terça-feira, 31 de janeiro de 2017

MELHORES E PIORES DE 2016, parte 02 de 02

Esse post é um oferecimento do Blog Memes Históricos.


Estamos em janeiro? Não sei, só sei de duas coisas, andei saindo de uma tensa dor de cabeça, e percebi que eu não cumpri o calendário do começo de 2015. Eu sei que ninguém se importa, mas no fundo, eu me importo, é falta de disciplina. É a sensação de algo mais que seria feito, e não foi. Antes eu postava para responder comentários, achava isso bem interessante, hoje em dia eu escrevo já comemorando se alguém leu um parágrafo. Os blogs ficaram “para atrás”, o lance dos caras hoje é gravar vídeos de Minecraft no You Tube ou ser pop no Facebook, montando comunidades “pops” de quadrinhos e vivendo 24 horas daquela aparência, mostrando o que comprou, o que tá assistindo, e por ai vai... Mas não vamos deixar a peteca cair.




MELHOR DOCUMENTÁRIO



A VERDADE SOBRE MARLON BRANDO


Nunca gostei do Marlon Brando... Antes desse documentário. Conhecia, claro, o trabalho dele mais famoso, que é o Don Corleone em “O Poderoso Chefão”, assim como o grande público conhece “Another Brink on the Wall part 2” e não vai adiante. Sempre achava no mínimo um exagero, quando em revistas como a SET se referiam a ele como “o deus dos atores”. Mas esse documentário...






MELHOR DIRETOR: ...



MELHOR LIVRO

Engraçado. Na última Tertúlia (29/01/17), quando me perguntaram sobre minhas referências literárias, eu respondi “Deixa eu pensar numa forma de responder que não deixe todo mundo frustrado...” E logo depois confessei – o que não é bem segredo – minha leitura incompleta de livros, tendo lido até o final, em minha vida, menos que 30, valor que pessoas bem suplementadas intelectualmente, lêem em coisa de 3 ou 4 meses. Portanto, a lista abaixo, é totalmente anticlimática:

XEQUE-MATE: A VIDA É UM JOGO DE XADREZ


Li duas vezes ano passado, e não satisfeito, tenho o projeto de digitá-lo inteiro, para que até o final desse ano, possa ser um PDF gratuito para a comunidade enxadrística, bem como pessoas aficionadas por administração e desenvolvimento pessoal. Essa transcrição está sendo feita em forma de posts, chamado ProjetoXeque-Mate”. Apesar de ser escrito por um enxadrista, esse não é um trabalho que visa ensinar xadrez, no máximo usá-lo no campo autobiográfico e metafórico. Garry Kasparov narra alguns de seus principais confrontos, dentro e fora do tabuleiro, ao tempo que analisa diversas figuras históricas, e seus ensinamentos para nosso cotidiano. Foi um livro difícil de achar, que geralmente é vendido há um valor exorbitante de 77 R$, e ao que me consta, publicado uma única vez aqui no Brasil, nos idos 2005. Preciso dizer como foi uma odisseia virtual de 6 meses de vigilância pra encontrar uma única pessoa vendendo ele?

2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO


Falando em odisseia... Essa é uma incompleta. Não li o livro até a metade e explico. Eu havia assisto ao filme brilhante de Kubrick (em co-autoria com o autor do livro, vale frisar) e precisa de mais. Comprei em um sebo o livro, ainda da publicação aqui no Brasil dos anos 60 / 70, e fiquei profundamente instigado, quando notei uma qualidade de narrativa da “origem do macaco sapiente” sobre o filme. A qualidade do texto era tão excelente, que chegava a reler em voz alta, como se fosse um poema... Porém, passado esse capítulo, quando temos o “salto cronológico”, o livro se tornou bem inferior ao filme, dada as imagens milimétricas daqueles efeitos especiais somado aquela trilha clássica que assombra e intriga até hoje. Ainda assim, é um livro que vale revisitar em um dia chuvoso, onde tudo dá errado...


MEQUINHO – O XADREZ DE UM GRANDE MESTRE


E aqui um livro de xadrez, onde sua leitura consiste em reproduzir conceitos em um tabuleiro, tentar entendê-los e questioná-los. Eu tinha esse livro desde 2012, tinha tentado estudá-lo várias vezes antes, mas sempre travava. Isso porque eu tinha “empolgação” ridícula em querer já ir pulando para jogos específicos dele contra grandes figuras como Karpov e Fischer. Resolvi pegar tudo calmamente desde primeira partida, ir fazendo boa parte das variantes, tudo com bastante calma. Não o reproduzi inteiro ainda, mas consegui fechar todas as 40 partidas comentadas por ele, e o co-autor Adriano Caldeira. Algumas coisas merecem ser mencionadas. Primeiro, que já tinha visto algumas das partidas do livro em computador, mas só as vim enxergar em uma parte considerável de suas minúcias, ao fazê-las no tabuleiro de xadrez. Outro ponto, foi que a minha memória com coordenadas e variantes melhorou consideravelmente, ao ponto de em alguns casos eu conseguir ler a anotação do jogo e o formá-lo na minha mente, claro que por enquanto,não mais que 10 lances. E por último, me fez entender princípios da abertura / meio jogo / finais que me passavam batidos todos esses anos. Me transformou em um mestre? Me fez chegar a 2000 de rating? Não, entretanto me indicou o começo de um longo caminho sobre perseverança e inteligência.


MARLON BRANDO...



Tem um trecho dessa obra que transcrevi aqui. Dela, restou algo como 30 páginas para terminar, mas acabei percebendo que já tinha “o suficiente”. O que dizer de Marlon com pessoa? Bem, o cara “fazia e acontecia”, em qualquer campo que entrava, tinha a “aura magnética” que fazia quase todos os amarem, o chamado “carisma natural”, não qualquer carisma, mas a forma mais pura, que a lógica não consegue explicar. Além de seu enorme talento para a atuação, que ele usava apenas quando queria, e se seu preço fosse pago. Viver como um semi-deus, como ele vivia, causa inveja naturalmente de quase todos, porém nada é perfeito, ter tudo o que queria tem seu preço, e a história dele é a prova de que há vazios impreenchíveis... Dizer mais, só estragaria.

MELHOR ENCADERNADO


JUSTICEIRO MAX – FRANK


Compro seu titubear esses encadernados dessa fase do Jason Aaron / Steve Dillon (que aliás, morreu ano passado, e eu ainda devo-lhe uma homenagem). É o tipo de leitura que consegue prender tanto um leitor veterano, quanto alguém que achou o Justiceiro “fodão” na segunda temporada do Demolidor, e quer conhecer mais. E esse arco, o “Frank” é sem dúvida o melhor de todas as 22 edições. A “origem” do mal que habita em Frank Castle já havia sido contada por Garth Ennis em “Born”, mostrando que o Justiceiro tinha nascido no próprio Vietnam, sendo o assassinato de sua família apenas um adendo a isso. Aaron foi mais fundo ainda. Essa história, lida com a devida atenção, chega a ser traumática, foi sem dúvida uma das mais pesadas que já em um quadrinho, não devendo nada uma obra prima como Apocalipse Now.


MELHOR HQ MENSAL?!


Eu estava colecionando ainda “Batman”, “Super-Homem” e “Arqueiro-Verde”, mas agora, mais nada. Parece que a magia se foi. Se vale dizer algo, nas últimas semanas até me arrisquei a ir na banca, á procura do Monstro do Pântano #04 da fase do Moore, pra completar minha coleção e prosseguir minha leitura, assim como apanhei “Hellblazer Infernal” #03 e #04... Será uma volta? “Mas, Ozy, Hellblazer e Monstro do Pântano não são mensais...”












MELHOR HQ

Vou tentar não me estender, já que são quadrinhos que pretendo um dia falar mais, ah ta, to sabendo... no geral, são as três melhores coisas que li ano passado e os vós justifico.

SUPER-HOMEM: ENTRE A FOICE E O MARTELO


A única coisa que venho a reclamar, é sobre o final. Tal qual “Homem-Aranha: Caído Entre os Mortos”, Mark Millar meio que se desliga nessa parte. Aliás, preciso mencionar o Mega Post sobre o Mark Millar? O trabalho, tinha tudo para ser uma subversão doutrinária, e cair na caricatura, mas Millar conseguiu mais, de uma forma que vi poucos conseguirem. Se em “Grandes Astros” Grant Morrison conseguiu comprimir décadas de mitologia do homem de aço, fazendo a “ultima história dele”, aqui temos isso, em menos páginas, e ouso dizer que deixando a imaginação fluir ainda mais. Vale dizer também que o quadrinho é todo ilustrado pelo Johnson. Eu só o conhecia por sempre fazer apenas capas, embora seja comum a arte de um capista cair bastante quando ele se arrisca a desenhar um quadrinho (certo, Glen Fabry?), aqui ele não decepciona.



LANTERNA VERDE N52 – 01 - 20


Nunca havia lido nenhum quadrinho solo do Lanterna, de fato, nunca tinha visto nenhuma graça nele, nem mesmo em nada escrito pelo Geoff Johns, ou mesmo, visto “algo além” na arte de Doug M. Todas essas três coisas foram remediadas com essa leitura. Eu, sempre fã confesso de histórias mais reais, e urbanas, me peguei em uma aventura espacial multidimensional, que por mais fantasiosa que fosse, estava calcada nos sentimentos mais básicos dos seres humanos (que eram minoria na revista, enfim). Nem mesmo ousei ler a edição #21, já que a #20, dita um fim mais que satisfatório para o destino de Hal Jordan e seu antagonista Sinestro. 







SECRET WARS MARVEL


O Roger, postou agora pouco sobre, podeler aqui.
E eu havia escrito só sobre o começo,aqui.


















PIOR HQ?


BATMAN REBITH


Isso aqui não é o Bruce Wayne. Isso aqui é o Tom Cruise, disfarçado de Batman, é a única explicação que eu encontro. Vejo sempre reclamações das pessoas em dizer que a DC “só tem o Batman” ou “só sabe fodonizar o Batman em níveis absurdos”. Isso não era uma total verdade ainda na fase de Snyder / Capullo, cujo mote principal – se existisse um – era mostrar que o Batman não era o real dono de Gotham, que toda a cidade era maior do que ele. Não li trabalhos anteriores desse escritor, inclusive o vejo sempre ser elogiado pelas coisas que escreveu antes. Pretendo escrever um Mega Post sobre essa fase, mas até o presente momento, até a conclusão do arco “Eu Sou Suicida” (que colaborou para a BOMBA que foi “Liga da Justiça VS Esquadrão Suicida”) eu não achei interessante. Ou então, temos aqui um nível de sofisticação intelectual tão alto quanto “Birdman”, o qual minha mente limitada não consegue acompanhar.


MELHOR DESENHISTA: Greg Capullo



O nível de detalhes que esse cara desenha em quadros, mensalmente, é coisa insana, que até antes “não tava no gibi”. Não digo que Capullo é o mais detalhista e dinâmico de todos que pisaram na terra (ou na DC...), porém desenhar assim todo mês? O cara só vai encontrar páreo pra isso no Darick Robertson desenhando “Transmetropolitian”...









E EXISTE UMA CONCLUSÃO PARA TUDO ISSO?





Existe. As pessoas não falam muito mais sobre gibis ou filmes. As pessoas não falam na verdade sobre nada. Mal lêem algo, e não se permitem usar a massa encefálica para produzir uma interpretação. Por isso o número de “You Tubers” cresce de maneira absurda. Não me leve a mal, eu assisto vários deles. Mas me permita contar uma historinha. Um dia, o Ozymandias aqui, teve que ser uma criança, uma bem chatinha, com a imaginação + de 9000. Com 10 / 11 anos, eu era tão pretensioso, que resolvi criar cerca de 60 personagens no mesmo universo, escrevia história garranchadas sobre eles, sendo cada conto, uma página de um caderno de desenho. Desenhava eles, coloria, recortava, colava numa cartolina.. Recortava outra vez e pronto, essas eram minhas “actions figures”. Via meu tio, que colecionava gibis, apenas da Marvel, e toda vez que ele ia lá em casa, ficava importunando ele perguntando 200 coisas sobre a Marvel. Um dia, saturado, ele disse “Vou trazer a enciclopédia” pra você e pronto!”. E a trouxe, ela era em formatinho, quem é das antigas lembra que a Abril publicava páginas dela em diversos formatinhos, e quem comprava toda a linha, como ele, tinha tudo. Após ler toda ela, economizei a grana, e fui comprando meus gibis. Por quê? Porque eu só queria ler. Não queria saber de cronologia, de ***** nenhuma, só queria ler. Agora não precisava de nenhum adulto mais me “ensinando mega sagas”. Já fazem 11 anos, e nem mesmo acho que li metade do que deveria ler. A diferença do xadrez para os gibis, é que num debate, vence realmente quem tem mais argumentos e os prova concretamente, isso ai, xeque-mate. Ao contrário dos gibis, onde os caras passam todas as semanas discutindo horas sobre como o Goku pode ganhar do Super-Homem ou o Homem de Ferro do Batman.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

QUEBRA-CABEÇA #10 (chess puzzle)


Brancas dão uma sequencia de três lances matadora, que quebram a defesa adversária, e as deixam inquestionavelmente superiores. Consegue ver ? Link do puzzle: https://pt.lichess.org/training/73311



Review: Guerras Secretas - A Saga Principal (Editora Panini)


Leia o review completo sobre a saga Guerras Secretas, escrito por Jonathan Hickman e desenhos de Esad Ribic, lançado pela Editora Panini entre julho a novembro de 2016.

Guerras Secretas 1:

Free Comic Book Day 1: Faltam quatro dias para o fim do mundo. No Edifício Baxter, Valéria Richards comanda o projeto do bote que poderá salvar algumas vidas, junto com seus colegas da Fundação Futuro. Edição especial relembrando os eventos que levaram à saga, desde a descoberta dos universos colidindo pelos Illuminati até o momento em que a Terra 616 é invadida pelos heróis da Terra 1610 (universo Ultimate).

Secret Wars 1: É a hora da última incursão entre as Terras 616 (tradicional) e 1610 (Ultimate). Em um último esforço, os que restaram dos Illuminati tentam salvar algumas pessoas escolhidas enquanto que heróis das duas Terras se digladiam até a morte. Quando o bote salva-vidas criada pela Fundação Futuro fica pronto e decola, é atingido, causando uma separação traumatizante para seus passageiros.

Após 55 anos do universo tradicional e 16 anos do universo Ultimate, tudo chega ao fim. Uma história eletrizante e de tirar o fôlego, uma luta pela sobrevivência a todo custo. Além disso, é interessante observar o paralelo que o escritor Jonathan Hickman traçou entre os dois Reed Richards, cada um agindo de acordo com suas próprias convicções. Leitura altamente recomendada.

Guerras Secretas 2:

Secret Wars 2: Com o fim de tudo, surge o Mundo Bélico, uma colcha de retalhos, formada por vários domínios que lembram diversos eventos da Marvel ao longo dos anos, e é governado por Deus Destino. O Barão Sinistro é convocado ao Castelo de Destino para responder à acusação de fazer uma aliança com Hipérion, de Utópolis contra o reino de Excelsa Avalon da Dinastia Braddock.

Na edição #2, o escritor Jonathan Hickman apresenta o Mundo Bélico sob a perspectiva da Tropa Thor, a guarda oficial de Destino. Alguns domínios como Utópolis, Excelsa Avalon e as Terras Mortas, bem como personagens relevantes para o desenrolar da trama. E o final, com a descoberta da Balsa contendo os integrantes da Cabala e Reed Richards do ex-universo Ultimate deixa no ar muito mais do que simples questões. Leitura altamente recomendada.

Guerras Secretas 3:

Secret Wars 3: Coordenando o trabalho de investigação dos Thors para descobrir quem estava no bote encontrado e assassinou um dos mais poderosos da Tropa Thor, o Xerife Strange encontra Miles Morales. Destino se questiona sobre sua autoridade e seu papel no Mundo Bélico, embora Susan o tenha na mais auto-estima pelo que ele fez. Finalmente a arca contendo os heróis sobreviventes da Terra 616 é aberta e Stephen lhes conta sobre a criação do Mundo Bélico por Destino.

Jonathan Hickman começa a revelar detalhes sobre o que se trata as Guerras Secretas e responder algumas das questões plantadas no começo da saga. Com uma narrativa bem fluída e os desenhos sensacionais de Esad Ribic, essa história também mostra um lado de Destino até então pouco explorado. E para completar, uma história retirada de Secret Wars: Journal 1, que mostra um grupo de X-Men dos domínios de Egípcia, tentando lutar por sua liberdade, longe da escravidão da deusa Konshu. Leitura altamente recomendada.

Guerras Secretas 4:

Secret Wars 4: O Xerife Strange leva os sobreviventes da arca até seu Santuário onde os coloca a par de toda a história, desde o conhecimento de que os Beyonders estavam por trás da destruição do Multiverso, até a criação do Mundo Bélico por seu atual deus Destino. A batalha entre a Tropa Thor e a Cabala dos vilões em Utópolis, chega até Destino que decide intervir, ao notar a primeira versão de Reed Richards (na verdade o 616) que ele descobriu desde a criação desse novo mundo. Ciclope confronta Destino e é assassinado. Stephen, em um último gesto heróico, envia todos para bem longe, provocando a ira de seu deus.

Mais detalhes sobre a criação do Mundo Bélico com todos os seus domínios fragmentados e inconstantes. E um detalhe interessante que chama a atenção em Destino acontece quando ele descobre que Reed Richards está vivo. Quando Stephen diz à Destino: “Mesmo com todo esse poder, você ainda tem medo dele”, revela uma das primeiras grandes rivalidades surgidas no Universo Marvel. A história complementar de Secret Wars: Journal 2, mostra o cozinheiro do Barão Sinistro, Matt Murdock em sua tentativa de salvar sua amada Colektra, a caçadora do domínio. Uma história até revelante apesar de possuir apenas dez páginas. Leitura altamente recomendada.

Guerras Secretas 5:

Secret Wars 5: Após o funeral de Strange, Destino visita Owen Recce, o Homem-Molecular, a terceira parte da trindade que fundamentou as bases do Mundo Bélico e destruiu os Beyonders. Ele vive escondido de todos e é praticamente a fonte de energia que mantém este novo planeta em funcionamento. Com os “sobreviventes” espalhados graças à intervenção do xerife de Agamotto, Destino ordena que sua filha reúna sua equipe, a Fundação Futuro para rastrear e descobrir o paradeiro desses estranhos visitantes.

Mais uma edição que acrescenta uma peça importante no quebra-cabeça que deu origem à Guerras Secretas. Nesse ponto, pode parecer que a história se torna arrastada e longa em excesso, mas é dessa forma que Jonathan Hickman costuma desenvolver suas tramas, oferecendo apenas pequenos pedaços suculentos para que o leitor possa saborear e aproveitar bem os detalhes. A completa ausência de cenas de ação fica evidente, mas é compreensível pela proposta dessa edição em particular. A história complementar foi publicada em Secret Wars: Journal 3 II, e mostra o trabalho do Dr. Samson, terapeuta vivendo no Gamamundo, onde as pessoas, a qualquer momento e por qualquer motivo podem perder a cabeça e se transformar em um Hulk! Leitura recomendada.

Guerras Secretas 6:

Secret Wars #6: As investigações de Valéria a cerca do assassinato do Xerife Strange a fazem indagar sobre a verdade por trás do Mundo Bélico. Os Homens-Aranhas (Peter Parker e Miles Morales) são enviados por Reed Richards (da Terra 616) para descobrir a origem da fonte de poder de Destino, e isso os leva até Owen Ricce, o Homem-Molecular. Além disso, rápidas cenas que terão impacto futuro, como oPantera Negra e Namor em posse da Manopla do Infinito e Thanos despertando a fúira de Ben Grimm.

Uma excelente edição. Enquanto o maligno Reed (Terra 1610) estuda maneiras de exterminar o Deus Destino, Reed (Terra 616) está mais preocupado em descobrir a fonte dos poderes de Destino que lhe permitiram criar o Mundo Bélico, além de indagar se o extermínio de Doom também significaria o fim deste mundo. Mas o ponto alto dessa edição é o momento em que Sue conta a história do Quarteto Fantástico para seu filho Franklin. A maneira como os acontecimentos levaram até o presente em questão, ilustra toda a aversão, rancor e ódio acumulados no coração de Von Doom no decorrer das décadas de humilhação e derrotas frente à Reed Richards. Um quadro muito bem retratado por Hickman. A história complementar foi publicada em Secret Wars: Journal 4 I, mostra o Justiceiro e o Punho de Ferro atuando como dois protetores do Escudo que descobrem um exército de Ultrons modificados e perigosos. Leitura altamente recomendada.

Guerras Secretas 7:

Secret Wars #7: O Profeta, cuja identidade é revelada incita à rebelião. Até mesmo a Tropa Thor se volta contra a vontade de Deus Destino, e a traição se infiltra entre seus Barões leais. Por toda Latverion vemos focos de rebelião. Além disso, Reed Richards, T’Challa e Namor colocam em prática um plano surpreendente ao destruir parte do Escudo e dominar os Mortos-Vivos para se unirem em seu ataque final ao castelo de Destino.

Uma edição que se diferencia dos demais por estar recheada de ação. Podemos ver também o início da queda de Destino após uma série de eventos que, de certa forma, começaram quando ele assassinou Stephen Strange. A história complementar foi publicada em Secret Wars: Journal 1 I e traz uma aventura de Lady Kate de Bishop no domínio da Inglaterra do Rei James Braddock, tentando roubar um artefato da Catedral do Deus Destino. Leitura altamente recomendada.

Guerras Secretas 8:

Secret Wars #8: A batalha pela queda do Castelo de Destino continua. Reed Richrads envia Peter Quill para acionar uma arma secreta. Galactus versus Ben Grimm, que se libertou do Escudo. Em meio ao caos, Valeria pede à sua mãe Susan que confie nela, pois é chegado o momento de revelar o que Destino vem escondendo de todos. Toda a ação contida nas edições anteriores explode em cenas incríveis e brutais, sob o comando do desenhista Esad Ribic, e Destino mostrando que tem toda a situação sob controle, apesar do caos à sua volta.

A história complementar foi publicada em Secret Wars: Journal 5 I. Nos Desertos, Linda Carter, a Enfermeira Noturna está além de curar pessoas, será preciso atacar a fonte da doença. No geral, mais uma leitura recomendada.

Guerras Secretas 9:

Secret Wars #9: Reed Richards e o Criador adentram a câmara do Homem-Molecular. Destino está prestes a acabar com o Pantera Negra em posse da Manopla do Infinito, quando se dá conta do que realmente está acontecendo e também se dirige à câmara de Owen Reece. E lá, se dá o confronto final entre dois dos adversários mais antigos e clássicos dos quadrinhos Marvel – Reed Richards e Victor von Doom. A história complementar foi publicada em Secret Wars Tôo 1, e escrita pelo próprio Jonathan Hickman. Na verdade, se trata do próprio autor fazendo sua apresentação para os editores da Marvel Comics sobre Guerras Secretas. A ideia foi aceita, mas Hickman anda não tinha um final definido e pede conselhos ao Doutor Destino!! Hilário.

Jonathan Hickman presta sua homenagem ao primeiro grande grupo de heróis da Marvel, o Quarteto Fantástico e sua eterna luta contra seu maior adversário, o Doutor Destino. É interessante a forma como Doom é retratado, apesar suas falhas, transparecendo seu lado humano, como na ocasião em que matou Stephen Strange, no fim das contas, Hickman mostra Destino como sendo o verdadeiro salvador do universo Marvel, afinal, se não fosse por ele, não haveria o Mundo Bélico. O fato desse planeta ter vários defeitos pode ser debatido, mas a verdade é que Reed falhou em sua tentativa de impedir as incursões e até mesmo de salvar a sua família, evitando o fim do Multiverso. Antes de confrontar Destino, ele diz: “Meu nome é Reed Richards... eu sou aquele que conserta as coisas”. Essa é a mesma frase que Reed usou no primeiro arco que escreveu para o Quarteto Fantástico, ainda na fase do Reinado Sombrio em 2009. E agora ele fecha seu ciclo de maneira soberba. Basta notar as páginas finais, mostrando como fica o universo Marvel oito meses depois. No final das contas, Destino pode ser considerado o salvador, mas Reed é aquele que “arruma a casa”. Leitura imperdível.

Por Roger



MEUS 10 JOGOS DE PS3 PREFERIDOS (JOKER)


Há uns meses atrás o senhor Ozymandias Realistic fez um top 10 dos jogos que ele mais gostava do PlayStation 2. Eu gostei do post e curti muito a nostalgia, chegando a falar com ele que gostaria de fazer um meu. Como estou de férias, resolvi aproveitar esse domingo, ou talvez eu não o fizesse mais. Como o Ozy já havia feito de PlayStation 2, resolvi mudar e fazer do PlayStation 3. Engraçado como em tantos anos eu ainda não tinha feito um post do tipo, provavelmente pensando como a geração ainda não havia acabado... Mas hoje, ela finalmente acabou. Assim como o Ozy, hoje eu já não jogo mais videogame, é MUITO raro. E é uma pena, porque eu adorava, sempre considerei os videogames o melhor meio de entretenimento de todos na minha juventude. É que eu realmente não tenho tempo mais, além de nas raras vezes que eu priorizo, é nada raro um game mainstream me decepcionar profundamente, como foi o caso de "Metal Gear Solid V: Phantom Pain", que poderia ganhar um prêmio de game mais desapontador da história, levando em consideração que ele foi vendido sem sequer ser terminado.


Antes dessa decadência (ao menos nas séries que eu acompanhava), estávamos em uma otimista ascendência! Os games que eu comentarei nesse post foram lançados durante o período de tempo de 2007 à 2014, um período em que lembro de eu realmente dizer "videogame está ficando cada vez melhor".


10.Bioshock: Infinite (2013)


"- Você tem medo de Deus?
- Não. Mas tenho medo de você."

Falarei de como eu conheci a série Bioshock mais a frente, mas "Infinite" foi sua terceira parte. Você era o agente Booker DeWitt, que em 1912 era enviado para resgatar Elizabeth na cidade flutuante de Columbia. A estética do jogo é muito irada, com ambientação steampunk e todo um constante clima de excepcionalismo americano, com pseudo tio Sams e tiozinhos do amendoim pra tudo quanto é lado, com a cidade parecendo um grande circo de propaganda eleitoral. Isso, porém, encobre a intolerância de uma guerra civil entre duas facções, que apesar de poderem ser interpretadas como as divergências entre democratas e republicanos, tem bastante um clima próprio do jogo mesmo, que conta com uma ambientação bem maluca. Essa ambientação colaborou com a jogabilidade, em um mundo extremamente aberto, uma liberdade imensa para lutar contra hordas e hordas de inimigos enfurecidos pulando de um lado para o outro em cenários extensos, atirando, explodindo, jogando feitiços e enfiando serras e ganchos na cabeça e no peito das pessoas. 

"Protegendo nossa raça"
De maneira um tanto pesada, o jogo usa representações radicais de ideologias políticas e religiosas como pano de fundo

A garota que você resgata, Elizabeth, salva o seu rabo mil vezes, sendo poderosíssima, e muito provavelmente, a melhor companheira controlada por inteligência artificial já feita em um video game. Ela colabora muito bem nos combates, lhe ajuda a encontrar armas, munições, dinheiro e itens para recuperar HP; além de ser uma personagem que fascina por sua trama e personalidade. O que mata a experiência são seus últimos minutos. A trama que cativava por ser tão complexa e misteriosa, acaba sendo explicada com uma teoria de física quântica, no infeliz estilo "aqui está algo complicado, fim" e que chocantemente teve quase que zero de conexão com os dois títulos anteriores da série. Essas falhas deixam "Bioshock: Infinite" no último lugar da lista.

Pontos fortes: intensidade e surrealidade.

"Por Deus e a nação, é nosso dever divino nos defendermos contra as hordas estrangeiras" Ku Klux Klan?


9.Grand Theft Auto V (2013)


"Crianças, pro quarto. Se acharem corpos mortos, prostitutas ou Trevor Philips, nós fazemos reserva para o hotel Rockford Hills."

Eu nunca curti o GTA, e sempre fui a única pessoa do mundo a não curtir. A razão é que eu simplesmente não via graça. Aqui a Rockstar alcançou excelência técnica com a jogabilidade, sendo o mais fluído e tranquilo de jogar. O game te coloca pra controlar três criminosos: Mike, Franklin e Trevor. Seria complicado eu explicar o enredo aqui, mas os três se misturam e você tem então uma série de missões para jogar. O que eu mais curto sobre o "terrível GTA" que faz criancinhas virarem criminosas (...) é seu impagável moralismo. Aí você me pergunta, "Mas como um jogo em que você controla um canibal estuprador pode ser moralista?". Pelas suas constantes ironias, eram o que mais me cativava. O game não tinha dó, passava por famílias desestruturadas, reality shows estúpidos, saudosismo artístico, uso de drogas, preconceito, abuso conjugal, cultuamento de celebridades e trolls de Internet até corrupção em agências militares. Como o "Bioshock: Infinite", o roteiro infelizmente não desfruta de um bom final, tudo é fechado apressadamente em uma missão que nem sequer empolga muito em comparação com o resto do jogo. Apesar de também ser muito bom, o GTA IV não coube na lista, mas fica como menção honrosa.

Pontos fortes: Não consigo deixar de falar... NESSE JOGO VOCÊ USA UM AVIÃO PRA ENTRAR DENTRO DE OUTRO AVIÃO!!!!

É possível parar em quase todo momento para tirar uma self. Situações marcantes não faltam...


8.Bioshock (2007)


"Eu rejeitei essas opções. Eu escolhi o diferente... Eu escolhi o impossível... Eu escolhi... Rapture."

Ter descoberto a utopia submarina de Rapture pela primeira vez foi uma das melhores experiências com entretenimento que tive. "Bioshock" era uma honrada mistura de terror, distopia, vintage, RPG e ação, sendo competente em todos esses setores. Você controla Jack, um personagem visto em primeira pessoa quase sem características próprias, é um protagonista genérico de shooter que caiu no mar em um acidente e entrando em um farol descobre uma cidade completamente destruída. Lá dentro Andrew Ryan, seu senhor e idealizador, indaga se você foi enviado pela CIA ou a KGB, mas não faz diferença, pois vai destruí-lo de qualquer forma. Em Rapture não havia censura, todos eram livres para desenvolverem seus potenciais máximos, mas com isso todo mundo pirou vítima de experimentos genéticos que visavam a perfeição.

O médico insano começa a matar as pessoas alegando que após tantas plásticas elas já haviam ficado simétricas demais...

Há todo um funcionamento próprio da cidade, mas mesmo sendo terrível, vale a pena descobrir. Em Rapture as pessoas precisavam pagar até pelo ar que respiravam, até que em uma festa de Ano Novo houve uma rebelião e a cidade se destruiu em uma guerra civil. Há mil referências a clássicos literários como "1984" de George Orwell e "A Revolta de Atlas" de Ayn Rand, foi inclusive por causa desse game que eu fui buscar conhecer esses ricos livros. Para mim "Bioshock" será sempre um clássico e sempre lembrado, pois não tenho nem como em dois parágrafos dizer tudo que havia de apaixonante naquele jogo, desde terror e teorias da conspiração até quebras da quarta parede.

Pontos fortes: ambientação e imersão.



7.Fallout 3 (2008)


"Muitas pessoas têm opiniões sobre coisas que elas não entendem nada. E quanto mais ignorantes elas são, mais opiniões elas têm."

RPG pós-apocalíptico, no melhor visual de "Mad Max". A Bethesda foi safada e migrou o universo de Fallout para a mesma engine que eles usavam no RPG fantástico medieval, o "Elder Scrolls". Para mim ficou melhor do que nunca. No universo de Fallout a Terceira Guerra Mundial durou nem uma hora, tendo em pouco tempo voado bombas pra todos os lados. Além de robôs, baratas e outros animais mutados, sobreviveram alguns humanos, no caso do que você controla, em uma vault (cofre). Você nasce dentro da Vault 101, mas inevitavelmente precisa ir embora para descobrir o paradeiro do seu pai que fugiu tornando as autoridades fascistas do cofre violentas pra não permitir que ninguém saia. Afinal, era um refúgio ou uma prisão? Essa é uma entre um milhão de coisas que você vai ter pra pensar enquanto se aventura pelas violentas terras radioativas de Wasteland! O que sobrou do território de Washington após a guerra nuclear!


Esse é mais um game que daria pra um super post especial gigantesco, porque a riqueza da aventura é infinita!!! Há bugs e explorações repetitivas que inegavelmente comprometem a diversão, mas a esmagadora maioria dos jogadores persiste pra continuar até o final. Fallout é difícil, desafiador, cativante e apesar da violência, conta com um senso de humor único. Desde o mascote Vault Boy que permeia o jogo como uma referência toda fofinha no meio do fim do mundo, há uma série de críticas ao mundo norte-americano e as pessoas de uma forma geral, seja ironias bem enfiadas, ou só o puro e simples humor negro por si só. Pelo que ouvi falar, "Fallout 4" lançado pra última geração depois de tanta espera foi um grande desapontamento, enquanto no PlayStation 3 ainda houve "New Vegas", que não adiciona muito de novo, mas também é ótimo.

Pontos fortes: Ambientação. Se fizessem como o Star Wars que "enriquece" seu universo com HQs, desenhos e séries, eu faria questão de adquirir tudo do Fallout, porque dá até saudade quando você termina.

"Sabe, eu estive pensando. O verdadeiro problema com a Irmandade é que nós nos isolamos."


6.Batman: Arkham Asylum (2009)


"Fugir? Eu não quero fugir! Estou me divertindo demais! E ainda tenho você aqui pra manter um sorriso no meu rosto!"

Ainda lembro quando anunciaram que sairia um jogo novo do Batman que se passaria no Asilo Arkham e teria o Coringa como vilão. Nem me animei. Logo imaginei um jogo horizontal em que você tivesse que enfrentar vários bandidinhos, chegar no final enfrentar o Charada, aí poder ir pro segundo andar. No segundo andar enfrenta outros bandidinhos, aí no final enfrentava o Duas-Caras. Habilitava o terceiro andar. Aí daí em diante até chegar no último onde estaria o Coringa. Pffft. "Arkham Asylum" em menos de um ano já estrelava em listas de melhores games da HISTÓRIA. Foi imitado incansavelmente, mas jamais duplicado. Mesmo sendo lançado um ano depois do filme "O Cavaleiro das Trevas", "Arkham Asylum" não adaptava qualquer filme ou HQ, com boas influências, eles realmente fizeram um jogo do Batman, feito pra ser um jogo. A personalidade foi tanta que muitos vilões mais famosos como Pinguim, Duas-Caras e Mulher-Gato nem participam do game!

"Por que você não parou o Batman?"

Por outro lado, personagens que os fãs jamais esperariam ver como Zsasz e Scarface eram perfeitamente encaixados na trama! Crédito provavelmente ao Paul Dini, que foi escritor de HQs e do mais famoso desenho que o herói já teve, "Batman: A Série Animada" e foi a mente por trás da estória do jogo. Ainda trouxeram os antigos dubladores que davam voz ao Coringa, a Arlequina e o Batman no desenho antigo, não tinha como ter ficado melhor. Na época era difícil imaginar que uma sequência o superaria, e mesmo depois disso ter acontecido, você ainda olha pra "Arkham Asylum" e ele mantém seu brilho próprio. Não é o Coringa do Heath Ledger ou do Jack Nicholson, a trama não foi tirada de uma HQ do Grant Morrison ou do Frank Miller. Não, foi um jogo inédito do Batman, e um jogo muito do bom.

Pontos fortes: Olha, é mais fácil falar o único ponto fraco, que foram os chefes ruins, de resto tudo foi bom. Eles não só criaram um esquema, como o superaram várias vezes antes do próprio game acabar.



5.Bioshock 2 (2010)


"Amor é só uma reação química. Nós damos significado por escolha."

Uma sequência extremamente injustiçada e subestimada que tenho o prazer de deixar em quinto lugar, acima do resto da série. Tudo bem que aqui você não explora Rapture pela primeira vez, mas--
A-Você explora áreas novas.
B-TODAS as mecânicas foram 100% melhoradas.
C-Você já começa o jogo controlando um dos inimigos mais fortes que havia no anterior, um Big Daddy.

Faz exatamente o que sequências deveriam fazer! Não veria razão pra deixar um game assim atrás do seu antecessor, só se a estória fosse muito ruim. Mas não é o caso!


Aqui eles aprofundam o relacionamento dos dois ícones mais marcantes do último game: as Little Sisters e os Big Daddys. O resultado é uma trama que não só é muito boa, como também é mais fácil de compreender do que a do anterior. Brilhantemente aqui suas escolhas influenciam a trama de forma dramática. A little sister que você deve cuidar, a Eleanor, é influenciada pelas atitudes que te observa tomando, ao fim do game ela podendo se tornar uma amorosa salvadora ou uma fria assassina. Isso interpreta uma realidade de estudos sobre o comportamento humano que as crianças internalizam não o que os modelos parentais dizem pra elas, mas o que eles fazem. O jogo é muito foda. Eu queria que fizessem uma sequência protagonizada pela Eleanor, mas pelas últimas notícias que ouvi falar envolvendo "Bioshock", "Ken Levine" e "2K", acho que uma continuação não será feita...

Pontos fortes: mecânicas melhoradas e experiência inesquecível.



4.Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots (2008)


"Irônico, não é? Tantos anos caçando armas nucleares pra no final se tornar o mecanismo do Juízo Final você mesmo."

Quando "Guns of the Patriots" foi lançado, a série Metal Gear fazia 21 anos! E foi o fechamento definitivo da história! Se não decepcionasse seria grandioso como mais nada que pudéssemos comparar, e não decepcionou. O game se passava em 2014, por ser um clone o protagonista havia envelhecido precocemente e sua morte seria iminente, tomando até o codinome de "Old Snake". Nessa realidade, guerra se tornou o negócio mais rentável de todos, e o velho vilão Liquid Ocelot é dono das maiores companhias militares do mundo, podendo controlar o rumo da História quando toma poder sobre a nanotecnologia que auxilia os soldados a lutarem melhor. Claro que ainda vem muito mais, Hideo Kojima tricotou cada ponto e cada personagem de sua rica e extensa série pra essa guerra final. O jogo é dividido em cinco atos, cada um se passando em uma parte do globo, sempre contando com um monte de revelações.

Gerações de personagens se encontram

Eu nunca vi um final tão bom em qualquer outro lugar, provavelmente porque séries e filmes não podem se estender por 20 anos, pois a equipe toda envelheceria, seria muito complicado, não tem com o que comparar "Metal Gear Solid 4". Havia um arsenal enorme, excelentes chefes e sequências de ação para um jogo que tem foco de espionagem. O estilo cinematográfico ficou melhor que nunca, acho difícil conseguirem fazer um game mais emocionante do que esse um dia. Hoje fazem quase dez anos que saiu, mas ainda lembro da época... Foi incrível porque existia nada igual. E os gráficos até hoje me surpreendem, certas partes ainda são mais caprichadas do que alguns jogos novos.

Pontos fortes: fechamento épico.

"Você ainda pode brilhar na escuridão."


3.Uncharted 3: Drake's Deception (2011)


"A taça da morte será preenchida para ti."

Mais uma sequência que considero injustiçada. O terceiro game da série Uncharted pode não ter quebrado as escalas do anterior mas apresenta experiências super criativas. Algumas inacreditáveis! E esse foi o primeiro que eu curti a trama e os personagens, nos anteriores eu achava chato. Nathan Drake e seus amigos viajam o mundo pra evitar que exploradores malignos tenham acesso a um velho poder ancestral escondido. Ao mesmo tempo a amizade dos personagens Nathan e Sully vai tendo sua origem explicada e é super legal! Há momentos únicos e inesquecíveis, como ficar perdido no deserto, a perseguição a cavalo, estar dentro do navio enquanto ele revira entre ondas e muitas mais. Também tem uma vilã que é muito boa, deve ser a melhor da trilogia. Não joguei tantas vezes porque tinha pego emprestado do meu primo, mas de qualquer forma curti bastante... Bem... O bastante pra deixar em TERCEIRO LUGAR.

Pontos fortes: gráficos e fases de escalas incríveis, como as do deserto.



2.Batman: Arkham City (2011)


"Arkham mudou de lugar."

A mesma coisa que o "Arkam Asylum", mas ainda mil vezes melhor. Sem exageros, a cada mês que eles liberavam um vídeo novo você tinha uma puta revelação quanto ao game. O Hugo Strange vai ser o vilão do jogo. Vai ter o Solomon Grundy, vai ter o Coringa. O Charada raptou policiais pela cidade inteira. Vai dar pra controlar a Mulher-Gato. Será possível voar livremente pela cidade toda. As batalhas contra os chefes serão boas dessa vez. Mano, não tinha limites. Volto a dizer o que havia dito sobre o Asylum. Eles criam um novo nível de qualidade, e até o final do jogo o superam várias vezes. Chegava a dar impressão que se uma terceira parte aumentasse a escala da mesma forma que havia multiplicado nesse, usaríamos o Batman para explorar Apokolips e encarar os Novos Deuses. "Batman: Arkham City" é um exemplo que deveria ser seguido, mas é tão bom e tão ousado que as outras empresas não tem capacidade de fazer algo como ele. A prova disso é em seis anos ainda não ter rolado um game decente com outro herói; apenas "Injustice", mas é um Mortal Kombat com os personagens da DC. Não temos um jogo feito sob medida para personagens como Lanterna Verde, Superman, Novos Titãs ou algo do tipo.

Pontos fortes: gráficos, exploração incansável e uma diversidade de desafios novos e variados a todo instante.



1.Red Dead: Redemption (2010)


"Você sabia a verdade, John, e eles te odiavam por isso."

Esse jogo é tão bom que eu simpatizo mil vezes mais com Batman e Metal Gear, mas ainda assim o deixo em primeiro lugar. Até o presente momento a Rockstar nos deu a experiência suprema de uma aventura de faroeste com "Red Dead: Redemption". HQs do Tex e filmes do Clint Eastwood têm que se contentar com o segundo lugar; nesse jogo você viaja todo o território dos Estados Unidos a cavalo, experimenta um dos primeiros modelos de automóvel, caça foragidos para conseguir uma recompensa os trazendo vivos ou mortos, doma seu pangaré, trabalha em fazenda, laça pessoas, participa de duelos ao pôr do Sol, é raptado, participa de corridas e perseguições, explora campos de mineração, participa de guerras, rouba trens, faz sabotagens com dinamite, caça animais, vende seus couros, ajuda donzelas em apuros, captura donzelas em apuros e se sente um verdadeiro aventureiro do Velho Oeste. Mas tudo isso não é feito de forma aleatória. Nem de longe. Nesse GTA caipira você controla John Marston, um grande personagem. Como diz o título, John é um homem em busca de redenção.

"Não é segredo que eu não consegui essas cicatrizes caindo na igreja."
A trama se passa em 1911, algumas partes do território americano ainda estavam sendo colonizadas e a geração Velho Oeste estava passando pelas transformações finais que trariam o Mundo Moderno. Agentes federais do Escritório de Investigação raptaram o que John mais dava valor, Abigail e Jack, sua mulher e filho. Eles falam que John poderá ver sua família novamente e será perdoado de todos os seus crimes se entregar seus velhos comparsas para a lei. Nisso John viaja tendo que fazer todo tipo de loucura e conhecendo as melhores personalidades. Todos os personagens são bons! John conhece, por exemplo, um caçador de recompensas, o último sobrevivente de uma geração passada de cowboys, um cientista viciado em cocaína, um vigarista, um traficante de armas, agentes do governo, um índio, todos os personagens têm muito a apresentar sobre o que acontecia naquela época. A Rockstar é famosa por ser uma empresa polêmica, mas a verdade é que seus jogos são adultos e super inteligentes! Você passa pela rebelião mexicana, a criação de novas máquinas, colonização de territórios ainda dominados por criminosos e animais selvagens, descobertas científicas, há até a preocupação com o que vai acontecer com a ordem natural dos animais do jeito que os homens brancos os matam não apenas para comer, mas em excesso para se divertir.
E quem te acompanha por tudo isso é um ótimo personagem, o já elogiado John Marston. Algo dentro dele o repeliu da vida de crimes e passou a tentar uma vida direita com sua mulher Abigail, que é uma ex-prostituta. Mas com uma mensagem similar com a do filme "Pulp Fiction", John vai descobrindo que não é tão simples assim simplesmente querer uma vida direita, na verdade é terrivelmente perigoso. Ele constantemente encara a realidade que vive em um mundo sujo e cruel, onde os heróis são apenas ilusores ou iludidos. Um dos detalhes mais marcantes é o rebelde mexicano Abraham Reyes, que quer libertar o povo oprimido da tirania do coronel Allende. Após o sucesso, em pouquíssimo tempo Reyes é visto tomando atitudes parecidas com as do tirano, chegando até mesmo a trair sua noiva que o amava completamente, fazendo de tudo por ele. Depois que o game termina você pode comprar o jornal se quiser, e ver a notícia que o México tem um novo tirano do povo e seu nome é Abraham Reyes.


Um cenário de mundo constantemente aberto, belíssimo e detalhadíssimo, esse é um jogo perfeito que eu dou nota 10 sem pestanejar. Pra mim a Rockstar é a Vertigo (selo de quadrinhos adultos) dos videogames. Ela só tem uma reputação ruim pelo estigma que os games ainda carregam de serem entretenimento para crianças, é como se um monte de criancinha pegasse os gibis da Vertigo só pra ficar vendo violência e mulher pelada, ignorando a riqueza do que eles trazem. Caramba, esse post me deu saudades. De verdade.


Por muitos anos era comum que games que fossem mais amplos passassem uma experiência prática mais limitada para poderem ter seus mundos abertos e gigantescas histórias exploradas, como os RPGs. Os jogos mais intensos de ação acabavam tendo uma impressão artística e reflexiva menos profunda, salvo algumas exceções. Na geração do PlayStation 3 essa linha se tornou mais tênue do que nunca. Você tem ótimos exemplos de jogos explosivos que devem nada para diversidade de conteúdo inteligente, como "Bioshock", "Metal Gear" e "Fallout", Red Dead deve ser o melhor exemplo de todos, ele merece o primeiro lugar. Na época o panorama ainda era de constante superação, com as continuações de Half-Life, Fallout, Metal Gear, Kingdom Hearts e Final Fantasy sendo aguardadas como messias. Enquanto metade não saiu, metade decepcionou, por quê?


Não dá pra apontar pra uma coisa só. Tentarei fazer uma análise do que tem rolado no mundo dos games, mas já aviso que ando distante dele há um tempinho, veremos o que eu sei pelo que converso com alguns parsas. De um lado você tem produtores renomados largando a grande indústria por trabalhos mais independentes. Muitos games hoje são lançados apenas com modo online, o que obviamente diminui a prioridade de um modo história bem trabalhado, com grande dinheiro sendo investido em versões mais bonitas de Counter-Strike. Como o dinheiro manda, até séries consagradas como Metal Gear e Final Fantasy abriram mão de algumas de suas melhores características para agradar o mercado. Chega a ser triste. Infelizmente, apesar dos games sempre terem sido acusados como um entretenimento retardado (pra variar, isso sempre acontece com as coisas mais legais...) os jogos que se tornaram mais populares com o maior acesso à tecnologia foram jogos altamente simplórios, como games aplicativos que não se diferenciam muito de Tetris ou Pepsi-Man. Pelo que me parece, pela Steam você ainda consegue comprar jogos alternativos que são muito bons, mas infelizmente os grandes nomes do passado não parecem mais ser referência de qualidade, e consequentemente, nem de diversão.


Tudo indica que o problema é o interesse financeiro ter superado o interesse artístico. Eu comecei a jogar nos Anos 90, geração PlayStation 1. No PlayStation 1 houveram os melhores games do Harry Potter feitos, eram mais fiéis aos livros do que os próprios filmes. Jogos do Harry Potter foram lançados até 2012. Me diga, por que não superaram? Como com muito mais dinheiro e tecnologia investidos eles não superaram? Falta de comprometimento artístico, é a única coisa que me vem à cabeça. O mesmo vale pro Homem-Aranha, que tinha games super legais no PS1. Tirando "Ultimate Spider-Man", no PS2, não houve mais nenhum jogo muito notável do herói da Marvel. Cara, não é estranho? Como podem se passar, sei lá eu, uns dez anos sem sair um jogo decente do herói mais legal de todos? Parece faltar coragem, criatividade e empatia com o jogador. Hoje você compra um game, ele vem sem o final e você tem que pagar à parte por uma DLC pra poder ver o final. Poxa, isso é um absurdo, é mais que uma mudança natural, é muito negativo. Após o que eu considero os tempos dourados dos videogames, estamos passando por uma metamorfose estranha e desanimadora, veremos o que será da próxima. Sem dúvida jogos como esses dez citados e os outros que o Ozy tinha citado na lista dele provam que os video games podem ser usados como os melhores meios de entretenimento e narração de histórias. É só aguardarmos os jogos certos.



Menções honrosas

Costume Quest: RPG nonsense em que você controla uma criança que deve resgatar sua irmã gêmea que foi capturada por um monstro de verdade no Dia das Bruxas. Suas habilidades mudam conforme as fantasias de Halloween que você troca e descobre que há monstros de verdade se aproveitando da ocasião pra se infiltrarem na cidade.
Assassin's Creed: Revelations: Pra mim foi o ápice da série Assassin's Creed, depois houve o problema do interesse comercial superar o artístico.
Brutal Legend: game que te aventura em um ambiente povoado pela cultura do Heavy Metal. Extremamente criativo, infelizmente muito mal-finalizado, com gráficos e mecânicas que deixam demais a desejar.
Demon's Souls: o primeiro da "série Souls". Infelizmente, não joguei nenhum dos outros porque simplesmente não deu.
Lost and Damned e Ballad of Gay Tony: expansões do já citado "Grand Theft Auto IV". Foram expansões de respeito, que sem dúvida enriqueceram a experiência original em escala e qualidade, não visando apenas arrancar grana fácil dos consumidores.