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quinta-feira, 30 de maio de 2019

maio 30, 2019

Carta do Papa ao Lula (e como ambos os lados do debate político não sabem lidar com isso)


 Ontem, o ex-presidente Lula recebeu uma carta do líder da Santa Igreja católica, Papa Francisco. Obviamente, a carta deu o que falar e não necessariamente as discussões tomaram um bom caminho. Ambos os lados do debate político (direita e esquerda, que embora sejam termos dos quais eu não gosto ainda são utilizados) me parecem estar falando bastante besteira em relação ao assunto. Vou falar especificamente de dois casos, um de cada lado, que especificamente me atraíram a atenção.

Minha opinião


 Essa parte serve para que a minha opinião fique clara, evitando confusões. Para quem nunca leu nada que eu escrevi nesse blog a respeito de religião ou política, eu sou católico e conservador (no sentido moral, tendo mais para o liberalismo quando se trata de políticas públicas). Digo isso para deixar claro e não causar qualquer mal entendido.
 Antes de falar sobre a carta em si, vale lembrar que os pronunciamentos do Papa Francisco no âmbito privado (ou seja, que não são dados em nome da sua posição dentro da Igreja) não são pronunciamentos ex cathedra (a partir da cadeira). Além de que, mesmo que Francisco pretendesse fazer de um pronunciamento político um pronunciamento oficial, a doutrina da infalibilidade papal não se aplicaria pois só é aplicada em assuntos relativos a fé e moral.
 Dito isso, não creio que haja nada demais na carta do pontífice ao ex-presidente Lula. A carta lamenta os parentes mortos do ex-presidente, fala sobre algumas doutrinas cristãs e é basicamente isso. O único ponto "problemático" da carta é quando ele diz que a analise do Lula vai ser útil para entender a situação sócio-política do Brasil, lembrando que o Papa é teoricamente um chefe de Estado (mas o Vaticano é pequenininho então isso é o de menos) e o líder da maior religião do mundo.
 No entanto, não é de se surpreender que o Papa leve a sério a analise do Lula, porque acho que já está claro para quase todos que ele compartilha de muitos pensamentos do petista. Alguns católicos conservadores estão tentando negar, mas já está claro que o Papa é esquerdista. Não que isso devesse incomodar, afinal, seguir o Papa como líder religioso não nos obriga a o seguir politicamente, pois é o nosso líder religioso e não nosso líder político.
 Para finalizar, deixo claro que não compro a tese de que o Papa é comunista. Até porque, segundo o site acidigital, ele criticou a teologia da libertação justamente pelas posições marxistas (não da mesma forma que o Papa Santo João Paulo II mas mesmo assim criticou). Também não sei se compro a ideia apresentada pelo comentarista politico americano Matt Walsh, segundo a qual o pontífice atual possui certa raiva contra o católicos conservadores.



Ps: Só para clarificar, esse não é lá meu Papa favorito, na verdade acho ele bem problemático em algumas de suas declarações, mas não acho que seja também o pior Papa da história e vejo que as vezes ele diz coisas bonitas (em especial uma frase especifica sobre a Virgem Maria que eu vou tentar colocar no final do texto).

Morning show e a carta 


 Devo dizer que geralmente eu acho que as analises do Caio Coppolla bem razoáveis e acertadas, além de crer que ele é um bom homem. Qual não foi a minha surpresa em ver justo ele não só falando besteira como sendo insensível quando comentou sobre essa situação da carta.
 Primeiramente, Coppolla falha em demonstrar empatia para com Lula pela perda de seus parentes.  Não estou dizendo que deveria cair em lágrimas, ou sequer que deveria lamentar, uma vez que eu entendo a animosidade contra o presidiário. Mesmo assim, não custava nada ter ficado quieto quanto a esse trecho da carta no lugar de soltar um "Duras são as provas que o condenam" (novamente, eu entendo os motivos que o levaram a fazer isso, mas não vou fingir que foi algo moral). Se fosse um esquerdista falando algo semelhante sobre o Bolsonaro nós nos indignaríamos (e com razão) então acho bom não ignorarmos o que foi dito.
 O segundo ponto é mais grave, pois demonstra um erro teológico relativamente grave. Caio em determinado momento do vídeo diz que não tem obrigação nenhuma de perdoar um pecador (ou no caso especifico, um criminoso pecador). Para ser justo, é possível que eles estivesse se referindo a um pecador que não se arrependeu (minha interpretação foi de que ele estava se referindo a pecadores no geral, mas é possível que eu tenha entendido errado) mas mesmo assim acho bom ressaltar que um cristão tem sim a obrigação de perdoar os mais graves crimes. Nesse caso, cito o grande filósofo C.S.Lewis:
"Ser cristão significa perdoar o imperdoável (inexcusable) porque Deus perdoa o imperdoável em nós."



 Já em relação ao Edgar (que aliais, não vejo da mesma forma que muitos "direitistas") também se nota um erro grave. Ele diz que Lula pode estar arrependido (e que não tem como sabermos se está). Eu lhe afirmo com quase toda a certeza que o ex-presidente não está arrependido. Para não incorrer em uma discussão a parte, existem duas possibilidades. Na primeira, o ex-presidente é inocente e nesse caso não está arrependido porque não tem motivos para se arrepender. No segundo caso, ele é culpado e ainda assim clama inocência, ou seja, não se arrependeu (pois se estivesse arrependido admitiria a culpa e cumpriria a sentença).
Ps: Em relação ao senhor Fefito, foi o que já esperávamos, com direito a criação de um décimo primeiro mandamento.

Revista fórum e outros


 Obviamente que a mídia não poderia ficar e fora do hall de canalhices. Tome como exemplo essa notícia da "Revista Fórum" intitulada "Rede bolsonarista se revolta com carta do Papa a Lula".
 O primeiro e mais óbvio problema é que é difícil classificar os comentários de dois eleitores do Bolsonaro e uma deputada do PSL como "Rede bolsonarista". Mesmo que ignorássemos isso, dizer que quem negou que a carta tenha sido uma declaração de apoio político estava "minimizando" a correspondência é no minimo burrice e no máximo mal caratismo.
 Em relação ao Nando Moura, a única fala preocupante é a de que o Papa "para ele" ainda é Joseph Ratzinger (Papa emérito Bento XVI). Mas Nando não é católico e para os católicos é sempre bom lembrar que não existe essa de negar que um Papa é Papa porque discordamos dele politicamente. O cara é Papa e pronto, só não é Papa se por ventura for um herege (e se quiser argumentar nesse sentido então tudo bem).



 Em resumo é isso, não esperava que uma carta simples dessas suscitasse tanta movimentação por parte do povo brasileiro, muito menos que levasse tanta gente a falar besteiras sem nem pensar duas vezes. Vou deixar aqui a frase do Papa Francisco que eu gosto, alguns prints que o Ozymandias Realista me mandou sobre o ocorrido (e que eu espero que já estejam claros em relação aos seus erros), a carta em si e um dos melhores vídeos do youtube como recompensa para quem leu até aqui.








"O cristão que não sente que a Virgem Maria é sua mãe, é um órfão."
- Papa Francisco

segunda-feira, 27 de maio de 2019

maio 27, 2019

Killmonger é um dos piores vilões do MCU

Tá precisando ir no dermatologista 

 Eu sei, o título é exagerado (Clickbate se preferir). Dizer que o cara é um dos piores vilões de um série de filmes cuja maioria dos antagonistas possuem motivações tão complexas quanto o Cérebro do Pink e cérebro, não é de forma alguma ser completamente honesto se levarmos em conta o personagem em si. No entanto, minhas críticas ao vilão vão além dele.
 Mas qual a razão de fazer um post reclamando de um vilão que nem é tao ruim, em um filme do ano passado (foi ano passado? Nem sei mais)? Porque tem algo que vem me incomodando desde que eu vi o filme, e que me incomoda cada vez mais. Então vamos logo ao(s) ponto(s):
maio 27, 2019

Uma incrível história sobre Bobby Fischer



[Texto da tag “Escritor Convidado”, escrito pelo GM Rafael Leitão, o texto é um dos vários que chegam dele semanalmente no e-mail, que podem ser assinados gratuitamente em seu site: https://rafaelleitao.com/]

Uma das histórias mais incríveis da genialidade de Bobby Fischer eu ouvi do meu grande amigo HermanClaudius Van Riemsdijk. É tão incrível que você pode não acreditar.

Herman é um forte Mestre Internacional e um dos grandes jogadores da história do Brasil. Durante 20 anos ele escreveu uma coluna no Estadão e tem a maior biblioteca de xadrez do Brasil (talvez da América do Sul?). Conheço ele desde o meu primeiro torneio em São Paulo, que joguei em 1987.

domingo, 26 de maio de 2019

maio 26, 2019

GEEK'S EM AÇÃO PRA RECLAMAR DE TUDO



[Texto da tag “Escritor Convidado”, escrito por Saitama, publicado originalmente em: https://disqus.com/home/discussion/channel-familiamarvel/geeks_em_acao_pra_reclamar_de_tudo/]

Agora que todo mundo já sabe o que está acontecendo em Ultimato, resolvi que finalmente posso fazer essa crítica. Mas não é ao filme, ou aos Russo. Mas aos consumidores desses produtos. Faz um tempo que tenho percebido a inabilidade de parte da geração Geek em seguir em frente com certas coisas. Parece que nada está bom e que o pouco que é bacana se perde no meio de tanto "não gosto", "odeio", "tem que ser assim". Passam-se meses, anos continuamos a reclamar das mesmas coisas. E quanto mais o tempo passa, reclamam de coisas ainda.
Veja bem, acho muito comum e salutar que não se aceite qualquer coisa. Reclamar é válido quando bem embasado. Óbvio que todos temos nossos guilty pleasure em crítica, mas está nitidamente virando exagero.
Afinal, por que não viramos mais a página?
Dos exemplos que eu vou dar, é bom começarmos com o Coringa do Jared Leto. 
maio 26, 2019

Aladdin (2019) SEM SPOILERS



[Texto da tag “Escritor Convidado”, escrito por Marcílio, publicado originalmente em: https://disqus.com/home/discussion/channel-familiamarvel/critica_aladdin_2019/]

Nos últimos 3 anos , a disney vem dado grande destaque ao seus remakes live-actions de suas animações clássicas , como Mogli , Bela e a Fera e o Ursinho Pooh . Ate agora 90% deles deu um grande retorno financeiro e boa aceitação do publico ( com algumas ressaltas aqui e ali) , e quinta passada estreou possivelmente o remake mais controverso entre todos lançados , Aladdin.
maio 26, 2019

Revistas de Ontem: VINGADORES: A QUEDA (2005)


Independentemente da Editora a que o personagem pertença, há sempre aquela história que os fãs consideram 'divisora de águas', Daquelas a que se referem como 'antes' e 'depois'...

E para provar isto estamos trazendo uma destas histórias e que envolve um dos grupos ícones da Marvel: Os Vingadores. Estamos nos referindo a saga "A QUEDA", que marca a chegada de Brian Michael Bendis ao grupo. 


E Bendis já chega 'sacudindo as bases' do grupo. Embora Os Vingadores, sempre tenham sido personagens importantes na editora, eles vinham servindo apenas de 'escada' para reavivar aquele herói já meio esquecido, ou para promover algum herói, fazendo-o aparecer em outras revistas...

E mesmo, se não concordarmos com o fato de ser uma história tão marcante, temos de reconhecer que a partir de então o grupo dos Vingadores andaram sofrendo abalos em sua aceitação pelo publico americano (nos quadrinhos). 

A partir dai, suas ações passaram a ser questionadas por alguns. Os estragos causados as cidades durante os enfrentamentos começaram a ser mais notados e coisas do tipo...

Tudo acaba culminando em histórias como: 'Guerra Civil I e II'"Império Secreto", entre outras. O grupo enfrenta os asgardianos e outros deuses, sempre pagando um alto preço...

Em retrospectiva, tudo começa com "A Queda", que marca o fim (que não foi fim) dos Vingadores, pelo menos na forma como eram vistos antes. 

Some-se ao enredo bem feito, a arte que estava em sua melhor fase...

A coisa toda começa com o inesperado retorno do 'Valete de Copas', que simplesmente explode levando junto  a mansão dos Vingadores!! E no processo, mata o Homem Formiga!! 



Este foi apenas o primeiro evento de uma série que marcaria aquele dia como 'O Pior Dia das Vidas dos Vingadores'...

Mal sabiam eles que isto era apenas o começo...



E para aqueles que querem saber o resto estamos trazendo a saga completa! E em dois tipos de arquivos!! Um deles tem a saga como publicado originalmente em cinco partes, o outro traz a edição encadernada da Salvat! 

Os links estão abaixo e vocês poderão escolher qual desejam, basta clicar e será redirecionado:

Vingadores 500   Vingadores 501   Vingadores 502  Vingadores 503

Vingadores 504

Ou...

Encadernado: Vingadores: A Queda

Esta postagem esta sendo realizada em conjunto com o blog "Memória Magazine", cuja especialidade são quadrinhos, filmes e séries mais antigas...

Se você procura quadrinhos (scans), você pode visitar "Universo em Expansão", que tem nome de grupo exotérico, mas dedica-se a quadrinhos, séries e filmes....








maio 26, 2019

O post-thriller cinematográfico: ou a redenção do medo na sétima arte pós-moderna

Originalmente postado em: Pensando(a)dor
"The anguished man" (autor e data desconhecidos)
A expressão artística é composta por diversos elementos que são, em substância, de grande particularidade. O medo, assim como outros elementos, é um desses particulares discursivos que compõem a expressão artística. O gênero terror, dentro da sétima arte, arrogou-se durante boa parte da história como o responsável pela representação desse elemento discursivo, produzindo diversos clássicos durante a história, tais como "Nosferatu" (1922); "M: O Vampiro de Dusseldorf" (1931); "Na Solidão da Noite" (1945); "O Monstro da Lagoa Negra" (1954); "Psicose" (1960); "Incubus" (1965); "O Exorcista" (1973); "Sexta-Feira 13" (1980); "Hellraiser" (1987), entre outros. A maneira como esse discurso sobre o medo é produzido, contudo, que é interessante de se perceber.

Nos primórdios da história do cinema, nas décadas de 10 à 40 do século XX, o gênero terror focalizou sua produção na construção de fantasias ficcionais, em especial pela influência do romantismo alemão, que dava à estas obras um tom gótico ostensivamente obscuro. Trazia como enredo, principalmente, a construção do imaginário a partir de questões como a loucura, a histeria, entre outros elementos. Daí em diante, com ênfase abundante nas produções dos anos 70, 80 e meados dos 90, o gênero embrenhou-se em um estilo mais voltado para a formação de uma atmosfera de pavor, nos casos de filmes com temas místicos/religiosos, e de espanto, nos casos de filmes de serial killers. A forte marca produzida por este estilo de cinema massificou e popularizou o gênero, possibilitando o surgimento de diversas franquias que conquistaram o carinho de milhões de fãs durante os anos.

Mas como é de praxe, a fórmula foi usada à exaustão e as produções ligadas ao gênero passaram, com o tempo, a produzir os mesmos vícios narrativos e estilísticos que legaram ao gênero um papel de coadjuvante na sétima arte, tamanha a caricatura vexatória que este veio a se tornar. O esgotamento das técnicas usadas e a falta de inventividade para com o fazer cinematográfico imbuíram ao thriller um desprezo, inclusive por parte dos amantes do gênero, imenso. É com ternura, contudo, que um movimento de "resistência" surge aos poucos, primando por uma nova proposta de linguagem (alô, Godard!) e o abandono das velhas práticas.

O advento desse movimento, contudo, é de difícil averiguação. Filmes como "A Tale of Two Sisters", de 2003, podem muito bem se enquadrar dentro desse processo. É inegável, contudo, o impacto que a obra do Robert Eggers: "A Bruxa" (2015) têm dentro deste cenário. É a partir do lançamento do filme canadense que abrem-se as portas para que futuras produções inovassem suas narrativas e rompessem, de vez, os laços com os vícios narrativos das empulhações extenuantes que foram produzidas na última década. É graças à coragem de Eggers que filmes posteriores, como "Demon" (2015) "Polednice" (2016) e, mais recentemente, os ótimos "Hereditário" (2018) e "Um Lugar Silencioso" (2018) tornaram-se possíveis.

A opção por uma linguagem mais focada em uma atmosfera de asfixia psicológica, com trejeitos trágicos, marca um ar de suspiro para o gênero que, enfim, começa a respirar novamente. A redenção do medo, nesse cenário, passa, justamente, pela construção narrativa que prima o silêncio em detrimento do escândalo, o estranho em detrimento do assustador, a insegurança psicológica em detrimento da dor fisiológica, o mal-estar desencaixado em detrimento do perigo encarnado, o vazio existencial em detrimento do perigo identitário. 

Essas marcas discursivas, altamente influenciadas pela crise de sentido do mundo pós-moderno, elaboram um novo panorama do medo nessa "era" do gênero. Enquanto o thriller clássico se solidificou construindo uma identidade bem definida daquilo que produzia o medo, seja esboçada na figura de um "demônio" ou de um serial killer, o post-thriller tem como substância fundamental o esvaziamento de sentido da própria natureza daquilo que constitui o objeto de produção do medo, pois, para todos os fins, o diálogo importante, aqui, já não é mais o medo em si, mas a própria maneira, muitas vezes heterodoxa, que os indivíduos visualizam a sua posição frente à iminência do perigo. Perigo este que, por sinal, não se pode definir objetivamente qual é, pois somos, nós mesmos, partes circundantes dessa própria produção do medo.

sábado, 25 de maio de 2019

maio 25, 2019

5 PERSONAGENS DE HQS QUE VOCÊ PODE DAR UMA CHANCE! (SE QUISER, CLARO)



[Texto da tag “Escritor Convidado”, escrito por Saitama, publicado originalmente no em: https://disqus.com/home/discussion/channel-familiamarvel/5_personagens_de_hqs_que_voce_precisa_dar_uma_chance/]
Ontem Marcílio resolveu me questionar se eu não leria mais HQ's e fiquei pensativo sobre o assunto, mas não da maneira que alguns imaginam.
A verdade é que eu não leio mais HQ's ocidentais a pouco mais de um ano e meio. Isso é dito, notório e límpido como a água nas praias do Caribe e não sinto falta disso. Me dá preguiça, cansaço e muita falta de vontade. Também é sabido de todos que troquei 99% da minha coleção por livros ano passado, mantendo só umas cinco HQs, tirando meus mangás de DB e One Punch Man, que ainda sou leitor.
Mas não é de conhecimento público que ainda nutro carinho por personagens que são um pouco menos conhecido do nicho Vingadores/Liga da Justiça. São personagens extremamente interessantes e que ainda falam comigo até hoje.
E hoje resolvi falar um pouco deles aqui, afinal, tenho certeza que muitos você sequer ouviu falar.
Lembrando que a lista minha não é sobre personagens mainstream, mas sim personagens desconhecidos que eu gosto muito e que fazem uma história valer a pela. São personagens que vocês podem se interessar a ler em algum momento.
BORA PRA LISTA!
maio 25, 2019

A Argentina é a terra do cinema: filme El Ángel (comentário)





Aos que me conhecem, sabem que sou uma pessoa encantada com o cinema, escritores e música argentina. Com o povo de lá, também tenho maior apreço. Mas não é isso que venho dizer.
Não é de hoje que o cinema argentino tem mostrado ser um dos melhores produtores dessa arte. A capacidade e habilidade de fotografia, direção e roteiro, me impressionam e muito nas películas do país dos Darin's. Luis Ortega, por exemplo, é um baita de um diretor e articulador do cinema. É UM MAESTRO.
Assisti ontem a um filme chamado El Ángel, de 2018, dirigido pelo próprio Luis Ortega, com atores de excelente nível: Lorenzo Ferro, Chino Darín (filho do Ricardo Darín) e Daniel Fanego. Além de contar com a parceria de representantes da Espanha (desde o início da década essa parceria Argentina-Espanha no cinema tem sido espetacular).
Não vou descrever muito o filme. Basicamente, Carlitos (L. Ferro) é um jovem que encontra no roubo seu movimento de expressão; e não rouba pelo dinheiro, mas pelo prazer de não ver nas coisas o que chamamos de "posse". Em uma das frases do filme chega a dizer que para ele, não há diferença entre o que é dos outros e o que é dele, não via essa demarcação. O filme instiga pelo absurdo, faz pensar no habitual por meio de questionamentos simples, auxiliados pela filmagem (o diretor de fotografia é Julian Apezteguia) e movimentos sutis, deixando quem assiste atônito sem muitos artifícios (o contrário do cinema estadounidense).

No mais, assistam a película. O misto de assuntos sociais, tabus, metáforas e poesias vale mesmo o tempo disposto.

É fácil encontrar o link via torrent. A legenda em português (do filme) está no site do Insubs, então até quem não compreende espanhol, vai gostar.



Demais textos em: P-O-E-S-I-A
maio 25, 2019

Rascunho de um conto deixado de lado: o trivial








 
   Encarou o espelho. Uma. Duas. Três vezes. Nada sentiu. O vento que batia pela janela misturava odores: um toque de café amargo com o requinte do caminhão de lixo. Pareceu sentir também algum incenso de canela, mas desconsiderou tal aroma. Bateu de frente ao espelho pela quarta vez. Olhava seus poucos fios de cabelo, exigentes por um banho; somente sentia ali a calvície do amanhã. Olhava as unhas a serem cortadas, e não tinha o menor ânimo. A barba a ser feita, tampouco lhe incomodara. As remelas nos olhos, quase lhe encaravam de volta, tamanha a preguiça de limpar o rosto.

Ao ver seu reflexo pela quinta vez resolveu se dar ao luxo de uma bela ducha de poucos segundos. O suficiente para lavar o corpo e pelos com sabão em pedra comprado a R$ 0,99 no mercadinho abandonado, na rua seguinte a sua casa. A água era pouca, mas maior que a vontade de ali estar. No chuveiro, pensava com clareza, "essa vida anônima ainda vai me matar". Possivelmente, errado não estaria.

Eram 04h35 da madrugada. A escuridão ainda banhava os moradores de rua e os gatos selvagens do bairro. O sono, tardou outra vez a aparecer. Sabe-se lá se viria. Deixando o roupão no caminho até a cozinha, gratificou-se com um copo de uísque já pronto - depois resmungou a qualidade do mesmo - e permaneceu alguns minutos na janela pensando como a vida era mesmo trivial.

Tola e trivial. E não era isso que a deixava simples e bela? O trivial era revestido, como quase tudo no humano, de uma falsa complexidade e uma pretensiosa descrição de superioridade. Mas não, na janela e em seus pensamentos, o que se sabia, é que era trivial. O leitor sabe o ponto em que me detenho. Quando faz seu café da madrugada, pronto a arriscar os pés na rua para mais um dia de trabalho, em meio ao nascer do Sol que nem se deitou, sabe do que estamos conversando. Era trivial. E parece ser ainda mais quando a gente se dá conta. E não parece?


Do blog: P-O-E-S-I-A
(xingamentos e comentários odiosos pela perda de tempo devem ser feitos por lá; aqui, diga "gostei, belo texto"). 



maio 25, 2019

6 desenhos animados famosos que são muito melhores do que o seu "filme cabeça"


 Isso mesmo, pega seu Godard e enfia na bunda  Gostaria de começar dizendo que eu não tenho nada contra "filmes cabeça". Digo, alguns realmente acabam sendo excelentes obras. Mas eu também não sou o maior fã dessa categoria de filmes como um todo, e gosto menos ainda de um pessoal que se acha o auge da inteligência por ver esse tipo de filme, me mandar ver um filme não é um argumento válido em uma discussão política. Mas você sabe o que não é tão bem visto? Desenhos. Claro que tem muita crítica especializada falando que alguns filmes animados são geniais (com razão) mas eu nunca vejo ninguém citar Shrek em uma conversa sobre alta cultura e muito menos me falar sobre esse filme especifico com um ar pomposo de sabichão. Então aqui vão, seis filmes animados que são muito melhores do que o seu filme de duas horas sobre algum viadinho cara mandando cartas em um trem (ou sei lá o que).
Ps: Não são nenhuma animação obscura também não, é desenho famoso, da Disney e derivadas, desenho que seu amigo que só vê filme da Marvel deve conhecer.
Ps2: Os filmes não estão em nenhuma ordem particular de qualidade
Ps3: Spoilers, mas não acho que isso seja mais uma preocupação em relação a esses filmes

1- Rei Leão


"'Mas nós não comemos antílopes?'
'Sim, mas quando você morre seu corpo se torna grama e o antílope come ela.'"
 Vou começar com esse porque deve ser o mais famoso e admirado da lista .Eu admito que não sou o maior fã do mundo de Shakespeare (embora eu reconheça a genialidade literária do inglês) mas se tem alguma adaptação que me da vontade de o ler é Rei Leão. Essa adaptação de "Hamlet" com felinos perigosos é uma das mais geniais obras cinematográficas já feitas. Não só o humor é decente (eles fazem até boas piadas com peido, com peido) como a história é interessantíssima e as músicas são fenomenais. A morte do vilão é uma das mais satisfatórias que eu já vi além de ter gerado aquele rumor do "eu sou bixa" e a morte do Mufasa ainda é mais triste do que pelo menos 95% das mortes nos filmes da Marvel (e certamente 99% das mortes em filme cabeça).

2- Os incríveis 


"'Todo mundo é especial Flesha.'
'Isso é só outra forma de dizer que ninguém no mundo é'"

 Facilmente um dos melhores filmes conservadores já feitos. E sim, Incríveis é um filme conservador, coloca o governo como causa dos problemas (com algumas partes deste ajudando) por conta de regulações, se trata de uma família tradicional e fala de heroísmo e moralidade tradicional (ou seja, moralidade, só coloco o tradicional porque vivemos nessa era maluca do relativismo). Mas não é o tom político que faz de incríveis um dos filmes mais sensacionais já feitos. Esse filme de super-heróis, parcialmente inspirado em Watchmen do Alan Moore (aposto que dessa vocês não sabiam) consegue misturar cenas de ação fenomenais com diálogos memoráveis, fazendo com que seja um filme que não para de entreter. Porem, o destaque talvez sejam os personagens que são, bem, incríveis (e apresentam maior desenvolvimento do que 90% dos personagens de filmes da Marvel e Dc).
 A um ou dois anos saiu uma sequência que mantem a qualidade das cenas de ação e surpreendentemente mantem o tom político mas é no geral bem mais fraco (honestamente não sei como que teve tanta gente falando que era tão bom quanto o original).

3- Monstros S.A


 Se alguém me disser que eu estou julgando errado os filmes franceses que quase ninguém conhece porque eles são focados no investimento emocional e não em ação ou planos mirabolantes para surrupiar o trono eis a minha resposta. Monstros S.A é engraçado, o roteiro é original e os personagens são fantásticos mas nada consegue superar o seu lado emocional. A relação do Sully com a Boo é uma das coisas mais bonitas que eu já vi em um filme sendo que o final é capaz de levar muitos homens as lagrimas. Vamos ser honestos, pode parecer meio maricas mas esse filme é bonitinho. É bonitinho pra caralho.
Ps: A cena que eu coloquei é do finalzinho então tem spoilers pesados)

4- Shrek 2


 Shrek é o único que poderia entrar nessa lista só pelo humor. Não é que a trama não seja bom, ela é. Não é que a mensagem seja negativa, é uma boa mensagem. Não é que a ação seja entediante, ela é muito boa até. Mas é que esse filme é simplesmente hilário e consegue ser assim para crianças e adultos. Coloca uma criança de oito anos e um marmanjo de 45 para assistir esse filme e é quase garantido que ambos irão cair de rir, normalmente por conta de piadas diferentes. O humor de Shrek é algo grandioso de mais para falar sobre nessa postagem. Sei que o personagem hoje em dia é mais identificado com memes do que qualquer outra coisa, ma garanto que o material original é ainda melhor.
 Vale ainda dizer que os personagens são surpreendentemente bem desenvolvidos, tanto os antigos quanto os novos (em especial o famoso Gato de Botas). Ah, e não se deixe enganar pelos atores famosos que fazer a dublagem em inglês, eles realmente fazem um excelente trabalho mas comem poeira dos dubladores brasileiros.
Ps: Escolhi o segundo filme porque creio que seja o melhor, mas o primeiro é quase tão bom quanto e o terceiro é também excelente (o quarto é decente)
Ps2: Só coloquei a cena em inglês por causa da música que os pentelhos insistiram em traduzir (a tradução não ficou ruim mas preferi deixar o original) 

5- O príncipe do Egito 

"Você que eu chamei de irmão, como pôde vir a me odiar tanto? é isso que você queria?"

 Esse filme... esse filme. Até onde eu sei, não existe adaptação melhor do inicio do livro de Êxodo do que esse filme. É um filme bíblico mas está longe de ser um daqueles chatos que parecem ter sido feitos para crianças de quatro anos (e olha que teoricamente é um filme de criança). O filme faz um trabalho invejável em termos de adaptação, consegue colocar alguns elementos da Bíblia que ficam evidentes para quem leu, mas ainda assim adaptados perfeitamente ao novo formato (os magos do faraó são personagens legais. Os magos do faraó!).
 Uma das maiores invenções do filme é a relação de Moisés e Ramsés II (que é identificado como o faraó do Êxodo no filme) que é também um dos pontos mais fortes do longa. Existem muitas cenas fortes e memoráveis, o filme não alivia muito para as crianças que estão assistindo (mas elas assistem mesmo assim porque tem uns meteoros caindo do céu e meteoros são legais).
 Quanto a trilha sonora, têm duas músicas que são fantásticas, o resto é regular mas essas duas são fenomenais. Além de serem fenomenais, essas duas músicas acompanham alguns dos melhores momentos que eu já vi em um filme. Acho que eu poderia ficar aqui o dia inteiro falando sobre como esse filme é incrível (e pretendo fazer algo do tipo no futuro) mas acho que já deixei claro meu apreço por essa obra.
Ps: Para não deixar de fora, o meio do filme é meio chato, mas melhora bastante logo depois


6- O corcunda de Notre-Dame

A catedral pode ter queimado mas o filme continua tão bom quanto sempre foi
 "Não é minha culpa se no plano de Deus ele fez o demônio tão mais forte do que o homem."

 Já vi um pessoal na internet insistindo que esse filme é anti-católico. Nada poderia estar mais longe da verdade. Esse filme é provavelmente a obra mais católica que a Disney já produziu. O vilão é católico e cita a Bíblia, sim... mas a maior parte dos personagens também é religioso. Frollo vai contra os ideais da Igreja o tempo inteiro enquanto clama os defender (um dos melhores elementos do filme).
 Para que você tenha uma noção, essa animação infantil da Disney começa com alguns assassinatos, racismo, abuso de autoridade e tentativa de infanticídio tudo rodeado por um forte ambiente religioso e uma música linda. É difícil ver uma cena mais forte do que a "encarada" das estatuas em qualquer filme que tenta passar os valores da Igreja.
 Mas não é de catolicismo que vive o filme, a história é muito bem construída (cheia de cenas arrepiantes), a trilha sonora é maravilhosa e os personagens estão entre os melhores da Disney. O vilão Frollo consegue ser ao mesmo tempo um personagem profundo e um vilão exageradamente mau porque sim (ao estilo da maior parte dos vilões da Marvel). Se o filme tem um ponto fraco são as gárgulas, que embora tenham sido criadas com a boa intenção de fazer com que isso seja um filme de criança acabam quebrando o andar da narrativa. É bem parecido com o Príncipe do Egito no estilo e uma obra prima de igual valor. 

Por que falar sobre esse filmes agora?

 Apesar das minhas críticas aos "filmes cabeça" (e eu assino em baixo de tudo que disse) as verdadeiras razões que me levaram a escrever isso aqui foram duas. A primeira é que eu queria falar sobre esses filmes, pretendo inclusive escrever textos individuais analisando mais a fundo cada um deles. E a segunda é que eu estou vendo um declínio preocupante na qualidade das animações "mainstream".
 Não sei você, mas me parece que os filmes da Disney, Dreamworks, etc... estão ficando cada vez mais... bobos. Bobocas, sei lá, eles estão sendo idiotizados. Não é nem que eu pense que todo filme de criança precisa ser pesado que nem o Príncipe do Egito e o Corcunda de Notre-Dame mas qual foi, crianças não são tão burras assim. Elas podem muito bem gostar de um filme um pouco mais inteligente.
 Enquanto os filmes dessa lista (e muitos outros) se destacam como obras cinematográficas para todos, os desenhos atuais me parecem funcionar como filmes infantis... e só. São fracos, e embora sirvam para entreter uma criança por um tempo não servem mais para nada. São nulos. Você pode até me dizer que o objetivo primário desses filmes é entreter crianças por um tempo. Justo. Mas como uma criança vai se desenvolver se só consome esse tipo de conteúdo? Além de que é muito melhor, ao menos na minha opinião, dar para o garoto um filme que ele vai adorar na infância e conseguir continuar adorando quando crescer (ou até mesmo gostando mais).
 Acha que eu estou exagerando em relação aos novos filmes? Ok, então pegue eles para ver. Eu acabo vendo algumas dessas animações por razões variadas, Big Hero, Frozen, Detona Ralph e outros, acabei vendo (a maioria com a minha irmã mais nova) e não vi nada que pudesse os elevar a uma categoria acima de "filme bobo que entretêm uma criança por uma ou duas horas e vende um monte de produto". Até o tal do Zootopia que o pessoal fala bem pra cacete eu achei um filme bem comum.  
 Claro que existem exceções. Teve um que se não me engano se chamava "A origem dos Guardiões", era tipo um Vingadores com o Papai Noel, bem interessante. Outro tinha um nome tipo Vida ou sei lá o que (não lembro do nome porque tinha dois nomes ou algo assim, mas é um com umas caveiras mexicanas) que é bem divertido e tem um final muito bonito. "Divertidamente" foi um bom filme também, bem criativo (embora eu tenha gostado mais dos dois últimos que mencionei). Pode ser que tenham outros bons que me escapam a memória mas o que eu quero dizer é que eles não são mais a regra. Eles são a exceção.

 É isso, não sei se ninguém leu até aqui mas eu queria falar sobre essa história toda. Flw

sexta-feira, 24 de maio de 2019

maio 24, 2019

3 Filmes Para Assistir e Refletir



Eu havia estreado no blog fazendo uma postagem sobre 3 séries para refletir e hoje decidi trazer 3 filmes, que apesar de dividirem opiniões, ou mesmo possam ser desconhecidos do grande público, têm uma grande história e vale a pena assistir. Dito isso, vamos à lista:


Mary e Max – Uma Amizade Diferente



Essa animação definitivamente não é pra crianças, conta a história de uma pequena garota e de um homem com a Síndrome de Asperger, mas, além de contar a história deles, o filme conta também a forma com que eles se “conheceram” e principalmente, como manteriam a sua amizade.
Sendo baseado em fatos, a história se torna ainda melhor, a classificação é drama, porém, por ser uma animação, dá uma amenizada nesse lado.
Não darei mais detalhes sobre o filme, pois justamente é um filme que vale a pena assistir sem saber nada.



Watchmen – O Filme



Pra começar com chave de ouro, Zack Snyder como diretor, se você gosta de filmes da DC e ainda não assistiu esse, esta é a hora de amadurecer com pensamentos filosóficos, o filme é incrível, um pouco sombrio, porém, a vida também não é nenhum campo de flores...
Contando com heróis de forma que você nunca viu, se você admira o Batman ou o Coringa, com certeza vai adorar esse filme, Rorcharch vai te fazer pensar muito, além de outros como o Coruja, Ozymandias e o Dr. Manhattan.
Se ainda não assistiu, recomendo totalmente, além de recomendar também as HQs.



Sete Vidas (Will Smith) 



Bom, pra mim, Will Smith é um ator completo e o melhor. Já pensava isso antes mesmo de ver esse filme, mas, depois de assistir a esse filme, passei a ter certeza, o cara é foda. Muitas pessoas que começaram a assistir esse filme, pararam de assistir nos 10 minutos iniciais, pois simplesmente não aceitavam e não gostaram de ver o Will Smith, humilhando um cego logo no início do filme.


Sinceramente, para as pessoas que começaram e não terminaram, somente lamento, deixaram de ver uma atuação perfeita e um filme sem igual.
Assim como os outros, não vou dar mais detalhes, mas, esse, sem dúvidas é o meu filme favorito.

Logo trarei pra vocês mais alguns filmes, porém, que te fazem esquecer um pouco dos problemas, filmes engraçados e que marcam na memória...