Homem-Aranha: Um Novo Dia – Filme do Aranha sem vilão e com problemas, mas ainda assim bom – Review com spoilers

 




Finalmente, depois de cinco anos, temos um novo filme do Homem-Aranha. Assisti ontem a Homem-Aranha: Um Novo Dia e, neste post, dissertarei sobre o que achei do filme. Novamente, temos Tom Holland (vulgo “Tom Rola”) no papel do Amigão da Vizinhança. O título do filme é em homenagem a uma fase do Aranha após a infame história Um Dia a Mais, mas o filme não tem nada a ver com a HQ.








Após os eventos do filme anterior, Sem Volta para Casa, Peter Parker vive uma vida integralmente como o Aranha, uma vez que, graças ao feitiço para impedir a ruptura do multiverso, ninguém mais se lembra dele, inclusive seu amigo Ned (Jacob Batalon) e sua ex-namorada MJ (o arroz de festa Zendaya). Ele ajuda a polícia e a detetive Jean DeWolff (Liza Colón-Zayas) a combater o crime. No longa, DeWolff é uma latina de meia idade, ao contrário da versão das HQs, que é mais jovem e atraente. O Aranha também colabora com a empresa Controle de Danos e seu presidente Bill Metzger (Tramell Tillman) na captura de supervilões. O fanservice desse início do filme é até bem legal, com o Aranha enfrentando vilões como o Escorpião, o Lápide, o Tarântula, o Bumerangue e o Tentáculo, com cenas que reproduzem capas clássicas dos quadrinhos. No entanto, Peter ainda stalkeia MJ e Ned e, assim, descobre que agora é corno e que MJ está namorando outro cara.



Todavia, o Aranha tem de encarar uma nova ameaça quando um novo inimigo com a habilidade de ocupar corpos passa a atacar sistematicamente a Controle de Danos, ao mesmo tempo em que passa por uma metamorfose e “evolui” geneticamente para outro tipo de aracnídeo, dessa vez com teias orgânicas e sentidos de aranha ampliados. Entretanto, após quase matar o Escorpião e ferir uma policial em razão de um descontrole, Peter procura Bruce Banner (Mark Ruffalo) para que ele o ajude a desenvolver um aparelho inibidor de seus novos poderes. 

Entrando logo nos spoilers: gostei do filme, mas também achei que ele tem seus problemas e tenho minhas ressalvas. Listarei os pontos que não gostei no filme: 

1)    1) MJ e Ned – Os amigos de Peter não emplacam na minha opinião. Ned é um personagem bobo e chato, que tenta ser comic relief, e ele não é nada parecido com o Ned Leeds das HQs; na verdade, foi baseado no amigo de Miles Morales, Ganke. MJ não funciona como namorada do Aranha; ela tem química com Tom Rola porque é a “muié” dele, mas comparar essa MJ com a beldade que é a Mary Jane nas HQs é uma heresia. E, também, como dizem, enquanto tiver a Zendaya, por mais que um filme do Aranha seja bom, nunca será 10 de 10. Se pelo menos tivesse a Sydney Sweeney...

2)      2) Humor bobo e forçado no estilo dos filmes da Marvel, apesar de que algumas das piadas calharam bem e os filmes do Aranha podem ter esse clima mais engraçadinho.


3)     3) O Aranha não segura o filme sozinho: precisa de outros personagens como “escada”. Seguindo o exemplo dos filmes anteriores, o herói interage com outros personagens que servem como muleta. Nesse filme, são o Justiceiro (Jon Bernthal) e Bruce Banner/Hulk. O Justiceiro, inclusive, é uma das melhores coisas do filme, e a interação dele com o Aranha é muito boa. Ele chega até a encarar o Hulk. Além deles, a Viúva Negra Yelena Belova (Florence Pugh) ainda faz uma ponta.

4)      4) Vazio de um grande vilão – Ao contrário dos outros filmes do Aranha, não há um vilão do herói como oponente. O “vilão” que possui corpos revela-se como Jean Grey, que é introduzida no MCU nesse filme, mas obviamente ela não é uma vilã, apenas quer resgatar sua irmã, sequestrada pela Controle de Danos. O vilão na realidade é Meltzer, mas ele não é inimigo tradicional do Aranha. Esse é outro problema dos filmes do herói: como não querem reutilizar os vilões que já apareceram anteriormente, vai ocorrendo um esvaziamento dos vilões. Eventualmente, terão de apresentar um novo Norman Osborn ou um novo Doutor Octopus, interpretados por outros atores.

5)     5) Introdução de Jean Grey – Ficou realmente estranho apresentarem Jean em um filme do Aranha em vez de em um filme dos X-Men. Apesar de a ruivinha de Strange Things, Sadie Sink, interpretar bem a personagem, ela ficou um tanto desfalcada. Contudo, é bom ver uma personagem ruiva das HQs ser interpretada por uma atriz ruiva, em vez de substituí-la por uma atriz negra ou latina.

6)     6) Ausência da tia May, de J. J. Jameson e do Clarim Diário – Apesar de alguns não gostarem da personagem, tia May sempre foi o esteio do Peter, e não a ter em um filme do Aranha é realmente estranho. Marisa Tomei até retorna em um flashback, mas é só. E olha que a Tomei nem é a tia May velhinha, é a tia May milf. Fazem igualmente falta Jameson e os outros personagens do Clarim Diário, que eram um núcleo de coadjuvantes importantes das histórias do Aranha.

     Não obstante esses meus apontamentos, o filme é, sim, bem divertido e vale o ingresso no cinema. E não deixa de ser uma grande homenagem ao Aranha, principalmente no final, quando Peter é hospitalizado e toda Nova York presta homenagem. O diretor Destin Daniel Cretton, de Shang-Chi, está longe de ser um Sam Raimi, mas é competente e sabe desenvolver boas cenas de luta, ainda que estas estejam no padrão vídeo game, praticamente para divulgar o jogo do Aranha pela Sony. Há uma cena pós-crédito, com o aplicativo rastreador do Aranha que Ned inventou, que sugere que o Aranha pode estar no espaço em Vingadores Doomsday. A julgar pelo estrondoso sucesso de bilheteria que o filme está fazendo (segunda maior abertura de bilheteria de um filme na história; tudo bem que temos de levar em conta a inflação), teremos ainda muito Tom Rola como o Aranha pela frente. Nota 7,5 de 10.