segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

“O AMOR DE NATÁLIA PELO DS...”


“... Fala Sócrates, e Sócrates vai definir o amor em “O Banquete”, através dos séculos. Claro que Platão jamais usou a palavra “amor”, não falava português, aliás, o português nem existia, Platão falava grego, e em grego, o seu amor é “Eros”, “Eros” que você conhece, porque é a raiz de muitas palavras do nosso idioma, como “erotismo”, “erotização”, “erótico”, “Eros motel”, “Eros Drive-in”, “Eros Night Club”... “Eros” faz parte da tua vida”, então “Eros” o que é? A definição é simples: amar é desejar. Ponto. Viu? Nada de dramático, amor e desejo são a mesma coisa, você ama aquilo que deseja, você ama, aquele que deseja, você ama na intensidade que deseja, e você ama, enquanto deseja, a má notícia, claro, é que se o desejo acabou, é porque o amor acabou também. Amor e desejo são a mesma coisa, ora, nesse momento, a pergunta obvia: “Se amor é desejo, desejo é o que então?”, pois “desejo é a falta” (diz Platão). “Desejo é a busca daquilo que faz falta, desejo é pelo que não temos e queremos ter, desejo é pelo que não somos e queremos ser, pelo que não fazemos e gostaríamos de conseguir fazer, e agora você tem a equação completa, você ama o que deseja, e deseja o que não tem! E quando tem, não deseja mais, e como o amor é desejo, não ama mais. Funciona assim, simples e rápido! Amor pela cunhada...

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E é claro que dentro deste olhar platônico, o único homem no Brasil a não amar Juliana Paes é seu marido. Exemplos vão ao infinito. Minha filha mais nova se chama Natália, tem 11 anos, quando tinha 7 anos, queria porque queria um brinquedinho eletrônico chamado “DS”, queria porque queria, deseja, e como desejo é amor, amava o DS, o DS na loja, ela na vitrine, e assim uma relação de amor de estendeu até o Natal, quando Natália, de tanto merecer, ganhou o DS, nesse momento, desaparece a falta, desaparecendo a falta, desaparece o desejo, e como o amor é desejo, acaba ali, naquele instante, o amor de Natália pelo DS, hoje o DS jaz num baú, num baú de desejos assassinados pela presença, num baú de desejos mortos pelo consumo. Hoje Natália ama o “DS Wii”, o “Wii” ela não tem, e a julgar pelo salário de professor da USP, o amor de Natália pelo DS permanecerá vivo! Erótico! Vibrante! Cada um de um lado do vidro da vitrine...”




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