Isso foi
uma solução bem agradável comparado com hqs atuais onde Batman, provavelmente,
resolveria os problemas sozinho e com um deus ex-machina.
A
criatura Batman
·
Leitura:
Batman vol.1 nº162
Superman não foi o
único herói a ter transformações bizarras na Era de Prata. Batman também passou
similares situações.
No exemplo em questão, “A criatura Batman”, o cruzado encapuzado tem um confronto com um cientista renegado, que estava tentando cometer uma onda de crimes com grupo de homens-fera.
Na luta, Batman acaba sendo atingido pelo aparelho do cientista louco, transformando-o num Bat-gorila incontrolável, que sai pela cidade, destruindo tudo que vê pela frente.
É
apenas com trabalho em equipe de Robin, Batwoman e Ace, o Bat-cão, que
Bat-gorila consegue ser domado até eles o fazerem voltar a ser humano.
Embora a ideia do
Batman se tornar um monstro seja bem esquisita, essa história consegue usar
esse conceito de forma a aumentar o suspense na história, além de criar um
cenário onde os membros da bat-familia conseguem se destacar, tentando salvar a
vida do Batman.
Dupla
armadilha mortal
·
Leitura:
Batman vol.1 nº166
Uma das qualidades que
torna o Batman tão relacionável é quão humano ele é. Mesmo com todo sua
habilidade e gadgets, ele continua sendo um homem traumatizado, com medos e
ansiedades que precisa enfrentar, cedo ou tarde.
Em “Dupla armadilha
mortal” temos um dos incidentes onde esse lado vulnerável do cruzado encapuzado
é usado contra ele, quando um bandido escuta Batman contando para Robin sobre
um pesadelo que teve, onde ele fica preso numa armadilha impossível de escapar.
Com essa informação, o criminoso e sua gangue recriam a armadilha do sonho do
Batman e armam uma emboscada, forçando o herói a confrontar seu grande medo.
Ter o medo do Batman
sendo uma armadilha pode parecer algo simples para um personagem tão complexo,
mas se encaixa na direção da narrativa e sua mensagem sobre enfrentar aquilo
que temos medo em determinado momento.
Os
roubos sem charadas do Charada
·
Leitura:
Batman vol.1 nº179
Apesar de ser
considerando um dos vilões capazes de competir com o Batman num nível
intelectual, uma desvantagem que o Charada tinha em seus embates com o
cavaleiro das trevas era seu hábito de deixar enigmas para o herói desvendar.
Com uma falha tão óbvia, surge uma questão: Por que o Charada simplesmente não
para de deixar essas pistas?
Essa história mostra o Charada tendo essa reflexão e decidindo parar de ficar deixando charadas para seu oponente desvendar.
No entanto, isso prova bem difícil do que parecia, visto que Nygma se mostra incapaz de cometer roubos sem deixar uma pista. Para lidar com essa compulsão, o vilão aplica uma hipnose que lhe permite cometer crimes sem se sentir obrigado a deixar pistas.
A princípio, o processo
parece ter sido um sucesso, com Charada finalmente mostrando seu talento como
um gênio criminoso. No entanto, Batman e Robin começam a se deparar com
incidentes aleatórios, que podem indicar que Nygma não superou sua compulsão
por charadas como pensava.
Enquanto a trama do Batman e Robin seguindo pistas sem ter certeza se realmente são ou apenas eventos random é bem divertido, todo o drama envolvendo o Charada é a parte mais interessante dessa história. Apesar do hábito do Charada em sempre querer deixar enigmas para a polícia e o Batman parecer algo ridículo para alguns leitores, esse quadrinho é um dos primeiros a mostrar como essa atitude é parte de uma compulsão, algo que Nygma não consegue controlar.
Isso se tornaria não só uma característica principal do personagem
em futuras, mas também age como o pioneiro do aspecto de vários vilões do
Batman, da maioria deles serem insanos ou terem problemas mentais.
Então é isso! Quais são suas histórias favoritas do Batman da Era de Prata? Sintam-se a vontade para colocar suas opiniões e ideias nos comentários abaixo







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