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terça-feira, 19 de julho de 2016

[TIME PARADOX] As geniais estórias do Deadpool de Cullen Bunn


OBS.: Este post foi publicado originalmente no início do ano passado. Ele foi passado pra cá com poucas alterações para se adequar à época.

"Os heróis do Universo Marvel olham para Wade como piada. Com excessiva cautela eles algumas vezes se preocupam que a piada possa um dia se tornar sombria, que Deadpool possa se tornar perigoso demais para ficar livre. A maioria não dá crédito o bastante a ele para isso, eles o olham como alguém a ser evitado pelo bem da sanidade e dignidade... e não mais que isso..."

Há quase dois anos eu fiz uma análise da série "Deadpool Mata O Universo Marvel", um dos quadrinhos mais divertidos e improváveis que eu já tinha lido. Desde então o texto é um dos mais acessados do meu blog quase todos os dias, se tornando uma das minhas postagens mais populares. O tempo passou, conforme lia tudo do Deadpool que surgia na minha frente eu acabei descobrindo que tinha sobrado um pouco no fundo da panela...


Caso você ainda não tenha lido a estória já mencionada, cuidado, esse parágrafo terá spoilers dela. Em "Deadpool Mata O Universo Marvel", o roteirista Cullen Bunn genialmente desenvolve uma justificativa para o psicopata querer e conseguir matar todo o Universo Marvel! Ele descobre que é um personagem de HQs! Sendo assim, o sofrimento dele jamais terá fim! Ele não vê a mínima graça ao notar que terá sempre que estar se desventurando para manter o entretenimento dos leitores, então sai atrás de todos os personagens com um calculismo incalculável, seguindo para os artistas que fazem as estórias e por fim ameaçando que o próximo vai ser... você!

"Sua tendência de retornar das portas da morte tem nada a ver com seu fator de cura. Seu poder mutante não é regeneração. É popularidade."

Foi único, ninguém conseguia acreditar no que tinha lido, não é por nada que ao terminar a primeira coisa que fiz foi recomendar. É claro que como toda ideia boa (principalmente se tratando de gibis...) ela viria a ser reexplorada sem qualquer piedade. Se acabaram conseguindo até com o Watchmen, é claro que não demorou muito pra rolar com o Deadpool. Sendo assim, eu descobri que as suas quebras da quarta parede e chacinas contra a própria realidade tinham passado longe do fim. E isso começou com...


Deadpool Killustrated


"Bem, tenho um monte de pessoas pra matar e pouca atenção pra desperdiçar, então... me anime."

Após o arco "Deadpool Mata O Universo Marvel", um grupo com os vilões cientistas mais inteligentes da Marvel, descobre sob a teoria de que são todos personagens de quadrinhos o... "Ideiaverso"! Eles descobrem que Wade nunca conseguirá matar realmente todo o Universo Marvel pois novas versões continuarão aparecendo, então ele tem que navegar pelo Ideiaverso assassinando os personagens da Literatura Clássica que serviram de inspiração para os personagens dos quadrinhos Marvel.

"Nós ainda tínhamos estórias para contar."
"Não se preocupe. Quando eu terminar isso... Não haverão mais estórias para contar;"
Nem a turma do Mogli escapou

Assim sendo, em "Deadpool Killustrated" o protagonista lunático segue a fórmula insana da outra série, mas agora destruindo dezenas de personagens famosos da literatura, de Moby Dick à Dracula e Frankenstein. É claro que dessa vez a fórmula não surpreende como da última. A aventura ainda é interessante, pois ver Deadpool matando vários personagens é algo que provavelmente nunca cansará (ainda nem fizeram um filme...). Porém, um ponto legal nem tão previsível assim, é Sherlock Holmes reunir outros heróis de livros como Mulan e Beowulf para investigar o que está acontecendo. Os guias principais ainda são a insanidade e o sem noção, de forma que mesmo repetindo a fórmula do seu antecessor, "Deadpool Killustrated" ainda cativa em suas quatro edições.

E não acaba por aí... Assim como a zuera, o tormento do Mercenário Tagarela não tem fim...


Deadpool Kills Deadpool


"Wade Wilson... A cruzada para obliterar a existência começou... e Deadpool é o progenitor de todas as coisas!"

Nessa estória que ainda segue o cânone do protagonista ter descoberto sua realidade de ser só um personagem de quadrinhos, Wade Wilson descobre o infame... Multiverso, notando que dentro do próprio Universo Marvel há várias versões paralelas dele mesmo. O Deadpool da Terra 616 (a normal, da Marvel Now) é então visitado pela Tropa Deadpool (grupo que já apareceu antes, formado por versões alternativas do Deadpool) que o avisa que um Deadpool de outra dimensão saiu certo de eliminar toda a existência, mesmo que para isso precise viajar pelo Multiverso destruindo todas as versões de Deadpool possíveis. Aí se unem dois grupos; um é a Tropa Deadpool que recebe a visita de um Vigia que se dedicou apenas a observar os Deadpools dos diferentes universos (com um bigodinho de pedreiro e acessórios do Fã-Clube Deadpool); e o outro é um que o Deadpool que quer matar todo o universo reuniu, com as mais improváveis versões alternativas do personagem que Cullen Bunn pôde insanamente imaginar.


A primeira coisa que qualquer um pensa é: agora eles definitivamente forçaram demais a fórmula. Porém, "Deadpool Kills Deadpool" é beeeeeeem mais divertido que "Killustrated", sendo o que se aproxima mais de "Deadpool Mata O Universo Marvel". Na verdade, ele é bem bobo como costuma rolar nas estórias mensais, talvez seja até mais engraçado, só sei que eu rachei do primeiro quadro até o último, todas as quatro partes valem a pena.


Esse parece mais continuação do original, pois há os momentos de clima sério e dramático, que você só percebe ser completamente sem sentido por causa do que está sendo dito nos diálogos e nos quadros de narração. A constante chegada de diferentes versões do Deadpool mantém o humor retardado constantemente, eles simplesmente conseguem ir mostrando uma coisa mais absurda que a outra. O acerto é que Bunn parece saber exatamente o que há de mais brilhante na trama, como as análises impagáveis que Wade faz da situação, e destaque especial para o Vigia dos Deadpools e o Pandapool!

Uma espécie que ameaça você de extinção o/
É toda uma viagem que cooooooom certeeeeeeeeza vale a pena. Apesar de ter esticado até não dar mais a ideia original, Bunn deve ter feito uma das sequências de estórias do Deadpool mais hilárias de todos os tempos. É um rápido conto épico e sem noção onde os dois adjetivos se encaixam constantemente em todas as páginas: épico e sem noção.

Se ainda não leu... NÃO PERCA!

Depois disso Bunn escreveu "Night Of The Living Deadpool".


Night of the Living Deadpool


Wade Wilson, o Deadpool, é uma peça de ouro pra Marvel. É um personagem que eles utilizam como quiserem, abrindo um leque de histórias livremente diferenciadas que conseguem receber reconhecimento graças a popularidade do Mercenário Tagarela. Agora vai aí mais uma peculiaridade do bobo da corte da Marvel.


Essa história começou a ser lançada no início do ano, em janeiro, então se aproveita da onda do "The Walking Dead", ao mesmo tempo tendo influências, usadas como sátiras, de clássicos mais antigos do gênero. São #4 partes. Na primeira história Wade acorda de uma overdose alimentar (comer até morrer, afinal, poder de cura serve pra essas coisas), e quando sai da lanchonete nota que há ninguém na cidade. Nenhum super-herói, nenhum super-vilão. Sobrou apenas o Deadpool.

"Qual é o ponto de ser o Mercenário Tagarela se tem ninguém por perto pra você incomodar?"

É claro que isso só dura até os zumbis aparecerem. Desde as primeiras páginas o roteirista Cullen Bunn já demonstra maestria utilizando o mutante da melhor forma possível, mostrando que a história já vale a pena só pela presença do próprio. Bunn já tinha escrito "Deadpool Kills The Marvel Universe" e agora acerta na fórmula outra vez. O escritor sabe usar o personagem na sua melhor forma, tanto no "blá blá blá" infinito de Wade, que mostra a sua personalidade, quanto colocando as super-habilidades dele em uso em situações extremamente criativas. Tudo sempre partindo pro lado sem-noção, que é sempre o melhor.

Depois que passa o clima de "último homem do mundo" entra o clima "Walking Dead". Não é exagero ou hateragem alguma dizer que essas histórias de zumbis estão ficando todas parecidas. Tem aquelas coisas que seeeempre acontecem, e nessa aventura não é diferente, mas como eu já disse, a simples presença do Deadpool já é o bastante pra deixar tudo com um ar original. Como não poderiam deixar de fazer eles vão tirando sarro desses clichês enquanto Wade tenta sobreviver e descobrir como diabos um Apocalipse zumbi se espalhou exterminando todos os heróis e vilões da Terra. Bem, a história não tem envolvimento com o Universo Marvel, apesar de ficar a ideia que os outros personagens viraram zumbis também.


O artista Ramon Rosanas desenha com um estilo que lembra os gibis do Walking Dead. É tudo acinzentado, apenas o Dead é colorido, ou quando tem alguma cena em que ele lembra do passado. Isso não cansa até o final. Falando no desenvolvimento da história, ela surpreende como "Deadpool Kills The Marvel Universe". O bacana é que, como acontece nas melhores histórias do Deadpool, eles dão sentido a o que não tem sentido. Ou ao menos, ninguém esperaria que tivesse. Assim sendo, a trama te dá umas surpresas, e o final é surpreendente de forma doentia, como você não veria em outra história. Eu particularmente adorei, e deixo recomendado. Com ideias desse tipo, as histórias do Deadpool nunca cansarão.

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