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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

As disparidades salariais provam o machismo da sociedade... será tão simples assim?


 Primeiramente, gostaria de dizer que até onde me compete, este blog não tem posição política oficial. Dito isso, lembrarei de que eu tenho e para ser 100% honesto neste post deixo claro que meu candidato nestas eleições é Jair Bolsonaro. Outros que postam aqui podem apoiar diferentes candidatos e posições (inclusive, acho que deve ter de tudo aqui). Esclarecido isso, vamos ao post:

 Ultimamente um pequeno detalhe na campanha presidencial do candidato do PT Fernando Haddad vem me incomodando bastante. Não é a mudança nas cores da propaganda, não é o falso catolicismo e nem sequer as comparações entre Bolsonaro e Hitler. Não. O pequeno detalhe que me incomoda profundamente é a forma simplista com a qual a disparidade salarial entre homens e mulheres é tratada.
Mais de uma vez, Jair Bolsonaro disse que mulheres ganham menos porque engravidam (o que não é inteiramente mentira), sendo que esta posição serviu como uma luva para oposição. Sendo um assunto tratado de forma rasa dentre as discussões no Brasil e sendo o próprio Bolsonaro culpado de não entender muito do assunto (apenas o bem básico como demonstrado ao dizer que mulheres ganham menos porque engravidam). E se não fosse tão simples? E se a diferença salarial não fosse explicada nem por descriminação nem (somente) pela "cuestão" (como diria o candidato) da gravidez?

Ps: Os argumentos desse post foram principalmente baseados no livro "Fatos e falacias da economia" escrito pelo professor Thomas Sowell. Creio já ter recomendado este livro antes e o recomendarei novamente porque é uma leitura que realmente vale.

Se não é o preconceito, qual é a verdadeira causa da disparidade?


 Para responder a pergunta acima, dividirei em 3 razões sendo:
1- Escolhas menos ambiciosas de carreira
2- Menos propensão para trabalhar durante mais horas
3- Maior propensão para abandonar a carreira ou diminuir a carga laboral em prol da construção de família.

 Tendo em mente que todas as razões estão muitas vezes interligadas, que são apenas três exemplos de motivos para a disparidade salarial e que eu estou falando sobre aquilo que acontece e não aquilo que deve acontecer, comecemos:

1- Algo que muitas vezes é renegado nas pesquisas de disparidade salarial entre os gêneros é a escolha de carreira. Muitos estudos internacionais muito citados simplesmente comparam a média salarial de todos os homens com a de todas as mulheres. Foi desta forma que a famosa razão de "20 centavos por dólar nos Estados Unidos" foi obtida. Tal método de comparação induz a uma conclusão falaciosa por colocar "no mesmo barco" homens médicos e mulheres sociólogas.
 Sendo assim, devemos observar que a tendência geral entre as mulheres é a de buscar carreiras menos lucrativas e isso pode levar a erros de conclusão em analises estatísticas. Embora até onde eu saiba esta tendência tenha diminuído de uns tempos para cá não foi necessariamente eliminada e ainda exerce influência dentro do debate sobre o tema.

2- Outro fato que influência na disparidade social mostrada nas estatísticas é quantidade de horas trabalhadas e investidas no avanço profissional. Mulheres também tendem a trabalhar menos horas extras ou investir menos tempo na carreira profissional em geral, principalmente quando possuem filhos (como será desenvolvido no item 3). A própria Katia Garcia, gerente de relacionamento com cliente da Catho (que realizou a pesquisa cujo gráfico e coloquei acima) disse acreditar que um dos motivos da diferença advém de as mulheres trocarem de carreira com mais frequência do que os homens (ou seja, não só investirem menos na carreira como chegar a abandonar por completo a profissão). Tal diferença não somente refletirá uma diferença salarial no presente, como o fará no futuro por conta de menor investimento no desenvolvimento profissional (menos chances de promoção e menos tempo gasto em estudos para melhorar o desempenho).

3- Agora vamos ao tão comentado comentário da gravidez. A verdade é que  a gravidez é sim um dos fatores mais relevantes na explicação da diferença entre os ganhos de um homem e uma mulher, mas não (apenas) por causa da licença maternidade como Jair Bolsonaro (erroneamente) levou a entender. Na verdade, mulheres que tem filho não apenas tendem a se ausentar durante o período da licença mas muitas vezes acabam simplesmente largando o emprego de vez ou trabalhando menos (no sentido do trabalho remunerado com dinheiro) em prol de trabalhar em casa. Na divisão tradicional das famílias (que é a divisão mais comum em famílias que você goste ou não) as mulheres cuidam do lar e dos filhos enquanto os homens trabalham e investem na carreira profissional. Dessa forma, mulheres são responsáveis pelos gerenciamento da renda (ganha pelos maridos), organiza e realiza as tarefas domésticas. É a mulher que vai ao mercado comprar a comida, prepara o almoço e leva os filhos até a escola. Enquanto todas essas responsabilidades caem sobre as mulheres, os homens acabam tendo mais tempo para investir em suas carreiras e portanto ganhar mais. Enquanto em uma divisão familiar tradicional, a mulher acaba trabalhando em casa (um trabalho tão digno e honrável quanto qualquer outro) e portanto perde "capacidade profissional" (não investe tempo estudando ou ganhando experiência para o trabalho profissional) a medida em que os homens ganham mais tempo para investir na carreira e aumentar seus salários. É por isso que homens casados tendem a ganhar mais do que homens solteiros a medida em que o tempo passa enquanto que mulheres casadas e com filhos tendem a ganhar menos do que as mulheres que nunca se casaram.

 Além disso tudo, se considerássemos como verdadeira a hipótese de que os empresários podem pagar menos para uma mulher fazer o mesmo trabalho que um homem, por que razão eles não contratariam apenas mulheres? Seria uma grande vantagem dentro do mercado e qualquer empregador que se recusasse a utilizar tal vantagem tenderia a ser prejudicado dentro do mercado competitivo. 

O que podemos concluir?

É sério, leia a porcaria do livro do Sowell. As vezes eu acho que não recomendo esse livro o bastante...

 O debate sobre as disparidades salariais entre homens e mulheres envolve muito mais do que aquilo que é mostrado na mídia e propagandas políticas. O objetivo desse post não é te convencer a respeito do meu ponto de vista (vide a falta de fontes) mas simplesmente tentar te fazer pensar mais sobre o assunto. Pesquise, observe os dados e escute os argumentos dos dois lados. Se eu consegui te convencer de que esse assunto é mais complexo do que você pensava antes, meu trabalho está feito.
Não podia deixar de colocar isso

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