terça-feira, 31 de janeiro de 2017

MELHORES E PIORES DE 2016, parte 02 de 02

Esse post é um oferecimento do Blog Memes Históricos.


Estamos em janeiro? Não sei, só sei de duas coisas, andei saindo de uma tensa dor de cabeça, e percebi que eu não cumpri o calendário do começo de 2015. Eu sei que ninguém se importa, mas no fundo, eu me importo, é falta de disciplina. É a sensação de algo mais que seria feito, e não foi. Antes eu postava para responder comentários, achava isso bem interessante, hoje em dia eu escrevo já comemorando se alguém leu um parágrafo. Os blogs ficaram “para atrás”, o lance dos caras hoje é gravar vídeos de Minecraft no You Tube ou ser pop no Facebook, montando comunidades “pops” de quadrinhos e vivendo 24 horas daquela aparência, mostrando o que comprou, o que tá assistindo, e por ai vai... Mas não vamos deixar a peteca cair.




MELHOR DOCUMENTÁRIO



A VERDADE SOBRE MARLON BRANDO


Nunca gostei do Marlon Brando... Antes desse documentário. Conhecia, claro, o trabalho dele mais famoso, que é o Don Corleone em “O Poderoso Chefão”, assim como o grande público conhece “Another Brink on the Wall part 2” e não vai adiante. Sempre achava no mínimo um exagero, quando em revistas como a SET se referiam a ele como “o deus dos atores”. Mas esse documentário...






MELHOR DIRETOR: ...



MELHOR LIVRO

Engraçado. Na última Tertúlia (29/01/17), quando me perguntaram sobre minhas referências literárias, eu respondi “Deixa eu pensar numa forma de responder que não deixe todo mundo frustrado...” E logo depois confessei – o que não é bem segredo – minha leitura incompleta de livros, tendo lido até o final, em minha vida, menos que 30, valor que pessoas bem suplementadas intelectualmente, lêem em coisa de 3 ou 4 meses. Portanto, a lista abaixo, é totalmente anticlimática:

XEQUE-MATE: A VIDA É UM JOGO DE XADREZ


Li duas vezes ano passado, e não satisfeito, tenho o projeto de digitá-lo inteiro, para que até o final desse ano, possa ser um PDF gratuito para a comunidade enxadrística, bem como pessoas aficionadas por administração e desenvolvimento pessoal. Essa transcrição está sendo feita em forma de posts, chamado ProjetoXeque-Mate”. Apesar de ser escrito por um enxadrista, esse não é um trabalho que visa ensinar xadrez, no máximo usá-lo no campo autobiográfico e metafórico. Garry Kasparov narra alguns de seus principais confrontos, dentro e fora do tabuleiro, ao tempo que analisa diversas figuras históricas, e seus ensinamentos para nosso cotidiano. Foi um livro difícil de achar, que geralmente é vendido há um valor exorbitante de 77 R$, e ao que me consta, publicado uma única vez aqui no Brasil, nos idos 2005. Preciso dizer como foi uma odisseia virtual de 6 meses de vigilância pra encontrar uma única pessoa vendendo ele?

2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO


Falando em odisseia... Essa é uma incompleta. Não li o livro até a metade e explico. Eu havia assisto ao filme brilhante de Kubrick (em co-autoria com o autor do livro, vale frisar) e precisa de mais. Comprei em um sebo o livro, ainda da publicação aqui no Brasil dos anos 60 / 70, e fiquei profundamente instigado, quando notei uma qualidade de narrativa da “origem do macaco sapiente” sobre o filme. A qualidade do texto era tão excelente, que chegava a reler em voz alta, como se fosse um poema... Porém, passado esse capítulo, quando temos o “salto cronológico”, o livro se tornou bem inferior ao filme, dada as imagens milimétricas daqueles efeitos especiais somado aquela trilha clássica que assombra e intriga até hoje. Ainda assim, é um livro que vale revisitar em um dia chuvoso, onde tudo dá errado...


MEQUINHO – O XADREZ DE UM GRANDE MESTRE


E aqui um livro de xadrez, onde sua leitura consiste em reproduzir conceitos em um tabuleiro, tentar entendê-los e questioná-los. Eu tinha esse livro desde 2012, tinha tentado estudá-lo várias vezes antes, mas sempre travava. Isso porque eu tinha “empolgação” ridícula em querer já ir pulando para jogos específicos dele contra grandes figuras como Karpov e Fischer. Resolvi pegar tudo calmamente desde primeira partida, ir fazendo boa parte das variantes, tudo com bastante calma. Não o reproduzi inteiro ainda, mas consegui fechar todas as 40 partidas comentadas por ele, e o co-autor Adriano Caldeira. Algumas coisas merecem ser mencionadas. Primeiro, que já tinha visto algumas das partidas do livro em computador, mas só as vim enxergar em uma parte considerável de suas minúcias, ao fazê-las no tabuleiro de xadrez. Outro ponto, foi que a minha memória com coordenadas e variantes melhorou consideravelmente, ao ponto de em alguns casos eu conseguir ler a anotação do jogo e o formá-lo na minha mente, claro que por enquanto,não mais que 10 lances. E por último, me fez entender princípios da abertura / meio jogo / finais que me passavam batidos todos esses anos. Me transformou em um mestre? Me fez chegar a 2000 de rating? Não, entretanto me indicou o começo de um longo caminho sobre perseverança e inteligência.


MARLON BRANDO...



Tem um trecho dessa obra que transcrevi aqui. Dela, restou algo como 30 páginas para terminar, mas acabei percebendo que já tinha “o suficiente”. O que dizer de Marlon com pessoa? Bem, o cara “fazia e acontecia”, em qualquer campo que entrava, tinha a “aura magnética” que fazia quase todos os amarem, o chamado “carisma natural”, não qualquer carisma, mas a forma mais pura, que a lógica não consegue explicar. Além de seu enorme talento para a atuação, que ele usava apenas quando queria, e se seu preço fosse pago. Viver como um semi-deus, como ele vivia, causa inveja naturalmente de quase todos, porém nada é perfeito, ter tudo o que queria tem seu preço, e a história dele é a prova de que há vazios impreenchíveis... Dizer mais, só estragaria.

MELHOR ENCADERNADO


JUSTICEIRO MAX – FRANK


Compro seu titubear esses encadernados dessa fase do Jason Aaron / Steve Dillon (que aliás, morreu ano passado, e eu ainda devo-lhe uma homenagem). É o tipo de leitura que consegue prender tanto um leitor veterano, quanto alguém que achou o Justiceiro “fodão” na segunda temporada do Demolidor, e quer conhecer mais. E esse arco, o “Frank” é sem dúvida o melhor de todas as 22 edições. A “origem” do mal que habita em Frank Castle já havia sido contada por Garth Ennis em “Born”, mostrando que o Justiceiro tinha nascido no próprio Vietnam, sendo o assassinato de sua família apenas um adendo a isso. Aaron foi mais fundo ainda. Essa história, lida com a devida atenção, chega a ser traumática, foi sem dúvida uma das mais pesadas que já em um quadrinho, não devendo nada uma obra prima como Apocalipse Now.


MELHOR HQ MENSAL?!


Eu estava colecionando ainda “Batman”, “Super-Homem” e “Arqueiro-Verde”, mas agora, mais nada. Parece que a magia se foi. Se vale dizer algo, nas últimas semanas até me arrisquei a ir na banca, á procura do Monstro do Pântano #04 da fase do Moore, pra completar minha coleção e prosseguir minha leitura, assim como apanhei “Hellblazer Infernal” #03 e #04... Será uma volta? “Mas, Ozy, Hellblazer e Monstro do Pântano não são mensais...”












MELHOR HQ

Vou tentar não me estender, já que são quadrinhos que pretendo um dia falar mais, ah ta, to sabendo... no geral, são as três melhores coisas que li ano passado e os vós justifico.

SUPER-HOMEM: ENTRE A FOICE E O MARTELO


A única coisa que venho a reclamar, é sobre o final. Tal qual “Homem-Aranha: Caído Entre os Mortos”, Mark Millar meio que se desliga nessa parte. Aliás, preciso mencionar o Mega Post sobre o Mark Millar? O trabalho, tinha tudo para ser uma subversão doutrinária, e cair na caricatura, mas Millar conseguiu mais, de uma forma que vi poucos conseguirem. Se em “Grandes Astros” Grant Morrison conseguiu comprimir décadas de mitologia do homem de aço, fazendo a “ultima história dele”, aqui temos isso, em menos páginas, e ouso dizer que deixando a imaginação fluir ainda mais. Vale dizer também que o quadrinho é todo ilustrado pelo Johnson. Eu só o conhecia por sempre fazer apenas capas, embora seja comum a arte de um capista cair bastante quando ele se arrisca a desenhar um quadrinho (certo, Glen Fabry?), aqui ele não decepciona.



LANTERNA VERDE N52 – 01 - 20


Nunca havia lido nenhum quadrinho solo do Lanterna, de fato, nunca tinha visto nenhuma graça nele, nem mesmo em nada escrito pelo Geoff Johns, ou mesmo, visto “algo além” na arte de Doug M. Todas essas três coisas foram remediadas com essa leitura. Eu, sempre fã confesso de histórias mais reais, e urbanas, me peguei em uma aventura espacial multidimensional, que por mais fantasiosa que fosse, estava calcada nos sentimentos mais básicos dos seres humanos (que eram minoria na revista, enfim). Nem mesmo ousei ler a edição #21, já que a #20, dita um fim mais que satisfatório para o destino de Hal Jordan e seu antagonista Sinestro. 







SECRET WARS MARVEL


O Roger, postou agora pouco sobre, podeler aqui.
E eu havia escrito só sobre o começo,aqui.


















PIOR HQ?


BATMAN REBITH


Isso aqui não é o Bruce Wayne. Isso aqui é o Tom Cruise, disfarçado de Batman, é a única explicação que eu encontro. Vejo sempre reclamações das pessoas em dizer que a DC “só tem o Batman” ou “só sabe fodonizar o Batman em níveis absurdos”. Isso não era uma total verdade ainda na fase de Snyder / Capullo, cujo mote principal – se existisse um – era mostrar que o Batman não era o real dono de Gotham, que toda a cidade era maior do que ele. Não li trabalhos anteriores desse escritor, inclusive o vejo sempre ser elogiado pelas coisas que escreveu antes. Pretendo escrever um Mega Post sobre essa fase, mas até o presente momento, até a conclusão do arco “Eu Sou Suicida” (que colaborou para a BOMBA que foi “Liga da Justiça VS Esquadrão Suicida”) eu não achei interessante. Ou então, temos aqui um nível de sofisticação intelectual tão alto quanto “Birdman”, o qual minha mente limitada não consegue acompanhar.


MELHOR DESENHISTA: Greg Capullo



O nível de detalhes que esse cara desenha em quadros, mensalmente, é coisa insana, que até antes “não tava no gibi”. Não digo que Capullo é o mais detalhista e dinâmico de todos que pisaram na terra (ou na DC...), porém desenhar assim todo mês? O cara só vai encontrar páreo pra isso no Darick Robertson desenhando “Transmetropolitian”...









E EXISTE UMA CONCLUSÃO PARA TUDO ISSO?





Existe. As pessoas não falam muito mais sobre gibis ou filmes. As pessoas não falam na verdade sobre nada. Mal lêem algo, e não se permitem usar a massa encefálica para produzir uma interpretação. Por isso o número de “You Tubers” cresce de maneira absurda. Não me leve a mal, eu assisto vários deles. Mas me permita contar uma historinha. Um dia, o Ozymandias aqui, teve que ser uma criança, uma bem chatinha, com a imaginação + de 9000. Com 10 / 11 anos, eu era tão pretensioso, que resolvi criar cerca de 60 personagens no mesmo universo, escrevia história garranchadas sobre eles, sendo cada conto, uma página de um caderno de desenho. Desenhava eles, coloria, recortava, colava numa cartolina.. Recortava outra vez e pronto, essas eram minhas “actions figures”. Via meu tio, que colecionava gibis, apenas da Marvel, e toda vez que ele ia lá em casa, ficava importunando ele perguntando 200 coisas sobre a Marvel. Um dia, saturado, ele disse “Vou trazer a enciclopédia” pra você e pronto!”. E a trouxe, ela era em formatinho, quem é das antigas lembra que a Abril publicava páginas dela em diversos formatinhos, e quem comprava toda a linha, como ele, tinha tudo. Após ler toda ela, economizei a grana, e fui comprando meus gibis. Por quê? Porque eu só queria ler. Não queria saber de cronologia, de ***** nenhuma, só queria ler. Agora não precisava de nenhum adulto mais me “ensinando mega sagas”. Já fazem 11 anos, e nem mesmo acho que li metade do que deveria ler. A diferença do xadrez para os gibis, é que num debate, vence realmente quem tem mais argumentos e os prova concretamente, isso ai, xeque-mate. Ao contrário dos gibis, onde os caras passam todas as semanas discutindo horas sobre como o Goku pode ganhar do Super-Homem ou o Homem de Ferro do Batman.

Um comentário:

  1. Apreciei teu artigo e senti vontade de ler o livro sobre o Kasparov. Conheci teu trabalho através da Tertúlia do Wagner.Eu confesso a vc que me fascina o domínio é a análise apurada que vcs fazem das HQs.Eu de fato não conheço nada...hosyo de ler Tex... tenho vários exemplares...mas leio por puro prazer..!! Uma ótima tarde e obrigada por despertar novos interesses!!

    ResponderExcluir