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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

TERMINEI DE ASSISTIR LUKE CAGE...


Iria lançar esse emaranhado há duas semanas atrás. Porém tava sem pique, e estava escrevendo de forma lenta. Ai resolvi dar cabo tudo em uma madrugada. Isso aqui não é uma crítica analítica como fez o Sr. W sobre a animação da Piada Mortal, mas como achei interessante a estrutura do texto dele, e se tratando de uma série de 13 episódios envolvendo longas horas de projeção, fico adepto por enquanto do modelo de tópicos. Segue abaixo meus 2 centavos sobre essa série. Mas leia sabendo que são 2 centavos de verdade, e não redondos e úteis 5 ou 10 que compram Big-bigs.

1.      INTRODUÇÃO:


1.1     O QUADRINHO

Minha leitura de Cage, excetuando algumas participações rápidas dele na revista antiga do Hulk (contratado para prender Hulk) ou nos quadrinhos do Justiceiro (quem é das antigas vai lembrar do Frank Castle ficando negro para se disfarçar, e sendo sócio do Cage por um tempo nas ruas), foi em Novos Vingadores. E por mais que existam saudosistas de uniforme com tiara, e ele com Black Power, foi a versão dele mais... que ficou. Luke tem consciência social, é malandrão das ruas, porém de bom coração, e não se conecta com a maioria dos supers aclamados pelo grande público como Quarteto-Fantástico ou Vingadores. É pertencente a classe dos urbanos marginalizados mesmo, tal qual o Aranha e o Demolidor. Nem mesmo sua mudada de lema nos negócios ao parar de “receber para proteger” mudou tanto a sua essência.


1.2     PROPOSTA DOS TRAILERS


De acordo com os trailers, Luke seria um recluso, de passado a se descobrir. Tranquilão, “na dele”, sem roupas chamativas ou frases de efeitos, só um bom cidadão injustiçado como vários em áreas pobres, que não quer se diferente dos demais, embora chegue uma hora que algo o pressionaria a “sair da moita” e “tomar partido”, ou seja, ir lá e resolver tudo na porrada e pronto, ao som de muito hip-hop e um passeio turístico pelo Harlem e a “Black Culture” para as massas. Foi isso que aconteceu, produção?

-- Bem, até certo ponto, Silvio. – Eterno Lombardi responde.

1.3     A PROPOSTA INICIAL DA SÉRIE

Harlem e nossos heróis? Os trailers já prometiam. O “compartilhamento cultural” me atraiu bastante, e o tive em boas doses... infelizmente só nos três primeiros episódios da série. Do quarto em diante, pegaram um caminho bem diferente do que eu esperava. Foi uma “regressão” para se contar a origem do personagem, mas acredito que levaram o conceito de “regressão” muito a sério, deixando com um ritmo no episódio #4 bem similar ao da Jéssica Jones. Se eu não tiver sido claro, isso não foi um elogio.
Tirando um flerte meio que perdido, mas que acabou funcionando entre a Misty e o Luke, a série monta suas bases muito bem nesses três episódios, sabemos já “quem é quem”, que há todo um contexto maior que o Cage traduzido pela excelente sacada “Você pode ser invulnerável, mas o Harlém não”, não consegue-se fazer uma comunidade tão crível como na série do Demolidor (e numa série como a do Luke, onde foi tão prometido tanta “personalização”, isso seria o obvio), mas funciona melhor que os coadjuvantes de Jéssica Jones –sempre ela- por exemplo. Ao menos nesse começo de série, a persona de Luke tem seu devido tempo de tela, mas não sufoca todo o resto, há mais do que ele, e sendo direto, personagens melhores escritos, como “Boca de Algodão”.

1.4     TRILHA SONORA E AMBIENTAÇÃO


As duas melhores canções da série aparecem nos trailers, mas não na série. Pronto, falei. Isso não destrói claramente toda a , só deixa um espaço vazio, um injusto espaço, ainda mais na cena da “invasão de QG” onde não toca Shimmy Shimmy Ya. É semelhante a sensação de ta faltando algo com a cena em que Tony Stark se liberta do cativeiro em Homem de Ferro 1 e não toca “Ironman – Black Sabbath” como havia tocado NOS TRAILERS. Lembra de toda a parada da “cidade ser um personagem” aos moldes do citado “Demolidor” ou mesmo a trilogia do Batman? Como eu consigo explicar isso... Bem, a cidade está lá, mas ao mesmo tempo não está. Temos as boates, a música soul, “quase ninguém caucasiano no elenco”, mas em dado momento, as gangues, a diversidade, não recebe o devido espaço, ficando um excesso de projeção em cima do Luke Cage e sua “motivadora enfermeira” vai Luke, Just do it e o Kid Cascavel, cuja origem, métodos, e motivações, conseguem serem pior que seu próprio nome. Quer dizer, acho que o “uniforme” dele ainda supera tudo isso. Ficando a parte mais humana e representativa do bairro mesmo, com a personagem detetive Misty.

Quem precisa de Mary Jane ou Lois Lane?



1.5     O CAMINHO DO HERÓI E SEU ANTAGONISMO



Com donos de barbearias ex-criminoso e de bom coração, vem barbearia e... Um bairro de herança? Ok. Até a parte de botar o terninho e virar o zelador do bairro eu estava entendendo. As cenas com o Boca de Algodão eram sensacionais, credito mais ao esforço do ator Mahershala Ali, que verdade seja dita, esmaga em atuação Mike Colter. Não que Mike seja ruim, é até um ator esforçado, mas Ali é o tipo de cara que realmente convence. E quando exposto suas escolhas arbitrárias e seu sonho perdido, o personagem fica ainda melhor. Embora na visão dos roteiristas, não digno de continuar, o que no meu ver, foi o PRINCIPAL ERRO de toda a série.

Eu tenho aqui um aqui dezenas de cartas de fãs que queriam o "Pai do Chris" como Luke Cage.

Sua prima é tão boa quanto, mas sem Boca de Algodão, a vejo de certa forma incompleta, por mais que dentro do contexto a “ascensão” dela deva-se ao “fim de arco” do primo. E claro, há o Shades. Até a parceira do blog AQUI não gostou dele, mas confesso que gostei dele no que ele se propõe ser. Desde que apareceu, vi que ele é o tipo de “rato” que sobrevive até a uma explosão nuclear. O tipo de covarde que consegue se esconder e ir comendo pelas beiradas até se tornar um vilão principal, e nisso ele cumpre. A canastríce do “tira óculos – bota óculos” é bem proposital, já para mostrar o quanto ele é o típico “patético que paga de fodão”, e não se enganem, há um Shades em cada esquina, o último Shades notório no nosso Brasil foi um que assumiu provisoriamente a Câmara dos Deputados antes do Cunha sair. “Entendedores entenderão”.

2.      MEIO DO JOGO, E AI?

"Quem tu chamou de pagodeiro fiadumaputa?"


E ai que passada a bala no couro onde ela não devia passar, passa-se também um ciclo da série. O que era uma coisa bem coletiva, centra-se de modo enfadonho no Cage e mais de sua... He He... Origem. Ai o Cage manda seus mantras como “não sou um herói”, “Não pedi por isso”, “ela ainda estaria viva”, “acho que sei quem está por de trás disso”... E claro, vem a tona a história do pai dele, um revendo safadão. Agora uma sugestão amiga: Não seria bem melhor para narrativa, que a história fosse realmente contada como foi a do Boca de Algodão? Novamente pego a série do Demolidor. Ela faz uma construção brilhante do Wilson Fisk, de igual com a de Matt Murdock, e não obstante, dedica um episódio inteiro para explicar o enraizamento de suas pretensões que eram puramente ligadas ao próprio pai, como também é o caso aqui. Não a toa, um psicólogo que conheço assim que terminou de assistir Demolidor disse “essa série é psicanálise pura”. Aqui nem mesmo o catalisador de tudo, que é o “reverendo safadão” tem uma perspectiva bem exposta. Foi um recurso dos roteiristas para referi-lo como “pai autoritário e ausente”, mas tão ausente, que sua presença se tornou vaga. E o telespectador pode ter feito pausas para assistir outras coisas ou mesmo ter desistido logo ai.


2.1     AS COISAS NÃO SÃO O QUE PARECEM?

"Como assim você não assiste o pastor Silas Malafaia?!!!"


Pois é, possivelmente o personagem mais interessante da série, é cortado no meio do caminho, em pró do crescimento de outros. E esses outros, acabam sendo cortados em determinado ponto, em pró de Kid Cascavel, que não satisfeito, ainda tenta ofucar o resto das gangues com sua presença. “Tenta” é a palavra certa, porque não há peso no personagem, não há fascínio que o interligue para que ele seja aclamado por quem assiste como “dono do lugar”. Em Jéssica Jones, cujo só agüentei ir até o episódio #03, há uma cena em que Killgrave entra em uma casa, fazendo as pessoas “o convidarem a entrar”. Bastou aquela cena para convencer da gravidade do cara. UMA CENA. Kid Cascável com todas as “matanças” e leituras de sua bíblia passa mais a ideia de algum vilão secundário de algum fanzine que eu não lembro o nome, do que o real antagonista. PQP.

"Bons tempos aquele arco "Blecaute" dos Novos Vingadores, hein, Luke?"


2.2     INTROSPECÇÃO

Não só isso, mas o clima das ruas sai, e entra uma “busca por respostas”...

2.3      “O NOVO VILÃO”

O que seriamos nós sem a caricatura?

3.      A CONCLUSÃO QUE... NÃO CONCLUÍ
3.1     O RETORNO DO HERÓI APÓS O APRENDIZADO

3.2     TUDO EM FAMÍLIA

3.3     REMAKE DE ROCKY V, Não adianta esconder, Luke



E agora, mestre e alunos desiludidos um contra o outro, digladiam-se em frente a toda a vizinhança. Com um deles, é claro, a principio se contendo para não machucar o outro. Golpes de boxe e gritaria nas ruas. O nome do nosso herói sendo gritado, onde eu vi isso? Ah sim... ROCKY V!!! Tive que acelerar a fita. Considere todo esse enorme traço acima como quando acelerávamos o VHS. Parabéns a todos nós que chegamos até aqui e gastamos o tempo de projeção de uns seis filmes. Lembrando que há guerreiros mais fortes que a gente, que encaram de frente coisas como Arrow e Agents of Shild há mais de 4 anos.

Se apontar qualquer semelhança, será chamado de hater. Depois não diga que eu não avisei.



3.4     FUGA DO FINAL FELIZ?

Já tava com a caneta vermelha na mão para dar a nota após o “momento Rocky V” (e olha que ao contrário de 99% dos fãs de Rocky, eu gosto de Rocky V), quando vi que ao menos toda a série não foi empacotada em um final “sessão da tarde”. Certo, não foi um final do tipo “Vamos caçá-lo, porque ele agüenta, já que ele é um guardião noturno silencioso, um Cavaleiro das--...”, mas foi interessante, ainda mais pela fechada de ciclo dos demais personagens, ainda mais dos vilões. Deu um ar mais real de como as coisas funcionam com as lacunas de poder. Eu sei, posso ter sido bem implicante com a série, mas o faço porque ela tinha potencial de ser mais, bem mais. Os trailers prometiam que ela seria a melhor série de todas, e os realizadores prometiam um estilo bem diferente nela, ou seja, veríamos um material ainda mais autoral, divergindo e muito dos clichês do gênero. Faltou a ginga do Brian Azzarello aqui. Fosse como quando ele escreveu uma mini pro CAGE, ou do seu famoso 100 Balas. Faltou um clima como nesse quadrinho pra série, uma atmosfera mais bruta, marginal, informal, sem tanta definição de “herói e vilão” e sim vítimas e sobreviventes. Para os “realizadores” que disseram em entrevistas que um dos filmes preferidos deles era o nosso “Cidade de Deus”, acho que eles se seguraram bastante, e disfarçando, entraram muito na formula.

Nota: 6.3


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