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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Viver com sua escolha... pelo resto de seus dias...

- Diga-me, Jon, se chegar o dia em que o senhor seu pai tiver de escolher entre a honra e aqueles que ama, o que fará?

- Faria o que fosse certo - disse... com uma voz ressonante, para compensar a hesitação. - Acontecesse o que acontecesse.

- Então Lorde Eddard é um homem entre dez mil. A maioria de nós não é tão forte. O que é a honra comparada com o amor de uma mulher? O que é o dever contra sentir um filho recém-nascido nos braços... ou a memória do sorriso de um irmão? Vento e palavras. Vento e palavras. Somos apenas humanos, e os deuses nos moldaram para o amor. Essa é a nossa grande glória e a nossa grande tragédia. Os homens que criaram a Patrulha da Noite sabiam que só a coragem defenderia o reino da escuridão do Norte. Sabiam que não poderiam ter as lealdades divididas que lhes enfraquecessem a determinação. Por isso juraram não ter esposas nem filhos. Mas tinham irmãos e irmãs. Mães que os tinham dado à luz, pais que lhes tinham dado nomes. Chegaram de uma centena de reinos conflituosos e sabiam que os tempos podiam mudar, mas os homens não mudam. Por isso juravam também que a Patrulha da Noite não participaria das batalhas dos reinos que guardava. Mantiveram o juramento. Quando Aegon assassinou o Negro Harren e lhe conquistou o reino, o irmão de Harren era Senhor Comandante na Muralha, com dez mil espadas à mão. Não se pôs em marcha. Nos dias em que os Sete Reinos eram sete reinos, não se passava uma geração sem que três ou quatro deles estivessem em guerra. A Patrulha não participou. Quando os ândalos atravessaram o Mar Estreito e varreram os reinos dos Primeiros Homens, os filhos dos reis caídos mantiveram-se fiéis ao seu juramento e permaneceram em seus postos. Sempre foi assim, ao longo de anos incontáveis. É este o preço da honra. Um covarde pode ser tão bravo como qualquer homem quando não há nada a temer. E todos cumprimos nosso dever quando ele não tem um preço. Como parece fácil então seguir o caminho da honra. Mas, cedo ou tarde, na vida de todos os homens chega um dia em que não é fácil, um dia em que ele tem que escolher.

(...)

- Três vezes acharam os deuses por bem testar meu juramento. Uma vez quando era rapaz, uma vez em plena idade adulta e uma vez depois de envelhecer. Nessa altura, já as forças me tinham fugido, já os olhos viam mal, mas essa última escolha foi tão cruel como a primeira. Meus corvos traziam as notícias do Sul, palavras mais escuras que suas asas, a ruína de minha Casa. a morte dos meus, desgraça e desolação. Que poderia eu ter feito, velho, cego e frágil? Estava tão impotente como um bebê de colo, mas mesmo assim me machucava permanecer imóvel e esquecido enquanto abatiam o pobre neto de meu irmão, e o filho dele, e até as crianças pequenas...

(...)

- Você tem de fazer essa escolha, e viver com ela pelo resto de seus dias. Como eu - a voz reduziu-se a um suspiro. - Como eu...

Aemon Targaryen, "A Guerra dos Tronos"

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