Olá, meus caros. A pedido do colega de blog, José Botelho, estamos postando essa versão completa da história "Ele Era Um Dinossauro", que originalmente foi dividida em 10 partes, tendo terminado semana passada. Se quiser conferir a versão fracionada, é só clicar no link seguinte (do marcador "Ele Era Um Dinossauro"), que tem todas as partes: https://ozymandiasrealista.blogspot.com/search/label/Ele%20Era%20Um%20Dinossauro?&max-results=7
Neste link você pode ir pro post que reúne todos os principais que eu já escrevi: https://ozymandiasrealista.blogspot.com/2020/02/o-post-dos-melhores-posts-ii.html
É isso, colegas. Boa leitura!
Noberto realmente teve um passado complicado, o tipo de passado do qual poucos se orgulhariam. Mas quando aqueles tempos loucos e conturbados pertencem à sua memória, você tem que se acostumar com eles. É... Pode ficar tudo bem. Acredite! Aí vão os passos para a regeneração de um homem após tempos difíceis e conturbados. Tempos que às vezes você não consegue sequer explicar!
1.Acostume-se com o seu passado, aceite-o;
2.Não se envergonhe mais dele;
3.Comece a traçar planos para se tornar um novo homem;
4.Independente da velocidade, siga em frente com esses planos;
5.Não olhe para trás;
2.Não se envergonhe mais dele;
3.Comece a traçar planos para se tornar um novo homem;
4.Independente da velocidade, siga em frente com esses planos;
5.Não olhe para trás;
Ler isso enquanto lembra de indivíduos que seguiram essas instruções e conseguiram se tornar pessoas completamente novas chega a ser emocionante... Mas acontece que Noberto não era uma pessoa. Ele era um dinossauro. E quando você é um dinossauro vivendo em plena era de globalização, capitalismo, putaria e fast-food, pode não ser tão fácil se regenerar dos velhos hábitos e levar um dia a dia exemplar. Ou seja, as cinco regrinhas ditadas acima podem não servir muito bem pra você. Não serviram muito bem pra Noberto.
Parte I
Ninguém olha pro dinossauro triste
Que jaz por trás de olhos vermelhos
Que jaz por trás de olhos vermelhos
Foi um dia pra não se esquecer. Todos os repórteres tinham o mesmo furo pra apresentar aos seus editores naquele dia. E todos tinham uma foto da mesma coisa salva nos seus celulares. Porque todo mundo viu.
Não tinha como deixar de ver. Noberto se tornou uma sensação nacional pela segunda vez na sua vida pós-cretácea. Saindo da sua casa de verão, outono, primavera e inverno; o nosso querido dinossauro levou o seu corpo de 50T do Pólo Norte para Washington D.C., nos EUA. Em plena luz do Sol, esse evento ficaria marcado para sempre no dia 25 de junho de 2009, quando todos viram um monstro um pouco menor que a muralha da China adentrar território americano enquanto tentava pisar em nada.
Não tinha como deixar de ver. Noberto se tornou uma sensação nacional pela segunda vez na sua vida pós-cretácea. Saindo da sua casa de verão, outono, primavera e inverno; o nosso querido dinossauro levou o seu corpo de 50T do Pólo Norte para Washington D.C., nos EUA. Em plena luz do Sol, esse evento ficaria marcado para sempre no dia 25 de junho de 2009, quando todos viram um monstro um pouco menor que a muralha da China adentrar território americano enquanto tentava pisar em nada.
Já sabendo do que se tratava, agentes da C.I.A. avisaram o presidente que o Projeto D-42 estava se aproximando da Casa Branca. 'What the f***?!' foi o que o presidente respondeu. O agente então lhe explicou que ele provavelmente se lembraria melhor do Projeto pelo nome de... Noberto. E foi exatamente o que aconteceu. Rapidamente o presidente saiu de sua cadeira americana, correu pelos degraus americanos com um desespero americano que só um verdadeiro americano poderia ter. Saindo pelos orgulhosos e justos portões patriotas da moradia da Glória, o senhor de terno correu pelo jardim da Casa Branca sacudindo os seus braços e gritando: 'Norb! Hey, Norb! O que é isso, my friend? Hey, Norb! Eu estou aqui! Over here!'. Nem reação do lagartão. Antes mesmo que o presis pudesse ficar desapontado, um dos seus assistentes de terno já surgiu rapidamente lhe entregando um sinalizador, que ele atirou de imediato.
- Presidente, - falou Noberto em um tom lento e desinteressado - não precisa disso, eu já te ouvi. Só estava prestando atenção em uma coisa... Acho que era uma pessoa que eu conhecia... Mas agora deixa pra lá, ela já passou.
- You are the dinossauro favorito dos United States. You sabe disso, não sabe? Posso perguntar o que te traz até a nossa maravilhosa terra, Noberto? Algo não está good o suficiente no refúgio que te providenciamos há tantos anos atrás? Você aí - ele se interrompeu - de terno. Apague a memória de todos que estiverem ouvindo isso depois. Got it?
- Sim, sr. presidente - respondeu Noberto lentamente com muita calma - Tem várias coisas me incomodando no refúgio que me foi providenciado.
- Por example?
- A internet, sr. presidente, a internet. A função daquilo é cair de tempos em tempos? Não vou aguentar toda uma era desse jeito. Fico o dia todo tentando arrumar, só pra em outro dia cair de novo.
- Você já tentou ligar pro serviço de ajuda técnica?
- Isso iria adiantar?
- Com certeza! Creio que está tudo right então, right?
- Na verdade tinha outras coisas me incomodando lá, mas...
- Então tudo bem! - disse o presidente dando as costas e voltando com pressa pro seu escritório pra ver como estava o andamento dos últimos projetos de bomba nuclear.
Então Noberto seguiu caminho de volta, pouco esperançoso que seu desconforto sumiria. Mas não tinha problema. O importante é que estava voltando e já tinha passado tempo demais longe de casa. Os Estados Unidos da América estariam em ritmo caótico depois do que aconteceu, mas esse era o único ritmo que eles conheciam, então não fez muita diferença. Ansiosos, os jornalistas que estavam presentes na rota que o dinossauro fez voltaram para os seus editores entusiasmados como raramente conseguiam. Acontece que chegando lá dentro eles receberam uma má notícia.
Já na Casa Branca, o caos era total. Eles também já estavam acostumados e sabiam como lidar com isso. Trabalhando! Uma reunião imediata juntou os principais cientistas, agentes secretos e manés expiatórios que tiveram qualquer envolvimento em acobertar a existência de Noberto do povo. Eles discutiam as consequências da inesperada aparição dele para reclamar da internet e a possibilidade dele voltar quando se estressasse com o atendimento técnico. Eis que uma notícia passa na televisão espantando a todos no Salão Oval: Michael Jackson estava morto. Aí sim. Aliviados, todos naquela sala comemoraram, não iam mais precisar encobrir a chegada do dinossauro. Ninguém ia se lembrar disso, Michael Jackson estava morto! Só horas depois que caiu a ficha e eles foram entrar em luto pela perda do grande Rei do Pop.
Parte II
Eu te abraçaria, eu te agarraria
Mas meus braços não podem te alcançar
Mas meus braços não podem te alcançar
Um jornalista em especial havia ficado frustrado com tudo. Seu nome não pode ser revelado no momento por questões de ética, mas havia um indivíduo que parecia ser o único, em todo o território vermelho e azul, que se incomodava com aquela situação. Não a morte do Michael Jackson, mas as centenas de registros da chegada de um kaiju (monstro gigante) sendo simplesmente ignorados. 'Queria ver se fosse no Japão' ele refletia... Mas não ficava pensando muito nisso pois era um digníssimo americano e se orgulhava muito de seu país. E era hora de ajudar seu país.
Já no subterrâneo da Casa Branca, passando pelo sistema de segurança mais avançado já criado no planeta Terra, aconteciam experimentos sinistros e secretos patrocinados pelo governo, cujos quais você nunca descobriria se não fosse pela existência deste texto. Passando pelo cofre que continha a verdadeira mulher mais bonita do mundo, o video-clipe proibido da Madonna e o cálculo para solucionar a fome no mundo, cientistas reviam os arquivos relacionados com a fuga do Projeto D-42. Décadas atrás, o dinossauro foi encontrado congelado e foi levado, coberto por cortininhas pra ninguém ver, ao laboratório secreto do cientista maluco Genio Sin. Após estudá-lo com a sua equipe, houve nada de muito inédito na fisiologia do animal, viram nada que já não soubessem há muito tempo. Então o que sobrava era tentar reanimá-lo. Por que não? Quando conseguiram ficaram surpresos com a vitalidade que o monstro demonstrava logo ao ser acordado. Fora de controle eles não conseguiram detê-lo e ele escapou do laboratório chegando aos olhos do público, que apesar de ter ficado impressionado, acabou relevando o acontecimento por causa da surpreendente morte de Elvis Presley, o Rei do Rock. Pois é, duas vezes com o mesmo dinossauro.
Essa infeliz coincidência que poderia ser enxergada como uma "coisa engraçada" e tratada como "brincadeirinha" por mentes sem qualquer senso de verdade, justiça e estilo de vida americano, na verdade era muito grave e séria para o jornalista mencionado anteriormente. Que palhaçada era essa? Os sensos de prioridade entre entretenimento, religião, ciência e política estavam sendo confundidos! E com o apoio dado pela mídia ele temia como isso ia ficar nos anos que viriam. Ele acreditava no espaço para todo tipo de noticiação. Porém, era um exército de um soldado só, então não havia muito que ele pudesse fazer.
Amargurado e com depressão, vivendo de notícias sobre esquilos e rejeitando qualquer oferta de amor, o cidadão viu a luz mais uma vez. Mas sendo no dia da morte do Michael Jackson, ele também reviu a escuridão.
- Mas chefe! O Michael Jackson já ocupou a primeira página diversas vezes.
- Isso acontece porque ele é o Rei do Pop, seu velho teimoso.
- Eu não estou tão velho. E também não sou teimoso. Eu não quero diminuir a inegável importância e influência do Rei do Pop, não é isso. Mas... eu não sei nem como explicar! Apareceu um dinossauro! Pela segunda vez!
- Desculpa ser eu a te informar,
- Mas como? Não é nem questão de gostar ou não gostar, é um dinossauro, é diferente!
- Não é diferente não. A morte do Michael Jackson é diferente!
- Mas todas as pessoas morrem! Me diga alguém que não morreu!
- Keith Richards, Mick Jagger...
- Tá, tirando os Rolling Stones.
- Desista, sr.
Certo de que nunca mais entraria naquele prédio novamente, nem que sua vida dependesse disso, o escritor frustrado chamou um táxi e ficou o esperando sentado na calçada mesmo. Ele ficou refletindo. Estava sentindo ódio. Alimentos orgânicos? Ele não queria cobrir uma feira de alimentos orgânicos, só podiam tá brincando com ele. Agora havia um fogo dentro dele. Sabia que não podia deixar aquilo morrer. Era uma sensação carnal, primária e natural, ele não podia se esquecer dela. Sentiu que nada poderia pará-lo. Ele realmente havia visto, era real! Não como essas porcarias de U.F.O.'s e extraterrestres avistados por bêbados que também viam o fantasma de Jim Morrison... Drogados que viam até Papai Noel! Era real! Abandonaria tudo e superaria qualquer etapa para cumprir o seu objetivo de informar as pessoas sobre a existência daquele dinossauro! Sim.
Parte III
Você tenta me derrotar
Mas eu sou um dinossauro
Você tenta me humilhar
Mas eu já devorei Tokyo
Mas eu sou um dinossauro
Você tenta me humilhar
Mas eu já devorei Tokyo
Ao cair da noite já estava feito. nomeocultado havia criado um blog sobre kaijus. Havia passado a tarde inteira escrevendo todas as informações que já havia absorvido em sua vida sobre essas cativantes criaturas. O título era "Jurassic Site: Tudo O Que Você Já Deveria Saber Sobre Kaijus Mas Não Querem Te Contar". Ele realmente tinha dado tudo de si, mas precisava de um retorno para ter certeza se o seu trabalho tinha ficado bom. Então não pensou duas vezes e ligou para a sua sobrinha a convidando para comer pizza na sua casa.
Ninguém recusa um pedido de pizza, mas quando a esmola é muita, o padre desconfia. A jovem de 16 anos ao chegar na casa do tio já perguntou:
- Am... tio, por que essa ideia de repente?
- Ora, acho que uma reunião familiar é saudável de vez em quando. Como estão os seus pais?
- Eu não sei. - Ela responde sem demonstrar interesse - Você já pediu a pizza?
- Oh não, ainda não. Vou pedir agora, deve demorar um pouco pra chegar. Enquanto isso, por que você não vem aqui ver uma coisa que eu fiz durante a tarde?
Ninguém recusa um pedido de pizza, mas quando a esmola é muita, o padre desconfia. A jovem de 16 anos ao chegar na casa do tio já perguntou:
- Am... tio, por que essa ideia de repente?
- Ora, acho que uma reunião familiar é saudável de vez em quando. Como estão os seus pais?
- Eu não sei. - Ela responde sem demonstrar interesse - Você já pediu a pizza?
- Oh não, ainda não. Vou pedir agora, deve demorar um pouco pra chegar. Enquanto isso, por que você não vem aqui ver uma coisa que eu fiz durante a tarde?
Sua sobrinha se sentou em frente ao computador enquanto o tio apresentava o seu blog recém-criado.
- Olha. Aqui. Eu fiz um site sobre kaijus. Se chama "Jurassic Site". O que você achou do nome? - ele já perguntava inseguro - Eu achei o nome legal, "Jurassic Site".
- É, legal... - respondia sua sobrinha sem muito interesse. Enquanto isso ele segurava no mouse para ir navegando pela página e mostrando tudo o que tinha feito.
- Ó só, tá vendo aqui? Eu fiz vários textos sobre os diferentes tipos de kaijus que já foram listados e a possibilidade deles existirem. Alguns são besteira e não têm como existirem. Provavelmente. Mas aí eu deixo claro que é só ficção, só ficção. Também escrevi, olha... Aqui... Várias influências "desses tais de kaijus" na cultura pop. Eu vou argumentando os motivos pelos quais eles são tão fascinantes. Afinal, pô. Imagina só. É um monstro GIGANTE. Ele pode destruir uma cidade TODA sem nem fazer muito esforço. Ele rosna, é avassalador, às vezes vem de outro planeta! Fazem até filmes sobre eles! Isso tudo é muito legal, por isso que as pessoas gostam!
- É, é legal.
- E aqui... Ó... Tem uma barra de pesquisa. Aí se você pesquisar uma palavra-chave tipo... "alimentos orgânicos"! Aí vai aparecer nos resultados da pesquisa tudo que já foi publicado em relação a isso. É claro que "alimentos orgânicos" é só um exemplo. O Jurassic Site tem nada relacionado a isso. Você não acha esse tema chato? Acredita que o meu chefe ao invés de me deixar escrever sobre um monstro que invadiu a terra sagrada dos Estados Unidos me mandou ir cobrir uma feira de alimentos orgânicos?! Isso já é sacanagem, você não acha?
- Ah, não sei. Alguma pessoa pode gostar desse tema. Minha mãe é vegetariana, ela vê essas coisas.
- Tá, tá. Mas eu quis dizer... De uma forma geral. Você não concorda que o assunto dos kaijus é bem mais interessante pra maioria das pessoas?
- Ah, pode ser, depende. Nem todo mundo precisa achar isso interessante. Que nem... Eu acho.
- Sim! Você acha! Você acha mais interessante! - ele afirma com entusiasmo.
- É, mas... Sei lá. O dinossauro, por exemplo, pode ser vegetariano. Aí... Am... Vai que ele se interessa por essas coisas...
- Isso que você falou não faz o mínimo sentido!
- Ué, sei lá! Como é que eu vou saber do dinossauro?! Eu não conheço ele!
- Tudo bem, tudo bem. Mas o que você achou? O que você achou do blog?
- Olha, tio. Tá legal... tá legal... O título tá legal... Jurassic Site e tal. Mas, olha, tem algumas coisas. Por exemplo, tá bom que tem bastante texto, mas isso também é uma coisa. Tem muito, muito texto e pouca imagem. Você tem que equilibrar mais, senão as pessoas vão se cansar de ir lendo. Tenta colocar umas imagens, uns vídeos... slide, sei lá. Eu não sei muito também porque eu não tenho blog. Uma amiga minha que tinha, se você quiser eu peço pra ela umas dicas pra te ajudar.
- Uhum - ele afirma, prestando total atenção.
- Então... quê mais...? Bem, tá muito simples, você pode tentar fazer um design mais legal pro seu blog, tipo... Colocar mais cor... Ó, por que que aqui tem uma estrela?
- Já veio com a estrela! - ele se defende.
- Então, você pode tirar a estrela. Coloca, sei lá... Um meteoro. Não foi um meteoro que extinguiu os dinossauros? Então... am... Você pode colocar um meteoro. Você pode colocar alguma propaganda no seu blog, pra ver se te dá dinheiro, o que ia ser bom. Olha, aqui você podia expandir mais o frame. Dava pra deixar um aplicativo, mais ou menos por aqui, pra aparecer a quantidade de visitantes. Também dá pra colocar uma foto aqui onde tá escrito um pouco sobre você. Mas aí você não colocaria uma foto de dinossauro... Tá bom? Coloca uma foto sua, que é o autor. Dá pra deixar uma fonte diferente aqui no título. E mudar a cor também. Aliás, no texto, quando for citação, também, você pode mudar a fonte, deixar em... itálico, como você achar melhor, mas acho que isso cê sabe. Se você fizer amizade com outras pessoas que têm blogs desse tipo, você pode deixar divulgação em algum canto, aí eles ajudam você também. Am... e você também pode criar um vlog, se você preferir.
- Olha. Aqui. Eu fiz um site sobre kaijus. Se chama "Jurassic Site". O que você achou do nome? - ele já perguntava inseguro - Eu achei o nome legal, "Jurassic Site".
- É, legal... - respondia sua sobrinha sem muito interesse. Enquanto isso ele segurava no mouse para ir navegando pela página e mostrando tudo o que tinha feito.
- Ó só, tá vendo aqui? Eu fiz vários textos sobre os diferentes tipos de kaijus que já foram listados e a possibilidade deles existirem. Alguns são besteira e não têm como existirem. Provavelmente. Mas aí eu deixo claro que é só ficção, só ficção. Também escrevi, olha... Aqui... Várias influências "desses tais de kaijus" na cultura pop. Eu vou argumentando os motivos pelos quais eles são tão fascinantes. Afinal, pô. Imagina só. É um monstro GIGANTE. Ele pode destruir uma cidade TODA sem nem fazer muito esforço. Ele rosna, é avassalador, às vezes vem de outro planeta! Fazem até filmes sobre eles! Isso tudo é muito legal, por isso que as pessoas gostam!
- É, é legal.
- E aqui... Ó... Tem uma barra de pesquisa. Aí se você pesquisar uma palavra-chave tipo... "alimentos orgânicos"! Aí vai aparecer nos resultados da pesquisa tudo que já foi publicado em relação a isso. É claro que "alimentos orgânicos" é só um exemplo. O Jurassic Site tem nada relacionado a isso. Você não acha esse tema chato? Acredita que o meu chefe ao invés de me deixar escrever sobre um monstro que invadiu a terra sagrada dos Estados Unidos me mandou ir cobrir uma feira de alimentos orgânicos?! Isso já é sacanagem, você não acha?
- Ah, não sei. Alguma pessoa pode gostar desse tema. Minha mãe é vegetariana, ela vê essas coisas.
- Tá, tá. Mas eu quis dizer... De uma forma geral. Você não concorda que o assunto dos kaijus é bem mais interessante pra maioria das pessoas?
- Ah, pode ser, depende. Nem todo mundo precisa achar isso interessante. Que nem... Eu acho.
- Sim! Você acha! Você acha mais interessante! - ele afirma com entusiasmo.
- É, mas... Sei lá. O dinossauro, por exemplo, pode ser vegetariano. Aí... Am... Vai que ele se interessa por essas coisas...
- Isso que você falou não faz o mínimo sentido!
- Ué, sei lá! Como é que eu vou saber do dinossauro?! Eu não conheço ele!
- Tudo bem, tudo bem. Mas o que você achou? O que você achou do blog?
- Olha, tio. Tá legal... tá legal... O título tá legal... Jurassic Site e tal. Mas, olha, tem algumas coisas. Por exemplo, tá bom que tem bastante texto, mas isso também é uma coisa. Tem muito, muito texto e pouca imagem. Você tem que equilibrar mais, senão as pessoas vão se cansar de ir lendo. Tenta colocar umas imagens, uns vídeos... slide, sei lá. Eu não sei muito também porque eu não tenho blog. Uma amiga minha que tinha, se você quiser eu peço pra ela umas dicas pra te ajudar.
- Uhum - ele afirma, prestando total atenção.
- Então... quê mais...? Bem, tá muito simples, você pode tentar fazer um design mais legal pro seu blog, tipo... Colocar mais cor... Ó, por que que aqui tem uma estrela?
- Já veio com a estrela! - ele se defende.
- Então, você pode tirar a estrela. Coloca, sei lá... Um meteoro. Não foi um meteoro que extinguiu os dinossauros? Então... am... Você pode colocar um meteoro. Você pode colocar alguma propaganda no seu blog, pra ver se te dá dinheiro, o que ia ser bom. Olha, aqui você podia expandir mais o frame. Dava pra deixar um aplicativo, mais ou menos por aqui, pra aparecer a quantidade de visitantes. Também dá pra colocar uma foto aqui onde tá escrito um pouco sobre você. Mas aí você não colocaria uma foto de dinossauro... Tá bom? Coloca uma foto sua, que é o autor. Dá pra deixar uma fonte diferente aqui no título. E mudar a cor também. Aliás, no texto, quando for citação, também, você pode mudar a fonte, deixar em... itálico, como você achar melhor, mas acho que isso cê sabe. Se você fizer amizade com outras pessoas que têm blogs desse tipo, você pode deixar divulgação em algum canto, aí eles ajudam você também. Am... e você também pode criar um vlog, se você preferir.
Depois que comeram a pizza, o ex-jornalista deitou na sua cama com a certeza que nunca mais escreveria ou sequer olharia pro site que tinha feito. Oh não. Ele começou a ficar triste. Só tinha ficado com raiva até aquele momento. Tristeza é pior. Ainda mais na hora de dormir. "Uh, eu sou um jornalista inútil" ele começou a choramingar sozinho abraçado no seu travesseiro.
Tocava algo pesado...
Era Metallica...
Fuel...
Era Metallica...
Fuel...
No topo havia um deus em frente ao céu avermelhado... Mas era um dinossauro! Um deus dinossauro! Um pterodáctilo gigantesco e com um cabelão muito irado sacudindo suas asas ao vento! Balançando sua cabeleira de metaleiro ele abria o seu bico e pela loucura suas palavras estremeciam!
- Dinodeus...?
- VOCÊ! Você é muito cuzão!
- Mas por que dinodeus???
- Você é bobalhão! O cara já apareceu duas vezes e as pessoas ainda acham que era ilusão!
- Elas são alienadas! Elas fingem que não veem...
- Isso é sua função! Cuzão...
- Eu não sou cuzão!
- Cuzão!
- Eu não sou cuzão!!!
- É sim... Um cuzão!
- VOCÊ! Você é muito cuzão!
- Mas por que dinodeus???
- Você é bobalhão! O cara já apareceu duas vezes e as pessoas ainda acham que era ilusão!
- Elas são alienadas! Elas fingem que não veem...
- Isso é sua função! Cuzão...
- Eu não sou cuzão!
- Cuzão!
- Eu não sou cuzão!!!
- É sim... Um cuzão!
Ele acorda na sua cama ofegante e suado. Tem um mosquito dentro da boca, ele começa a cuspir. Começa a tentar lembrar de onde pediu a pizza mais cedo... Mas então lembra-se de antes... Mais cedo ainda. Aquela sensação que ele havia jurado que não se deixaria esquecer. Ele não podia esquecer! Tinha que ter perseverança! Mas aquele site também era uma porcaria! Bem, nada poderia pará-lo, ele teria que fazer o impossível. Então... Era hora de ir atrás do kaiju.
Tempos depois, em uma luxuosa casa gigantesca no Pólo Norte, um dinossauro gigantesco assiste a sua ainda mais gigantesca televisão de plasma. Está enrolando antes de ir dormir. Vai passando os canais... mudando... Uh! Em um canal de filmes está passando King Kong.
Há um gorila gigante e dois tiranossauros pendurados em uns cipós. Ele sabia que não deveria ficar assistindo aquilo... afetava a consciência dele... mas a ideia do errado só o deixava com mais vontade. Então segurando o controle remoto com firmeza, deixando um de seus dedos tortos bem sobre o botão que muda de canal, ele foi assistindo a película enquanto sentia considerável tensão. Eles se mexiam com violência. De repente ele nota que tinha até uma humana fêmea nas mãos do gorila gigante! Uau! Mesmo morando sozinho ele imagina que alguém possa aparecer para pegá-lo de surpresa, então fica olhando de rabo de olho pra ter certeza que há ninguém vendo. Ao ouvir um barulhinho ele muda de canal rapidamente! Com seu coração ficando a mil por hora! Ele vira o rosto completamente pro lado pra ver se tem ninguém e coloca de volta no canal. Parece haver um dinossauro a menos. Agora ele nunca ia saber o que tinha acontecido com ele. Mas não tem problema, continuava tenso. Então ouve o barulho de uma porta se mexendo! Tira rapidamente do canal de novo! Seu coração quase estoura novamente! Não se sentia assim desde quando havia visto meteoros caindo do céu. Então coloca no canal de filmes mais uma vez. Eles tinham entrado em propaganda. Hum, quem sabe houvesse propagandas legais. Não deu outra. Mas ele ouve um barulhinho de novo! Dessa vez sem estar suspeitando realmente toma um baita susto! Coloca em um canal genérico de notícias e se levanta para conferir se realmente tem ninguém fazendo companhia a ele.
Há um gorila gigante e dois tiranossauros pendurados em uns cipós. Ele sabia que não deveria ficar assistindo aquilo... afetava a consciência dele... mas a ideia do errado só o deixava com mais vontade. Então segurando o controle remoto com firmeza, deixando um de seus dedos tortos bem sobre o botão que muda de canal, ele foi assistindo a película enquanto sentia considerável tensão. Eles se mexiam com violência. De repente ele nota que tinha até uma humana fêmea nas mãos do gorila gigante! Uau! Mesmo morando sozinho ele imagina que alguém possa aparecer para pegá-lo de surpresa, então fica olhando de rabo de olho pra ter certeza que há ninguém vendo. Ao ouvir um barulhinho ele muda de canal rapidamente! Com seu coração ficando a mil por hora! Ele vira o rosto completamente pro lado pra ver se tem ninguém e coloca de volta no canal. Parece haver um dinossauro a menos. Agora ele nunca ia saber o que tinha acontecido com ele. Mas não tem problema, continuava tenso. Então ouve o barulho de uma porta se mexendo! Tira rapidamente do canal de novo! Seu coração quase estoura novamente! Não se sentia assim desde quando havia visto meteoros caindo do céu. Então coloca no canal de filmes mais uma vez. Eles tinham entrado em propaganda. Hum, quem sabe houvesse propagandas legais. Não deu outra. Mas ele ouve um barulhinho de novo! Dessa vez sem estar suspeitando realmente toma um baita susto! Coloca em um canal genérico de notícias e se levanta para conferir se realmente tem ninguém fazendo companhia a ele.
Em uma posição aterrorizadora (a única que um kaiju consegue fazer), Noberto vai até o corredor ao lado de sua sala de estar, onde fica a "mesinha" com seu computador. Ele ainda não tinha ligado pra assistência técnica da internet por preguiça. Se abaixa pra olhar embaixo da mesinha, onde ficam os fios, e se surpreende com o que acha lá! Ele realmente não estava sozinho!
Parte IV
Mantenha os amigos por perto
E os inimigos dentro do seu estômago
E os inimigos dentro do seu estômago
Em décadas e décadas aquele era o primeiro dia na vida pós-cretácea de Noberto em que acontecia algo de diferente em sua casa e ele entrava em contato com outro indivíduo.
Há algumas semanas, ele tinha falado com o presidente dos Estados Unidos para reclamar do estado de seu refúgio. O rosto dele estava diferente, mas ainda era o mesmo cara, o mesmo que havia conversado com ele depois que o governo resolveu nos anos 70 fazer um acordo de isolá-lo no Pólo Norte, o que era curioso. Tirando isso, tinha entrado em contato com mais ninguém. No seu caminho de volta para casa só via as pessoas... Tão pequenininhas... Correndo desesperadas, morrendo de terror com a presença dele. Tão próximas e ao mesmo tempo tão distantes. As mais bestiais e terríveis das criaturas na Terra não chegavam perto do tamanho dele. Restava nada além de ir direto pra casa e assistir TV.
Mas agora ele estava abrindo uma exceção. Ele havia encontrado um pequeno ser humano escondido embaixo da mesa de seu computador em plena madrugada. Agora o tal estava sozinho em cima de uma grande mesa na cozinha, em pânico, sendo interrogado pela maior monstruosidade que já tinha visto.
Há algumas semanas, ele tinha falado com o presidente dos Estados Unidos para reclamar do estado de seu refúgio. O rosto dele estava diferente, mas ainda era o mesmo cara, o mesmo que havia conversado com ele depois que o governo resolveu nos anos 70 fazer um acordo de isolá-lo no Pólo Norte, o que era curioso. Tirando isso, tinha entrado em contato com mais ninguém. No seu caminho de volta para casa só via as pessoas... Tão pequenininhas... Correndo desesperadas, morrendo de terror com a presença dele. Tão próximas e ao mesmo tempo tão distantes. As mais bestiais e terríveis das criaturas na Terra não chegavam perto do tamanho dele. Restava nada além de ir direto pra casa e assistir TV.
Mas agora ele estava abrindo uma exceção. Ele havia encontrado um pequeno ser humano escondido embaixo da mesa de seu computador em plena madrugada. Agora o tal estava sozinho em cima de uma grande mesa na cozinha, em pânico, sendo interrogado pela maior monstruosidade que já tinha visto.
- Então... humano, há quanto tempo você está aqui?
- Ai, ai! Faz muito tempo! Não me devore! - o homenzinho responde desesperado.
- Você não está me dando muitas razões pra isso.
- Aiaiai. Eu só estava fazendo o meu trabalho!
- Que seria? Desativar a minha internet?!
- Eu só desativava a sua internet quando estava entediado! Eu tinha mais nada pra fazer. Estou por aqui há muitas décadas!
- Décadas? DÉCADAS?! Como assim você está aqui há décadas?! Se explique!
- Eu... eu... eu sou o Dr. Genio Sin. Sou um cientista - ele fica mais calmo, sempre fica mais calmo aclamando sua identidade - Trabalho com experimentos secretos há muitos anos. Inclusive, fui responsável por te trazer de volta à vida, D-42.
- D-42? Ha! Belo experimento secreto! Todos viram quando eu escapei de vocês e fui bater um papo com o seu chefe.
- Humpft. Isso não fez diferença. Ninguém lembra mais da sua exibição em 16 de agosto de 1977. Você não é tão interessante assim.
- Eu não sou tão interessante assim?! Você está louco?! Eu sou um dinossauro! Fazem filmes sobre mim!
- Também fazem filmes sobre cientistas loucos e mesmo assim eu nunca tive uma namorada. Acredite, D-42, eu e os meus superiores somos os mais interessados em você.
- Com seus superiores você se refere ao governo dos Estados Unidos.
- Não. Eu nunca afirmei isso.
- Você disse que me trouxe de volta a vida. Quem me trouxe de volta a vida foi o governo dos Estados Unidos.
- Isso significa nada. Eu poderia ser um cientista infiltrado da Alemanha ou da União Soviética. Não tem como você ter certeza. Não certeza absoluta.
- Tá. Ainda assim, você trabalha pro governo dos Estados Unidos.
- A minha função é de suma importância e de sigilo secreto à minha causa, D-42! Eu não vou te contar!
- Não vai te servir muito sigilo secreto - diz Noberto aproximando sua boca com enormes dentes afiados à cabeça do homenzinho - se você estiver triturado dentro do meu estômago.
- Oh... isso vai nos levar a nada!
- Eu ficarei com menos fome. Por um tempo. Depois posso voltar a Washington pra comer mais dizendo que "estou fazendo isso por causa do Dr. Genio Sin!". E ainda digo a eles que da última vez que fui lá foi porque você tinha derrubado a minha net!
- Uuuuuuh - geme Genio Sin tremendo de medo - Tá bom. Ok, eu te conto. Era nada demais, poxa. Bem, por onde posso começar?
"O Agente Secreto que lidera a C.I.A. (eu não sei o nome dele, porque é secreto) disse que o governo havia chegado à conclusão que era melhor continuarmos te estudando mesmo após a sua fuga. As chances de que encontrássemos outro dinossauro como você eram minúsculas! Isso tudo foi discutido em pouquíssimo tempo pelas maiores cabeças do governo entre o tempo que você fugiu e foi falar com o Presidente."
- Hum, falando nisso. Aquele presidente, ele ainda é o mesmo não é?
- Eu não posso falar sobre isso.
- Genio Sin... - diz Noberto de forma ameaçadora.
"Tudo bem, tudo bem. Ele faz uma cirurgia plástica enquanto outro presidente vai tapar buraco pra depois voltar no outro ano como um candidato inédito. Não entendo porquê quer saber de todas essas coisas. Você é só um dinossauro! Mas então, a C.I.A. concluiu que construiríamos um novo laboratório para estudá-lo em seu dia a dia comum, ver como você reage na sua rotina, sugar cada mililitro de informação relacionada a você, D-42."
- Mas como assim?
- Todo esse seu luxuoso casarão D-42, ele foi feito para estudá-lo. Droga... Eu não deveria estar dizendo isso...
- O QUÊ?! E a ideia foi sua, Genio Sin?!
"Não! Como eu contei, foi uma decisão do chefe da C.I.A. A primeira coisa que disse foi que eu não queria vir. Eu fui o PRIMEIRO e o ÚNICO que falou que não queria se encarregar dessa missão. Disse que eu seria muito mais útil à Ciência dando continuidade aos meus experimentos locais. Mas eles me mandaram vir. Entre tantos agentes, nenhum deles tinha, bem... Nenhum deles era tão sabido quanto eu na ciência de criaturas pré-históricas."
- E tem mais alguém?!
- Não, não, eu fui mandado sozinho.
- Você está mentindo para mim, Genio Sin?! Não seria melhor se eles tivessem enviado alguém junto pra lhe auxiliar?
- É que eu... não sou muito "enturmado", digamos assim.
- Você não tem amigos?
- É... nenhum deles gostava de mim, aí aproveitaram a oportunidade pra me mandar pra cá junto com você.
- E todos os seus estudos?
- Ah, do que adiantava? Já fazem mais de trinta anos! Eles nem tentaram entrar em contato comigo! Eu descobri tudo que precisava sobre você no primeiro mês! Todos os seus hábitos. Eu tentei fugir uma vez, mas é muito frio lá fora... - lamenta Genio Sin.
- Hum. Fiquei curioso. E o que você descobriu sobre mim enquanto me espionava?
"Sinceramente, nada demais. No final das contas você não é tão diferente dos seres humanos. Seu infeliz costume de rosnar em baixo do chuveiro realmente foi se aprimorando com o passar dos anos, o que não o tornou menos irritante depois das primeiras 20 semanas! Essa é a única coisa de diferente. Basicamente, o que você mais faz é comer as toneladas de porcarias atomicamente ampliadas que o governo te envia por SEDEX, ficar assistindo televisão o dia inteiro, ouvindo heavy metal e falando sozinho. Acho melhor nem falar do Jurassic Park..."
- Você me viu assistindo Jurassic Park...? - pergunta Noberto ficando perplexo.
"Você assiste o tempo inteiro! Bem, não me envergonho em dizer que com o tempo fui me entediando e passei a me dedicar à tarefas esdrúxulas, como ficar mexendo nos seus fios da internet. Tinha mais nada pra fazer! O que eu podia fazer?!"
- Genio Sin... Então era você? Os pacotes de salgadinhos furados então...
- Sim.
- Também era você! Então... por todos esses anos... eu não estive realmente sozinho...
- Não. Não precisava de todo o melodrama e as poesias recitadas para o ar. Os monólogos até que eram bem feitos, eu admito. Pra falar a verdade, eles me deixaram aqui antes mesmo de você chegar.
- Nossa... não sei o que pensar sobre isso... - diz Noberto pensativo - E agora, Genio Sin?
- Agora?! Agora?! VOCÊ ESTÁ VENDO ESSE MEU BRAÇO ESQUERDO, D-42?
- Sim. É pequeno e ridículo como o de todos os humanos, e daí?
- Humpft. Pelo menos eles são o bastante pra nós-- Heh.
- OH! Você não sugeriu isso!
- Eu-acho-que-eu-sugeri-sim! Mas pare de me interromper e preste atenção! Esse braço na verdade é um implante robótico! Feito por miiiiiiim mesmo! A olho nu ele pode parecer um mero braço humano como você falou! Mas na realidade ele se transforma em uma poderosa arma de energia, QUE FINALMENTE UTILIZAREI PRA ACABAR COM VOCÊ!
- Não, Genio Sin! - implorava Noberto! - Tenha misericórdia!
- AGORA DIGA ADEUS, D-42! HAHAHAHAHA! - gritava Genio Sin enquanto atirava contra Noberto que tentava desesperadamente se proteger com as suas mãos desproporcionais. O ataque durou cerca de 40 segundos de tiros de projéteis avançados até a energia da arma biônica acabar.
- Hehehehe... O QUÊ? - perguntou Sin surpreso após o fuzilamento - Você ainda está de pé...? Eu... eu... eu achava que seria o suficiente para atravessar a sua pele...
- Genio Sin... - rosna Noberto - Você deveria ter me estudado melhor...
Parte V
Canhões à direita!
Canhões à esquerda!
Tanto faz
Canhões à esquerda!
Tanto faz
- Então, Genio Sin... - dizia Noberto malignamente enquanto mexia sua cauda - Estou curioso pra saber sua opinião. Depois da sua "brilhante" tentativa de me levar à extinção, o que acha que eu devia fazer com você?
- Oh, por favor, tenha misericórdia - dizia o homenzinho enquanto tremia - É que eu sou muito sozinho.
- Oh, não diga besteira - debochava o dinossauro - Você esteve aqui comigo por todos esses anos!
- D-42... Me devorar vai levar a nada! Eu sou muito importante! Para o meu país, para toda a minha raça! Minha inteligência é acima da média! Aqueles imbecis precisam do meu intelecto para evoluir! Eles ficarão bravos se você me matar!
- Parece que eles não ligam tanto, sabe? Te mandando pra cá e tudo mais. Agora... - Mas ele é interrompido por um som que nunca havia ouvido antes em sua casa.
- Oh, por favor, tenha misericórdia - dizia o homenzinho enquanto tremia - É que eu sou muito sozinho.
- Oh, não diga besteira - debochava o dinossauro - Você esteve aqui comigo por todos esses anos!
- D-42... Me devorar vai levar a nada! Eu sou muito importante! Para o meu país, para toda a minha raça! Minha inteligência é acima da média! Aqueles imbecis precisam do meu intelecto para evoluir! Eles ficarão bravos se você me matar!
- Parece que eles não ligam tanto, sabe? Te mandando pra cá e tudo mais. Agora... - Mas ele é interrompido por um som que nunca havia ouvido antes em sua casa.
"Ding-dong"
- Am... é a porta... - balbucia o cientista.
- Quieto! Ou eu arranco a sua língua. E pelo tamanho dos meus dedos isso pode dar bem errado. - Então Noberto pensou - Estranho... Jamais recebi visitas antes. Deve ser o cara que eu liguei pra vir arrumar a internet. Chamei ele mais cedo antes de começar a interrogar Genio Sin. Já é hora de alguém dar um jeito nessa porcaria...
- Quieto! Ou eu arranco a sua língua. E pelo tamanho dos meus dedos isso pode dar bem errado. - Então Noberto pensou - Estranho... Jamais recebi visitas antes. Deve ser o cara que eu liguei pra vir arrumar a internet. Chamei ele mais cedo antes de começar a interrogar Genio Sin. Já é hora de alguém dar um jeito nessa porcaria...
Para não ter problemas, o dinossauro tratou de amarrar bem o seu prisioneiro para que ele não escapasse. Então tranquilamente, planejando o que ia dizer pro técnico, ele avançou para o imenso portão da sua luxuosa mansão. Ao abrir a porta ele pode ver no chão um homem muito pequenininho tremendo de frio.
- Com licença, senhor? - diz o homenzinho - O senhor é um dinossauro?
- Não, sou o King Kong - responde Noberto batendo a porta na cara do visitante.
- Com licença, senhor? - diz o homenzinho - O senhor é um dinossauro?
- Não, sou o King Kong - responde Noberto batendo a porta na cara do visitante.
O carinha fica lá tremendo tanto que quase se desequilibra e cai no chão. Começa a reclamar consigo mesmo "Oh, seu burro, burro, burro. Você finalmente vê o dinossauro e essa é a pergunta que faz? Brrrrr" ele tenta continuar resmungando, mas os seus dentes batem tanto que não consegue mais falar e pensa "Que vergonha. Que ideia ridícula. Eu sou um fracasso... Eu vou embora!". Mas quando o nosso amiguinho picolé vira pra trás, o caminho por onde veio simplesmente não está visível graças a exageradamente violenta nevasca. Um pensamento de "minha sinusite nunca vai passar" se perde rápido quando, em contraste à interminável neve e ventania, ele encara mais uma vez os grandes e chiques portões vermelhos do refúgio do dinossauro. Então por instinto de sobrevivência mesmo, ele toca a campainha de novo.
- Que que é.............? - resmunga Noberto entre os dentes.
- O se-se-senhor po-po-po-podia me-e de-e-ixar entrar?
- Eu te conheço?
- Mas senhor, eu tô morrendo - começa a chorar o coitado.
- Ai tá, tudo bem, entra aí. - se entrega Noberto.
A satisfação é imediata quando o sujeito entra na mansão e sente o contraste da temperatura no quentinho de casa fechada. Esfregando os braços e o peito pra se aquecer mais rápido ele vai observando desacreditado os móveis gigantes do local. Parecia um sonho, ele realmente estava na casa de um dinossauro. O dinossauro! O único que ele realmente tinha visto com os próprios olhos. E duas vezes! É tão perfeito que ele começa a temer a possibilidade de ter desmaiado na neve e estar tendo alucinação. Quase diz isso pro kaiju, mas se censura se lembrando da besteira que cometeu logo quando chegou. O dinossauro não dá a mínima atenção a ele, simplesmente avançando pela casa. O homem então vai o seguindo. Eles chegam em uma cozinha, com tudo enorme, como em todos os outros cômodos, e o dino começa a prestar atenção em algo acima da mesa que o homem não consegue ver. Então resolve que é melhor começar logo um inevitável diálogo.
- Sabe, senhor - ele fala um pouco baixo - me desculpe pela pergunta estúpida que fiz quando cheguei.
- Meu, cala a boca que você já começou errado. - responde Noberto - Eu tô ocupado aqui. Você não veio arrumar a internet? Pode ir lá, é aqui pelo lado.
- Na verdade não... Senhor. Eu não vim pra arrumar a internet, eu vim pra falar com você.
Noberto então se vira pra olhar pra ele. Não o encontra então olha pra baixo. Ele dobra os joelhos se abaixando e diz pausadamente
- Você não é o cara da internet...?
- Não... não, senhor.
- E por que diabos você veio aqui pra falar comigo?
- Eu... eu sou jornalista, senhor. Ou ao menos eu era. Como eu posso... chamá-lo?
- Me chame de Noberto - fala o dinossauro voltando a sua atenção pro outro lado.
- Então, senhor... Noberto... eu... Me desculpe. Eu não... Anos e anos como jornalista não te preparam para uma experiência como essa, eu acho. Bem, meu nome énomeocultado e eu vim fazer uma matéria sobre você.
- Por que? Eu não sou interessante, não é? Mesmo sendo um dinossauro eles não ligam pra mim.
- Ah! Isso não deve ser verdade - o homem fica surpreso. - Eu acredito que você é interessante! Muito mais interessante que muita coisa que tem sido noticiada ultimamente. Para ser mais preciso... desde 1977.
- Quando fui descongelado... - complementa Noberto.
- Sua primeira aparição. - completa o pequeno homem - Eu venho querendo noticiar a sua existência desde daquela época, muitas pessoas nem sequer lembram que você existe. Mesmo quando você voltou.
- Há algumas semanas atrás, não é? Eu não sei, já não tenho mais noção do tempo.
- Sim, sim... - responde o jornalista, mas ele começa a ter vertigem.
- Vocês humanos são estranhos. Está tudo bem com você?
- Eu... eu... me desculpe, foi um longo caminho - ele responde colocando a mão na cabeça cansada - Tenho bronquite... estou com sinusite. Minha cabeça está muito cansada. Eu estou acabado, me desculpe. Será que... eu posso descansar, por favor?
- É... claro... - diz o dinossauro estranhando a situação incomum. O homenzinho carregando uma mochila nas costas vai andando trêmulo, quase que se arrastando para um canto da cozinha e deita lá. Se encolhe e não faz um movimento. Noberto tenta não prestar atenção, mas aquilo o incomoda, então ele pega o jornalista em suas enormes mãos e o leva para a sala, onde o deixa no gigantesco sofá. Apesar de não acordar no caminho, ele demonstra um ar mais confortável.
- Sabe, senhor - ele fala um pouco baixo - me desculpe pela pergunta estúpida que fiz quando cheguei.
- Meu, cala a boca que você já começou errado. - responde Noberto - Eu tô ocupado aqui. Você não veio arrumar a internet? Pode ir lá, é aqui pelo lado.
- Na verdade não... Senhor. Eu não vim pra arrumar a internet, eu vim pra falar com você.
Noberto então se vira pra olhar pra ele. Não o encontra então olha pra baixo. Ele dobra os joelhos se abaixando e diz pausadamente
- Você não é o cara da internet...?
- Não... não, senhor.
- E por que diabos você veio aqui pra falar comigo?
- Eu... eu sou jornalista, senhor. Ou ao menos eu era. Como eu posso... chamá-lo?
- Me chame de Noberto - fala o dinossauro voltando a sua atenção pro outro lado.
- Então, senhor... Noberto... eu... Me desculpe. Eu não... Anos e anos como jornalista não te preparam para uma experiência como essa, eu acho. Bem, meu nome é
- Por que? Eu não sou interessante, não é? Mesmo sendo um dinossauro eles não ligam pra mim.
- Ah! Isso não deve ser verdade - o homem fica surpreso. - Eu acredito que você é interessante! Muito mais interessante que muita coisa que tem sido noticiada ultimamente. Para ser mais preciso... desde 1977.
- Quando fui descongelado... - complementa Noberto.
- Sua primeira aparição. - completa o pequeno homem - Eu venho querendo noticiar a sua existência desde daquela época, muitas pessoas nem sequer lembram que você existe. Mesmo quando você voltou.
- Há algumas semanas atrás, não é? Eu não sei, já não tenho mais noção do tempo.
- Sim, sim... - responde o jornalista, mas ele começa a ter vertigem.
- Vocês humanos são estranhos. Está tudo bem com você?
- Eu... eu... me desculpe, foi um longo caminho - ele responde colocando a mão na cabeça cansada - Tenho bronquite... estou com sinusite. Minha cabeça está muito cansada. Eu estou acabado, me desculpe. Será que... eu posso descansar, por favor?
- É... claro... - diz o dinossauro estranhando a situação incomum. O homenzinho carregando uma mochila nas costas vai andando trêmulo, quase que se arrastando para um canto da cozinha e deita lá. Se encolhe e não faz um movimento. Noberto tenta não prestar atenção, mas aquilo o incomoda, então ele pega o jornalista em suas enormes mãos e o leva para a sala, onde o deixa no gigantesco sofá. Apesar de não acordar no caminho, ele demonstra um ar mais confortável.
Em uma terra de vulcões e coqueiros o CD foi trocado! Agora se ouvia Megadeth e no céu haviam dezenas de pterodáctilos! Em sincronia eles balançavam suas cabeças e cabelos para os lados.
- Fodão! Vejam só quem é o fodão!
- Eu sou o fodão!
- Tá se achando! Já é cuzão!
- Não!!!
- Tá todo se achando! Não fez nem metade!
- Mas eu cheguei até aqui--
- Acorda logo! Vai começar a história de verdade!
- Eu sou o fodão!
- Tá se achando! Já é cuzão!
- Não!!!
- Tá todo se achando! Não fez nem metade!
- Mas eu cheguei até aqui--
- Acorda logo! Vai começar a história de verdade!
Noberto então volta para a cozinha, onde se dirige a Genio Sin que continua preso em cima da mesa.
- Veja se não é irônico. A formiguinha é um jornalista. Um repórter. Mesmo sem a minha internet estou tendo contato com o mundo exterior. Parece que você vai viver um pouco mais Genio Sin. - ele diz com um quase sorriso sádico. Não chegava a ser um sorriso. Mas era sádico.
- Você não me engana com essa pose - diz o cientista maliciosamente. - Você levou o homenzinho para a sala, não é? Não me pareceu que você ia jogá-lo no lixo. Achou que eu não estava enxergando daqui? Meus olhos também são biônicos, D-42. Eu posso ver longas distâncias.
- Então veja bem - diz Noberto o pegando com sua enorme mão e o colocando perto de seu rosto.
- Você não me conhece, não se engane. Não importa se esteve me observando por dezenas de anos. Eu tive uma longa vida, eras atrás. Tempos que Hollywood nunca conseguirá reproduzir pros seus olhinhos de mentira. Você não sabe do que eu sou capaz. Entendeu...? ENTENDEU?!
- Entendi... - responde o cientista, trêmulo. Quando em uma mão verde do tamanho de um campo de futebol, encarando um gigantesco olho vermelho, que apesar de ter uma aparência velha não deixa de ser aterrorizador, você não tem muitas opções além de entregar os pontos. A grandiosidade visual de um ser desses em contraste a um homem passa uma superioridade que não precisa ser interpretada...
Parte VI
Eu sou uma força nuclear
Eu faço gwaaaaaaaaaaar
Eu estou me desfazendo
No ar
Eu faço gwaaaaaaaaaaar
Eu estou me desfazendo
No ar
Genio Sin e Noberto (ou D-42) ficaram conversando na cozinha discutindo as possíveis razões daquele jornalista (ou como ele disse, ex-jornalista) ter ido até o Pólo Norte só pra falar com ele e fazer uma matéria.
- Nenhuma revista ou jornal falou da sua aparição - disse Sin. - Eu falei que eles não achavam interessante. Eu pesquisei bastante na época pois esperava que talvez dissessem algo sobre mim ou os meus estudos, mas no final ficou sendo tudo secreto.
- Talvez ele tenha vindo justamente por isso...
- Nenhuma revista ou jornal falou da sua aparição - disse Sin. - Eu falei que eles não achavam interessante. Eu pesquisei bastante na época pois esperava que talvez dissessem algo sobre mim ou os meus estudos, mas no final ficou sendo tudo secreto.
- Talvez ele tenha vindo justamente por isso...
Depois de algumas horas o homem doente acordou no maior sofá do planeta. "Maldita pizza estragada" ele pensa. Apesar de ter melhorado um pouco ainda não se sentia bem. Tinha dores no peito, na cabeça, nas costas e na garganta. Queria dormir mais, mas não estava conseguindo respirar direito por causa das suas vias congestionadas. Acordou com o nariz escorrendo como se fosse uma torneira quebrada. Depois de esfrega-lo com a manga da blusa, a primeira coisa que fez foi tirar suas botas de frio. Foi quando ficou preocupado. Quase não sentia os seus pés. Eles pareciam estar azuis, veio um profundo medo de que tivesse que amputá-los. Começou a esfrega-los, massageá-los, mas mal os sentia. Seu nariz continuava escorrendo enquanto isso, facilitando em nada sua respiração que só ficava mais ofegante conforme sua preocupação aumentava. Ele bateu um pouco o pé na almofada do sofá, continuou o esfregando com mais força. Já estava ficando com raiva. Se lembrou do dinossauro, como aquela coisa incrível estava tão perto dele. Resolveu avançar do mesmo jeito. Ficou em pé no sofá. Eles estavam funcionando, só tinham perdido um pouco a sensibilidade por causa do gelo. Se abaixando um pouco, ele pulou. Imediatamente se arrependeu. Devia ter chamado o dinossauro. A altura do sofá era enorme e por um momento acreditou que seus braços e pernas tivessem quebrado com o impacto. Sorte que eles ainda não tinham virado gelo.
Com ainda mais dor, o homem observa em volta, maravilhado. Tinha acabado de acordar. Não teria dormido em seu sonho, aquilo tudo realmente era verdade. Parecia algum livro de fantasia como Alice no País das Maravilhas ou As Viagens de Gulliver. Tudo era gigantesco, mas ao mesmo tempo nada era original. Eram representações colossais de tudo que as pessoas ricas costumam ter em suas casas: Relógios, sofás, colunas, televisão, aparelho de rádio, computador. Mas por que tudo aquilo havia sido criado? Por que estava lá? Ele sabia que tinha uma única forma de chegar a essas respostas. O seu recente descanso havia sido necessário e inevitável, ou acabaria desmaiando na frente do entrevistado, portanto, não toleraria mais enrolações. Hora de ir ao trabalho.
Para evitar incômodos (ironicamente, como você verá), o homem primeiro se dirigiu ao banheiro para poder lavar seu nariz. Alergias, resfriados; pequenos e letais inimigos de um serviço bem feito. Apesar da porta estar fechada dava pra se encurvar um pouco e passar por baixo dela. Chegando lá era como o resto do lugar (cujo tamanho total ele ainda não conseguia visualizar, já que do lado de fora estava uma nevasca forte demais). A privada era enorme, só a banheira poderia ser considerada um cômodo completamente a parte. Só dava pra notar que a pia era a pia depois de identificar todos os objetos e só sobrar ela. O rolo de papel higiênico estava meio alto e infelizmente o papel não estava desenrolado até uma altura muito próxima do chão. No momento o homem teve a ideia para um texto já completamente novo. Não sobre dinossauros, mas sobre dores de cabeça! Não é simplesmente dor de cabeça. Ele havia descoberto que você podia ter dores de diferentes tipos. E ao mesmo tempo! Mas antes tinha que escrever logo sobre o dinossauro e esperava perder a inspiração para o segundo tema junto com as dores. Pensar no futuro era estranho, muitas surpresas no presente deixam ele nublado. Escalando a lixeira, que para a sorte do nosso amiguinho, tinha textura de grade, ele pula no papel higiênico para desenrola-lo. Infelizmente, tinha esquecido que não estava no filme "Querida, Encolhi As Crianças" e não conseguiu se segurar no papel, caindo no chão de barriga pra baixo enquanto o papel higiênico gigante se desenrolava em cima dele. Agora era oficial. O seu corpo todo estava doendo.
Então ele pensou... Por que com os avanços os deuses dinossauros do seu sonho haviam trocado Metallica por Megadeth se ele preferia Metallica do que Megadeth? O inconsciente afinal não era dele? Bem, tanto faz.
Parecendo aquelas formigas que conseguem carregar objetos muito maiores que si mesmas, o punido homem adentra a cozinha com um bolo de papel amassado gigante sendo erguido acima da cabeça. Seria considerado bonitinho se todos no recinto não fossem consideravelmente insensíveis. Noberto estava no mesmo lugar de antes. Ele se vira e só fica olhando sem falar nada. O homem deixa o papel ao lado, respira fundo para tentar recuperar a energia e volta a falar com o kaiju.
- Bem, me desculpe... Sr. Noberto, mas foi um caminho violento até chegar aqui. Eu tinha que me recuperar, mas obrigado por ter me levado até o seu sofá, muito obrigado.
- Humpft, não precisa agradecer. Eu só não queria um humano jogado na minha cozinha. Vai que a sua vidinha tinha acabado?
- Muito obrigado, mesmo assim. É uma honra conhecê-lo, senhor. - Ele está cansado, mas continua falando do mesmo jeito - Não é muito comum aparições de seres de sua estatura ou da sua época, então acho que o que todos querem saber é o básico. Como você se sente sendo um dinossauro?
- Bem, me desculpe... Sr. Noberto, mas foi um caminho violento até chegar aqui. Eu tinha que me recuperar, mas obrigado por ter me levado até o seu sofá, muito obrigado.
- Humpft, não precisa agradecer. Eu só não queria um humano jogado na minha cozinha. Vai que a sua vidinha tinha acabado?
- Muito obrigado, mesmo assim. É uma honra conhecê-lo, senhor. - Ele está cansado, mas continua falando do mesmo jeito - Não é muito comum aparições de seres de sua estatura ou da sua época, então acho que o que todos querem saber é o básico. Como você se sente sendo um dinossauro?
- Que péssima pergunta. - responde Noberto secamente.
O homem fica desamparado com essa. Tinha planejado o momento desde quando saiu de casa. E isso foi um longo tempo até conseguir chegar à localização de Noberto, mas o tempo todo ficava imaginando o quê perguntaria, como estruturaria o seu texto, como falar com o dinossauro. Como podia ter errado de primeira? Realmente não sabia como continuar. Então foi Noberto que continuou.
- Sou um dinossauro gigante vivendo... sozinho em uma casa no meio da neve feita pelo governo dos Estados Unidos. O que tem pra eu explicar como me sinto nisso? Você não pode imaginar?
- Eu preciso usar as palavras do entrevistado, senhor - responde o homem com tranquilidade. - Você mencionou que o governo dos Estados Unidos é responsável pela grande casa, me conte mais sobre isso.
- Olha, eu estou meio ocupado...
- SOCORRO! - interrompe uma voz que chega rasgando do nada.
- O quê? - pergunta o jornalista - Quem foi esse? Você não disse que vivia sozinho?
- Sim, sim... ao menos era o que eu achava. - explica Noberto com desânimo - Essa madrugada eu descobri a ilustre presença do cientista inútil Genio Sin. Ele foi o responsável por eu estar aqui e foi mandado pra me espionar.
- ME DEIXA DESCER!
- Calma aí, vou colocar ele aí do seu lado assim eu não tenho que ficar virando o tempo todo. Também tenho medo que a minha cauda te acerte. Cuidado.
Então o dinossauro coloca o cientista baixinho e com cara de emburrado sentado do lado do repórter. Genio Sin tinha cabelos ruivos e uma grande barriga. Ele estava com uma corda amarrando os seus braços ao tronco e sua face transmitia uma primeira impressão de puro mal.
- Uau! Duas fontes! Você trabalha para o governo dos Estados Unidos?
- Sim, acho que isso não é mais segredo. Se bem que você é um jornalista, eu não deveria estar te contando isso.
- Não, eu não sou mais jornalista. Apesar de estar querendo fazer uma matéria sobre Noberto. Conte-me mais sobre você, qual é o seu nome mesmo? O Sr. Noberto te descreveu como um cientista inútil, isso é verdade?
- Eu sou um gênio sim! Meu nome até é Genio Sin! Muito prazer, eu sou o auge da humanidade. Infelizmente meus últimos anos não tem sido muito dignos graças à última missão que me foi incumbida, de observar Noberto desde agosto de 1977 - de repente Sin muda de tom. - Mas que credibilidade você tem se não é mais jornalista? Quem é você? O que o trouxe aqui?
- Ha. Eu posso responder essa pergunta depois. Mas te adianto que desde quando saí da minha casa peguei quatro táxis, um ônibus, um avião, um bote e uma carona de trenó com um velhinho esquisito para chegar aqui. Aliás, ele falou que eu não sobreviveria. Estou até considerando isso. Eu acredito que todo esse esforço deva servir como credibilidade.
Ao sair de casa o ex-jornalista realmente tinha tirado todo o seu dinheiro do banco para que não lhe faltasse nada que precisasse até chegar no seu objetivo. Pois sabia que caso voltasse sem conseguir, dinheiro seria a última coisa que faria falta. E é claro, ele também já estava acostumado a pedir emprestado pro seu irmão quando precisava.
- E por que esse monte de papel higiênico gigante? - pergunta Genio Sin, achando estranho.
- Eu fiquei extremamente doente com a mudança de clima vindo pra cá. Meu nariz não para de escorrer, então já trouxe esse monte de papel pra me ajudar. Os lenços que eu comprei acabaram no caminho... Bem, já dormi, algo que eu realmente não queria fazer chegando aqui, então agora quero fazer a minha pesquisa direto, sem interrupções. Falando nisso, deixa eu pegar meu gravador, tinha esquecido...
Então ele tira a mochila das costas e começa a fuçar. Sofre de uma violenta e repentina crise existencial quando tira tudo da sua mochila e descobre que esqueceu seu gravador!
Ele grita tão alto que se estivesse do lado de fora da casa teria causado o desabamento de alguma montanha local. Tinha esquecido o quanto estava ferrado, então logo depois de gritar sentiu tudo doer e até caiu no chão.
- O que foi, homenzinho? - pergunta Noberto, achando o humano cada vez mais esquisito e dispensável.
- Eu esqueci o meu gravador... - ele choraminga.
- Imagino que fosse importante - supõe o dinossauro - Você vai ter que voltar pra pegar?
- Não! - ele continua explicando em um tom cansado e desesperado - eu nem tenho dinheiro pra voltar! Não sei nem como é que eu vou fazer. Eu não presto pra nada!
- Você não pode fazer a matéria sem o gravador? - pergunta Genio Sin.
- Posso... mas é que com o gravador é bem melhor.
- Seu celular não tem gravador?
- Não, - ele diz se referindo ao celular - isso aqui é da idade das cavernas. Oh! Sem ofensa, sr. Noberto! - ele se desculpa logo. Noberto não expressa qualquer reação além da sua já constante cara de indiferença. - Eu posso anotar as coisas mais importantes... mas é melhor com o gravador, - ele resmunga - fazer o quê?
- Ha! - debocha Genio Sin - Se você tivesse uma mente melhor desenvolvida conseguiria memorizar todas as informações importantes no seu cérebro e não se esqueceria!
Noberto fecha os olhos com impaciência e pede - Deixa o tampinha fazer logo a matéria dele. Vai logo, você está sem o gravador mesmo.
- Certo, - se apressa o tampinha - vamos começar do início. 16 de agosto de 1977, estou certo? Foi a época em que você escapou e fez a sua primeira aparição. Quantos anos você tinha na época e quantos tem agora? Você sabe me dizer?
- Na verdade não. - responde o dinossauro - O método de contagem de vocês é diferente do meu por uma infinidade de razões e eu já não me lembro mais como funcionava na minha época.
- Certo. Você sabe me dizer se por acaso há outros dinossauros que também sobreviveram?
- Se houvessem você acha que eu viveria aqui? Nesse fim de mundo?!
- O que foi, homenzinho? - pergunta Noberto, achando o humano cada vez mais esquisito e dispensável.
- Eu esqueci o meu gravador... - ele choraminga.
- Imagino que fosse importante - supõe o dinossauro - Você vai ter que voltar pra pegar?
- Não! - ele continua explicando em um tom cansado e desesperado - eu nem tenho dinheiro pra voltar! Não sei nem como é que eu vou fazer. Eu não presto pra nada!
- Você não pode fazer a matéria sem o gravador? - pergunta Genio Sin.
- Posso... mas é que com o gravador é bem melhor.
- Seu celular não tem gravador?
- Não, - ele diz se referindo ao celular - isso aqui é da idade das cavernas. Oh! Sem ofensa, sr. Noberto! - ele se desculpa logo. Noberto não expressa qualquer reação além da sua já constante cara de indiferença. - Eu posso anotar as coisas mais importantes... mas é melhor com o gravador, - ele resmunga - fazer o quê?
- Ha! - debocha Genio Sin - Se você tivesse uma mente melhor desenvolvida conseguiria memorizar todas as informações importantes no seu cérebro e não se esqueceria!
Noberto fecha os olhos com impaciência e pede - Deixa o tampinha fazer logo a matéria dele. Vai logo, você está sem o gravador mesmo.
- Certo, - se apressa o tampinha - vamos começar do início. 16 de agosto de 1977, estou certo? Foi a época em que você escapou e fez a sua primeira aparição. Quantos anos você tinha na época e quantos tem agora? Você sabe me dizer?
- Na verdade não. - responde o dinossauro - O método de contagem de vocês é diferente do meu por uma infinidade de razões e eu já não me lembro mais como funcionava na minha época.
- Certo. Você sabe me dizer se por acaso há outros dinossauros que também sobreviveram?
- Se houvessem você acha que eu viveria aqui? Nesse fim de mundo?!
Notou então que algumas perguntas incomodavam verdadeiramente o dinossauro, mas não tinha como adivinhar. O jeito era fazê-las de qualquer forma e evitá-las se ele mostrasse irritação. Prosseguiu.
- Hum, agora algumas outras características básicas. Você saberia me dizer sua altura, peso? Qual é o nome da sua raça?
- Na verdade não. Na minha época nos classificávamos por famílias, não raças necessariamente.
- Mas nós dividimos em raças. Você já deve ter visto algum livro ou reportagem escrito por humanos. Qual é a sua?
- Na verdade não, eu nunca li os estudos de vocês.
- Hum? Por que não?
- Não é muito... É doloroso. Não gosto de ficar olhando as páginas pensando como eles são história passada... arquivadas em livros. Eu simplesmente não olho.
- Hum, agora algumas outras características básicas. Você saberia me dizer sua altura, peso? Qual é o nome da sua raça?
- Na verdade não. Na minha época nos classificávamos por famílias, não raças necessariamente.
- Mas nós dividimos em raças. Você já deve ter visto algum livro ou reportagem escrito por humanos. Qual é a sua?
- Na verdade não, eu nunca li os estudos de vocês.
- Hum? Por que não?
- Não é muito... É doloroso. Não gosto de ficar olhando as páginas pensando como eles são história passada... arquivadas em livros. Eu simplesmente não olho.
- Hum, entendi, mas você sabe ler. Falando nisso. Como foi que você aprendeu a falar?
- Com a minha mãe, oras.
- Oh, claro... Bem, hum... Então, como foi esse negócio com o governo dos Estados Unidos? Você foi salvo por eles? Trabalha junto com eles?
- Bem, eu não tinha qualquer consciência enquanto estava congelado. Ainda bem, já que foi mais tempo do que posso imaginar. Quando ouvi os primeiros sons não tinha consciência do que se tratasse. Eu não tinha consciência nem da minha própria consciência. Quando minha visão voltou, o susto do lugar que eu estava já fez com que eu me levantasse e todos os meus sentidos voltassem na potência máxima de uma vez. Pensando só pode ter sido o susto que causou isso, já que tinham acabado de me descongelar...
- Hum, e como era o lugar?
- Ah, calma aí. Era meio que um laboratório bem grande, meio escuro--
- Não! - interrompe o cientista - Isso é confidencial! Você não pode!
- Cala a boca, Genio Sin! - reclama Noberto. - Ah, era escuro. Me lembro que tinha um monte de gente. Eram muitas coisas de uma vez, então não prestei muita atenção no lugar. Mas tinha bastante gente mesmo, e todos olhavam pra mim. Lembro que tinha um que veio falar comigo, me explicou que eu tinha sido descongelado. Aí tudo fez sentido de uma vez.
- Mas eles não te deixaram sair, deixaram? Você que deve ter fugido.
- Sim. Eu me lembro. Fiquei nervoso. Tudo era estranho, os sons eram estranhos. Pensei que estava maluco, aquilo fosse algum tipo de castigo. Me foquei na explicação que aquele homenzinho minúsculo tinha me dado e comecei a supor o resto a partir daquilo. Eu ficava cada vez mais nervoso, mas o estopim foi quando vi o mais feio de todos falando de mim como se eu não estivesse lá. Aquilo me deixou possesso... Não sei se ele sabia que eu podia ouvir, mas... - de repente ele para e fica fitando Genio Sin - Agora eu me lembro! Era você! Você que estava falando daquela forma indiferente! Eu me lembro! Só podia ser você!
- Am... Você era o líder do projeto, certo?
- Sim. - responde o cientista abandonado. - Eu queria que nos livrássemos dele, mas estávamos esperando aprovação da Casa Branca que não queria desperdiçar o experimento.
- "Experimento..." - despreza Noberto - Uma pena que eu não tenha derrubado tudo em você quando saí de lá.
- E como foi?
- Aquele lugar claramente não tinha sido feito pra um dinossauro se movimentar, então procurei a parede mais próxima e derrubei. Quando saí, fui atrás da tal de Casa Branca tirar satisfações. Aí encontrei o presidente que veio pessoalmente falar comigo com um monte de outras pessoinhas e me falou pra vir pra cá.
- Ok, espera um pouco agora. Antes de continuarmos têm uns detalhes importantes que não podemos deixar passar... - ele para enfiando a cabeça no bolo de papel higiênico gigante pra assoar o nariz - ...Me diga como você se sentiu depois que fugiu do laboratório do governo. Eu imagino que devia estar tudo diferente, como foi pra você?
- O congelamento tinha atrapalhado em nada a minha memória. Tudo passou rápido quando eu fugi, mas foram muitas coisas que aconteceram. Eu lembro de me sentir perdido procurando a Casa Branca. Todos aqueles seres, tão pequenos, correndo e gritando desesperados... O único refúgio que eu tive foi o céu. Era a única coisa familiar. Quando olhei pro céu entendi que ainda estava no mesmo planeta. Apesar de parecer outro mundo...
- O céu era exatamente o mesmo?
- Sim, o céu era como eu me lembrava. Na situação que eu estava era difícil algo realmente entrar na minha cabeça mesmo que alguém me dissesse, então tive que ver. Mais alguma coisa?
- Bem, o que você achou dos Estados Unidos?
- Am... estranho, claramente não era um lugar pra mim.
- Torcendo por algum time para o Super Bowl?
- Não...
- E além do interesse científico, você sabe o que o governo queria com você para tê-lo estudado em segredo? Por que não revelaram ao público que tinham um dinossauro congelado?
- Hum... o Presidente da época (e saiba que é o mesmo de agora) só me disse que pra compensar o desconforto iriam me arranjar um exílio. Meio que eu não pedi para ser descongelado, e eles me atacarem seria... bem, em pouco tempo--
- Am... estranho, claramente não era um lugar pra mim.
- Torcendo por algum time para o Super Bowl?
- Não...
- E além do interesse científico, você sabe o que o governo queria com você para tê-lo estudado em segredo? Por que não revelaram ao público que tinham um dinossauro congelado?
- Hum... o Presidente da época (e saiba que é o mesmo de agora) só me disse que pra compensar o desconforto iriam me arranjar um exílio. Meio que eu não pedi para ser descongelado, e eles me atacarem seria... bem, em pouco tempo--
"Ding-dong"
- É a campainha! - diz o cientista.
- É mesmo? - ironiza o kaiju - Estou começando a entender porque te deram o nome de Genio. Eu vou atender. Não se importe de quebrar o pescoço desse baixinho acidentalmente,nomeocultado, você estaria me fazendo um favor. Ha-ha.
- É mesmo? - ironiza o kaiju - Estou começando a entender porque te deram o nome de Genio. Eu vou atender. Não se importe de quebrar o pescoço desse baixinho acidentalmente,
- Lagartixa gigante... - Sin resmunga quando ele sai - Eu não tenho medo dele. Ei! Como você pretende ir embora?
- Ainda não estou pensando nisso - diz fazendo anotações com bastante atenção. - Tenho que terminar de entrevista-lo.
- Você está louco?! - diz Sin começando a sussurrar - Esse dinossauro é um psicopata! Ele vai nos devorar vivos quando cansar da gente! Você só pode estar de brincadeira, eu não tinha como sair daqui. Agora, com você, quem sabe eu tenha uma chance. Você não disse que veio em um trenó?
- Sim, mas peguei carona com um velho maluco de longa barba branca e óculos de proteção. Quem sabe fosse o Papai Noel. Aí podemos esperar ele passar no Natal se formos bons meninos. - ele debocha. - De qualquer forma, ele disse que eu não ia sobreviver.
- Ainda não estou pensando nisso - diz fazendo anotações com bastante atenção. - Tenho que terminar de entrevista-lo.
- Você está louco?! - diz Sin começando a sussurrar - Esse dinossauro é um psicopata! Ele vai nos devorar vivos quando cansar da gente! Você só pode estar de brincadeira, eu não tinha como sair daqui. Agora, com você, quem sabe eu tenha uma chance. Você não disse que veio em um trenó?
- Sim, mas peguei carona com um velho maluco de longa barba branca e óculos de proteção. Quem sabe fosse o Papai Noel. Aí podemos esperar ele passar no Natal se formos bons meninos. - ele debocha. - De qualquer forma, ele disse que eu não ia sobreviver.
- Ooooh! Como?! Como você é estúpido! Devia ter ficado com o trenó!
- Eu já tinha te dito isso. Pensei que seu cérebro mais desenvolvido conseguisse gravar tudo quanto é informação.
- A minha memória deleta informações inúteis, meu cérebro só se lembra de coisas importantes. - Sin responde automaticamente.
- Tá. Qual era a sua ocupação exatamente na equipe que reanimou o Noberto?
- Ah, você vai escrever sobre mim!? Eu era o líder da equipe, o chefe do projeto. Não se engane com o que ele diz, seu verdadeiro nome é D-42, é assim que foi batizado o projeto. Como você vai me colocar no seu texto? - ele pergunta com grande interesse.
- Eu só vou saber quando estiver escrevendo, agora tenho que juntar a maior quantidade possível de informações. Esse seu grupo, é conhecido por algum nome específico? Faz parte de outra filiação?
- Bem, o grupo não existe mais, já que estou aqui há mais de trinta anos. Os membros não eram fixos não, eram chamados pra cada projeto, já que era um grupo de pesquisa particularmente meu. Servíamos apenas ao governo, quase sempre segredos de último grau. Sabe que eu não deveria estar te dizendo isso?
- É, você já falou. Seu nome é mesmo Genio Sin?
- Sim, com "n". Mas é sério, eu não deveria estar te dizendo isso, essa casa é cheia de câmeras escondidas.
- O quê? Por quê?
- É o que eu estava explicando ao D-42 antes de você chegar aqui. Essa casa toda na verdade é um grande laboratório disfarçado. A ideia era ao invés de eliminá-lo, exilá-lo aqui, bem longe da população, onde ele acreditaria estar tendo uma vida normal enquanto continuamos estudando ele. Era muito perigoso mantê-lo nos Estados Unidos podendo sair e destruir tudo quando quisesse.
- Isso por trinta anos?!
- Então, justamente por isso eu não me importo tanto, já faz trinta anos. Eu não duvido que eles tenham desistido.
- Mas se você foi mandado para estudá-lo, por que as câmeras? Você está desde quando aqui?
- Ah, mas essas não são câmeras ordinárias, não. Eu mesmo que as criei. Chamo de "câmera de pesquisa". Por exemplo, se eu estivesse no meu laboratório agora observando a filmagem, eu teria acesso a todas as informações relacionadas ao seu estado físico: frequência cardíaca, temperatura, funcionamento dos órgãos. É mesmo muito legal e servia para estudar o dinossauro sem ele saber.
- Nossa! Você é mesmo muito inteligente!
- Você podia ter dito que eu sou um "gênio" aí eu teria dito "sim" logo depois...
- O quê?
- Nada. Bem, eu fiz várias graduações, estudei a minha vida inteira, menos esses últimos anos que fiquei aqui espionando o D-42. Agora já... Ele está voltando!
- É ali do lado - diz Noberto para o rapaz que vira por uma porta, onde avança olhando para cima e para os lados maravilhado, quase ficando tonto.
- Veio ver a internet - Noberto fala quando se aproxima dos dois novamente.
A casa nunca havia estado tão cheia.
Parte VII
Estarei sempre olhando você
Sempre com você
Tenho nada melhor
Para fazer
Sempre com você
Tenho nada melhor
Para fazer
- Eu estava contando pra ele sobre as câmeras - atualiza o cientista.
- O que que tem as câmeras? - pergunta Noberto voltando pro seu canto e cruzando os braços. - Câmeras que deixaram pra me vigiar aqui na minha "casa"? - Ele ironiza um pouco ao dizer "casa", pois já passou a enxergá-la mais como uma armadilha do que um lar.
- Sim, eu estava explicando o projeto D-42. - Sin diz com um ar de importância - Onde parei?
- Você falou quase nada, só disse que era um tipo de equipe free-lance. - Relembra o escritor.
- Bem, então; o governo me avisou que havia encontrado um dinossauro congelado e queriam me colocar na liderança de uma equipe de estudo. A parte frustrante, que nos levou a reanimá-lo, é que não conseguimos te abrir. Usando raio-x conseguimos ver o seu interior, mas não era muito diferente do que já era suposto com os fósseis que haviam sido encontrados no passado. Se ao menos tivéssemos conseguido abrir para olhá-los de perto...
- Vocês não conseguiram cortar a pele dele?
- Não deu, de forma alguma. Era uma textura inédita para a biologia moderna.
- Nada é mais duro que a minha pele. - Afirma Noberto com confiança e convencimento. Ao ver a curiosidade do jornalista ele diz - sempre foi assim, sempre será. Nada a corta, nada a queima.
nomeocultado vai fazendo anotações enquanto o cientista continua - É... Em contraste, o processo de reanimação foi um sucesso. Tínhamos o único dinossauro vivo em milhões de anos no nosso departamento. E tudo em solo americano. Mais uma vez a América mostraria sua superioridade evolucionária sobre o resto do mundo. Mas aquilo era uma equipe de ciência, não pesquisas sociais. Com certeza eles gostariam de apresentar D-42 em circos ou alguma coisa do tipo. Eu é que não ia me envolver com isso. Enquanto o resto da equipe se entretinha falando com aquele dinossauro eu telefonava para a Casa Branca pra descobrir qual curso deveria ser tomado. Tinha umas pessoas muito jovens na equipe, não que os mais velhos fossem menos imaturos, mas aí acabaram chamando o projeto de "Noberto".
- O quê?! "Noberto" é seu apelido?! Qual é o seu nome?!
- Eu era da família T-Bloide. - O kaiju responde pacientemente. - E assim me chamavam.
- Você não tinha nome? - se surpreende o pesquisador.
- Então, nos chamávamos apenas pelas famílias, era assim que nos diferenciávamos, não havia esse tipo de... definição individual que você pergunta.
- Hum, não imaginava - e vai anotando.
- É, as coisas mudaram...
- De qualquer forma, - interrompe Genio Sin com desprezo - A descrição oficial dele é D-42, e não "Noberto". Eu, como chefe de toda a equipe científica responsável pela pesquisa e reanimação de D-42, não tenho qualquer relação com esse termo que foi colocado sem qualquer responsabilidade.
- Tanto faz, até o presidente me chama assim.
- Ghh, não importa! - ele geme com raiva. - Ele também está errado... mesmo sendo o presidente...
- E depois disso, você foi culpado pela fuga dele de alguma forma?
- Claro que não, o que eu poderia ter feito? A polícia e os seguranças do laboratório tentaram pará-lo, mas como eu previa, não conseguiram penetrar o couro de D-42.
- E quando veio parar aqui?
- Então, toda a mansão é na verdade, como eu já falei, uma espécie de reality show privado, uma casa feita para espioná-lo e estudá-lo sem que sequer percebesse.
- E que nome recebeu esse plano?
- É a... - ele hesita - ... "Casa do Noberto".
- Achei que--
- EU TIVE NADA HÁ VER COM ESSE TRABALHO!!! O MEU SE CHAMA D-42!!! Eu fui o primeiro e único que falou que não queria se encarregar dessa missão! Mesmo assim eles me mandaram, mas não tive envolvimento nisso. Humpft. Foi uma ideia toda da CIA. Uma que eu não deveria nem estar dizendo porque--
- Eu sei, é secreto. Calma, calma, procure se acalmar. - Ele diz tentando esconder que está achando graça. - E como foi que vocês se conheceram mesmo?
- Bem, D-42 me encontrou ontem à noite no escuro, enquanto assistia televisão.
- Ele ficava mexendo nos cabinhos desativando a minha internet! - adiciona Noberto.
- Hum, acho que não preciso colocar isso--
- Claro que não! - exclama Sin. - Você pode terminar o seu texto com a seguinte frase: "Apesar do seu estado atual ser um mistério e um desafio, o maior cientista de sua época, Genio Sin, ainda tem mais descobertas guardadas para o futuro da Humanidade." Seria uma ótima forma de terminar sua matéria se quer saber, ou seja lá o que você vai escrever.
- Claro... - relevanomeocultado, que já estava acostumado com entrevistados querendo lhe dizer como deixar seu texto. Ele se interrompe um pouco e enfia a cabeça no grande monte de papel higiênico. Foi fazendo isso de tempo em tempo.
- Então Noberto, posso resumir que sua vida no Pólo Norte é meio, am... solitária e... você não gosta disso, certo? Não poderíamos dizer que você é feliz? - ele fala com cautela.
- Não.
- Você realmente só saiu em 16 de agosto de 1977 e 25 de junho de 2009, certo? Absolutamente todos os outros dias dos últimos anos desde quando foi descongelado você passou aqui? Sem exceção?
- Sim.
- Mais uma pergunta... Você sabia que nos dias que foi visto em público foram os mesmos que dois ícones da música morreram?
- ...Não tinha notado.
- Obrigado por ter respondido as minhas perguntas, Sr. Noberto Dinossauro...
- Não tem de quê--
- Ah, mais uma coisa. O governo mantém todo o necessário para a sua sobrevivência--
- O que que tem as câmeras? - pergunta Noberto voltando pro seu canto e cruzando os braços. - Câmeras que deixaram pra me vigiar aqui na minha "casa"? - Ele ironiza um pouco ao dizer "casa", pois já passou a enxergá-la mais como uma armadilha do que um lar.
- Sim, eu estava explicando o projeto D-42. - Sin diz com um ar de importância - Onde parei?
- Você falou quase nada, só disse que era um tipo de equipe free-lance. - Relembra o escritor.
- Bem, então; o governo me avisou que havia encontrado um dinossauro congelado e queriam me colocar na liderança de uma equipe de estudo. A parte frustrante, que nos levou a reanimá-lo, é que não conseguimos te abrir. Usando raio-x conseguimos ver o seu interior, mas não era muito diferente do que já era suposto com os fósseis que haviam sido encontrados no passado. Se ao menos tivéssemos conseguido abrir para olhá-los de perto...
- Vocês não conseguiram cortar a pele dele?
- Não deu, de forma alguma. Era uma textura inédita para a biologia moderna.
- Nada é mais duro que a minha pele. - Afirma Noberto com confiança e convencimento. Ao ver a curiosidade do jornalista ele diz - sempre foi assim, sempre será. Nada a corta, nada a queima.
- O quê?! "Noberto" é seu apelido?! Qual é o seu nome?!
- Eu era da família T-Bloide. - O kaiju responde pacientemente. - E assim me chamavam.
- Você não tinha nome? - se surpreende o pesquisador.
- Então, nos chamávamos apenas pelas famílias, era assim que nos diferenciávamos, não havia esse tipo de... definição individual que você pergunta.
- Hum, não imaginava - e vai anotando.
- É, as coisas mudaram...
- De qualquer forma, - interrompe Genio Sin com desprezo - A descrição oficial dele é D-42, e não "Noberto". Eu, como chefe de toda a equipe científica responsável pela pesquisa e reanimação de D-42, não tenho qualquer relação com esse termo que foi colocado sem qualquer responsabilidade.
- Tanto faz, até o presidente me chama assim.
- Ghh, não importa! - ele geme com raiva. - Ele também está errado... mesmo sendo o presidente...
- E depois disso, você foi culpado pela fuga dele de alguma forma?
- Claro que não, o que eu poderia ter feito? A polícia e os seguranças do laboratório tentaram pará-lo, mas como eu previa, não conseguiram penetrar o couro de D-42.
- E quando veio parar aqui?
- Então, toda a mansão é na verdade, como eu já falei, uma espécie de reality show privado, uma casa feita para espioná-lo e estudá-lo sem que sequer percebesse.
- E que nome recebeu esse plano?
- É a... - ele hesita - ... "Casa do Noberto".
- Achei que--
- EU TIVE NADA HÁ VER COM ESSE TRABALHO!!! O MEU SE CHAMA D-42!!! Eu fui o primeiro e único que falou que não queria se encarregar dessa missão! Mesmo assim eles me mandaram, mas não tive envolvimento nisso. Humpft. Foi uma ideia toda da CIA. Uma que eu não deveria nem estar dizendo porque--
- Eu sei, é secreto. Calma, calma, procure se acalmar. - Ele diz tentando esconder que está achando graça. - E como foi que vocês se conheceram mesmo?
- Bem, D-42 me encontrou ontem à noite no escuro, enquanto assistia televisão.
- Ele ficava mexendo nos cabinhos desativando a minha internet! - adiciona Noberto.
- Hum, acho que não preciso colocar isso--
- Claro que não! - exclama Sin. - Você pode terminar o seu texto com a seguinte frase: "Apesar do seu estado atual ser um mistério e um desafio, o maior cientista de sua época, Genio Sin, ainda tem mais descobertas guardadas para o futuro da Humanidade." Seria uma ótima forma de terminar sua matéria se quer saber, ou seja lá o que você vai escrever.
- Claro... - releva
- Então Noberto, posso resumir que sua vida no Pólo Norte é meio, am... solitária e... você não gosta disso, certo? Não poderíamos dizer que você é feliz? - ele fala com cautela.
- Não.
- Você realmente só saiu em 16 de agosto de 1977 e 25 de junho de 2009, certo? Absolutamente todos os outros dias dos últimos anos desde quando foi descongelado você passou aqui? Sem exceção?
- Sim.
- Mais uma pergunta... Você sabia que nos dias que foi visto em público foram os mesmos que dois ícones da música morreram?
- ...Não tinha notado.
- Obrigado por ter respondido as minhas perguntas, Sr. Noberto Dinossauro...
- Não tem de quê--
- Ah, mais uma coisa. O governo mantém todo o necessário para a sua sobrevivência--
- Ei, ei! Com licença! - uma voz meio insegura os interrompe de repente! Era o garoto que havia ido cuidar do problema na internet. Ele vem andando da porta onde estava, se aproximando deles na cozinha.
- Eu tô vendo lá o problema do seu computador, seu Dinossauro, - ele explica - mas é meio grande eu tenho que escalar... aí eu tava ouvindo a conversa de vocês... tem problema se eu me juntar pra ficar ouvindo também? Tá mó conversa interessante... cara! Depois eu termino lá o que eu tava fazendo. Tudo bem...?
- Eu tô vendo lá o problema do seu computador, seu Dinossauro, - ele explica - mas é meio grande eu tenho que escalar... aí eu tava ouvindo a conversa de vocês... tem problema se eu me juntar pra ficar ouvindo também? Tá mó conversa interessante... cara! Depois eu termino lá o que eu tava fazendo. Tudo bem...?
Ninguém responde nada. Mal fazem contato visual na verdade. O rapaz chega com um ar de "irado!" e senta em perna de índio do lado do cientista, onde fica olhando pra cima encarando Noberto. Parece ainda tão impressionado quanto quando entrou na casa.
Todos ficam quietos e parados. Parecem estar esperando alguma coisa acontecer. O mais jovem então fica decepcionado e diz
- Poxa! Voltem pro que vocês estavam falando! Das câmeras, o governo e os dinossauros! Por que vocês pararam?!
- Am... - murmura o jornalista.
- Não existem mais dinossauros, baixinho - responde Noberto com pessimismo e morbidez. - Eles foram extintos. Só sobrou eu que você pode ver aqui. E não é grande coisa, como pode notar.
- O quê? Mas como foi que isso começou?! - Pergunta o técnico.
- Não vá falar tudo de novo! Misericórdia! - reclama Sin - Se prepare para ouvir o segundo maior segredo dos Estados Unidos, garoto! - ele já debocha. - Nós descongelamos D-42 há décadas atrás, provavelmente antes de você nascer, o governo tinha grandes planos, quem sabe ele fosse clonado, mas como apareceram algumas dificuldades, todos perderam o interesse e o projeto morreu.
- "Clonado"? Como assim clonado?! - pergunta o dinossauro confuso!
- Ai... eu já não falei disso? - pergunta Sin.
- NÃO! - ele rosna.
- Calma, pelo visto nada aconteceu--
- Mas isso é importante! - Exclamanomeocultado voltando a escrever rapidamente. - Você não pode ignorar esse detalhe! Quando clonaram o Noberto?!
- Oh droga, calma! Eles não clonaram! - explica Genio Sin. - Depois de descongela-lo e dar animação a ele, o que conseguimos, eles me explicaram pelo telefone que o plano era aprender a domar o animal, o observando e aprendendo tudo sobre o próprio em seu novo lar, assim podendo multiplicá-lo várias vezes e fazer um exército da feroz criatura. Seria superioridade militar certa. Consegue pensar em um elemento surpresa melhor do que um exército de dinossauros?
- Um exército de dinossauros...? - murmura Noberto com a mente meio alta.
- Mas isso vai ficar para filmes de ficção científica. Estou aqui há um tempo mas o projeto foi engavetado, ou saberíamos caso tivesse sido colocado em ação.
- NÃO! - rosna Noberto pisando no chão. Todos são jogados uns cinco metros no ar com o impacto. Sin resmunga, o jornalista começa a implorar misericórdia para a sinusite e o garoto exclama "Looooooooooooco!". Após recobrar o fôlego e se ajeitar, o ainda amarrado cientista reclama
- O QUE FOI, DINOSSAURO?!
- Vocês iam criar um exército... PARA GUERRA?!
- Seria um exército meio grande pra um jogo de xadrez... - ironiza Sin, o técnico da internet dá uma risada forçada. O jornalista ainda tentava se recobrar da dor na cabeça pra voltar a anotar o que estava sendo dito.
- Não acredito. Não podem! Temos-- Tenho que ter certeza que eles não podem fazer isso. - Noberto diz parecendo preocupado. A voz chega a soar um pouco fraca. - Não podem...
- Mas por quê?! - pergunta Genio Sin - Por que você se importa?
Noberto parecia confuso, pensando em milhares de coisas. Ele havia ficado indiferente a maior parte do tempo, era esquisito. Então ele diz: Acho que é melhor eu responder a pergunta do garoto abobado com espinhas.
- Hum...? Qual? - pergunta o garoto com espinhas como abobado - Fiz tantas perguntas... não lembro.
- Hora de explicar minha origem.
- JÁ FIZEMOS ISSO 500 VEZES! - reclama Sin.
- Não, vocês disseram o que vocês sabiam. Agora vou contar o que rolou há milhões e milhões de anos atrás. Muito antes de todos vocês ou até mesmo suas células ancestrais. Voltar pra quando eu realmente era "um"... e não "o" dinossauro.
Todos ficam quietos e parados. Parecem estar esperando alguma coisa acontecer. O mais jovem então fica decepcionado e diz
- Poxa! Voltem pro que vocês estavam falando! Das câmeras, o governo e os dinossauros! Por que vocês pararam?!
- Am... - murmura o jornalista.
- Não existem mais dinossauros, baixinho - responde Noberto com pessimismo e morbidez. - Eles foram extintos. Só sobrou eu que você pode ver aqui. E não é grande coisa, como pode notar.
- O quê? Mas como foi que isso começou?! - Pergunta o técnico.
- Não vá falar tudo de novo! Misericórdia! - reclama Sin - Se prepare para ouvir o segundo maior segredo dos Estados Unidos, garoto! - ele já debocha. - Nós descongelamos D-42 há décadas atrás, provavelmente antes de você nascer, o governo tinha grandes planos, quem sabe ele fosse clonado, mas como apareceram algumas dificuldades, todos perderam o interesse e o projeto morreu.
- "Clonado"? Como assim clonado?! - pergunta o dinossauro confuso!
- Ai... eu já não falei disso? - pergunta Sin.
- NÃO! - ele rosna.
- Calma, pelo visto nada aconteceu--
- Mas isso é importante! - Exclama
- Oh droga, calma! Eles não clonaram! - explica Genio Sin. - Depois de descongela-lo e dar animação a ele, o que conseguimos, eles me explicaram pelo telefone que o plano era aprender a domar o animal, o observando e aprendendo tudo sobre o próprio em seu novo lar, assim podendo multiplicá-lo várias vezes e fazer um exército da feroz criatura. Seria superioridade militar certa. Consegue pensar em um elemento surpresa melhor do que um exército de dinossauros?
- Um exército de dinossauros...? - murmura Noberto com a mente meio alta.
- Mas isso vai ficar para filmes de ficção científica. Estou aqui há um tempo mas o projeto foi engavetado, ou saberíamos caso tivesse sido colocado em ação.
- NÃO! - rosna Noberto pisando no chão. Todos são jogados uns cinco metros no ar com o impacto. Sin resmunga, o jornalista começa a implorar misericórdia para a sinusite e o garoto exclama "Looooooooooooco!". Após recobrar o fôlego e se ajeitar, o ainda amarrado cientista reclama
- O QUE FOI, DINOSSAURO?!
- Vocês iam criar um exército... PARA GUERRA?!
- Seria um exército meio grande pra um jogo de xadrez... - ironiza Sin, o técnico da internet dá uma risada forçada. O jornalista ainda tentava se recobrar da dor na cabeça pra voltar a anotar o que estava sendo dito.
- Não acredito. Não podem! Temos-- Tenho que ter certeza que eles não podem fazer isso. - Noberto diz parecendo preocupado. A voz chega a soar um pouco fraca. - Não podem...
- Mas por quê?! - pergunta Genio Sin - Por que você se importa?
Noberto parecia confuso, pensando em milhares de coisas. Ele havia ficado indiferente a maior parte do tempo, era esquisito. Então ele diz: Acho que é melhor eu responder a pergunta do garoto abobado com espinhas.
- Hum...? Qual? - pergunta o garoto com espinhas como abobado - Fiz tantas perguntas... não lembro.
- Hora de explicar minha origem.
- JÁ FIZEMOS ISSO 500 VEZES! - reclama Sin.
- Não, vocês disseram o que vocês sabiam. Agora vou contar o que rolou há milhões e milhões de anos atrás. Muito antes de todos vocês ou até mesmo suas células ancestrais. Voltar pra quando eu realmente era "um"... e não "o" dinossauro.
Todos prestam atenção.
Faz toda a diferença.
nomeocultado mantinha os olhos um pouco fechados, mas tinha dificuldade em manter o equilíbrio.
Exageradamente agasalhado e com sua grande mochila nas costas ele funga o nariz e pergunta em tom quase cantado
- Onde estamos?
- Nós voltamos para a América - responde seu acompanhante sério e bravo. - Finalmente... Depois de tantos anos. Sugiro que você me acompanhe, se forem os meus últimos momentos seria bom que você registrasse. Vamos aos meus velhos laboratórios. Não se surpreenda se for considerado uma invasão.
Determinado e mal-encarado, ele segue por ruas escuras. Parece andar sem direção por um tempo, mas a falta de paradas ou falas traz contradição a essa possibilidade. Virando o rosto bruscamente o cientista maluco aponta para uma calçada cinzenta com algumas árvores e exclama
- Ali! O que é aquilo ali?
- Ei... o que é aquilo lá...? - perguntanomeocultado forçando a visão. Ele podia ver um vulto se movendo, mas era meio estranho.
- Oh! Defenda-se! - Alertou Genio Sin - Dá para notar que não é um humano normal, é uma mutação! - Eles acompanhavam o ser humanóide que possuía uma aparente cauda e um braço que afinava conforme se esticava pelo chão. - O governo deve ter feito um trato com os aliens! Como Noberto, aquele assassino! As orelhas, é uma mutação! Cuidado, me livrarei dele! - Então Genio Sin mais uma vez transforma seu bracinhozinho multifuncional em uma arma e dispara projéteis iluminados de energia em direção a criatura na rua escura. A mancha disforme dá uma pirueta após ser acertada e cai no chão da calçada. Atrás de uma árvore. Não se move mais. Os dois correm rápido em direção ao cadáver.
- Maldito monstro, - comenta Sin - sorte que eu o eliminei.
- Ei... não é um mutante - o outro diz se ajoelhando do lado do corpo - É só um maluco vestido de gatinha! - ele observa - E aquilo caindo parece um chicote... É! É tipo um desses chicotinhos de sex shop!
- Impossível... - contesta Sin - E os aliens?
- Mas que aliens...?
- Ué, oras, não tem ninguém...
- Pô, você matou o cara.
- AH QUIETO! Ninguém mandou andar vestido assim essa hora.
- Ainda assim é assassinato, cara. Vamos esconder o corpo?
- NÃÃÃÃÃO! Vamos em frente. Vamos fingir que isso não aconteceu!
- Bem, deixa eu fechar os olhos dele...
- VAMOS LOGO!
Um grande dinossauro se aproxima já pela terceira vez do gramado da Casa Branca. Ele não esperava que aquela situação se tornaria um deja vu. Para a sua surpresa há um pequeno homem de terno no jardim. Ele parece estar lá aleatoriamente, até que vira e se surpreende com a imagem gigantesca.
- Oh my God. - ele balbucia - Beto! Hehe, como vai?
- Sr. Presidente... Mas que coincidência.
- Eu que o diga, grandão. Bem... não que eu não aprecie a sua visita, e também não quero ser um americano chato... Mas você não pode exatamente ficar vindo aqui o tempo todo... sabe? O... atendimento técnico não funcionou?
- Sr. Presidente, eu vinha encontrar exatamente com você. - Ele comunica lentamente com sua voz monstruosa. - Pois quero respostas para minhas perguntas e sem qualquer rodeiozinho dado por segundas partes e afins. Então já te pergunto logo, você pode me dar respostas?
- A gente pode trocar uma ideia, bater a little papo sim.
- Ótimo. Primeiramente, isso foi muito estranho. O que você está fazendo aqui fora agora? Há ninguém nas ruas.
- Ah, eu gosto de dar uma volta em noites desse tipo.
- Que tipo? Que tipo de noites? - Noberto estava inseguro de ouvir algo que não o agradaria cedo ou tarde. Sentia que estava ficando paranoico.
- Noite de Super Bowl - respondeu o homem de terno com simplicidade.
- Droga! Aquele dinossauro... - diz Genio Sin de repente - O D-42; você viu como ele pisou no garoto? O... O que tinha ido concertar o computador, se eu não me engano.
- Sei, por que você tá falando disso?
- Porque ele simplesmente esmagou ele!
- É um dinossauro! É o que eu já imaginava que ele ia fazer. Na verdade fico surpreso dele ter conversado com a gente por mais de cinco minutos... Fico surpreso com bastante coisa na verdade... Ele não come carne...
- Ele não come carne, mas simplesmente pisou no moleque como se fosse uma barata! Quero dizer, ele estava lá, estávamos todos conversando, ele estava do nosso lado.
- Quero entender porque isso te incomoda tanto.
- Eu não sei! Bah...
Eles continuam andando, é um laboratório bem grande, parece um centro de convenções. Mas Sin logo retoma o assunto.
- Um tempo antes de você chegar, não sei quanto tempo exatamente, quando o Noberto me encontrou. Sabe, eu estava uma eternidade naquela fortaleza me esquivando e me enfiando em tudo quanto é canto pra viver, mas ele só me viu um pouco antes de você chegar. Bem... essa arma que eu acoplei no lugar do meu braço; há muitos anos atrás, teve uma hora que eu atirei bastante no D-42, sabe? Eu realmente tentei matar ele. Ele não morreu, pra minha decepção, mas eu imaginava que ele ia acabar me devorando cedo ou tarde! Quer dizer, imagina se ele cansasse dos salgadinhos e as bolinhas de chocolate e resolvesse me comer!?
nomeocultado funga o nariz.
- Ele simplesmente ficou bravo e pisou nele. Mas no meu caso era um dinossauro... e eu tava preso. Não seria a mesma coisa, não é?
- Olha, acho que pelo o que ele disse - o homem funga o nariz mais uma vez e esfrega a manga do casaco nele. - Ele não come carne, sabe? Sei que é estranho, mas já me acostumei com a ideia. Eu acho.
- Mas eu não faria a mesma coisa que ele... No lugar dele... Aquilo... Eu não sei...
- Por que você está pensando tanto nisso?
- Eu não sei. Mas ora, você realmente acredita em tudo que ele falou??? Eu achei curioso o que ele explicou dos aliens, mas...
- Por quê?
- Misericórdia, foi a história mais estranha que eu já ouvi na minha vida. E você não imagina as histórias que minha esposa contava!
- Como assim? Você acha que ele mentiu?
- É lógico! Bem... Eu não tenho certeza. Não sei se você sabe,nomeocultado, mas existem realmente teorias que estudam a possibilidade dos dinossauros terem sido exterminados por uma raça extraterrestre, isso poderia implicar em fatores importantes quanto a nossa própria história. Ouvir isso direto da boca do dinossauro... Eu não esperava. Mas o que eu quero dizer é, aquelas coisas de só ele falar com os aliens, aí lembrar da família do nada, ser congelado? Quanta coisa estranha, é muito esquisito. E aquele papo de veganismo, então???
- Por que você não perguntou pra ele?
- Perguntar??? Do jeito que ele esmagou aquele garoto? Não obrigado. Talvez eu possa viver com certas dúvidas. Talvez não.
- Talvez. - Ele funga o nariz. - Duvido um pouco que venhamos a conhecer outro dinossauro. - Ele funga de novo. - Acho que só vamos ter a história dele.
- Eu tiro metade de tudo que aquele louco falou...
Há um grande computador principal. Além do tamanho, a atenção de Genio Sin dá a entender isso. Depois de um momento em silêncio, parecendo um tempo concentrado em sua própria mente, ele volta a falar.
- É aqui. Sim! É esse computador.nomeocultado, estaremos mais atualizados do que o mundo acredita ser possível...
- Oh... - gemenomeocultado - Eu nunca vou conseguir mexer nisso... Nem consigo criar um site, um blog.
- Não há problema. Está vendo esse meu dedo mindinho aqui? Ele na verdade é um pendrive disfarçado! Posso utilizá-lo para enviar e armazenar arquivos digitais!
- Mas que coisa nojenta!!!
- Por que nojento? Ele é igual a um mindinho comum. Só não tem pelos, mas ninguém presta atenção nisso, não vou concertar.
- Ai, mas ainda assim, isso é horrível! Não é o seu dedo!
- Você tem a mente muito fechada para um jornalista. Vamos ver qual foi a última vez que eles trabalharam com qualquer coisa relacionada ao D-42...

- Eu estava na minha casa e... - procurava explicar o dinossauro para o presidente dos Estados Unidos. - Eu encontrei aquele homem que vocês tinham mandado pra lá... o Genio Sin.
- Genio Sin!? Quanto tempo não ouço esse stupid nome - comenta o presidente bem-humorado. - O Noberto original, hehe.
- O que você possivelmente quer dizer com Noberto original?
- Well, é o nome dele.
- Como?
- Ah, é o nome dele. Você não sabia? Well, ele tinha esse nome... Genio Sin... Aí não lembro como agora... Alguém viu que o nome dele era Noberto. Em algum momento na vida o cara resolveu mudar de identidade e se chamar Genio Sin. Quem se chama Genio Sin? Espalhou rapidinho, todo mundo ficou sabendo. Aí quando descongelaram o dinossauro, você, não deu outra, deram o nome de verdade dele.
- Nossa... Acho que ele só me chama de D-42.
- Viu só. Mas ué - ele se interrompe estranhando. - Esse cara ainda tá vivo?
- Sim, na verdade eu trouxe ele de volta pros Estados Unidos. Vocês não haviam o enviado pra me estudar ou coisa do tipo?
- Yeah, yeah, mas a gente achava que você ia devorar ele.
- Enfim... - rosna Noberto com uma vontade nervosa de pisar no homem. - Ele me contou tudo, e me disse que vocês pretendiam me clonar, para usar clones de dinossauro para a guerra!
- Wow, isso seria muito criativo. Não lembro de quem foi a ideia. Mas acho que tínhamos todo o seu mapeamento genético se eu não me engano, you know? Alguma coisa mais ou menos assim. Nós poderíamos ter feito, sim. Mas não se preocupe, isso não vai acontecer não. Faz muito tempo já que engavetaram.
- É bom que vocês realmente não façam isso, senhor presidente. Mas não pretendo lhe convencer te ameaçando, vou te explicar porquê.
- Ah, não se preocupe com isso! Eu tô falando que não vai rolar. Tenho um monte de thing muito mais legal pra te contar. Vamos aproveitar...
Enquanto isso, no laboratório que já havia pertencido a Genio Sin, agora com todos os seus arquivos mais perigosos já apagados, inclusive os referentes aos estudos da anatomia de Noberto, o homem anotando coisas no caderno e fungando o nariz afirma.
- Eu contarei a melhor história de todos os tempos. – Dizia tentando processar tudo aquilo na cabeça. - Ou tudo vai dar errado daqui a pouco.
- Tudo começa a dar errado depois que você nasce.
A caminho daquele lugar corriam dois homens que se encaixariam nada bem em um jogo de futebol americano. Cheio de modificações autoimplementadas no seu corpo, o velhinho, gordo e ruivo Genio Sin também viveria muito mais que humanos comuns graças aos resultados dos seus próprios trabalhos. Junto ao impopular cientista Genio Sin, seguia pelas vazias ruas de Washington D.C.,nomeocultado, um americano desempregado profissionalmente e espiritualmente. Estava tentando juntar informações para poder escrever um texto sobre o dinossauro que havia visto duas vezes em sua carreira, mas já tendo manifestado oito tipos diferentes de dor de cabeça em toda a superfície do seu córtex, além de rinite, bronquite e resfriado... Ele preferiria estar morto. A verdade tem que ser dita.
- Eu já devo ir. Tenho a impressão que tudo certo dará. A radiação não pode sair com a minha pele grossa. Provavelmente conterei os danos.
- O único elemento que nos impedia de te clonar... - se lembra Sin.
- Sim - afirma o gigante. - Agora ouçam. Milhões e milhões de anos se passaram sem que nosso contato fosse sequer possível. Por alguma razão, ou sei lá, nós nos conhecemos em um mesmo dia e cá estamos. Acho que gostaria de agradecer e, bem... É isso.
- Adeus, Noberto, foi um prazer - diznomeocultado que estava calado. - A vida é curta demais para contar histórias longas.
- Mas... e agora? - Pergunta Sin.
- Eu vou partir. Ouçam - disse o dinossauro pela última vez. - Pelo visto há algumas pessoas que não querem mudar de jeito nenhum. Impliquem, mas não desistam. Eu não posso fazer mais nada pelo meu povo, pois sou o último da minha espécie. Não esperem chegar a vez de vocês. Digam o que for necessário e rosnem se for necessário. Eu já não posso fazer mais nada. Bem, não posso fazer muita coisa.
Parte VIII
Não é engraçado quando seus amigos desprezam o que você se tornou?
Não é engraçado quando você sabe que vai morrer velho como um dinossauro?
É tão engraçado!
Não é engraçado quando você sabe que vai morrer velho como um dinossauro?
É tão engraçado!
"Pois bem, a minha história, minha verdadeira história, começa há muito mais tempo do que vocês possam imaginar. É uma noção de tempo que supera o período de existência da Humanidade, e até o meu próprio, já que estive congelado. Naquela época a Terra, apesar de já ser a Terra, era diferente em seus detalhes. Por mais estranho que seja vê-los como raça dominante milhões de anos depois... Não teriam chance naquela época. Haviam mamíferos, mas não haviam humanos. Nem debaixo de pedras. Os matos, ares e oceanos eram dominados por dinossauros.
Tínhamos nossa forma de comunicação, diferente do que vocês pensam... Éramos uma civilização. Tínhamos nossas famílias, escalas sociais baseadas em força estrutural, áreas de estudo e muito mais. É estranho como vocês cegamente se basearam nos estereótipos que têm de répteis da sua época para supor como era nossa civilização a partir dos ossos que acharam...
Tínhamos nossa forma de comunicação, diferente do que vocês pensam... Éramos uma civilização. Tínhamos nossas famílias, escalas sociais baseadas em força estrutural, áreas de estudo e muito mais. É estranho como vocês cegamente se basearam nos estereótipos que têm de répteis da sua época para supor como era nossa civilização a partir dos ossos que acharam...
Eu fui o primeiro e único filho da família T-Bloide. Minha raça era ovípara, então nasci de um ovo gerado pelos meus pais. Claro que não me recordo dessa época. Mas imagino se o choque foi similar com o de quando me descongelaram... Ou foi um momento mais confortável. Bem, o futuro não foi. Cresci de forma meio distante. Nós dinossauros fazíamos o que tínhamos de fazer. Mas é muito cedo para chegar aí. Eu tive uma infância; e é vital que eu fale dela para vocês compreenderem a minha história. Ou ao menos entenderem...
Assim como eu, meus pais eram seres reclusos e fechados, mas nunca me faltaram em nada. Não era como se eles em especial fossem assim. Era uma característica da minha raça, e o tipo de coisa que não se refletia naquela época. Hoje não posso negar que tive todo o necessário, não nos faltava nada. Nós não tínhamos o costume de destruir a natureza ao nosso redor como vocês, posso dizer que nos adaptávamos a ela onde fôssemos passar a viver. Então perto de onde eu e outras famílias da minha raça moravam existia um conjunto de árvores, como uma floresta, mas eram bem apertadas. Como uma criança, eu era o único que conseguia entrar lá, então me divertia avançando floresta a dentro como um lugar em que podia ficar sozinho.
Eu não ligava pra floresta. Só ligava para mim mesmo. O importante não era o lugar e suas características... Mas como eu me sentia livre para me sentir no meu próprio lugar, mesmo sem as minhas coisas. Estar sozinho dava essa sensação boa. Poderia dizer que... minha infância se resume a aquele lugar, pelo ponto de vista pessoal. Eram bons momentos, mas também houve um mais pesado, que talvez tenha sido fatídico. Eu estava quieto um dia, viajando em minha própria mente, quase completamente desligado do ambiente ao meu redor. Eis que pela primeira vez, ao menos primeira que eu tenha notado, um adulto estava correndo entre a base das árvores. Mas não era como meus pais, na verdade, era menor que eu mesmo. Era um dinossauro já crescido de outra raça, parecia ter corrido tanto que tinha ficado esgotado e não conseguia mais. Dava pra notar também pela sua respiração ofegante e jeito desesperado. Ele não sabia o que fazer, como se não soubesse o que fazer com os próprios sentidos. Achei fascinante um bicho pequenininho daqueles, eu provavelmente conseguiria segurá-lo com os meus próprios braços. Mas pelo visto outro não pensava como eu."
Assim como eu, meus pais eram seres reclusos e fechados, mas nunca me faltaram em nada. Não era como se eles em especial fossem assim. Era uma característica da minha raça, e o tipo de coisa que não se refletia naquela época. Hoje não posso negar que tive todo o necessário, não nos faltava nada. Nós não tínhamos o costume de destruir a natureza ao nosso redor como vocês, posso dizer que nos adaptávamos a ela onde fôssemos passar a viver. Então perto de onde eu e outras famílias da minha raça moravam existia um conjunto de árvores, como uma floresta, mas eram bem apertadas. Como uma criança, eu era o único que conseguia entrar lá, então me divertia avançando floresta a dentro como um lugar em que podia ficar sozinho.
Eu não ligava pra floresta. Só ligava para mim mesmo. O importante não era o lugar e suas características... Mas como eu me sentia livre para me sentir no meu próprio lugar, mesmo sem as minhas coisas. Estar sozinho dava essa sensação boa. Poderia dizer que... minha infância se resume a aquele lugar, pelo ponto de vista pessoal. Eram bons momentos, mas também houve um mais pesado, que talvez tenha sido fatídico. Eu estava quieto um dia, viajando em minha própria mente, quase completamente desligado do ambiente ao meu redor. Eis que pela primeira vez, ao menos primeira que eu tenha notado, um adulto estava correndo entre a base das árvores. Mas não era como meus pais, na verdade, era menor que eu mesmo. Era um dinossauro já crescido de outra raça, parecia ter corrido tanto que tinha ficado esgotado e não conseguia mais. Dava pra notar também pela sua respiração ofegante e jeito desesperado. Ele não sabia o que fazer, como se não soubesse o que fazer com os próprios sentidos. Achei fascinante um bicho pequenininho daqueles, eu provavelmente conseguiria segurá-lo com os meus próprios braços. Mas pelo visto outro não pensava como eu."
Noberto vai ficando com a respiração pesada e seca conforme se lembra.
"Havia um outro dinossauro que estava vindo atrás desse... do menor. Era seu predador. Ele surgiu de repente, fiquei curioso com o que ele iria fazer, como iam interagir. Mas minha curiosidade não durou um minuto. A boca do predador dava metade do corpo desse menor... Foi uma mordida só; e ele o matou. Ou não. Não sei. Só me lembro do sangue, do pequeno dinossauro pendurado na boca do assassino. Seu rosto congelado... Sendo puxado pra dentro com mais mordidas. Tanto sangue... Foi tão rápido... E ele não estava mais lá. O dinossauro maior havia saciado a sua fome.
Nenhum dos dois me viu. Fiquei apenas como um observador. Um observador extremamente assustado. Até hoje essa é a coisa mais horrível que já vi, ainda consigo me lembrar com muita clareza. Fiquei chocado. Não sabia o que pensar, não sabia o que fazer. Voltei pra casa com medo, como se não conhecesse o caminho, como se houvessem coisas escondidas nele que eu não podia ver. Mas mesmo assim, perturbado, contei nada para os meus pais.
Minha raça era a mais forte de todas, então era incomum para mim sentir medo e insegurança, mesmo assim, conforme crescia fui me afastando e me sentindo à vontade em viver como queria. Era o que todos faziam. Com o passar do tempo meus pais notaram que eu nunca mais comi carne de outros dinossauros. Não demorei a ficar independente e me sentia melhor comendo apenas plantas, como herbívoros. Meus pais gostavam nem um pouco, mas como já disse, não interferiram, nós só fazíamos o que tínhamos de fazer e eu mantinha isso para mim mesmo. A verdade é que eu não conseguia comer a carne. Sempre lembrava daquele dinossaurinho menor sendo puxado pela garganta do outro. Balançando leve... Em inocência... Sem ter defesa. Não conseguia suportar isso. Não conseguia me esquecer. Eu me acostumei e acabei passando a ficar mais ainda na floresta, lá podia fazer todas as minhas refeições com plantas e frutos sem ninguém por perto. Me sentia bem. Havia nada de errado. Bem...
Me lembro de outro dia muito importante na minha vida. Foi quando comi uma planta que me deixou passando mal, mas muito mal, extremamente mal. Nessa época eu já me alimentava assim há um bom tempo, mas foi a primeira vez que isso aconteceu. Eu estava aos poucos me desacostumando com o que achava naquela floresta e procurando coisas de outros lugares. Era questão de tempo até ingerir algo que não 'caísse bem' e quando aconteceu o meu mal-estar foi tanto que acabei vomitando tudo em um líquido roxo e brilhante. Depois de recuperar o fôlego notei que continuaria vivo e te digo que por alguma razão no lugar de ficar assustado fiquei fascinado com aquilo!
O fato de eu não entender me despertou uma enorme curiosidade! Me mostrou que havia muito que eu não sabia, então decidi que quando crescesse estudaria as diferentes plantas e vegetais para mapeá-las bem. Tinha certeza que havia mais nenhum indivíduo em toda a Terra Cretácea com aquele desejo. Apenas eu. Notei que era diferente e me apeguei a isso, senti que era justamente onde eu deveria atuar. Então em paralelo com os meus estudos geológicos sempre fui me aprofundando em trabalhos e estudos com plantas e alimentos orgânicos--"
Nenhum dos dois me viu. Fiquei apenas como um observador. Um observador extremamente assustado. Até hoje essa é a coisa mais horrível que já vi, ainda consigo me lembrar com muita clareza. Fiquei chocado. Não sabia o que pensar, não sabia o que fazer. Voltei pra casa com medo, como se não conhecesse o caminho, como se houvessem coisas escondidas nele que eu não podia ver. Mas mesmo assim, perturbado, contei nada para os meus pais.
Minha raça era a mais forte de todas, então era incomum para mim sentir medo e insegurança, mesmo assim, conforme crescia fui me afastando e me sentindo à vontade em viver como queria. Era o que todos faziam. Com o passar do tempo meus pais notaram que eu nunca mais comi carne de outros dinossauros. Não demorei a ficar independente e me sentia melhor comendo apenas plantas, como herbívoros. Meus pais gostavam nem um pouco, mas como já disse, não interferiram, nós só fazíamos o que tínhamos de fazer e eu mantinha isso para mim mesmo. A verdade é que eu não conseguia comer a carne. Sempre lembrava daquele dinossaurinho menor sendo puxado pela garganta do outro. Balançando leve... Em inocência... Sem ter defesa. Não conseguia suportar isso. Não conseguia me esquecer. Eu me acostumei e acabei passando a ficar mais ainda na floresta, lá podia fazer todas as minhas refeições com plantas e frutos sem ninguém por perto. Me sentia bem. Havia nada de errado. Bem...
Me lembro de outro dia muito importante na minha vida. Foi quando comi uma planta que me deixou passando mal, mas muito mal, extremamente mal. Nessa época eu já me alimentava assim há um bom tempo, mas foi a primeira vez que isso aconteceu. Eu estava aos poucos me desacostumando com o que achava naquela floresta e procurando coisas de outros lugares. Era questão de tempo até ingerir algo que não 'caísse bem' e quando aconteceu o meu mal-estar foi tanto que acabei vomitando tudo em um líquido roxo e brilhante. Depois de recuperar o fôlego notei que continuaria vivo e te digo que por alguma razão no lugar de ficar assustado fiquei fascinado com aquilo!
O fato de eu não entender me despertou uma enorme curiosidade! Me mostrou que havia muito que eu não sabia, então decidi que quando crescesse estudaria as diferentes plantas e vegetais para mapeá-las bem. Tinha certeza que havia mais nenhum indivíduo em toda a Terra Cretácea com aquele desejo. Apenas eu. Notei que era diferente e me apeguei a isso, senti que era justamente onde eu deveria atuar. Então em paralelo com os meus estudos geológicos sempre fui me aprofundando em trabalhos e estudos com plantas e alimentos orgânicos--"
- Espera um minuto! - interrompe o jornalista - Você disse "plantas e alimentos orgânicos"?! Você tá me dizendo que é vegetariano?!
- Vegano. - corrige o kaiju - Praticamente nunca comi carne.
- MAS COMO ASSIM???
- Pelo visto isso ainda causa choque...
- MAS VOCÊ É UM DINOSSAURO! -nomeocultado exclamou em crise existencial.
- Sim, - respondeu a criatura com convicção. - E são os estereótipos, ou minhas próprias escolhas que devem definir quem sou?
O técnico de informática ficava batendo o pé no chão animado com a história. - Deixa ele continuar! Deixa ele continuar!
- Não acredito... - lamenta o jornalista em choque. - Você estudava plantas... Isso só pode ser pegadinha.
- Um minuto, D-42. - Pediu Genio Sin - Você disse que estudava? Conte mais sobre isso.
- Eu vou continuar.
- Vegano. - corrige o kaiju - Praticamente nunca comi carne.
- MAS COMO ASSIM???
- Pelo visto isso ainda causa choque...
- MAS VOCÊ É UM DINOSSAURO! -
- Sim, - respondeu a criatura com convicção. - E são os estereótipos, ou minhas próprias escolhas que devem definir quem sou?
O técnico de informática ficava batendo o pé no chão animado com a história. - Deixa ele continuar! Deixa ele continuar!
- Não acredito... - lamenta o jornalista em choque. - Você estudava plantas... Isso só pode ser pegadinha.
- Um minuto, D-42. - Pediu Genio Sin - Você disse que estudava? Conte mais sobre isso.
- Eu vou continuar.
"Minhas únicas peculiaridades se limitavam à minha vida privada. De resto sempre fui um dinossauro normal. Aos olhos alheios eu era na verdade um herdeiro exemplar de uma das maiores famílias de dinossauros da Terra. A mais forte, sem dúvida. Só não tínhamos tantos em números, mas individualmente éramos imbatíveis. Fui evoluindo profissionalmente até com certa facilidade. Minha área preferida era a geológica, estudando os mistérios da Terra. Por isso acredite quando eu digo que a Terra ainda é a mesma. E se passou muito, muito tempo. Vejo bastante discussão na TV e na Internet (quando ela está funcionando) sobre como o homem está matando a Terra. Ha! Não se enganem. Ainda não foi registrada força animal que pode matar a Terra, e ela já está aqui há bastante tempo. O que vocês fazem é matar a si mesmos. Essa é a verdade que vocês evitam olhar. As espécies podem escolher sumir apenas com si mesmas sem deixar vestígio. Elas se eliminam. A Terra não precisa de vocês. A Terra vive.
Com o tempo passei a fazer parte de grupos focados a essa área no 'Núcleo Intelectual Cretáceo', corpo onde se encontravam todos os interesses criativos dos principais dinossauros ao redor do mundo. Am... Eu também consegui ter a minha própria família. Tinha uma parceira e cheguei a ter um filho... Mas hoje já faz tanto tempo. Bem, não convivia com eles, como meus pais comigo. Não os via bem como uma extensão de mim. Nunca vi. Talvez não tenha os conhecido tanto, mas bem, eu tinha tudo que precisava e trabalhava com o que gostava."
Com o tempo passei a fazer parte de grupos focados a essa área no 'Núcleo Intelectual Cretáceo', corpo onde se encontravam todos os interesses criativos dos principais dinossauros ao redor do mundo. Am... Eu também consegui ter a minha própria família. Tinha uma parceira e cheguei a ter um filho... Mas hoje já faz tanto tempo. Bem, não convivia com eles, como meus pais comigo. Não os via bem como uma extensão de mim. Nunca vi. Talvez não tenha os conhecido tanto, mas bem, eu tinha tudo que precisava e trabalhava com o que gostava."
- Então esse tempo todo - perguntou Sin - e você também era um cientista? Um cientista como eu e eu não sabia?!
- Sim, Sin, seu pedacinho de gordura nojento. Não só um cientista, fui o cientista. O último cientista de uma espécie, de uma era inteira.
- Oh! - ele se surpreende - Então você era superior...
- Muito mais, baixinho. E há muito tempo antes de você. Você não entende nada. Garanto que não vai se identificar com a próxima parte da história.
- Sim, Sin, seu pedacinho de gordura nojento. Não só um cientista, fui o cientista. O último cientista de uma espécie, de uma era inteira.
- Oh! - ele se surpreende - Então você era superior...
- Muito mais, baixinho. E há muito tempo antes de você. Você não entende nada. Garanto que não vai se identificar com a próxima parte da história.
E então ele continua
"Eu já trabalhava e creio que era a época que eu estava para ter meu filho. Já tinha uma função, já tinha o meu espaço. Bem, certo dia do nada senti uma pontada na minha cabeça. Era pequena, mas profunda, bem no meu cérebro. Nunca tinha sentido aquilo antes. Não era uma dor de cabeça comum, não melhorava, pelo contrário, foi ficando mais intensa e parecia se espalhar pelo meu cérebro.
Comecei a ficar com calor, com medo. Mais uma vez senti essa sensação incomum pra minha raça: medo. Foi tão estranho que senti medo de morrer. Fugi, fui para longe de quaisquer olhares. Adivinha para onde fui? A floresta. Como eu disse, o lugar mais importante talvez. Mesmo em épocas diferentes, fora da minha infância, foi pra onde eu acabei recorrendo nos momentos mais extremos. Conforme chegava lá minha dor ia ficando mais e mais pontiaguda. Já não sentia esperança de descobrir o que estava acontecendo. Pensava que o meu próprio organismo estava me punindo por ter escolhido uma forma de comportamento diferente dos outros. Achei que de alguma forma aquilo seria minha Ruína.
Conforme eu adentrava a floresta o espaço entre as árvores ficava muito apertado e tornava impossível que eu avançasse mais. Lembro que a dor conseguia latejar mais e mais. Sem saber o que fazer com aquela dor crescente me agarrei em uma árvore e esperei o resultado seja qual fosse. O final ou a resposta. E aí vem a parte que vocês nunca iam imaginar. Nunca! Adivinham o que era? O que era a dor? Telepatia! Sim, era telepatia. Conforme eu me comunicava telepaticamente meu cérebro ia se acostumando com a dor que se suavizava até tudo voltar ao normal."
Comecei a ficar com calor, com medo. Mais uma vez senti essa sensação incomum pra minha raça: medo. Foi tão estranho que senti medo de morrer. Fugi, fui para longe de quaisquer olhares. Adivinha para onde fui? A floresta. Como eu disse, o lugar mais importante talvez. Mesmo em épocas diferentes, fora da minha infância, foi pra onde eu acabei recorrendo nos momentos mais extremos. Conforme chegava lá minha dor ia ficando mais e mais pontiaguda. Já não sentia esperança de descobrir o que estava acontecendo. Pensava que o meu próprio organismo estava me punindo por ter escolhido uma forma de comportamento diferente dos outros. Achei que de alguma forma aquilo seria minha Ruína.
Conforme eu adentrava a floresta o espaço entre as árvores ficava muito apertado e tornava impossível que eu avançasse mais. Lembro que a dor conseguia latejar mais e mais. Sem saber o que fazer com aquela dor crescente me agarrei em uma árvore e esperei o resultado seja qual fosse. O final ou a resposta. E aí vem a parte que vocês nunca iam imaginar. Nunca! Adivinham o que era? O que era a dor? Telepatia! Sim, era telepatia. Conforme eu me comunicava telepaticamente meu cérebro ia se acostumando com a dor que se suavizava até tudo voltar ao normal."
- O quê?!
- Caraaaaaaaca!
- Am... mais detalhes, por favor.
- Caraaaaaaaca!
- Am... mais detalhes, por favor.
"Eu vou explicar. Eu não estava enganado, realmente não havia explicação para aquilo na Terra, aquilo não existia. A resposta seria exterior. Conforme a dor passava, uma voz na minha mente revelou ser um contato de outro mundo."
- Como assim?! Quanta besteira! - desacredita Genio Sin.
"Nunca vou me esquecer! Não estou brincando com vocês. Vejam se pareço estar mentindo. Chamei aquela de 'Dor de Cabeça', a primeira de uma série nas várias vezes que eles entrariam em contato comigo. Na primeira pediram para eu ficar calmo. Falavam a minha língua, dava para entender apesar da sonoridade telepática ser muito esquisita, leva um tempo pra você se acostumar. Eles sabiam de que família eu era e disseram que eu havia sido escolhido--"
- Olha!
"--para servir de ponte informativa entre os dinossauros e uma raça superior alienígena que queria estudá-los. Apenas se introduziram mas tudo ainda parecia uma loucura. Quando terminaram eu já havia puxado o tronco do chão quase arrebentando suas raízes, estavam todas puxadas pra fora da terra. Quando notei que tudo era real me senti extremamente honrado. Cheguei a me perguntar se estava louco, mas eles voltavam a entrar em contato comigo com as 'Dores de Cabeça' de tempos em tempos, e é claro, sempre me sentia mais confortável de fazê-lo quando não havia pessoas por perto, como florestas pouco habitadas ou realmente sem ninguém. A minha função como estudioso da estrutura geológica da Terra era inestimável para eles descobrirem mais sobre meu planeta, de forma que mentalmente eu ia passando informações sobre a sua natureza quando entravam em contato. Teve um dia que fiquei nervoso, ainda não havia me acostumado com aquilo tudo. Demonstrei minha falta de confiança neles e exigi uma prova da credibilidade em tudo aquilo. Não fazia muito sentido, mas eu realmente não me sentia confortável com a situação. Então eles disseram que se eu quisesse ver de onde eles estavam se comunicando comigo se revelariam, mas eu teria que subir a montanha mais alta de Monstruous Vi; hoje com certeza nem existe mais. Seria intenso e cansativo, mas eu sabia que não eram desculpas já que nada podia me destruir, eu ou qualquer um da minha raça. Pedindo isso eles deixaram explícito como sabiam que aquele contato entre nós era uma grande honra para mim e cobrariam por isso. Não gostei nem um pouco, mas acabei fazendo a escalada mais por curiosidade do que por fé ou... credibilidade.
Fui sem parar para não ter chance de me arrepender no caminho, e também fui com mais ninguém. Apenas podia ver alguns pterodáctilos na subida, mas depois de um tempo nem eles mais voavam ao redor daquela altura, era uma jornada completamente solitária. Apenas eu, que não tinha um nome ou apelido próprio como hoje, e minha insegurança de estar sendo enganado; minha consciência que não conseguia se calar. Se comparasse os extremos de terra, os extremos bem extremos, dava pra notar uma certa diferença de tonalidade na escuridão, mas por mais que fosse um ponto de vista que eu nunca havia alcançado, ainda não era aquilo que eu queria ver. Ao chegar no topo havia apenas nuvens e nada abaixo era identificável. Estava um vento forte, um vento muito forte e apesar de eu ter começado a escalada durante o dia já estava extremamente escuro quando cheguei lá em cima. Não sei descrever como seria o arrependimento se tivessem me deixado na mão... Mas, eis que vi várias luzes coloridas surgirem de repente! Estavam sinalizando meio longe de mim. Tantas luzes. Muitas luzes. Rodando em círculos, com diferentes cores! Vocês homenzinhos reproduzem isso, mas na época era indescritível, inegavelmente de outro mundo! Inegavelmente alienígena! Não tinha dúvida, era uma nave espacial! Era como um cumprimento! Um 'oi'. 'Nós cumprimos nossa promessa', um tipo de comunicação implícita por sinal, sabe? E depois eles foram embora, sumiram apenas mostrando isso, mas era o bastante, eles realmente tinham cumprido o combinado. Então eu tive certeza... Passado o êxtase fiquei mais tranquilo, passei a ajudá-los com mais naturalidade.
Houve uma Dor de Cabeça em que avisaram que me encontrariam pessoalmente. Fui ao ponto que eles mandaram e usaram algum tipo de energia magnética ou anti-gravitacional, não tenho certeza, para me puxarem à aquela enorme nave que haviam me mostrado no topo de Monstuous Vi. Mais uma vez tive sensações tão estranhas que parecia estar tendo uma alucinação. A nave deles se parecia com o laboratório de Genio Sin, mas maior, mais grandiosa! Sendo um cientista como eu era, fiquei maravilhado com toda aquela superioridade tecnológica. As cores, os sons. Até o cheiro! Tudo era inacreditável, absolutamente cada centímetro. Eu os vi pessoalmente apesar de estarem atrás de uma cabine. Eram pequenininhos, deviam ter o tamanho de vocês provavelmente. As vozes soavam um pouco diferentes dentro da nave, mas ainda assim eram estranhas. De qualquer forma, eles me informaram que eram uma raça superior de cientistas do espaço. Viajavam pelo universo se dedicando a estudos, a aumento de conhecimento. Imagine quanto eles deveriam saber! Eram como deuses da ciência para mim. A honra só ficava cada vez maior.
Com o tempo fui ficando melhor no meu trabalho. Ajudando uma raça superior eu achava mais motivação para aprofundar os meus estudos. Eu era o escolhido, eles precisavam de mim! Claro que junto às pesquisas sobre a Terra eu prosseguia com a minha paixão pela teoria da sobrevivência restrita à ingestão de plantas e alimentos orgânicos. Eu ajudava os extraterrestres, mas também queria ajudar os dinossauros, é claro. Queria melhorar aquele ambiente em que tinha crescido.
De forma provavelmente anual, comparando com os métodos de contagem que vocês têm mais ou menos, haviam grandes reuniões do 'Núcleo Intelectual Cretáceo' para atualizar toda a comunidade científica de uma vez. Era onde se apresentavam projetos, avanços."
Fui sem parar para não ter chance de me arrepender no caminho, e também fui com mais ninguém. Apenas podia ver alguns pterodáctilos na subida, mas depois de um tempo nem eles mais voavam ao redor daquela altura, era uma jornada completamente solitária. Apenas eu, que não tinha um nome ou apelido próprio como hoje, e minha insegurança de estar sendo enganado; minha consciência que não conseguia se calar. Se comparasse os extremos de terra, os extremos bem extremos, dava pra notar uma certa diferença de tonalidade na escuridão, mas por mais que fosse um ponto de vista que eu nunca havia alcançado, ainda não era aquilo que eu queria ver. Ao chegar no topo havia apenas nuvens e nada abaixo era identificável. Estava um vento forte, um vento muito forte e apesar de eu ter começado a escalada durante o dia já estava extremamente escuro quando cheguei lá em cima. Não sei descrever como seria o arrependimento se tivessem me deixado na mão... Mas, eis que vi várias luzes coloridas surgirem de repente! Estavam sinalizando meio longe de mim. Tantas luzes. Muitas luzes. Rodando em círculos, com diferentes cores! Vocês homenzinhos reproduzem isso, mas na época era indescritível, inegavelmente de outro mundo! Inegavelmente alienígena! Não tinha dúvida, era uma nave espacial! Era como um cumprimento! Um 'oi'. 'Nós cumprimos nossa promessa', um tipo de comunicação implícita por sinal, sabe? E depois eles foram embora, sumiram apenas mostrando isso, mas era o bastante, eles realmente tinham cumprido o combinado. Então eu tive certeza... Passado o êxtase fiquei mais tranquilo, passei a ajudá-los com mais naturalidade.
Houve uma Dor de Cabeça em que avisaram que me encontrariam pessoalmente. Fui ao ponto que eles mandaram e usaram algum tipo de energia magnética ou anti-gravitacional, não tenho certeza, para me puxarem à aquela enorme nave que haviam me mostrado no topo de Monstuous Vi. Mais uma vez tive sensações tão estranhas que parecia estar tendo uma alucinação. A nave deles se parecia com o laboratório de Genio Sin, mas maior, mais grandiosa! Sendo um cientista como eu era, fiquei maravilhado com toda aquela superioridade tecnológica. As cores, os sons. Até o cheiro! Tudo era inacreditável, absolutamente cada centímetro. Eu os vi pessoalmente apesar de estarem atrás de uma cabine. Eram pequenininhos, deviam ter o tamanho de vocês provavelmente. As vozes soavam um pouco diferentes dentro da nave, mas ainda assim eram estranhas. De qualquer forma, eles me informaram que eram uma raça superior de cientistas do espaço. Viajavam pelo universo se dedicando a estudos, a aumento de conhecimento. Imagine quanto eles deveriam saber! Eram como deuses da ciência para mim. A honra só ficava cada vez maior.
Com o tempo fui ficando melhor no meu trabalho. Ajudando uma raça superior eu achava mais motivação para aprofundar os meus estudos. Eu era o escolhido, eles precisavam de mim! Claro que junto às pesquisas sobre a Terra eu prosseguia com a minha paixão pela teoria da sobrevivência restrita à ingestão de plantas e alimentos orgânicos. Eu ajudava os extraterrestres, mas também queria ajudar os dinossauros, é claro. Queria melhorar aquele ambiente em que tinha crescido.
De forma provavelmente anual, comparando com os métodos de contagem que vocês têm mais ou menos, haviam grandes reuniões do 'Núcleo Intelectual Cretáceo' para atualizar toda a comunidade científica de uma vez. Era onde se apresentavam projetos, avanços."
- E só você sabia dos alienígenas? Você tinha contado para ninguém?! - pergunta Genio Sin abismado e interessado na história.
- É! - apoia o garoto mostrando ter a mesma curiosidade.
- É! - apoia o garoto mostrando ter a mesma curiosidade.
"Só eu sabia. Já falei isso. Eu contei pra ninguém, absolutamente ninguém. Ninguém da minha raça. Ninguém da minha família. E isso não mudou, fiquem sabendo. Não é o que vai acontecer. Era o momento de eu revelar o maior projeto que eu poderia ter trabalhado... O melhor trabalho de minha vida... Uma ideia. Uma nova forma de pensamento. Desde jovem estudando para finalmente chegar em algum lugar com as minhas ideias de sobrevivência sem necessitar de qualquer ingestão de carne. Era perfeito."
- Você realmente era vegano? - pergunta nomeocultado mais uma vez pra ter certeza se não está delirando por causa da pizza ou... alguma outra coisa.
- Sim... - ele rosna entre os dentes. Leva um tempo pra continuar a falar. Parece não querer.
- Sim... - ele rosna entre os dentes. Leva um tempo pra continuar a falar. Parece não querer.
"Se tudo desse certo e houvesse uma revolução comportamental, nunca mais um ser inferior precisaria ser devorado sem poder se defender porque outro mais forte estava com fome; também inocente, já que apenas tentava saciar uma necessidade básica! Tudo tão normal! Há tanto tempo! Haviam raças inteiras assim, que só se alimentavam de plantas, mas elas eram excluídas, praticamente não havia interação entre nós, porque até então não precisávamos uns dos outros, como se fossem de outro mundo. Mas e se pudéssemos aprender com eles?! Nunca mais aquilo que presenciei na floresta precisaria se repetir! Seria diferente!
Mas...
Bem...
Todos eles zombaram de mim.
Uma sala com as maiores mentes do mundo, e seus argumentos e réplicas eram apenas chacotas e gozações. Não podia acreditar. Eu qu-- Eu gostaria de não reconhecê-los... agindo daquela forma. E pior... é que eu sabia... que era apenas por ser diferente! Mas posso me lembrar de seus ataques. Não houve discussão... Não ganhavam nada com aquilo. Simplesmente afirmavam como era inviável seguir uma conduta diferente das dos nossos ancestrais. Imediatamente me trataram como se não fosse mais um deles... Como se fosse algo a menos... Mas tem nada a ver, era perfeito. Ouçam. Direi mais uma vez! Era perfeitamente possível que todas as espécies se adaptassem a dieta vegana! Éramos racionais, poderíamos fazer isso, ou ao menos considerar, inicialmente! Com a ingestão de vegetais e orgânicos não se precisaria mais que os mais fortes matassem os mais fracos para alimentação! Com a teoria da força em números, isso permitiria uma maior igualdade entre as raças e ação entre todos os dinossauros, um melhor funcionamento do ambiente de forma que evoluiríamos como nunca antes! O que hoje em dia é chamado de 'canibalismo' era a ordem incontestável do mundo há milênios naquela época, mas nada daquilo seria mais necessário. Hoje os humanos, pequenos e patéticos, defendem a ingestão única de plantas da mesma forma, mas eu já tinha pensado nisso há muito tempo!!! Era horrível, lamentável e considerado normal por todos os dinossauros. É claro que era um sonho meu, mas ainda assim...
Essa Reunião foi a última feita na história e também o último momento que vi aqueles dinossauros na minha vida. Aliás, os últimos dinossauros que veria na minha vida, quando não imaginava que estaria vivo tantos anos depois. Já faz tanto tempo... e até hoje me lembro de suas bocas abertas mostrando os dentes com risos forçados. Pareciam ataques. Tudo que eu havia dedicado a minha vida inteira não servia para nada. Era indiferente para eles. Eles não pensaram duas vezes antes de rir de mim. Bando de hipócritas doentios alegando defender a razão. Me excluíram como se eu nem fosse da mesma espécie. Eles pareciam se esquecer que ser um dinossauro vegano não mudava o fato de que eu ainda era um dinossauro! Senti ódio, tanto ódio... Tudo que queria era me livrar de todos eles. E foi o que fiz."
Essa Reunião foi a última feita na história e também o último momento que vi aqueles dinossauros na minha vida. Aliás, os últimos dinossauros que veria na minha vida, quando não imaginava que estaria vivo tantos anos depois. Já faz tanto tempo... e até hoje me lembro de suas bocas abertas mostrando os dentes com risos forçados. Pareciam ataques. Tudo que eu havia dedicado a minha vida inteira não servia para nada. Era indiferente para eles. Eles não pensaram duas vezes antes de rir de mim. Bando de hipócritas doentios alegando defender a razão. Me excluíram como se eu nem fosse da mesma espécie. Eles pareciam se esquecer que ser um dinossauro vegano não mudava o fato de que eu ainda era um dinossauro! Senti ódio, tanto ódio... Tudo que queria era me livrar de todos eles. E foi o que fiz."
- Você os enfrentou?!
"Não... Ao sair de lá me senti louco. Mas não era o medo mais uma vez. O medo eu já conhecia. Era realmente ódio, tanto ódio. Ódio por todos aqueles que formavam aquele comitê, aquele comitê que eu já havia idolatrado, o comitê que no momento eu me lembrava com desprezo de ter participado por tantos anos, praticamente a minha vida toda. Não que eu tivesse uma grande paixão por tudo aquilo, mas nunca imaginei que terminaria dessa forma, jamais. Fui seguindo em direção ao território da minha família, sem ver um dinossauro no caminho inteiro, se havia algum era muito pequeno e estava escondido... Era longe... mas para um cara do meu tamanho não demorava tanto se fosse rápido..."
Ele parece ter dificuldade para continuar. Está com a respiração pesada.
"Bem... coincidentemente foi quando tive outra Dor de Cabeça. Não havia como prever quando elas vinham. Eles me disseram pra que parasse de avançar, pois estava em uma boa área aberta e... eles precisavam fazer contato pessoal comigo mais uma vez. Novamente tive a honra de ser abduzido para aquela incrível nave alienígena.
Quando os extraterrestres me contaram o que estavam pedindo para eu fazer... Eu me lembro perfeitamente. Faz milhões de anos, mas me lembro perfeitamente. Tudo parecia muito claro para mim. Preto e branco. Mais preto... do que branco."
Quando os extraterrestres me contaram o que estavam pedindo para eu fazer... Eu me lembro perfeitamente. Faz milhões de anos, mas me lembro perfeitamente. Tudo parecia muito claro para mim. Preto e branco. Mais preto... do que branco."
Eles eram muito diretos:
Precisamos da sua ajuda para nos livrarmos da sua espécie. Iremos atirar uma vez e então eliminaremos todos eles. As chances de sobrevivência são zero. Não há como eles se esconderem para preservarem suas vidas. Porém, somos a espécie mais evoluída que a galáxia já viu. Nossos princípios são científicos e estamos acima da vida de qualquer planeta. Você não verá mais a sua família, mas fará parte de algo muito maior. Tem certeza que quer continuar?
- Espécie, sobrevivência, vidas, família. Eu podia ouvir nada disso sob o eco das risadas deles caçoando de mim. Mas hoje, é o silêncio que me perturba. Me desculpem, - ele diz ao ver Genio Sin e o jornalista chorando - mas eu não possuo lágrimas para compartilhar com vocês.
"Tudo o que eu queria eram todos eles destruídos... Os Aliens... eles precisavam realmente da minha ajuda. Foram honestos o tempo todo quando descreveram a minha importância, mas agora que já sabiam tudo a única coisa que sobrava era ver como a Terra sobrevivia sozinha sem os seres vivos dominantes sobre ela. A Terra afinal, era maior e o principal organismo sob estudo. Nós dinossauros, carnívoros ou não, éramos só um detalhe. Como não existiriam mais, eles guardavam uma espécime congelada que participaria de um tipo de 'museu' que eles deviam ter guardado na nave, já que a chance de encontrar a mesma espécie em outro planeta era inexistente. Como já me conheciam me escolheram para a oferta. Não pensei duas vezes. Não sei como eles tinham tanta certeza que eu aceitaria, mas concordei prontamente e com muito orgulho fui indicado para uma câmara circular de congelamento. Esperando meu destino, meu remédio que me tiraria de toda a dor que estava sentindo no momento. Mas foi contando com isso que minha mente me pregou uma peça! Algo que eu realmente não esperava, não sei porquê. Como eu disse, devia fazer parte do castigo. A memória de meu filho... veio claramente à minha mente. Como se ele estivesse olhando pra mim! Como... Como se estivesse olhando bem para mim de baixo... Com todo aquele ódio eu nem havia me lembrado deles. Sabe, havia minha fêmea... Me-- Não os veria novamente. Nem eles nem mais ninguém. Era o fim. Gostaria que tivesse sido só um pesadelo. O fim e eu havia concordado. Havia passado uma eternidade trabalhando, e agora nunca mais poderia vê-los, não estaria sendo exterminado lá embaixo.
Não sabia porquê, mas de repente isso me trouxe uma terrível agonia, como se tudo estivesse correndo violentamente para o lado errado. Tive a impressão que havia um arrependimento inevitável se aproximando, fiquei louco! Completamente selvagem como essas pessoas que aparecem na televisão! Furioso espanquei a câmara involuntariamente com minha cauda, e acontece que apesar de eu não ter conseguido quebrá-la, não era acoplada diretamente com o resto da nave, tendo se separado com o impacto. A altura era incalculável. Eu não podia acreditar que estava caindo. Em alta velocidade vi que tudo estava lá. E de repente não estava mais. O ataque só poderia ser descrito como coisa de 'outro mundo' mesmo. Era silencioso... e devastador... como uma... luz... que se acende mas traz escuridão. Vi apenas uma fortíssima luz branca, e sabia o que era. A câmara, porém, havia se desconectado comigo fechado dentro dela, e ao cair ainda cumpriu sua função. Enquanto congelava assisti tudo ficar branco. Não era como você imaginaria uma destruição. Parecia uma exata e radical substituição do tudo pelo nada, das cores pelo branco, como um pesadelo. Som e imagem de uma hora para a outra não estavam mais lá. Eu pude presenciar o fim da minha espécie com meus próprios olhos... Bem, mas ainda assim não chegou a ser o meu fim.
O resto vocês já ouviram. É difícil eu organizar isso tudo na minha mente. Na verdade, essa foi a primeira vez que fiz isso... Eles me ofereceram o Fim e bem... Eu apoiei."
Não sabia porquê, mas de repente isso me trouxe uma terrível agonia, como se tudo estivesse correndo violentamente para o lado errado. Tive a impressão que havia um arrependimento inevitável se aproximando, fiquei louco! Completamente selvagem como essas pessoas que aparecem na televisão! Furioso espanquei a câmara involuntariamente com minha cauda, e acontece que apesar de eu não ter conseguido quebrá-la, não era acoplada diretamente com o resto da nave, tendo se separado com o impacto. A altura era incalculável. Eu não podia acreditar que estava caindo. Em alta velocidade vi que tudo estava lá. E de repente não estava mais. O ataque só poderia ser descrito como coisa de 'outro mundo' mesmo. Era silencioso... e devastador... como uma... luz... que se acende mas traz escuridão. Vi apenas uma fortíssima luz branca, e sabia o que era. A câmara, porém, havia se desconectado comigo fechado dentro dela, e ao cair ainda cumpriu sua função. Enquanto congelava assisti tudo ficar branco. Não era como você imaginaria uma destruição. Parecia uma exata e radical substituição do tudo pelo nada, das cores pelo branco, como um pesadelo. Som e imagem de uma hora para a outra não estavam mais lá. Eu pude presenciar o fim da minha espécie com meus próprios olhos... Bem, mas ainda assim não chegou a ser o meu fim.
O resto vocês já ouviram. É difícil eu organizar isso tudo na minha mente. Na verdade, essa foi a primeira vez que fiz isso... Eles me ofereceram o Fim e bem... Eu apoiei."
- QUE ISSO?! - gritou o garoto do serviço técnico apontando para Noberto - Como é que você teve coragem de matar todos eles!? Você... Você é um monstro! VOCÊ É UM PSICOPATA!
Antes que mais qualquer coisa pudesse ser dita, o garoto foi esmagado pela imensa pata de Noberto, por pouco não pegando Genio Sin e o jornalista que tremiam de medo. Enquanto eles olhavam em choque, Noberto esfregou o pé de volta como se tivesse pisado em uma barata, deixando no chão o rastro de sangue, carne e ossos do garoto. Ele se vira e a levanta para limpar raspando em alguma parte da mesa. Ainda com semblante indiferente ele diz poucas palavras reservadas para os dois pequenos seres.
- Muitos mais poderão morrer se não voltarmos a Washington agora.
Parte IX
Terminei com a minha espécie porque ela não podia me ajudar com a minha dieta
Pessoas pensam que sou insano porque estou aborrecido o tempo todo
Pessoas pensam que sou insano porque estou aborrecido o tempo todo
Do Pólo Norte se retira um trio um tanto peculiar. Acho que você já sabe; um cientista, um escritor/jornalista e um dinossauro. Os dois primeiros são levados na grande mão aberta do último. Alguém não muito menos peculiar e com uma visão muito boa os vê e trata de chamar a atenção deles passando um pouco longe no seu trenó voador.
- Rapaaaaz!!! - grita o idoso com grande barba branca - E não é que você achou mesmo o dinossaaaaauro?! - Ele se referia ao jornalista, que respondeu.
- Sim! Viu só?! Você... Você não quis acreditar em mim!
- Eu acreditei sim! - ele corrige com bom humor - E também ainda acho que você vai morrer! - Ele sorri e se despede dando risada como um demente maluco. Soava feliz, mas ainda assim demente e maluco.
- Sim! Viu só?! Você... Você não quis acreditar em mim!
- Eu acreditei sim! - ele corrige com bom humor - E também ainda acho que você vai morrer! - Ele sorri e se despede dando risada como um demente maluco. Soava feliz, mas ainda assim demente e maluco.
Sin finalmente estava fora da maldita Casa de Noberto, mas não expressava nenhum alívio, nem nada. Os seus olhinhos biônicos não eram o bastante para identificar onde estava daquela altura, ainda mais com a velocidade de locomoção do dinossauro. Mas ele pensava no garoto que havia morrido, por alguma razão ele tinha ficado pensando nisso.
O silêncio é quebrado pela monstruosa e novamente monótona voz de Noberto
- Genio Sin. Estamos quase chegando nos Estados Unidos. Você deve lembrar onde ficavam os laboratórios, não lembra?
- Ah sim. É próximo de Washington. Você vai destruir tudo?
- Não. Vou abaixar vocês um pouco. Avise quando estiver bom pra descer.
- Você não vai ficar junto com a gente?
- Não. Vou bater um papo com o Presidente. Esse é o país mais importante da Terra no momento, não é?
-Sim, isso não mudou nos últimos anos. Não pode ter mudado.
O silêncio é quebrado pela monstruosa e novamente monótona voz de Noberto
- Genio Sin. Estamos quase chegando nos Estados Unidos. Você deve lembrar onde ficavam os laboratórios, não lembra?
- Ah sim. É próximo de Washington. Você vai destruir tudo?
- Não. Vou abaixar vocês um pouco. Avise quando estiver bom pra descer.
- Você não vai ficar junto com a gente?
- Não. Vou bater um papo com o Presidente. Esse é o país mais importante da Terra no momento, não é?
-Sim, isso não mudou nos últimos anos. Não pode ter mudado.
Realmente, haviam mais diferenças para Genio Sin do que para Noberto, que havia os visitado apenas há alguns meses, em junho do ano anterior. Apesar de não terem falado, havia algo diferente que ambos haviam notado, principalmente Noberto. Tinha ninguém nas ruas. Absolutamente ninguém. Era estranho. O último dinossauro avançava olhando pra baixo para evitar pisar em civis, mas não aparecia um único indivíduo. Foi rápido, mas ele lembrava das outras vezes; pareciam insetos, eram um monte de pessoas correndo e gritando, completamente desorganizadas. Era tão estranho... Como é que todo mundo tinha sumido? Era noite, ele pensava que talvez tivessem se recolhido para dormirem, mas isso não condizia muito bem com o que via na TV.
De alguma forma nomeocultado havia conseguido dormir durante a viagem (talvez tivesse desmaiado); ao seu lado na mão de Noberto, Genio Sin avisa que já estão em um bom lugar para descer, então são colocados no chão.
- Façam o que precisarem fazer, eu vou visitar o Presidente. Mas lembrem-se, não podem ser produzidos clones meus, para agora, pro futuro, jamais!
- Ok. Eu vou me achar. - Responde Sin. - Nos veremos novamente?
- Eu não sei.
E em pouco tempo o tão grande dinossauro não pode mais ser visto.
- Façam o que precisarem fazer, eu vou visitar o Presidente. Mas lembrem-se, não podem ser produzidos clones meus, para agora, pro futuro, jamais!
- Ok. Eu vou me achar. - Responde Sin. - Nos veremos novamente?
- Eu não sei.
E em pouco tempo o tão grande dinossauro não pode mais ser visto.
Exageradamente agasalhado e com sua grande mochila nas costas ele funga o nariz e pergunta em tom quase cantado
- Onde estamos?
- Nós voltamos para a América - responde seu acompanhante sério e bravo. - Finalmente... Depois de tantos anos. Sugiro que você me acompanhe, se forem os meus últimos momentos seria bom que você registrasse. Vamos aos meus velhos laboratórios. Não se surpreenda se for considerado uma invasão.
Determinado e mal-encarado, ele segue por ruas escuras. Parece andar sem direção por um tempo, mas a falta de paradas ou falas traz contradição a essa possibilidade. Virando o rosto bruscamente o cientista maluco aponta para uma calçada cinzenta com algumas árvores e exclama
- Ali! O que é aquilo ali?
- Ei... o que é aquilo lá...? - pergunta
- Oh! Defenda-se! - Alertou Genio Sin - Dá para notar que não é um humano normal, é uma mutação! - Eles acompanhavam o ser humanóide que possuía uma aparente cauda e um braço que afinava conforme se esticava pelo chão. - O governo deve ter feito um trato com os aliens! Como Noberto, aquele assassino! As orelhas, é uma mutação! Cuidado, me livrarei dele! - Então Genio Sin mais uma vez transforma seu bracinhozinho multifuncional em uma arma e dispara projéteis iluminados de energia em direção a criatura na rua escura. A mancha disforme dá uma pirueta após ser acertada e cai no chão da calçada. Atrás de uma árvore. Não se move mais. Os dois correm rápido em direção ao cadáver.
- Maldito monstro, - comenta Sin - sorte que eu o eliminei.
- Ei... não é um mutante - o outro diz se ajoelhando do lado do corpo - É só um maluco vestido de gatinha! - ele observa - E aquilo caindo parece um chicote... É! É tipo um desses chicotinhos de sex shop!
- Impossível... - contesta Sin - E os aliens?
- Mas que aliens...?
- Ué, oras, não tem ninguém...
- Pô, você matou o cara.
- AH QUIETO! Ninguém mandou andar vestido assim essa hora.
- Ainda assim é assassinato, cara. Vamos esconder o corpo?
- NÃÃÃÃÃO! Vamos em frente. Vamos fingir que isso não aconteceu!
- Bem, deixa eu fechar os olhos dele...
- VAMOS LOGO!
Sin prossegue nervoso, seguido do jornalista que olhava pra trás como se o homem vestido de gatinha pudesse se levantar para alcançá-los a qualquer momento enquanto o Sol não nascesse. Ele se aproxima de uma loja e finalmente fala.
- Nossa, mas até a cafeteria está fechada? Será possível que foram todos abduzidos?
Então ele começa a mexer na porta para ver se consegue abrir.
- Quer que eu tente?
- Não. Hum... - ele pensa - Devia ter criado uma perna biônica. - Uma linha de laser é desferida a partir do seu olho esquerdo, e em pouco tempo a maçaneta vai derretendo.
- Meu Deus, você é o diabo?
- É muito comum vocês falarem isso de coisas que não entendem, não é mesmo? - ele força a porta novamente e consegue abrir. - Antigamente... um monte de curiosos e revolucionários da Ciência eram queimados a partir desse pensamento.
- Eu só tava brincando... - o homem continua um pouco alto e desnorteado.
- Eu sei. Agora vamos.
- Nossa, mas até a cafeteria está fechada? Será possível que foram todos abduzidos?
Então ele começa a mexer na porta para ver se consegue abrir.
- Quer que eu tente?
- Não. Hum... - ele pensa - Devia ter criado uma perna biônica. - Uma linha de laser é desferida a partir do seu olho esquerdo, e em pouco tempo a maçaneta vai derretendo.
- Meu Deus, você é o diabo?
- É muito comum vocês falarem isso de coisas que não entendem, não é mesmo? - ele força a porta novamente e consegue abrir. - Antigamente... um monte de curiosos e revolucionários da Ciência eram queimados a partir desse pensamento.
- Eu só tava brincando... - o homem continua um pouco alto e desnorteado.
- Eu sei. Agora vamos.
Passam pela entrada de uma cafeteria normal, mas está completamente vazia. Conforme avança, nomeocultado vai deixando uma trilha de casacos que abandona para trás conforme sente calor. Há apenas o som de uma televisão ligada em algum lugar, soa como uma narração.
- Parece um jogo...
- Isso não importa agora. Vamos. Tenho que descobrir logo se estamos indo a algum lugar.
Sem encontrar ninguém no caminho, eles então chegam na porta de um banheiro após subir umas escadas.
- Um banheiro. - ele funga o nariz - Por que não estou surpreso? - Então se vira a Genio Sin - Eu tenho a impressão que você não vai me responder, mas... o que que há?
- Argh, você não ouviu nada? - eles vão sussurrando - Temos que encontrar os meus velhos laboratórios. A passagem secreta era nessa direção. Estamos quase lá. Supostamente. Eu quero ver se ainda são os mesmos, se ainda estão lá. Faz muitos anos... Aquele garoto. - ele muda de assunto - Aquele que estava conosco na mansão mais cedo. Ele... ele morreu, não é?
- Sim... Tinha um monte de sangue. - ele responde com asco.
- Ele... poderia estar com a gente, sabe?
- Parece que foi um reflexo do dinossauro.
- Parece um jogo...
- Isso não importa agora. Vamos. Tenho que descobrir logo se estamos indo a algum lugar.
Sem encontrar ninguém no caminho, eles então chegam na porta de um banheiro após subir umas escadas.
- Um banheiro. - ele funga o nariz - Por que não estou surpreso? - Então se vira a Genio Sin - Eu tenho a impressão que você não vai me responder, mas... o que que há?
- Argh, você não ouviu nada? - eles vão sussurrando - Temos que encontrar os meus velhos laboratórios. A passagem secreta era nessa direção. Estamos quase lá. Supostamente. Eu quero ver se ainda são os mesmos, se ainda estão lá. Faz muitos anos... Aquele garoto. - ele muda de assunto - Aquele que estava conosco na mansão mais cedo. Ele... ele morreu, não é?
- Sim... Tinha um monte de sangue. - ele responde com asco.
- Ele... poderia estar com a gente, sabe?
- Parece que foi um reflexo do dinossauro.
Um grande dinossauro se aproxima já pela terceira vez do gramado da Casa Branca. Ele não esperava que aquela situação se tornaria um deja vu. Para a sua surpresa há um pequeno homem de terno no jardim. Ele parece estar lá aleatoriamente, até que vira e se surpreende com a imagem gigantesca.
- Oh my God. - ele balbucia - Beto! Hehe, como vai?
- Sr. Presidente... Mas que coincidência.
- Eu que o diga, grandão. Bem... não que eu não aprecie a sua visita, e também não quero ser um americano chato... Mas você não pode exatamente ficar vindo aqui o tempo todo... sabe? O... atendimento técnico não funcionou?
- Sr. Presidente, eu vinha encontrar exatamente com você. - Ele comunica lentamente com sua voz monstruosa. - Pois quero respostas para minhas perguntas e sem qualquer rodeiozinho dado por segundas partes e afins. Então já te pergunto logo, você pode me dar respostas?
- A gente pode trocar uma ideia, bater a little papo sim.
- Ótimo. Primeiramente, isso foi muito estranho. O que você está fazendo aqui fora agora? Há ninguém nas ruas.
- Ah, eu gosto de dar uma volta em noites desse tipo.
- Que tipo? Que tipo de noites? - Noberto estava inseguro de ouvir algo que não o agradaria cedo ou tarde. Sentia que estava ficando paranoico.
- Noite de Super Bowl - respondeu o homem de terno com simplicidade.
- Vão aparecer os Homens de Preto? - perguntava nomeocultado para Genio Sin. - Você acabou de abrir uma passagem secreta pelo chão... Tudo bem que eu já vi um dinossauro e aquele candidato a Papai Noel, mas isso tudo ainda tá muito estranho.
- Temo que pode ficar pior; muito pior, meu caro. Você deveria estar se preocupando em anotar tudo. Está lembrando disso, não está?
- Eita! O que aconteceu com aquilo tudo de "sigilo secreto", am?
- Ah! Tô nem aí! Olhe... - ele começa a explicar mais calmamente conforme andam por um corredor todo branco sem qualquer janela - Aqui foi por onde eu vivi muito tempo até me mandarem pra casa daquele dinossauro. Eu praticamente morava aqui. Vamos chegar lá.
"Parados!" eles ouvem dizerem atrás deles. Se viram rápido e é um soldado bigodudo de óculos escuros, está acompanhado por mais três. Parecem policiais de tropas de choque.
O bigodudo diz
- Normalmente eu acharia que vocês não poderiam estar mais ferrados nos próximos minutos... Mas devido à situação... acho que teremos que ser mais criativos pra lidar com vocês dois.
- Deus do céu...
- E o que está acontecendo? O que houve com as pessoas? - pergunta o cientista do mal. - O que exatamente está sendo feito pelo governo dos Estados Unidos? São os alienígenas?
- Você ainda vem fazer perguntas? - responde o bigode. - Vocês tiveram que fazer a gente trabalhar na noite do Super Bowl. Vocês caras já viraram comida de minhoca.
- Super Bowl? - perguntanomeocultado colocando os braços trêmulos pra cima com vontade de espirrar. Ele não consegue controlar o espirro e seus braços sacodem desastrosamente - É hoje o Super Bowl?
- O jogo mais importante do ano, seu filho de uma porca! - responde outro soldado atrás do bigode. Eles pareciam estar todos muito irritados. - Ninguém invade isso aqui nunca, vocês vieram escolher bem agora?
- Acredite, foi uma coincidência, nós nem sabíamos.
- Vocês são uma desgraça! O que estão fazendo é pior que terrorismo, vamos dar uma lição a vocês que jamais vão esquecer!
- Temo que não - diz Sin tomando frente. Antes que possam atirar ele levanta o braço e da ponta de seu dedo indicador é disparada uma descarga elétrica azul que faz uma corrente pelos corpos dos quatro soldados. Após sacudirem com seus esqueletos piscando como em um raio-x, eles viram poeira. Poeira com capacetes, coletes à prova de bala e os estilosos óculos escuros do falecido bigode.nomeocultado não sabe o que dizer, mas uma sirene começa a tocar e é possível ouvir passos. Só podiam ser reforços!
- Temo que pode ficar pior; muito pior, meu caro. Você deveria estar se preocupando em anotar tudo. Está lembrando disso, não está?
- Eita! O que aconteceu com aquilo tudo de "sigilo secreto", am?
- Ah! Tô nem aí! Olhe... - ele começa a explicar mais calmamente conforme andam por um corredor todo branco sem qualquer janela - Aqui foi por onde eu vivi muito tempo até me mandarem pra casa daquele dinossauro. Eu praticamente morava aqui. Vamos chegar lá.
"Parados!" eles ouvem dizerem atrás deles. Se viram rápido e é um soldado bigodudo de óculos escuros, está acompanhado por mais três. Parecem policiais de tropas de choque.
O bigodudo diz
- Normalmente eu acharia que vocês não poderiam estar mais ferrados nos próximos minutos... Mas devido à situação... acho que teremos que ser mais criativos pra lidar com vocês dois.
- Deus do céu...
- E o que está acontecendo? O que houve com as pessoas? - pergunta o cientista do mal. - O que exatamente está sendo feito pelo governo dos Estados Unidos? São os alienígenas?
- Você ainda vem fazer perguntas? - responde o bigode. - Vocês tiveram que fazer a gente trabalhar na noite do Super Bowl. Vocês caras já viraram comida de minhoca.
- Super Bowl? - pergunta
- O jogo mais importante do ano, seu filho de uma porca! - responde outro soldado atrás do bigode. Eles pareciam estar todos muito irritados. - Ninguém invade isso aqui nunca, vocês vieram escolher bem agora?
- Acredite, foi uma coincidência, nós nem sabíamos.
- Vocês são uma desgraça! O que estão fazendo é pior que terrorismo, vamos dar uma lição a vocês que jamais vão esquecer!
- Temo que não - diz Sin tomando frente. Antes que possam atirar ele levanta o braço e da ponta de seu dedo indicador é disparada uma descarga elétrica azul que faz uma corrente pelos corpos dos quatro soldados. Após sacudirem com seus esqueletos piscando como em um raio-x, eles viram poeira. Poeira com capacetes, coletes à prova de bala e os estilosos óculos escuros do falecido bigode.
- Então as pessoas estão nas suas casas assistindo um jogo de futebol? - pergunta o dinossauro.
- "Um" não, meu caro Beto. O jogo de football. É o jogo de football. - Responde o presidente abaixo.
- E quando ele acabar?
- Ah, alguns vão comemorar e tal... Outros ficam tristes, é o que acontece. Um time ganha, outro perde.
- "Um" não, meu caro Beto. O jogo de football. É o jogo de football. - Responde o presidente abaixo.
- E quando ele acabar?
- Ah, alguns vão comemorar e tal... Outros ficam tristes, é o que acontece. Um time ganha, outro perde.
- Ah, por favor... Acho que minha cabeça está doendo... - geme nomeocultado no campo de batalha que havia se tornado o corredor para o laboratório secreto, com Genio Sin atacando com armas saindo de tudo quanto é canto do seu corpo contra os soldados que vinham da escada no final.
- ACERTEM A CABEÇA! OS LASERS! ELE ATI--UAIAIAIAI...
- Parem só um minuto, minha cabeça está explodindo! - implorava o jornalista com as mãos no coco.
- Ativem a arma sonora! Não vai sobrar nada do velho Genio Sin! Droga, ele tem uma mais forte! Aaaaaaaaaah!
- Armas sonoras não, por favor! Eu estou com sinusite!
- Resistam só mais um pouco, homens! Nós... vamos... conseguir! Uma bomba?! Foi um prazer--
-nomeocultado? nomeocultado? - pergunta Sin na bagunça - Vamos logo, acho que eu venci todos eles. nomeocultado, cadê você? - Conforme a fumaça do tiroteio vai desaparecendo ele pode ver o corpo de seu improvável parceiro estirado no chão. - nomeocultado, o que você está fazendo aí?
- Só... um minuto... minha sinusite...
- ACERTEM A CABEÇA! OS LASERS! ELE ATI--UAIAIAIAI...
- Parem só um minuto, minha cabeça está explodindo! - implorava o jornalista com as mãos no coco.
- Ativem a arma sonora! Não vai sobrar nada do velho Genio Sin! Droga, ele tem uma mais forte! Aaaaaaaaaah!
- Armas sonoras não, por favor! Eu estou com sinusite!
- Resistam só mais um pouco, homens! Nós... vamos... conseguir! Uma bomba?! Foi um prazer--
-
- Só... um minuto... minha sinusite...
- Eles devem todos acordar daqui a um tempo... Mesmo que seja um longo tempo - dizia Sin enquanto passavam pela escada cheia de corpos de soldados desacordados; alguns tinham ficado grudados nas paredes e até no teto... De alguma forma.
- Você se refere aos que ainda dá pra ver porque não viraram poeira.
- Estamos quase lá... E chegamos! - Sin não sabe bem as palavras a dizer. - Realmente estamos aqui... Mudou bastante... Mas é o laboratório. Pela arquitetura... Sim! É o laboratório! Meu velho laboratório...
Haviam grandes aparelhos de funções nada claras. Em um canto havia uma grande fila de tubos de ensaio vazios e conforme se avançava podia se ver um monte de armas. Armas avançadas. Mechas e armaduras.
- Quanta coisa...
- Nada mais é meu... Mas também haveria nada sem mim!!!
Observador,nomeocultado vê ao longe um homenzinho careca de terno rosa sentado num banquinho dentro de um tubo de ensaio. Alguns experimentos ou não eram o que pareciam ou não faziam sentido algum.
- Ai meu Deus, eu não sei o que anotar primeiro. Isso já foi muito, muito além do que eu pretendia. Devo estar sonhando - ele faz caretas enquanto fala. - Minha bendita cabeça está doendo muito...
Sin avança procurando palavras. No momento não sabe o que falar. Ele procura a base central de processamentos onde devem estar arquivados os últimos trabalhos, e os atuais planos relacionados à descoberta do D-42.
- Você se refere aos que ainda dá pra ver porque não viraram poeira.
- Estamos quase lá... E chegamos! - Sin não sabe bem as palavras a dizer. - Realmente estamos aqui... Mudou bastante... Mas é o laboratório. Pela arquitetura... Sim! É o laboratório! Meu velho laboratório...
Haviam grandes aparelhos de funções nada claras. Em um canto havia uma grande fila de tubos de ensaio vazios e conforme se avançava podia se ver um monte de armas. Armas avançadas. Mechas e armaduras.
- Quanta coisa...
- Nada mais é meu... Mas também haveria nada sem mim!!!
Observador,
- Ai meu Deus, eu não sei o que anotar primeiro. Isso já foi muito, muito além do que eu pretendia. Devo estar sonhando - ele faz caretas enquanto fala. - Minha bendita cabeça está doendo muito...
Sin avança procurando palavras. No momento não sabe o que falar. Ele procura a base central de processamentos onde devem estar arquivados os últimos trabalhos, e os atuais planos relacionados à descoberta do D-42.
- Droga! Aquele dinossauro... - diz Genio Sin de repente - O D-42; você viu como ele pisou no garoto? O... O que tinha ido concertar o computador, se eu não me engano.
- Sei, por que você tá falando disso?
- Porque ele simplesmente esmagou ele!
- É um dinossauro! É o que eu já imaginava que ele ia fazer. Na verdade fico surpreso dele ter conversado com a gente por mais de cinco minutos... Fico surpreso com bastante coisa na verdade... Ele não come carne...
- Ele não come carne, mas simplesmente pisou no moleque como se fosse uma barata! Quero dizer, ele estava lá, estávamos todos conversando, ele estava do nosso lado.
- Quero entender porque isso te incomoda tanto.
- Eu não sei! Bah...
Eles continuam andando, é um laboratório bem grande, parece um centro de convenções. Mas Sin logo retoma o assunto.
- Um tempo antes de você chegar, não sei quanto tempo exatamente, quando o Noberto me encontrou. Sabe, eu estava uma eternidade naquela fortaleza me esquivando e me enfiando em tudo quanto é canto pra viver, mas ele só me viu um pouco antes de você chegar. Bem... essa arma que eu acoplei no lugar do meu braço; há muitos anos atrás, teve uma hora que eu atirei bastante no D-42, sabe? Eu realmente tentei matar ele. Ele não morreu, pra minha decepção, mas eu imaginava que ele ia acabar me devorando cedo ou tarde! Quer dizer, imagina se ele cansasse dos salgadinhos e as bolinhas de chocolate e resolvesse me comer!?
- Ele simplesmente ficou bravo e pisou nele. Mas no meu caso era um dinossauro... e eu tava preso. Não seria a mesma coisa, não é?
- Olha, acho que pelo o que ele disse - o homem funga o nariz mais uma vez e esfrega a manga do casaco nele. - Ele não come carne, sabe? Sei que é estranho, mas já me acostumei com a ideia. Eu acho.
- Mas eu não faria a mesma coisa que ele... No lugar dele... Aquilo... Eu não sei...
- Por que você está pensando tanto nisso?
- Eu não sei. Mas ora, você realmente acredita em tudo que ele falou??? Eu achei curioso o que ele explicou dos aliens, mas...
- Por quê?
- Misericórdia, foi a história mais estranha que eu já ouvi na minha vida. E você não imagina as histórias que minha esposa contava!
- Como assim? Você acha que ele mentiu?
- É lógico! Bem... Eu não tenho certeza. Não sei se você sabe,
- Por que você não perguntou pra ele?
- Perguntar??? Do jeito que ele esmagou aquele garoto? Não obrigado. Talvez eu possa viver com certas dúvidas. Talvez não.
- Talvez. - Ele funga o nariz. - Duvido um pouco que venhamos a conhecer outro dinossauro. - Ele funga de novo. - Acho que só vamos ter a história dele.
- Eu tiro metade de tudo que aquele louco falou...
- É aqui. Sim! É esse computador.
- Oh... - geme
- Não há problema. Está vendo esse meu dedo mindinho aqui? Ele na verdade é um pendrive disfarçado! Posso utilizá-lo para enviar e armazenar arquivos digitais!
- Mas que coisa nojenta!!!
- Por que nojento? Ele é igual a um mindinho comum. Só não tem pelos, mas ninguém presta atenção nisso, não vou concertar.
- Ai, mas ainda assim, isso é horrível! Não é o seu dedo!
- Você tem a mente muito fechada para um jornalista. Vamos ver qual foi a última vez que eles trabalharam com qualquer coisa relacionada ao D-42...

- Eu estava na minha casa e... - procurava explicar o dinossauro para o presidente dos Estados Unidos. - Eu encontrei aquele homem que vocês tinham mandado pra lá... o Genio Sin.
- Genio Sin!? Quanto tempo não ouço esse stupid nome - comenta o presidente bem-humorado. - O Noberto original, hehe.
- O que você possivelmente quer dizer com Noberto original?
- Well, é o nome dele.
- Como?
- Ah, é o nome dele. Você não sabia? Well, ele tinha esse nome... Genio Sin... Aí não lembro como agora... Alguém viu que o nome dele era Noberto. Em algum momento na vida o cara resolveu mudar de identidade e se chamar Genio Sin. Quem se chama Genio Sin? Espalhou rapidinho, todo mundo ficou sabendo. Aí quando descongelaram o dinossauro, você, não deu outra, deram o nome de verdade dele.
- Nossa... Acho que ele só me chama de D-42.
- Viu só. Mas ué - ele se interrompe estranhando. - Esse cara ainda tá vivo?
- Sim, na verdade eu trouxe ele de volta pros Estados Unidos. Vocês não haviam o enviado pra me estudar ou coisa do tipo?
- Yeah, yeah, mas a gente achava que você ia devorar ele.
- Enfim... - rosna Noberto com uma vontade nervosa de pisar no homem. - Ele me contou tudo, e me disse que vocês pretendiam me clonar, para usar clones de dinossauro para a guerra!
- Wow, isso seria muito criativo. Não lembro de quem foi a ideia. Mas acho que tínhamos todo o seu mapeamento genético se eu não me engano, you know? Alguma coisa mais ou menos assim. Nós poderíamos ter feito, sim. Mas não se preocupe, isso não vai acontecer não. Faz muito tempo já que engavetaram.
- É bom que vocês realmente não façam isso, senhor presidente. Mas não pretendo lhe convencer te ameaçando, vou te explicar porquê.
- Ah, não se preocupe com isso! Eu tô falando que não vai rolar. Tenho um monte de thing muito mais legal pra te contar. Vamos aproveitar...
- Olha só quanta informação... - comenta Genio Sin olhando o monitor gigante. - E é atualizado todos os dias.
- E todo mundo pensava que o Elvis tava morto... - diznomeocultado olhando pra telona.
- Não precisava de tanto alarde, como eu imaginava. Ninguém trabalhou com o D-42, as câmeras nem estavam funcionando mais. Veja só... Mas ainda assim me livrei dos arquivos, essas informações agora só existem dentro do meu cérebro. Mas estou nervoso que encontrei nada sobre contato com alienígenas... Se for verdade, aqueles aliens cientistas que D-42 mencionou... devem ter conhecimento infinito! Será que eles nunca mais voltarão pra Terra? Nunquinha?
- Esquece desses aliens. Já temos um dinossauro que não come carne - ele dizia fazendo careta por causa da dor na cabeça.
- Mas ei, olhe, confira pra mim. Estamos em 2010, não é? Isso não é hoje?
- Não sei como o meu celular ainda está funcionando - ele diz conferindo a tela do aparelho - mas sim, é sim.
- Que... coincidência estarmos lendo isso aqui... agora...
- E todo mundo pensava que o Elvis tava morto... - diz
- Não precisava de tanto alarde, como eu imaginava. Ninguém trabalhou com o D-42, as câmeras nem estavam funcionando mais. Veja só... Mas ainda assim me livrei dos arquivos, essas informações agora só existem dentro do meu cérebro. Mas estou nervoso que encontrei nada sobre contato com alienígenas... Se for verdade, aqueles aliens cientistas que D-42 mencionou... devem ter conhecimento infinito! Será que eles nunca mais voltarão pra Terra? Nunquinha?
- Esquece desses aliens. Já temos um dinossauro que não come carne - ele dizia fazendo careta por causa da dor na cabeça.
- Mas ei, olhe, confira pra mim. Estamos em 2010, não é? Isso não é hoje?
- Não sei como o meu celular ainda está funcionando - ele diz conferindo a tela do aparelho - mas sim, é sim.
- Que... coincidência estarmos lendo isso aqui... agora...
- Eu não acredito nisso - rosnou o dinossauro incrédulo - Deixa eu dizer mais uma vez pra ter certeza que não entendi errado.
- All right, all right.
- Você vai explodir uma nação inteira, mas nenhuma pessoa no mundo todo vai dar atenção por estar entretida demais no jogo de futebol?
- Você entendeu direitinho, Noberto. É um dinossauro smart, te digo isso.
- Isso é insano! Impossível todos estarem assistindo a TV ou o que seja, assistindo o jogo! Alguém não estará! Alguém perceberia armas, bombas passando pelo céu como pterodáctilos.
- Ora Noberto, eu também não sou donkey.
- Donkey???
- É. Não vou enviar bombs pelo ar porcaria nenhuma. Eles mesmos meio que vão se explodir.
- Como assim? Me explique logo direito.
- Tudo bem, ninguém vai saber e você nem existe oficialmente mesmo. Mas sabe, Norb? Eu gosto de você. Gosto quando a gente conversa, mesmo sendo pouco.
- Ok. Obrigado...
- Há pessoas lá, pessoas da confiança deles, que gostam muito de nós. Não são americanos infiltrados, não! São de lá mesmo, eles gostam tanto de nós que nos ajudam. Eles realmente acreditavam que as bombas que eles tinham eram uma ameaça pra gente. Isso é sério, nosso pessoal descobriu que eles pretendiam nos ameaçar com as bombas e tudo mais. Não somos maus, Noberto, não somos maus. Veja o que eles iam fazer! Mas eles são tão mal-estruturados, que nós nem precisaremos atacá-los, meu amigo. Antes do jogo acabar, sem que qualquer pessoa sequer note, as armas vão explodir sem sequer serem lançadas, morrerão todos eles, como se fosse um acidente. E mais, ninguém vai sentir falta. Os próprios resolveram se sacrificar por algo... maior. Você vê só?
- Eu entendo, mas... Como destruirão o próprio lugar?
- As bombas vão explodir por lá mesmo, não entendeu?
- Não isso. Quis dizer... como vão fazer isso? Não são de lá? Quero dizer, isso é extremamente comum, como vão matar uns aos outros?
- Ora Noberto, muito simples. Acho que eu e você faríamos a mesma coisa no lugar daqueles caras. Mesmo você sendo um dinossauro. Fala sério, sinceridade aqui entre eu e você. O que nós propomos ao mundo é muito mais atraente, cara. Mesmo como um dinossauro você deve entender isso não entende?
- Mais ou menos. Por que é essa a opção? É irônico você estar me dizendo isso... Destruição, sabe?
- Sei muito bem. É preciso saber usar dinheiro, religião e política, meu caro dinossauro. É assim que a Terra funciona.
- "É assim que a Terra funciona..." - ele repete - Eu entendo o seu ponto... - dizia o dinossauro muito acima do Presidente - Mas também vejo outro ponto! Você não acha que... Mesmo diferentes... mesmo diferentes de você e seus costumes, não tem algo que todos vocês têm em comum? Não acha que vocês todos são afinal seres humanos iguais?
- Iguais? Noberto, por favor, aqueles caras idolatram vacas. Hehe, nós também idolatramos. Dentro de um pão de hambúrguer com fritas. Hehe. - Ele fala com um bom-humor, Noberto sente seu estômago vegano embrulhar.
- Eu... acho que sei como você se sente, Sr. Presidente.
- Veja só, meu amigo Noberto é um dinossauro sentimental. - Comentava o homem coçando o rosto.
- Digamos que eu propus... mudanças na minha época. E... as mudanças não foram bem vistas. Eu... É... Era o sonho da minha vida. Mas era diferente, então... Não foi muito bem visto. Sofri muito, mas... desde então... eu sou o último dinossauro.
- É verdade.
- E isso não é exatamente muito bom. Quero dizer... Não sei exatamente o que eu poderia ter feito pela minha espécie, se eu realmente poderia ter feito algo pela minha espécie ou tudo era inevitável. Mas penso nisso o tempo todo... Lembro deles todos os dias. Faço isso pois não posso vê-los, estão mortos. Não acha que seria melhor se... se se seguisse um outro caminho que... que não envolvesse a eliminação do outro quando trabalha com outra ideia? Se pudesse, não acha que seria mais útil?
- Mais ou menos, eu não sei. Na verdade, tenho a impressão que você não sabe exatamente do que está talking, Sr. Noberto Sauro.
Noberto presta atenção.
- Seja lá do que está talking, você não conhece. Algumas pessoas não são normais, Noberto. Gosto de trocar uma ideia com você, mas como eu disse, não sabe bem do que está talking. Seres humanos? Humanidade? Alguns povos são tão burros e desprezíveis que estou os utilizando agora mesmo contra si próprios, cara! Você não está entendendo.
- Mas digo que deve haver outro caminho!
- Que outro caminho? Não vamos nos arriscar com essa gente. Esses que eu te falei agora, pega de exemplo, vai se aniquilar e ninguém nem vai dar atenção. Me desculpe, entendi a sua história, mas é que você é um dinossauro.
- All right, all right.
- Você vai explodir uma nação inteira, mas nenhuma pessoa no mundo todo vai dar atenção por estar entretida demais no jogo de futebol?
- Você entendeu direitinho, Noberto. É um dinossauro smart, te digo isso.
- Isso é insano! Impossível todos estarem assistindo a TV ou o que seja, assistindo o jogo! Alguém não estará! Alguém perceberia armas, bombas passando pelo céu como pterodáctilos.
- Ora Noberto, eu também não sou donkey.
- Donkey???
- É. Não vou enviar bombs pelo ar porcaria nenhuma. Eles mesmos meio que vão se explodir.
- Como assim? Me explique logo direito.
- Tudo bem, ninguém vai saber e você nem existe oficialmente mesmo. Mas sabe, Norb? Eu gosto de você. Gosto quando a gente conversa, mesmo sendo pouco.
- Ok. Obrigado...
- Há pessoas lá, pessoas da confiança deles, que gostam muito de nós. Não são americanos infiltrados, não! São de lá mesmo, eles gostam tanto de nós que nos ajudam. Eles realmente acreditavam que as bombas que eles tinham eram uma ameaça pra gente. Isso é sério, nosso pessoal descobriu que eles pretendiam nos ameaçar com as bombas e tudo mais. Não somos maus, Noberto, não somos maus. Veja o que eles iam fazer! Mas eles são tão mal-estruturados, que nós nem precisaremos atacá-los, meu amigo. Antes do jogo acabar, sem que qualquer pessoa sequer note, as armas vão explodir sem sequer serem lançadas, morrerão todos eles, como se fosse um acidente. E mais, ninguém vai sentir falta. Os próprios resolveram se sacrificar por algo... maior. Você vê só?
- Eu entendo, mas... Como destruirão o próprio lugar?
- As bombas vão explodir por lá mesmo, não entendeu?
- Não isso. Quis dizer... como vão fazer isso? Não são de lá? Quero dizer, isso é extremamente comum, como vão matar uns aos outros?
- Ora Noberto, muito simples. Acho que eu e você faríamos a mesma coisa no lugar daqueles caras. Mesmo você sendo um dinossauro. Fala sério, sinceridade aqui entre eu e você. O que nós propomos ao mundo é muito mais atraente, cara. Mesmo como um dinossauro você deve entender isso não entende?
- Mais ou menos. Por que é essa a opção? É irônico você estar me dizendo isso... Destruição, sabe?
- Sei muito bem. É preciso saber usar dinheiro, religião e política, meu caro dinossauro. É assim que a Terra funciona.
- "É assim que a Terra funciona..." - ele repete - Eu entendo o seu ponto... - dizia o dinossauro muito acima do Presidente - Mas também vejo outro ponto! Você não acha que... Mesmo diferentes... mesmo diferentes de você e seus costumes, não tem algo que todos vocês têm em comum? Não acha que vocês todos são afinal seres humanos iguais?
- Iguais? Noberto, por favor, aqueles caras idolatram vacas. Hehe, nós também idolatramos. Dentro de um pão de hambúrguer com fritas. Hehe. - Ele fala com um bom-humor, Noberto sente seu estômago vegano embrulhar.
- Eu... acho que sei como você se sente, Sr. Presidente.
- Veja só, meu amigo Noberto é um dinossauro sentimental. - Comentava o homem coçando o rosto.
- Digamos que eu propus... mudanças na minha época. E... as mudanças não foram bem vistas. Eu... É... Era o sonho da minha vida. Mas era diferente, então... Não foi muito bem visto. Sofri muito, mas... desde então... eu sou o último dinossauro.
- É verdade.
- E isso não é exatamente muito bom. Quero dizer... Não sei exatamente o que eu poderia ter feito pela minha espécie, se eu realmente poderia ter feito algo pela minha espécie ou tudo era inevitável. Mas penso nisso o tempo todo... Lembro deles todos os dias. Faço isso pois não posso vê-los, estão mortos. Não acha que seria melhor se... se se seguisse um outro caminho que... que não envolvesse a eliminação do outro quando trabalha com outra ideia? Se pudesse, não acha que seria mais útil?
- Mais ou menos, eu não sei. Na verdade, tenho a impressão que você não sabe exatamente do que está talking, Sr. Noberto Sauro.
Noberto presta atenção.
- Seja lá do que está talking, você não conhece. Algumas pessoas não são normais, Noberto. Gosto de trocar uma ideia com você, mas como eu disse, não sabe bem do que está talking. Seres humanos? Humanidade? Alguns povos são tão burros e desprezíveis que estou os utilizando agora mesmo contra si próprios, cara! Você não está entendendo.
- Mas digo que deve haver outro caminho!
- Que outro caminho? Não vamos nos arriscar com essa gente. Esses que eu te falei agora, pega de exemplo, vai se aniquilar e ninguém nem vai dar atenção. Me desculpe, entendi a sua história, mas é que você é um dinossauro.
Enquanto isso, no laboratório que já havia pertencido a Genio Sin, agora com todos os seus arquivos mais perigosos já apagados, inclusive os referentes aos estudos da anatomia de Noberto, o homem anotando coisas no caderno e fungando o nariz afirma.
- Eu contarei a melhor história de todos os tempos. – Dizia tentando processar tudo aquilo na cabeça. - Ou tudo vai dar errado daqui a pouco.
- Tudo começa a dar errado depois que você nasce.
Parte X
Quem preda por último
Preda melhor
E quem preda melhor
Preda sozinho
Preda melhor
E quem preda melhor
Preda sozinho
É comum se pegar reprisando o passado da própria vida no tempo em que novos episódios vão sendo criados. Mas não temos controle sobre o tempo.
Noberto estava completamente fora do seu tempo, o contraste era incalculável. De acordo com relatos de sujetinhos sinistros e excêntricos, o presidente dos EUA também estava fora da sua época. De acordo com algumas das lendas mais populares das agências secretas, ele trocaria de identidade (trocando até o rosto) sendo reeleito em competições praticamente garantidas e mantendo o poder. Mas ele parecia de boa, do mesmo jeito. Os dois, de diferentes espécies e distanciados em milhões de anos em existência, se encontravam no jardim da Casa Branca, perante o vácuo presencial total causado com a cativação que trazia o jogo do Super Bowl.
Noberto estava completamente fora do seu tempo, o contraste era incalculável. De acordo com relatos de sujetinhos sinistros e excêntricos, o presidente dos EUA também estava fora da sua época. De acordo com algumas das lendas mais populares das agências secretas, ele trocaria de identidade (trocando até o rosto) sendo reeleito em competições praticamente garantidas e mantendo o poder. Mas ele parecia de boa, do mesmo jeito. Os dois, de diferentes espécies e distanciados em milhões de anos em existência, se encontravam no jardim da Casa Branca, perante o vácuo presencial total causado com a cativação que trazia o jogo do Super Bowl.
A caminho daquele lugar corriam dois homens que se encaixariam nada bem em um jogo de futebol americano. Cheio de modificações autoimplementadas no seu corpo, o velhinho, gordo e ruivo Genio Sin também viveria muito mais que humanos comuns graças aos resultados dos seus próprios trabalhos. Junto ao impopular cientista Genio Sin, seguia pelas vazias ruas de Washington D.C.,
Mesmo não sendo sempre que isso acontece.
- Genio Sin! - exclama o presidente ao ver o gordo esbaforido. - Quem diria. E um poor guy morrendo do lado. Vocês dois são os únicos no mundo que não gostam de futebol? Eu estou ouvindo pelo meu fone...
- Sr. Presidente... - disse Sin esbaforido, pois havia vindo correndo desde o laboratório até o encontro de Noberto. - Eu.... A... Ê... I... - ele tentava pensar no que falava enquanto tentava respirar. - ...Olá.
- Hello...
Alguns metros longe,nomeocultado se ajoelha e vomita na grama. O presidente observa com calma, ele estava de boa. Exausto e ainda desejando estar morto (ou em coma, pelo menos) o alto homem magro com a mochila se aproxima do cientista, do presidente e... do dinossauro.
- Você não vai acreditar - ele diz com os olhos semicerrados. - Mas esse cara tá parecendo com o presidente para mim.
- Eu também estou vendo o Presidente,nomeocultado. - Responde o cientista.
- É, mas eu não sou o presidente, eu sou só um pequeno ghost. Estou indo embora. Buuuuu.... - e com outro tom menos debochado diz. - Falou, Noberto. Quem sabe até uma outra vez, seria estranho, mas... enfim. - E dá dois tapinhas no dedo do pé do kaiju em despedida. A criatura nem sente, mas responde.
- Adeus.
- Sr. Presidente... - disse Sin esbaforido, pois havia vindo correndo desde o laboratório até o encontro de Noberto. - Eu.... A... Ê... I... - ele tentava pensar no que falava enquanto tentava respirar. - ...Olá.
- Hello...
Alguns metros longe,
- Você não vai acreditar - ele diz com os olhos semicerrados. - Mas esse cara tá parecendo com o presidente para mim.
- Eu também estou vendo o Presidente,
- É, mas eu não sou o presidente, eu sou só um pequeno ghost. Estou indo embora. Buuuuu.... - e com outro tom menos debochado diz. - Falou, Noberto. Quem sabe até uma outra vez, seria estranho, mas... enfim. - E dá dois tapinhas no dedo do pé do kaiju em despedida. A criatura nem sente, mas responde.
- Adeus.
- Noberto! Você conseguiu falar com o Presidente!? - Exclama Genio Sin do chão. - Nós descobrimos uma coisa. Temos que falar com você.
- Sim, sim, eu falei com ele - sua voz parecia levemente mais rápida. - Estava falando até agora. Era só... Hoje é o Super Bowl.
- Pois é - comentanomeocultado apertando as pálpebras tentando diminuir sua dor de cabeça. - Mas pelo visto eles resolveram aproveitar a empolgação para colocar em ação um plano de autodestruir a--
- Eu sei - interrompe Noberto. - Nós... estávamos falando sobre isso. Nós realmente estávamos conversando, foi ele que me contou.
- Estamos em guerra, mas isso é diferente de invasão - refletia o ex-jornalista.
- Sim, é uma sabotagem - diz o cientista continuando o raciocínio. - Minhas preocupações sobre isso não são do campo ético. Um ataque dessa escala.... De acordo com os processamentos do meu super-cérebro a taxa de risco é alta. Há chances perigosas de que eles queiram vingança diante da situação e a opinião pública. É muito arriscado! Mesmo com todo o desvio de atenção!
- Já conheci quem ache que a guerra nunca acaba totalmente.
- De qualquer forma, escutem, nós vamos ter que nos despedir.
- Mas, Noberto! - Sin exclamava novamente. - Nós conseguimos entrar. Tudo, qualquer informação que já havia sido arquivada sobre você foi apagada. Nós conseguimos, só o que resta é a sua verdadeira presença.
- Ótimo. Muito bom. Isso... Me deixa um pouco aliviado.
- A sua preocupação era que te clonassem para usar como arma, não era? Isso não aconteceu e nem vai acontecer, D-42.
- Sim, eu entendi... E vamos nos despedir. Eu estou partindo ao Oriente. Vou... parar aquelas bombas que vocês falaram.
- O quê? Noberto, como você vai fazer isso? Leve-me junto e vou ajudar.
- Não. Primeiro, poderia bater de frente com a sua ideologia. E vocês já estão nos Estados Unidos de novo. Você já deve ter material mais que suficiente para o texto que queria produzir. Eu estou partindo.
- Noberto! Ouça, seu monte de ignorância! Do que vai adiantar? Você simplesmente irá e você NÃO-VAI-CONSEGUIR! Não é uma questão de vontade ou opinião!!!
- Não, não há porque irem comigo, Sin. Me ouça! Não haverá opção ou saída. Vocês já me disseram a localização das bombas. Eu chegarei lá e simplesmente vou comer todas elas.
- Ai caramba...
- Mas como assim? Se já estiverem ativadas você vai MORRER!
- Eu já vivi tempo demais, vocês devem concordar. E enquanto houver quem nos ouça, acho que podemos realmente viver.
nomeocultado funga o nariz e se sente feliz. Tem a impressão que aquilo havia sido dito para ele.
- Sim, sim, eu falei com ele - sua voz parecia levemente mais rápida. - Estava falando até agora. Era só... Hoje é o Super Bowl.
- Pois é - comenta
- Eu sei - interrompe Noberto. - Nós... estávamos falando sobre isso. Nós realmente estávamos conversando, foi ele que me contou.
- Estamos em guerra, mas isso é diferente de invasão - refletia o ex-jornalista.
- Sim, é uma sabotagem - diz o cientista continuando o raciocínio. - Minhas preocupações sobre isso não são do campo ético. Um ataque dessa escala.... De acordo com os processamentos do meu super-cérebro a taxa de risco é alta. Há chances perigosas de que eles queiram vingança diante da situação e a opinião pública. É muito arriscado! Mesmo com todo o desvio de atenção!
- Já conheci quem ache que a guerra nunca acaba totalmente.
- De qualquer forma, escutem, nós vamos ter que nos despedir.
- Mas, Noberto! - Sin exclamava novamente. - Nós conseguimos entrar. Tudo, qualquer informação que já havia sido arquivada sobre você foi apagada. Nós conseguimos, só o que resta é a sua verdadeira presença.
- Ótimo. Muito bom. Isso... Me deixa um pouco aliviado.
- A sua preocupação era que te clonassem para usar como arma, não era? Isso não aconteceu e nem vai acontecer, D-42.
- Sim, eu entendi... E vamos nos despedir. Eu estou partindo ao Oriente. Vou... parar aquelas bombas que vocês falaram.
- O quê? Noberto, como você vai fazer isso? Leve-me junto e vou ajudar.
- Não. Primeiro, poderia bater de frente com a sua ideologia. E vocês já estão nos Estados Unidos de novo. Você já deve ter material mais que suficiente para o texto que queria produzir. Eu estou partindo.
- Noberto! Ouça, seu monte de ignorância! Do que vai adiantar? Você simplesmente irá e você NÃO-VAI-CONSEGUIR! Não é uma questão de vontade ou opinião!!!
- Não, não há porque irem comigo, Sin. Me ouça! Não haverá opção ou saída. Vocês já me disseram a localização das bombas. Eu chegarei lá e simplesmente vou comer todas elas.
- Ai caramba...
- Mas como assim? Se já estiverem ativadas você vai MORRER!
- Eu já vivi tempo demais, vocês devem concordar. E enquanto houver quem nos ouça, acho que podemos realmente viver.
- Eu já devo ir. Tenho a impressão que tudo certo dará. A radiação não pode sair com a minha pele grossa. Provavelmente conterei os danos.
- O único elemento que nos impedia de te clonar... - se lembra Sin.
- Sim - afirma o gigante. - Agora ouçam. Milhões e milhões de anos se passaram sem que nosso contato fosse sequer possível. Por alguma razão, ou sei lá, nós nos conhecemos em um mesmo dia e cá estamos. Acho que gostaria de agradecer e, bem... É isso.
- Adeus, Noberto, foi um prazer - diz
- Mas... e agora? - Pergunta Sin.
- Eu vou partir. Ouçam - disse o dinossauro pela última vez. - Pelo visto há algumas pessoas que não querem mudar de jeito nenhum. Impliquem, mas não desistam. Eu não posso fazer mais nada pelo meu povo, pois sou o último da minha espécie. Não esperem chegar a vez de vocês. Digam o que for necessário e rosnem se for necessário. Eu já não posso fazer mais nada. Bem, não posso fazer muita coisa.
O dinossauro se vira e parte para longe. Genio Sin e nomeocultado sabem que gostariam de dizer algo, compartilhar um comentário um com o outro, sendo os únicos na situação. Mas o que dizer para o dinossauro? Que palavras poderiam mudar alguma coisa? Tanto a dizer, mas ambos concordam silenciosamente que era melhor apenas observar aquele momento que jamais aconteceria novamente. Então eles esperam conforme o dinossauro desce na água como em um clássico filme japonês.
- Eu não tinha dito isso, mas... Seu nome é legal.
- Obrigado. - Agradecenomeocultado.
- Obrigado. - Agradece
Noberto realmente teve um passado complicado, o tipo de passado do qual poucos se orgulhariam. Mas quando aqueles tempos loucos e conturbados pertencem à sua memória, você tem que se acostumar com eles. É... Pode ficar tudo bem. Acredite! Aí vão os passos para a regeneração de um homem após tempos difíceis e conturbados. Tempos que às vezes você não consegue sequer explicar!
1.Acostume-se com o seu passado, aceite-o;
2.Não se envergonhe mais dele;
3.Comece a traçar planos para se tornar um novo homem;
4.Independente da velocidade, siga em frente com esses planos;
5.Não olhe para trás;
2.Não se envergonhe mais dele;
3.Comece a traçar planos para se tornar um novo homem;
4.Independente da velocidade, siga em frente com esses planos;
5.Não olhe para trás;
Ler isso enquanto lembra de indivíduos que seguiram essas instruções e conseguiram se tornar pessoas completamente novas chega a ser emocionante... Mas acontece que Noberto não era uma pessoa. Ele era um dinossauro.
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