domingo, 2 de outubro de 2016

Ravena: O Parque Branco


"Divertir? Eu nunca me diverti. Sempre pareceu trabalhoso demais."

Faz um tempo, acho que mais de um ano, a DC havia anunciado a vinda de alguns autores clássicos para trabalhar com a Ravena e o Monstro do Pântano em novas séries; dois dos personagens mais curiosos da editora. Mais chamativo ainda, foi o Frank Miller que retornaria ao Batman, com o qual ele havia trabalhado nos clássicos "Cavaleiro das Trevas" e "Ano Um". A Ravena recebeu sua série solo por Marv Wolfman, com desenhos de Alison Borges.


Na trama a super-heroína foi viver na casa de uma tia (do lado de mãe) que ela nunca conheceu pessoalmente. Essa tia tem toda uma grande família que é bem feliz e religiosamente tradicional. Claro que com seu visual de Ravena ela fica meio deslocada. Posteriormente, a garota vai para a escola usando o nome falso de Rachel Roth. Apesar de se destacar com suas roupinhas todas pretas e capuz que fica parecendo a cabeça de um corvo ("raven" em inglês) Ravena não demora pra se enturmar. Também não demora para rolarem umas intervenções astrais que levantam suspeitas de quais serão os demônios responsáveis por elas. Ou seja... resumindo, na primeira edição eles deixam claro que a garota está em busca de seu passado para entender o que há na outra metade dela que não herdou poderes demoníacos, mas haverão inimigos.


Sinceramente? Aqui estou analisando só a primeira edição, então é mais um preview do que review. Bem, no final da edição há algumas coisas mais abstratas, mas são abstratas demais, nada fica realmente claro sobre algo possivelmente interessante que vá preencher o caminho da série. Pra quem gosta muito da personagem, como eu, deve acabar se desapontando, pois não há qualquer tentativa de fazer algo diferenciado, mesmo com a inclusão do cocriador Marv Wolfman. Eu já devia ter esperado, já que ele havia feito outra série solo dela há alguns anos no "DC Especial" e tinha o mesmo problema, a prioridade é muito maior no teen do que no titan. Não tenho certeza de quanto da influência na criação da personagem foi do Wolfman e quanto foi do Péres, maaaaaaaas, eu fiquei com a impressão de ter sido como o sensacionalista retorno do Sr. Miller ao Cavaleiro das Trevas. Tanto alarde de haver um artista de identidade trabalhando no personagem, mas o próprio admite que "Cavaleiro das Trevas III" é muito mais do Brian Azzarello do que dele em qualquer entrevista...
OBS.: Azzarello que se tornou o principal autor de trabalhos comerciais da DC como a dispensável animação da "Piada Mortal", "Fim dos Futuros" e o CDT 3.


Não pense que eu tenho um espírito de velho chato que não gosta de "histórias teen" porque sim. Não chega a isso, pelo contrário. Gosto de muitas histórias ambientadas no universo adolescente como "Glee", "Dez Coisas Que Eu Odeio em Você" e "As Vantagens de Ser Invisível". Mas gosto quando é crível e pertinente, infelizmente Ravena dá indícios de seguir o outro caminho mais fácil e, provavelmente, mais lucrativo também. Eu gosto de histórias de adolescentes com viciados em drogas, gente sem destino e gente grávida, esses negócios muito felizinhos me passam uma impressão super-fake de adolescência, me cativa em nada. 


Eu estaria sendo muito otimista se apostasse que pode sair algo como o alter-ego do Homem-Aranha que de forma muito interessante era o CDF colegial Peter Parker. Pfft, a gente sabe que não vai sair. Usando referências de comparação, a série da Ravena aponta muito mais pro lado de séries como "Arlequina", "Spider-Gwen" e "Ms. Marvel", cujas quais eu não vejo a mínima graça, do que "Hellboy" e "Dr. Estranho", que causariam uma contextualização muito mais interessante. Lembrando tanto essas séries mais modernas que tem estrelado recorrentemente em ranks de venda, me vem a suspeita que assim como o Frank Miller com o novo Batman, o senhor Wolfman não seja muito mais que um boneco de posto de gasolina no desenvolvimento da nova revista. Eu ainda não falei dos desenhos, não é? Bem, não quero falar porque são muito ruins, tchau. Sinto muito, mas senti nada de novo lendo, se eu mudar de opinião lendo o resto, registro em outro post.

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