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quarta-feira, 22 de junho de 2016

[TIME PARADOX] Hellboy: O Vigarista


Esse belo conto do anti-cristo da Dark Horse é uma das histórias mais sinistras e perturbadoras que já li do personagem. Em três edições o detetive Hellboy tem que lidar com as maldições que já está acostumado em um vilarejo humilde e... mórbido. Aqui o clima de terror é mais forte e quase constante, praticamente não havendo passagens mais descontraídas que são comuns nos roteiros de Mike Mignola.


Falando no criador do personagem, nessa história Mike cuida da escrita e deixa a sua característica arte ser substituída pela de Richard Corben. Como funciona a dupla? Da melhor forma possível. O roteiro de Mike é sombrio desde o princípio, enquanto os desenhos de Corben parecem mais formidáveis do que os da própria lenda Mignola! Mas vamos falar da história. "Hellboy: O Vigarista" começa com o nosso demônio preferido ajudando uma família de caipiras que vive próxima de uma floresta em 1958. Eles estão pedindo ajuda do detetive paranormal pois uma jovem mulher da família está paralisada sem mexer um músculo. Eles acreditam que ela foi amadiçooada por ter brigado com uma bruxa do vilarejo. Essa não é a primeira coisa ruim que acontece com eles, graficamente fica inegável como se trata de uma família mórbida e o tom pessimista prossegue com cenários góticos e os eternos olhares mortos nos rostos dos personagens de Hellboy.

Para ajudar a família, o anti-herói se une ao rapaz acima (Tom), irmão da garota, e sobem as colinas para encontrar a bruxa e tentar resolver o tal problema. Durante a investigação vão começando a surgir os detalhes mais macabros do caso. Ao mesmo tempo (tudo isso ainda na primeira edição) a história individual do camponês Tom é contada e detalhes de rituais e magia negra vão sendo descritos. É meio perturbador e quando começa... vem tudo de uma vez! É um ponto em que você nota que ou arrega ou vai continuar até o final.

Isso não é nada

Apesar de ser Richard Corben quem cuida da arte, vários elementos de sequência vem da narrativa de Mignola, como os animais que aparecem apenas observando, causando um tom mais sombrio e alguns quadros que falam mais por ação do que por fala, assim ainda parecendo com as histórias de sempre do Hellboy, mas com desenhos que eu pessoalmente achei ainda melhores. Uma das coisas mais perturbadoras e bizarras é o "vilão" que faz o título da história. Alguns mais velhos o chamam de "O Avarento Assustador", mas é mais conhecido como... O Vigarista.

As cores são resultado de Dave Stewart, que também fez um excelente trabalho

O personagem é uma espécie de demônio/poltergeist representado por um senhor deformado e sempre sorridente. Se tratando da representação do Mal na aventura, o Vigarista é um personagem feito apenas para incomodar desde a aparência até níveis mais desesperadores, ou seja, nada de simpatia com ele. É aquele tipo de inimigo que você olha pra cara dele e nota que inegavelmente... ele é mau. Não tem esperança. Tirando o próprio Hellboy, não há outros personagens conhecidos, são os camponeses, bruxas e o Vigarista que veio aterrorizar Tom. A história é sobre ELES, Hellboy é só um observador na trama, como outros personagens quietos constantemente envolvidos em eventos maiores como Charlie Chaplin e Mickey Mouse.

Isso não tira o charme do vermelhão, pelo contrário. Na verdade, segue um estilo muito comum nas histórias do Hellboy que é raro ver em outros quadrinhos. Ao mesmo tempo que a história é descompromissada pertencendo a um arco fechado, ela não deixa de ter brevíssimas menções aos inevitáveis eventos futuros da vida de Hellboy, assim não deixando de fazer parte da principal saga dele, deixando claro que não ignora a sua mitologia. A conclusão na terceira parte é bem recompensadora, envolvendo tensão emocional e uma boa luta contra o vilão, sem deixar de lado o tom sinistro, nem-por-uma-página. Elementos esses que seriam bem vindos em um terceiro filme do personagem (aquele vazio do tamanho do mundo).

Achei essa história é um ótimo exemplo de como o personagem é competente em contextos diferentes! Para mim a utilização dele em outras mídias, como nos filmes do del Toro, apenas o deixam mais forte. Mas vale a pena procurar pelas histórias do Hellboy, pode ser simples mas é muito bem feito! Só não posso criticar os desenhos porque nunca assisti, mas os jogos... Deus me livre, cara. Aquilo sim é coisa do capeta.

Acho que já foi o bastante pra te convencer, né? "Hellboy: O Vigarista" é NOTA 10! Se você não gostar, é porque sem dúvidas não deve gostar do personagem. Vale pesquisar, se quiser pode tentar pelo nome em inglês, "Hellboy: The Crooked Man". Agora vou deixar a minha eterna cena preferida das histórias de Mignola:

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