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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Os planetas mais estranhos já encontrados fora do nosso sistema solar - parte 1


Gás, rochas, lava, diamante, vidro, gelo ou pura água líquida. Componentes estes que compõem planetas, essas estruturas gigantescas que flutuam pelo universo quase sempre atraídos pelas estrelas ao seu redor. Alguns são incríveis, outros são bizarros, alguns podem suportar a vida e outros podem ser infernais, mas todos tem o seu encanto. Infelizmente nós só podemos observar a maioria pelas lentes dos satélites que estão viajando pelo universo neste momento. Entretanto, você tem ideia do que pode estar ao nosso redor no universo que chamamos de “visível”? Muita coisa já foi descoberta! Confira esta listinha intrigante:

**Algumas imagens são meramente ilustrativas e todas elas podem ser ampliadas clicando-se sobre as mesmas.**

O exagerado - J1407-B está a 116 anos-luz da Terra. O mais incrível desse planeta é que ele tem anéis 200x maiores do que os anéis visíveis de Saturno (explicarei depois esse negócio de “anéis visíveis”). É tanto anel e eles são tão grandes que o planeta quase se perde de vista ali no meio. Eles se estendem por 180 milhões de quilômetros e há uma certa área vazia entre eles onde pode haver um satélite natural com o tamanho da Terra que completa sua órbita a cada 2 anos terrestres. Os astrônomos não fazem ideia de como o J1407-B conseguiu ter tantos anéis. Para se ter uma ideia, se Saturno tivesse os mesmos anéis se tornaria totalmente visível da Terra.


O romance proibido - HD 106906 b está a 300 anos-luz da Terra, na constelação Crux. Chega a ser 11x maior que Júpiter e por isso é chamado às vezes de "Super Júpiter". A coisa bizarra sobre ele é que está tão distante da estrela do seu sistema solar que seria o equivalente a 22x a distância entre o nosso Sol e Netuno, ou seja, é distância pra caramba! É raro um planeta ficar tão distante assim, o que lhe dá o título de planeta mais solitário e isolado do universo. Outro fato interessante é que há apenas ele e sua estrela em seu sistema solar, estrela esta que chega a ser 1,5x maior que o sol. Uma teoria sugere que o planeta surgiu em outro sistema solar e veio de alguma forma parar na órbita da nova estrela um tempo depois, o que explicaria a longa distância entre eles. É uma longa história de amor entre um planeta e uma estrela que não conseguem se aproximar e que ainda espera para ser desvendada.

Essa é a rota orbital do HD 106906. Repare que a estrela é a bola colorida massiva do lado direito e o planeta está mais acima.

O sombrio - TrEs-2b está a 750 anos-luz da Terra. É o planeta mais escuro do universo. Curiosamente reflete 1% da luz que recebe de sua estrela, o que significa que carvão reflete mais luz do que a atmosfera do TrEs-2b. O pouco que reflete se traduz num baixo brilho avermelhado. Provavelmente esse planeta tem uma das atmosferas mais tóxicas também, o que explicaria sua cor vermelha bizarra e principalmente o fato de que ele absorve 99% da luz, teoricamente composta de sódio vaporizado e óxido de titânio. Tem quase o mesmo tamanho de Júpiter.


O melhor amigo das mulheres - 55 Cancri-e está a 40 anos-luz, na constelação de Câncer. Cientistas acreditam que o planeta seja um grande diamante flutuando no espaço atraído pelo sol do seu sistema solar e é apenas um pouco maior do que a Terra. Uma teoria sugere que o planeta antes era uma grande massa de carbono, mas graças às altíssimas temperaturas e pressão da estrela próxima, ele tenha se transformado numa joia flutuante. Sua superfície é composta de grafite, mas abaixo está a grande joia. Cerca de 1/3 de sua massa total é diamante. Se formos calcular o valor dele, pode chegar a uma quantia que é tão absurda que nem as calculadoras poderosas poderiam lidar com tal valor. Entretanto não se iluda: minerar essa quantidade massiva de diamantes e trazê-los para a Terra faria com que a pedra desvalorizasse tanto que não valeria nem 1 centavo furado, sem contar que quebraria o mercado global. Acho que não é tão bom amigo assim...


A estrela fracassada - PSR J1719-1438 fica a 4mil anos-luz. Uma teoria sugere que o planeta antes era uma estrela, mas graças à uma estrela próxima maior e mais poderosa que sugou boa parte da sua massa, acabou sobrando apenas o carbono submetido a altíssimas temperaturas e pressão em seu interior, ou seja, o diamante. Sim, é outro planeta composto basicamente de carbono e diamante.


O paradoxal - Gliese 436 b está a 36 anos-luz, na constelação de Leão. Tem praticamente o mesmo tamanho de Netuno. O interessante desse planeta não é que ele foi o primeiro planeta fora do nosso sistema solar onde foi detectada água, mas sim que está tão próximo da estrela do seu sistema solar que o gelo em sua superfície se incendeia constantemente. Como é possível que gelo se incendeie? Basicamente a gravidade desse planeta é tão forte, mas tão forte que o gelo da superfície não consegue evaporar. Entretanto sua proximidade com a estrela o aquece de tal forma que o gelo pegue fogo. Esse tipo de gelo é conhecido como “gelo V” (gelo cinco). Já imaginou um boneco de gelo que aguentasse temperaturas de 500 graus sem derreter? Com esse tipo de gelo é bem possível. Que paradoxo!


O suicida - WASP-12b está a 870 anos-luz. Este planeta orbita ainda mais próximo da sua estrela e isso está destruindo o pobre coitado, pois a estrela está devorando-o aos poucos. Cada vez que ele completa uma volta, perde mais e mais massa. Isso lhe dá uma forma diferente dos outros planetas do universo, uma forma semelhante à de um ovo de galinha. Por enquanto ele chega a ter 1,5x a massa de Júpiter e o dobro do seu tamanho. Sua superfície pode chegar a 2200 graus e é composto basicamente de gás. Foi na verdade o primeiro planeta a comprovar a teoria de que as estrelas podem devorar planetas e está sendo monitorado para que possamos entender os estágios finais da vida deles. É também o planeta mais quente conhecido. Mas não fique chateado (a), pois estima-se que ainda vai demorar uns milhões de anos para ele ser totalmente engolido pela estrela. Certamente um longo adeus!


A linha da vida - Gliese 581-c está a 20,5 anos-luz, na constelação de Libra. Alguns cientistas acreditam que esse planeta possa suportar a vida, assim como a Terra. Seu diâmetro é 50% maior do que a Terra, é 5x mais maciço e por isso é conhecido também como “Super Terra”. Ainda assim ele é um pouco diferente da nossa bolinha azul flutuante. Orbitando uma estrela vermelha anã (o que provavelmente tornaria o céu diurno em um vermelho carmesim bizarro, um crepúsculo eterno praticamente), a proximidade com a estrela o fez parar de girar em seu próprio eixo, ou seja, não faz o movimento de rotação e isso é um grande problema porque um lado fica frio demais com noite eterna e o outro quente demais com dia eterno, portanto a vida só seria possível no meio termo, ou seja, na linha tênue que divide o lado quente do lado frio. Ali teria a temperatura ideal para a vida, porém não haveriam estações e ainda teríamos que lidar com tempestades de vento e chuva constantes. Acredita-se ainda que a atmosfera seja mais densa por lá e a luz vermelha da estrela forçaria as plantas a fazer fotossíntese com espectro infravermelho, o que lhes daria uma cor negra ao invés de verde. Em 2008 cientistas mandaram uma mensagem na direção desse planeta, esperando que alguma forma de vida um dia possa responder. Deve chegar lá em 2029. Quem sabe?


O aguado - GJ 1214b fica a 40 anos-luz. Esse planeta simplesmente não tem terra em sua superfície, ou seja, 100% da superfície é recoberta com água na forma líquida. Alguns o chamam de "planeta oceano". Acredita-se que esse oceano interminável é também muito profundo. Algumas teorias sugerem que no fundo de todo esse oceano infinito há uma grossa camada de gelo, mas não se engane porque esse gelo não é o típico que você conhece e provavelmente tem no freezer da sua casa. Esse gelo todo se forma porque é submetido a uma pressão altíssima e não por causa de baixas temperaturas, o que o bota numa categoria diferente de gelo chamada de “gelo VII”. Por baixo do gelo há rocha.


O grandalhão - WASP-17b fica a 1000 anos-luz, na constelação de Escorpião. É o maior planeta já descoberto. Chega a ser muito maior do que Júpiter. Esse tamanho todo é um grande quebra-cabeças para os astrônomos, já que põe em xeque todas as teorias de como os planetas se formam e ainda por cima o coloca como “planeta impossível”, já que esse tamanho todo em teoria é impossível de existir. Sua atmosfera também é pouco densa. Ele ainda orbita na direção contrária que sua estrela gira, o que é bastante raro também. Por que ele faz isso? Grandes mistérios do universo!

Comparação do tamanho entre Júpiter (à esquerda) e WASP-17b (à direita).

O iluminado - HD 188753 fica a 149 anos-luz, na constelação Cygnus. Está localizado no sistema solar mais bizarro e único do universo porque tem não apenas uma estrela, mas TRÊS! Acredita-se que qualquer coisa nesse planeta possa ter 3 sombras. Provavelmente os eclipses solares são constantes e é possível ver a luz de qualquer lado que você olhe, sendo que os dias são bem longos por lá, sem contar que o planeta é muito quente por orbitar bem próximo de uma das estrelas.

Simulação de pôr-dos-sóis com 3 sóis.

O evaporado - HD 209458-b fica a 150 anos-luz, na constelação de Pegasus. Também conhecido como Osíris, nome dado em homenagem ao deus egípcio. Outro planeta que vive super próximo de sua estrela. É 30% maior do que Júpiter. O calor é tão alto (cerca de 1000 graus celsius) e ele sofre tanta pressão que seus gases atmosféricos como oxigênio, carbono e hidrogênio simplesmente evaporam para fora do planeta. Na verdade, se você tiver um binóculo ou um telescópio comum poderá vê-lo! Foi o primeiro planeta descoberto fora do nosso sistema solar, também o primeiro a ter sua atmosfera medida e o primeiro a confirmar que tem vapor de água.


O idoso - PSR B1620-26-b fica a 12.400 anos-luz, na constelação de Escorpião. Acredita-se que seja 3x mais velho do que a Terra, o que o torna um dos planetas mais antigos do universo e lhe rende o apelido de "Matusalém" com respeitáveis 12,7 bilhões de anos. Chega a ter 2,5x o tamanho de Júpiter e completa sua órbita em aproximadamente 100 anos, sendo que está a uma distância do seu sol semelhante à distância entre o sol e Urano.


O novinho - HAT-P-11b fica a 122 anos-luz, na constelação Cygnus. Também é conhecido como Kepler-3b. Chega a ser 4,7x maior do que a Terra e até 26x a massa dela. Orbita próximo de sua estrela e possui temperatura de 590 graus, e olha que a estrela mede 3/4 do nosso Sol e é mais fria. É considerado o planeta mais novo do universo.

Comparação de tamanho entre HAT-P-11b (à esquerda) com Netuno (à direita).

Conhece outro planeta? Acha que deveria ter algum incluído aí? Conta pra gente nos comentários!

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