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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Contemple a edição em 3 volumes de Jerusalém


Já foi revelado o pack que trás o novo livro do Alan Moore separado em três volumes. A arte da capa foi feita pelo próprio escritor com o intuito de representar Northampton (cidade-natal onde vive) nos planos físico e metafísico, que é como se passará o grande livro. As fotografias foram tiradas pelo Mitch Jenkins, parsa do feiticeiro que já trabalhou com ele dirigindo aquele "The Show" sobre purgatório, em que o Moore até chegava a atuar no final.

Quem disse que o Alan Moore não tem amigos?

As fotos foram reveladas, pois na Inglaterra o lançamento já será dia 15 de setembro. Haverão duas versões, esta dividida em três partes que pode ser vista na foto e um volume único de 1200 páginas em capa dura. É o segundo livro de Alan, o primeiro foi "A Voz do Fogo", de 1996, também tratando de viagens existenciais em torno do território onde ele foi criado. A diferença é que agora tem muito mais Glycon e cogumelo na fórmula, já que se tratará de uma narrativa maior que...

- Ilíada + Odisséia
- Guerra e Paz
- Guerra dos Tronos
- Senhor dos Anéis
- A Bíblia Sagrada

Alan é mais famoso pelo seu trabalho como escritor de HQs, mas há pouco tempo declarou que pretende se aposentar do território após concluir a série da "Liga Extraordinária" com um último volume.


Veja a definição de "Jerusalém" escrita pelo autor. Já vá avisado que é viagem, amiguinho...


"Num espaço de pouco mais de um quilômetro quadrado de decadência e demolição daquilo que uma vez foi a capital da Inglaterra Saxônica, a eternidade se arrasta por entre blocos de edifícios que, se inflamados, são como uma sentença de morte. Cravado no amarelo-sujo da narrativa do distrito, entre seus santos, reis, prostitutas e derelitos, uma espécie distinta de temporalidade humana se processa, uma simultaneidade adulterada que não diferencia entre as poças coloridas por manchas de óleo e os sonhos despedaçados daqueles que por elas navegam. Espíritos malignos, mencionados pela última vez no Livro de Tobias, esperam em escadarias fétidas de urina, os espectros delinquentes de crianças desafortunadas minam um século com túneis e, nos salões acima, os trabalhadores com sangue de ouro resumem o destino a um torneio de sinuca.

Alamedas que desapareceram produzem suas próprias vozes, feitas de palavras perdidas e de dialetos esquecidos, para falar de suas lendas corrompidas e contar sua genealogia surpreendente, histórias de família, de escândalo, loucura e maravilha. Há uma conversa que se passa na Catedral de Saint Paul, no domo atingido pelo relâmpago, um nascimento nos paralelepípedos da rua Lambeth Walk, um ex-casal sentado a noite inteira nos degraus gelados da entrada de uma igreja gótica, e um bebezinho que passa onze capítulos engasgando com uma pastilha para tosse. Uma exposição de arte está sendo preparada, e acima do mundo um velho nu e um lindo bebê morto correm ao longo do Sótão do Sopro rumo à ardorosa morte do universo.

Uma mitologia opulenta para aqueles sem um penico para urinar, pelas labirintescas ruas e páginas de Jerusalém caminham fantasmas que cantam versos de riqueza e pobreza; da África, e hinos, e nosso milênio maltrapilho. Eles discutem o Inglês como uma língua visionária de John Bunyam a James Joyce, discursam a ilusão da mortalidade pós-einsteiniana, e insistem que a favela mais cruel é a cidade sagrada e eterna de Blake. Feroz em imaginação e entorpecente em abrangência, esta é uma história de tudo contada de uma sarjeta que não existe mais."


Infelizmente, no Brasil o lançamento está previsto apenas para o final de 2017. Mas pra quem ainda não conhece, lançarão uma versão completa de 384 páginas da passagem do barbudo pela revista do "Miracleman", contando com galerias de capas e esboços. Deve sair em agosto já, mas o preço não foi confirmado. A previsão é de uns 90 reais. O que me chamou a atenção mesmo é que estão planejando de futuramente publicar a passagem do Neil Gaiman compilada, essa eu nunca li, só ouvi falar.


Temos um post avaliando grande parte da carreira de Alan Moore:


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