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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

DJALMA.




Você não conheceu Djalma, e nem o vai. Em clima de “pós-2016”, com tanta gente reclamando do ano e da vida, achei que calharia contar brevemente a história dele, como uma forma de lembrá-lo, mesmo que quase ninguém mais o faça, afinal, o mundo necessita ser cruel, é assim que as coisas devem ser...
Ele era um cara comum, alimentado por sonhos tradicionais de bom emprego, esposa e filhos. Seu pai era um tímido alfaiate, e sua mãe, uma brava mulher que montou uma espécie de associação. Ele tinha dois irmãos, e seis irmãs. Predominante, e ouso dizer, enraizada mente, se me permite a rima, ele vinha de uma cultura desde seu avô, onde os homens eram submissos, e as mulheres que tomavam a frente, eram mais forte, além de em seu lar entre infância, adolescência, elas serem a maioria.
O pai de Djalma morreu na casa dos 50. A mãe dele, diabética, teve de amputar uma perna, e vivia em cima de uma cama. Um irmão seu foi para o exercito, e outro casou, teve duas filhas, e um bastardo por fora do casamento. Suas irmãs se casaram, menos uma, que ficou meio que encarregada de tomar conta da mãe. Todos eram, e ainda são católicos, tradicionais, conservadores preconceituosos convictos.
Em dado momento da vida, Djalma seguiu a cartilha á risca de como os bons moços, cristãos, amados por sua família devem fazer, montou seu pequeno negócio em informática,e foi namorando uma moça com ótimas intenções, noivou, casou, e teve dois filhos, que nasceram autistas, mas não foi nenhum estorvo para Djalma, ele era feliz, sua vida para ele estava plenamente em uso de um propósito. Bem sabemos, que na infância e adolescência, temos bastantes amigos, e na fase adulta, dado os compromissos profissionais e do matrimônio, essa lista sofre um grande corte. Há claro, alguns que acompanham o ritmo, e podem continuar próximos, já que também se casam, tem responsabilidades parecidas e tal. Esses, os adultos conhecem como “amigos de fim de semana”, aqueles a quem se convida para casa para tomar uma cerveja numa tarde de sábado.
Em seus 40 e poucos anos de vida, a esposa do melhor amigo de Djalma lhe algo bem desagradável, e claro, que para ele nunca vai ser verdade. Ela diz que colocou um detetive em cima do marido, e acabou descobrindo que ele tem um caso com a esposa de Djalma. Um total absurdo, pensa Djalma, “isso jamais aconteceria comigo”, “Deus está do meu lado, eu nunca fiz nada errado na vida”. Ela o provoca: “Se quer a prova, experimente chegar mais cedo em casa do trabalho na terça, e é capaz de encontrar os dois na sua cama. Eu sei que eu estou me separando dele, se quiser continuar sabendo, a escolha é sua”. Após muita inquietação, ele resolveu dar essa conferida, tudo deveria ser um mal entendido, naturalmente que ele nunca foi de briga, ou qualquer alteração contra outro ser humano. Saiu bem mais cedo do trabalho, numa bela tarde, e chegou lentamente em casa. Sua mão trêmula guiou a porta do quarto para “ver para crer”.
E ele viu.
Porém não foi notado, e assim permaneceu. Ao que parece, sua cartilha e crenças o tinham levado até aquele cruel momento. Não tentou nem mesmo “fazer uma cena”, como a maioria dos maridos em situações similares, ou qualquer revanchismo. Em silêncio ele saiu, e com uma corda se enforcou.
Você não conheceu Djalma, e nem o vai.
Alguns dias depois, lá estava sua mulher dando entrada para receber a pensão, pela morte do marido, com a ajuda das irmãs de Djalma. Afinal, mulheres devem cuidar uma das outras sempre, e “nenhum homem nesse mundo presta”, todos são como mesmo? Estupradores em potencial? Machistas opressores? Exatamente. Na soma final, o próprio amante sentiu nojo da mulher de Djalma, quando ela o convidou para ir morar na casa, naturalmente, e a deixou. Em alguns “almoços de família”, o nome “Djalma” ainda deve ser citado. De maneira tímida, apática e até enojante.

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