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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

4 EM 11...





Quando foi a última vez que você ganhou uma medalha por algo? Uma competição de esportes? Uma condecoração profissional? As medalhas não lhe significam nada? Antes de mais nada, não há muito valor financeiro em uma medalha, a maioria de nós nunca ganhou –ou ganhará- alguma forjada verdadeiramente em ouro, prata ou bronze. Porém, como disse, não é o valor em grana que ela tem, é algo bem mais que isso, sintetizado a perfeição numa frase que costuma vir nelas: “Honra ao Mérito”. É uma frase lugar comum, mas olhada de maneira calma, ela chega a ser atemporal. Você está sendo recompensando por todos os seus esforços, venceu horas e horas, para brilhar naquele momento, você teve os méritos necessários para ficar entre os melhores, isso é uma honra, e você está... Honrando seus méritos.


A última vez que ganhei uma medalha, foi em 2011, em uma competição de xadrez no colégio. E só. Eu estava pensando nesses dias, quantas chances nós damos a nós mesmos de sermos verdadeiramente bons em algo? Ontem... Joguei um torneio Blitz, simples, com poucas pessoas, formavam onze comigo, e claro, eu era “o novato”. Não me levavam muito a sério, o que era ótimo. Paguei minha inscrição, e minha única exigência foi que eu tinha que jogar com o meu fone. “Ah, mas você não vai se desconcentrar?”, pelo contrário, sem ele é que é o problema por enquanto. Geralmente um batuque na mesa, uma porta se abrindo, e principalmente um barulho de recebimento de mensagem no “zap zap” são coisas que me irritam pra cacete. O único pensamento quando escuto esse barulhinho se repetindo, é procurar um martelo para destruir o maldito celular. Claro que toda essa “rage” afeta minha razão, ainda mais para uma partida, onde preciso de toda ela. E eu havia percebido que poderia ter tido um resultado ainda melhor do que o último se eu pudesse escutar sons que geralmente “fazem minha mente funcionar melhor”.



Escutei, claro, Pink Floyd, precisamente os álbuns “Dark Side of the Moon” e “Wish You Were Here”. Tentei também passar o dia todo sem discutir com ninguém, sem jogar xadrez, resolvendo só minha meta diária de exercícios e nada mais que me deixasse cansado, afinal, o torneio era de 19:30, logo após uma jornada de 10 horas no meu trabalho. É necessário não apenas aprender, mas aprender a conseguir criar circunstâncias para se aplicar o que se está aprendendo, é assim que eu penso. A seguir, rápidos comentários dos seis adversários, com direito a foto de como eu enxerguei cada um. Pelas regras, todos deveriam enfrentar seis adversários, duas vezes seguidas.

CHEFE 01 – “Parabéns”



Acho que entre 33 – 37. Ele não lembrava de mim, mas já havia me esmagado em fevereiro desse ano, com a maior apatia. Dessa vez a história foi diferente. Demorei pra “me soltar”, mas joguei um jogo confortável de pretas na primeira. Entreguei um peão de vantagem a ele da coluna h em troca em um golpe que acabou tirando uma Torre dele. Depois foi apenas simplificação, com ele quase ganhando, mas perdendo por fim no tempo. O cara ficou PUTO; Deu uns “parabéns” pra mim já trincando os dentes, e entrou no segundo round espumando. Fui jogando novamente na calma, numa defesa confortável, e ele tentando trocar peças. Chegou uma hora em que boa parte foram trocadas, e restaram só Reis e peões de cada lado. Sacrifiquei um peão, ele caiu, e recebeu um avanço rumo à vitória.

2 x 0

CHEFE 02 – Poucos segundos



Meu segundo adversário, eu nunca tinha jogado antes. Eu, ele, e mais alguns, ficamos reclamando do barulho de um cara que chegou atrasado, pra jogar a partir da segunda rodada. Joguei uma posição bem apertada, entreguei uma Torre dando xeque, ele tomou de Rei, voltei com minha Dama, xeque nesse Rei e tirava outra Torre dele, mas ainda assim eu estava perdendo, tinha apenas alguns peões e Dama, enquanto ele, peões, Dama E TORRE. Ele levou um xeque, não respondeu, e perdeu por jogada irregular... No segundo round, outra posição bem apertada, em um último avanço, dei um xeque-mate nele de Torre, Cavalo e peão que ele não viu chegando, por causa do pouco tempo que tinha no relógio. Após a partida, eu mesmo disse a ele, que ele deveria ter ganho, já que esse mesmo Cavalo que apoiou o golpe definitivo da minha Torre nele, ficou momentaneamente desprotegido. “Se em vez de recuar sua Torre, você toma aqui, tudo o que eu havia montado caia”.

2 x 0

CHEFE 03 – O campeão



Esse é só o bicampeão do meu estado. Tendo defendido o título contra o ex-campeão (que era hexa). Eu sabia que ia perder, mas não entrei intimidado. Mesmo perdendo, queria ao menos “arranhar” a armadura. E confesso que ainda fiz ele pensar duas vezes. Mas o cara era durão. Enquanto eu havia gasto 2 minutos, o cara tinha gasto só 30 segundos. Fui atacando, criando problemas, dando porrada nele até meu tempo acabar. Ele disse que a partida havia sido boa. Embora no segundo round, eu tenha apanhando feio.

0 x 2


CHEFE 04 – O Atrasado Irônico



Eu havia vencido esse cara no último Blitz, por jogada irregular. Mas já sabia que ele era “batedor”. Por um descuido na primeira partida, ele tirou uma das minhas Torres com o Cavalo. Senti aquele leve desequilíbrio, quando se leva uma pancada forte e se vai ao chão. Joguei muito ruim, já sabendo que tava perdido ali. Mas no segundo round, após ter segurado uma posição lenta, quase sem nenhuma troca, fui privando ele de casas chave, e após uma entrada furtiva de Cavalo apoiado por um Bispo branco a distância, e uma Dama, também a distância, eu quase venço. Mas daí, restavam 20 segundos pra resolver algo que eu precisava de mais tempo... Joguei errado, e ele virou o jogo.

0 x 2

CHEFE 05 – Mas... O que você jogaria daqui?



Nunca ganhei desse cara de olhos azuis e cálculo apurado. E não foi dessa vez, reconheço que ainda não estou pronto. Criei muitas complicações, mas ele foi superando com bastante calma, cheguei perto de ganhar a primeira partida, mas faltou algo. Meu tempo caiu, mas ele ainda curioso perguntou o que eu jogaria em tal posição que tinha parado, calculamos e vimos, que mesmo se não tivesse caído meu tempo, não tinha como vencê-lo. Achei bem atencioso.

CHEFE 06 – Por essa insolência você paga...



Esse daqui eu não admitia perder. Eu tinha perdido para ele por jogada irregular em janeiro de 2014, em um Blitz desse. Eu tava com 20 anos, e ele tinha 15. Não achei legal, perder pra alguém novo assim, daquela forma. Ele veio na primeira partida de brancas, ousado, e já entrou logo trocando Bispos e entrando com a Dama. Olhei bem, e fui trancando a Dama dele. Ele tentou fugir com ela, perdendo pra um Cavalo meu que já estava na espera. Relaxei, e ele acabou virando o jogo. Nesse momento, olhei pro rosto dele, e disse: “Essa eu relaxei, agora dessa você não passa.” E a surra foi memorável, fiquei satisfeito.


1 x 1

CHEFE 07 – Olhe, descanse.




O último adversário, me fez lembrar do “antigo Ozymandias”, quando nem mesmo se chamava Ozymandias. O rapaz devia ter uns 17, e tinha talvez perdido quase todas, ou todas. A primeira, eu conservei contra ele uma vantagem de 3 peões, e simplifiquei, até levar a um final confortável. A segunda, foi nocaute rápido, em menos de 20 lances. Não se tratava de eu estar no full Power, se tratava dele que não tinha treinado mais. Expliquei para ele que eu já passei pelo mesmo, e até pior, ele pareceu entender.

2 x 0


QUARTA-FEIRA, 14/12/16

Pontuação: 7 em 14 possíveis.


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