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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

As armas mais inusitadas já criadas - parte 1

Armas fazem parte da história do ser humano. Desde as primeiras pedras e paus que tacamos uns nos outros (ou ossos, segundo o filme Odisseia no Espaço), tudo tem evoluído conosco desde então. Hoje as de fogo imperam, mas até chegarmos nelas foi necessária a criação de muitas outras armas, a maioria estranhas e extremamente fatais. E mesmo as armas de fogo tiveram suas variações malucas.

Listei aqui algumas delas:

Macuahuitl – parece uma palmatória antiga que usavam para educar crianças, mas é na verdade uma espécie de espada asteca. Um longo e pesado pedaço de madeira tinha encaixados vários pedaços de obsidiana. Quem joga ou já jogou Minecraft já ouviu essa palavra, mas ao contrário do jogo, a pedra que surge próxima aos vulcões não é difícil de ser quebrada. A vantagem dela é que é uma das pedras mais afiadas que existem na natureza. Esse vidro roxo corta num piscar de olhos, o que era excelente para os astecas no meio de uma batalha. Claro que não dava pra perfurar o inimigo, mas os cortes feitos com ela permitiam aos soldados pegar o coitado atingido e leva-lo ainda vivo para os rituais macabros de sacrifício e canibalismo típicos da cultura asteca. Entretanto, se fosse necessário, elas poderiam ser usadas em execuções que envolviam decapitação também, inclusive tem registros de que elas podiam decapitar facilmente um cavalo, pra você ter uma ideia de como a obsidiana é extremamente afiada. Por último, elas podiam servir de porrete.



Chakram – essa é famosa por causa da Xena, personagem principal da série de televisão “Xena: a princesa guerreira”. Lembra daquele arco espetacular que arrancava cabeças, cortava maçãs ao meio e tirava umas faíscas lindas quando ricocheteava nas paredes? Pois bem, essa arma existiu de verdade! Vinda da índia há 3 mil anos e pertencente aos Sikhs, o chakram era uma arma circular de 30cm de diâmetro muito afiada na parte externa, tanto que era necessário se ter mais habilidade para manuseá-la e não se machucar do que para conseguir acertar algum alvo. Essa belezinha mutilava com facilidade os membros de um soldado inimigo. Entretanto, ao contrário do que a Xena fazia lançando o arco quase como um frisbee, o chakram era sempre lançado na vertical. O movimento mais famoso se dava quando o atirador rodava a arma no dedo indicador e arremessava-a no oponente com um movimento do pulso. Depois era só resgatá-la e atirar em outro coitado pelo caminho. Também foi usada no Paquistão e no Irã.




Revólver Apache – criado pelo francês Loius Doune no início do século XIX, esse revólver é quase como um canivete suíço, acoplando 3 armas em 1 só: um canivete, um soco inglês e um revólver, é claro. O revólver de 7mm a 9mm de calibre tem também um tambor que curiosamente gira em sentido horário. Quando aberto, uma lâmina afiada se dispõe logo à frente do cano da arma, podendo ser usada para perfurar ou cortar um oponente. Se dobrado, vira um soco inglês. Era mais utilizada para combate de curta distância, mas outras armas faziam mais estrago, o que explica porque ela caiu rapidamente em desuso. Tem esse nome porque foi muito popular numa gangue francesa de 1900 chamada “Los Apaches” (esse nome era dado a eles porque costumavam ser muito violentos e selvagens, como os índios Apaches na América do Norte). Há boatos de que tenham sido usadas por soldados britânicos na segunda guerra também.


Soco inglês, faca e pistola.
Tesouras – sabe aquele utensílio que você tem e que é super útil? Pois é, a arma não tem nada a ver com ele, exceto o nome. Utilizada pelo gladiadores do Império Romano, era usada comumente em combates chamados “tesouras” também. Era de aço, com tamanho médio de 50cm, leve (3kg) e eram acopladas por um longo tubo metálico aos braços dos gladiadores. Podiam atacar ou serem usadas para bloquear ataques. Elas não apenas cortavam com facilidade, mas também permitiam que um simples movimento rápido fizesse um grande estrago no oponente, o que era muito apreciado pelos espectadores. As batalhas não era muito bonitas, pela grande gama de mutilação que proporcionavam, mas podiam ser emocionantes.


Pé-de-pato – ou no inglês “duckfoot”, era uma arma que eu diria ser “excêntrica”. Criada em 1800 e graças a vários canos, ela se assemelhava a um pé-de-pato. Podia ter de 3 ou mais canos lisos, todos disparados simultaneamente e algumas tinham até 8 tambores. Em teoria, ela seria excelente pra eliminar vários oponentes de uma única vez, mas o problema é que não era nada precisa, ou seja, uns tiros e você não mataria nem meia dúzia podendo ser atacado rapidamente pelo inimigo. Ainda sim era popular entre guardas de prisões, capitães de navios e outros cargos que precisassem manter o controle sobre grandes grupos de pessoas. Um fator determinante que a fez cair em desuso foi o formato que não era nem um pouco prático, então guardá-la no coldre era um pouco trabalhoso, sem contar que recarregar 8 tambores demandava um tempo que muitas vezes você não tinha no meio de uma batalha ou confusão. A boa notícia é que é bastante colecionável.



Garra de Arquimedes – Arquimedes não era apenas um gênio da matemática, mas também um projetista de primeira. Segundo relatos, a cidade de Siracusa estava sendo atacada pelos romanos. O que Arquimedes fez para protege-la foi uma arma poderosa que ficava escondida ao lado das muralhas da cidade. Ninguém sabe como era a sua aparência, mas provavelmente era um tipo de guindaste gigante que conseguia agarrar navios romanos, erguê-los e estraçalha-los soltando-os novamente na água. Um navio que tenta abordar uma cidade geralmente reduz a velocidade para a velocidade da água, tornando os tripulantes e a própria embarcação muito vulneráveis. É aí que entravam as garras metálicas, lançadas pelas muralhas e que agarravam os navios próximos, erguendo-os, virando-os e lançando-os contra as rochas. Obviamente isso destruía as embarcações. E para fins de curiosidade: Siracusa até venceu os romanos naquela época, mas 3 anos depois caiu e Arquimedes foi morto por um soldado romano (que ironia) que queria que ele parasse de fazer projetos matemáticos.


Pistola de mão Turbiaux – os franceses eram mestres em armas compactas. Esta arma em especial é tão incrivelmente compacta que até o carregamento dela é estranho. Se encaixava na palma da mão da pessoa, deixando apenas um cano de calibre de 8mm para fora, entre os dedos. Foi inventada em 1882 na França por Jacques Turbiaux e um ano depois ganhou uma modificação pela Chicago Fire Arms Co. nos Estados Unidos. Tem um tamanho aproximado de um relógio de bolso, mas o interessante é que não havia um gatilho para dispará-la. Bastava apenas que a pessoa pressionasse a arma na mão. Tinha como finalidade proteger a pessoa de um assalto ou ataque, já que podia ser pequena o suficiente pra caber no bolso e ao mesmo tempo facilmente disparada. Com um carregamento complicado e a possibilidade de sair com os dedos dilacerados ou queimados, a arma caiu em desuso.


Mere – usado pelos Maoris da Nova Zelândia, esse poderoso porrete feito de jade do tipo nefrite mede cerca de 30 a 50cm. É usado basicamente para socar ou para ser arremessado contra o oponente. Era também uma arma espiritual que acreditava-se ter a força da natureza, além disso ganhava um nome e era passada de geração para geração. Quando um era perdido, a tribo inteira se mobilizava para encontra-lo e devolvê-lo ao seu dono. Eram símbolos de status e muito respeito usados principalmente pelos líderes das tribos.



Quebrador de espadas – parecia um simples punhal, mas era uma ferramenta para quebrar as espadas dos outros. De um lado tem uma lâmina afiada e do outro tem uns dentes ou os dentes ficam no final da lâmina, próximos ao cabo. Com o movimento certo, você poderia encaixar a espada do seu oponente entre os dentes e então bastava uma torção (às vezes até uma leve bastava) para que a espada dele se quebrasse. Foi muito comum na Idade Média e Renascença. Existiam outras variações também, mas apenas a dentada servia para quebrar espadas. Os outros punhais sem dentes geralmente ajudavam a desviar a espada do oponente ou prendê-la para impedir ataques, como os tridentes por exemplo. Eram usados na mão que não ficava com a espada principal, servindo apenas de auxílio.


Pistola cutelo – essa também não tinha um cutelo preso à arma, não, era muito pior! Todo mundo já está cansado de ver uma baioneta com uma faca presa na ponta, mas esta pistola já vem com uma faca forjada junto ao cano. Mortal e perigosa até pra quem maneja.


Morcegos bomba – durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos decidiram atacar o Japão com uma frota bem inusitada. Pequenos morcegos carregavam dispositivos incendiários. As vantagens destes animais é que existem em grande quantidade, por serem pequenos podem facilmente entrar em casas e prédios, tem hábitos noturnos e conseguem carregar mais do que o seu próprio peso. A ideia era soltá-los à noite nas zonas industriais japonesas, deixando-os se espalharem pelas cidades e explodindo por todo o lado. A “brilhante” ideia do então atual presidente americano Franklin Roosevelt até mostrou bons resultados em testes, mas acabou sendo abandonada para que o governo tivesse como prioridade o desenvolvimento da bomba atômica, cujo nenhum morceguinho era páreo.


Gatos bomba – outra ideia ridícula do governo americano, aliás, talvez a mais estúpida que já teve nesse planeta. Partindo-se do princípio de que gatos sempre caem de pé e detestam água, então por que não acoplar gatinhos em mísseis que seriam lançados diretamente nos navios alemães? Teoricamente os gatos “corrigiriam” a trajetória dos mísseis, pois seriam lançados de aviões em movimento sobre navios em movimento e teriam paraquedas. Tudo porque o gato iria preferir o convés seco do navio do que as águas “molhadas” do oceano e, portanto, iria modificar a trajetória do míssil. O problema é que os bichanos desmaiavam antes mesmo do míssil atingir o alvo e o projeto acabou sendo abandonado.

Imagem meramente ilustrativa!rs

Cachorros bomba – enquanto os americanos explodiam gatos e morcegos, os soviéticos tentavam arranjar um jeito de explodir os tanques alemães. Mas como chegar perto de um tanque sem ser notado? Bem, por que não usar um cachorro? Se bem treinado, o bicho poderia se tornar uma arma letal! Então algumas minas foram amarradas em cães e estes deveriam se posicionar embaixo dos tanquesa. Ao menor toque da mina com o tanque e tudo iria pelos ares. Entretanto, o tiro saiu pela culatra porque os pobres animais se assustavam com tiros dos canhões e voltavam para as tropas soviéticas, explodindo-as.


Ratos bomba – os aliados precisavam parar os nazistas o quanto antes e para isto abusavam de armas e técnicas espiãs. Uma delas não era exatamente digna, mas muito eficaz. Como colocar bombas em trens alemães sem que eles descobrissem? E olha que os nazistas eram bem espertinhos pra descobrir esse tipo de coisa! A solução criada pelos britânicos foi implantar ratos mortos com bombas em seu interior nos trens alemães, afinal quem suspeitaria do pobre bicho que jazia em paz? Infelizmente pros aliados (e felizmente pros nazistas), as bombas acabaram sendo descobertas e nunca cumpriram seu objetivo. Entretanto, os alemães ficavam tão preocupados com fazer buscas em todos os trens freneticamente que perdiam um tempo valioso, o que foi visto como “sucesso” pelos aliados, dando-lhes mais tempo para agir contra os nazistas.


Revólver oculto – bastava prender o dispositivo no braço e cobrir com uma manga comprida. Na era pré-detectores de metais, era uma excelente forma de surpreender alguém com um tiro certeiro.


Lançador Wheellock – o que pode ser mais desastroso do que uma arma comum ou com uma faca acoplada? Exatamente, uma pistola lançadora de granadas. O wheellock mede 14cm e surgiu em 1580, caindo em desuso depois da primeira guerra mundial. Era capaz de disparar 2 granadas e era uma mão na roda pra soldados que combatiam em pé, já que lhes dava um baita poder de fogo.



Arma de 20 balas – os fazendeiros já estavam fartos de ter que lidar com roubos de gado em suas propriedades na Europa e precisavam de algo para espantar ou deter esses larápios descarados. Em 1823 foi inventada na França esta arma com um tambor capar de armazenar até 20 balas. Com rodadas off-set, ou seja, apenas uma bala sendo disparada por vez, a arma conseguiu uma bela fama, sendo usada inclusive na guerra civil americana mais tarde.



Vespa mortífera – não me refiro ao animal, embora ele também seja coisa do capeta. A Vespa é um veículo muitas vezes subestimado. O caso é que em 1956 a França ganhou o modelo 150 TAP, equipado com um belíssimo canhão M20 de 75mm. Servia basicamente para auxiliar paraquedistas. Acabou ganhando o apelido de “Vespa bazuca”. Mas por que usar uma Vespa? Na verdade elas eram muito baratas e como o exército francês já tinha um monte de canhões guardados nos depósitos, juntaram o útil ao agradável e surgiu esta belezinha.

  
Shuanggou – também conhecidas como espada-gancho, espada-orelha ou garras-de-tigre. Foram inventadas por monges chineses Shaolin do norte e, apesar de serem mencionadas em antigos relatos, ainda são usadas como armamento moderno, inclusive constam na lista de armamento bélico oficial chinês. Requerem muita habilidade e, consequentemente, um treinamento árduo. São afiadas nas bordas, tem um cabo que pode ser usado como punhal, mas o legal delas é que podem se conectar a outra e aumentar o alcance do ataque. O gancho é uma coisa que você não iria querer em nenhuma parte do seu corpo (talham com facilidade e parecem um anzol), mas podem ser usados para desarmar o oponente também. Medem de 90 a 96cm e podem pesar até 550g. É típica da cultura do norte da China, porém hoje o pessoal do sul também a usa, apesar de que é muito mais comum como arma de defesa dos Shaolin e que os camponeses também as usavam muito em tempos antigos. Essa arma foi utilizada pelo Kabal no jogo Mortal Kombat.
 

Kpinga – típica da tribo Azande da Nubia, na África (norte do Sudão e sul do Egito), era também conhecida como “Hunga Munga”. É uma faca de arremesso com um design no mínimo bizarro. Certos modelos ultrapassavam os 60cm de comprimento e a maioria era composta de 3 lâminas afiadas. A lâmina mais próxima da mão tinha o formato do órgão genital masculino, como uma representação do poder do homem. O objetivo principal era empalar o oponente, mas ela também podia dilacera-lo. Quando um guerreiro se casava, ele presenteava a família da noiva com a sua Kpinga.

 
Balões bombardeiros – balões são lentos e difíceis de manejar, mas para os japoneses a paciência é uma virtude. Decididos a acabar com os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses acoplaram bombas em 9mil balões de hidrogênio e os lançaram no mar. Cada um continha uma mina antipessoal de 15kg e dois dispositivos incendiários. A ideia era que os balões pudessem chegar à costa americana por meio de correntes de ar invernal (jet stream) e destruíssem casas, prédios, matassem o maior número de pessoas possíveis e causassem incêndios florestais. Estima-se que o tempo de chegada poderia ser de 3 dias. De falto alguns poucos balões chegaram à costa do Alasca, Califórnia, Wyoming, Arizona, no Canadá (Saskatchewan, nos territórios noroestes, e no Yukon) e do Oregon. Entretanto fizeram uma meia dúzia de vítimas e os jornais foram proibidos de noticiarem o acontecimento, pois o governo americano queria que os japoneses pensassem que os balões não tinham chegado. Na verdade ninguém sabe o que realmente aconteceu com a maioria dos balões, mas é provável que caíram no mar ou em regiões não habitadas. 


CURIOSIDADE

Medievais explosivos – o alemão Franz Helm fez ilustrações de gatos, cachorros e pássaros com dispositivos aparentemente explosivos amarrados nas costas entre os anos de 1535, 1584 e 1607. Sabe-se que naquela época tentaram diversas vezes usar animais como mensageiros, mas não há registros de animais "camicases". Na verdade, Franz era um inventor de armas e provavelmente os desenhos eram ideias de armas que ele deve ter tido para impedir a invasão turca. A ideia era de que estes animais podiam penetrar cidades e invadir fortes ou castelos, explodindo-os com facilidade ou causando um incêndio, mas a realidade era outra: provavelmente os animais fugiriam assustados com as faíscas e poderiam botar fogo num campo inteiro ao invés de uma cidade, sem contar que muitos podiam se voltar contra a pessoa que acendeu o pavio. Na verdade, essa ideia não é exclusiva dos russos, britânicos ou europeus medievais. Há textos de diversas partes do mundo e de diversas eras, como um texto sânscrito, alguns escandinavos, alguns eslavos e até registros de Gengis Khan sobre técnicas semelhantes que usavam animais para causar incêndios em território inimigo.
 
 



VEJA TAMBÉM:
Parte 2

Para ampliar as imagens, basta clicar nelas.
E você leitor (a), conhece alguma arma estranha? Diga pra gente nos comentários!

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