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segunda-feira, 8 de junho de 2015

CITANDO E COMEÇANDO A SÉRIE END GAME...



Em momentos confusos, resolvi dar uma chance pequena a série End Game que eu havia pego os três primeiros episódios no excelente blog parceiro Xadrez Pirata. Meu motivo para detestar séries é a conhecida e tradicional entendida desnecessária de enredos que existem nelas, basicamente uma série traz uma coisa interessante, mas cria a necessidade de “atirar para todos os lados” e dos 50 minutos de cada projeção te entregar dez minutos de conteúdo de qualidade e outros 40 “enchendo linguiça”. Assisti duas vezes há um filme argentino esse mês chamado Relatos Selvagens (falarei e postarei ele em breve) e considero aquela uma obra que humilha boa parte dos envolvidos em muitas séries de sucesso por ai, o diretor e roteirista desse citado filme dividem o material deles em seis contos cuja média de duração é 20 minutos e conseguem criar relatos que colocam o dedo na ferida de muita coisa do nosso cotidiano, e sim, tendo mais profundidade do que temporadas de muitas séries por ai.
Mas como eu dizia: resolvi dar uma chance para End Game, apesar do primeiro episódio um tanto mediano para fraco, o segundo trouxe um dilema moral interessante que colocou dois lados em disputa por algo que é de um terceiro lado, colocando de uma forma interessante o famoso “meus motivos são mais nobres que os seus” ou “os fins justificam os meios”:
 

O protagonista da série (para quem não sabe ou não se importa) é um fictício ex-campeão mundial de xadrez, que está resignado dentro de um hotel há três meses pelo motivo de terem executado a tiros sua noiva bem em frente a esse hotel. Quando esse enxadrista tenta passar pela porta e ir para a rua, vem nele uma sensação de pânico incontrolável, o que o faz ficar sempre resignado de pijama jogando xadrez e enchendo a cara de Vodka. A maneira dele não se sentir tão inútil (porra, temos algo em comum) é tentando resolver casos que aparecem (caso da semana ungh), porém se tratando de resolver o de sua noiva, ele cria um bloqueio mental, dado o trauma. Esse enxadrista é ótimo persuadindo as pessoas para lhe auxiliarem a resolver os casos na parte física do trabalho, se olhar bem, pode existir até uma parte metafórica nisso tudo, colocando o enxadrista como um Rei acuado e usando as pessoas como peças estratégicas (moralmente errado ou válido?).
No segundo episódio, é efetuado um assalto em um jogo de poker (ilegal) dentro do respectivo hotel. Logo o enxadrista se oferece a resolver, caso ganhe 15% do que foi roubado. Entre várias reviravoltas, é mostrado que o ladrão foi à casa de um primo trabalhador operário, chegou lá baleado (resultado do assalto) e o ameaçou para que tirasse a bala dele e o operasse. O que se sucede é que o assaltante morreu (ou foi assassinado?), o trabalhador se livrou do corpo e fica com a grana dele. Em outra parte, o enxadrista encontra uma prostituta que presenciou a execução da noiva dele, e o conta tudo que sabe e mais um pouco se for dado a ela 25 mil. Ela conta o que sabe e some do mapa para uma vida nova, esse é o trato.
Logo após o enxadrista descobrir sobre o que o trabalhador fez, o chama uma segunda vez para a sua casa, (ele havia ido antes ser interrogado) e diz ter encontrado o cadáver. O que se sucede é um jogo de manipulações psicológicas, dado que quando o trabalhador chega à casa do enxadrista, já vem com todos os seus filhos que ainda são crianças, como uma barreira de peões. Quando se associa xadrez com quase tudo na vida e encontra-se uma série que o faz propositalmente, é confortante... O trabalhador chama o enxadrista para um duelo no tabuleiro, e temos esse diálogo que eu achei bem interessante:

“...—Fui campeão de xadrez na faculdade de medicina.
-- Então sente-se.
-- Sei que você operou Yashar.
-- Ele não quis sedativos, achou que eu chamaria a polícia.
-- O que você falou a ele?
-- Que foi um namorado ciumento, por isso não ia há um hospital.
-- Você quis saber a verdade?
-- A bala atingiu a artéria hepática, precisava de sangue. Após as suturas, ele teve um infarto. Ele não quis a sedação.
-- Por que achava que você roubaria o dinheiro?
-- Que dinheiro?
-- O dinheiro que ele roubou. E que você vai devolver, ou eu chamo a polícia.
-- Na Turquia eu era como esse Bispo: ajudava as pessoas. Aqui sou um peão. Alguém que leva seu lixo.
-- Perdi um campeonato mundial por um peão, respeito peões.
-- Se eu tivesse dinheiro, poderia estudar medicina aqui, quem se prejudicaria?
-- Os que Yashar roubou.
-- São ricos, é dinheiro de diversão. Perderam se divertindo? Bom para eles.
-- Eles não acham isso...
-- Você joga cartas? Dados? Não, claro que não. Só xadrez dá chances iguais. É tudo o que eu peço.
-- Isso e 100 mil, preciso do dinheiro para pegar quem matou minha noiva.
-- Sua noiva morta é mais importante que meus filhos vivos? Você viu, uma católica chamou um mulçumano de santo, porque médicos podem fazer milagres.
-- Devolva o dinheiro, hoje, ou entrego o corpo de Yashar a polícia.
-- Está bem, você venceu! Crianças, vamos!
-- Mas o que aconteceu com o tapete Milas daquelas fotos?
-- Vendemos para Savas poder ter aulas de violino. Você terá seu dinheiro hoje a noite.
-- ...”

Uma pequena ressalva, é que na dedução do enxadrista, o trabalhador teria usado um tapete que tinha na sala para enrolar e levar o corpo...
 

Para finalizar, uma frase dita ainda nesse segundo episódio, em cerca de 20 e poucos minutos de projeção, algo que entrou instantaneamente no meu caderninho de bolso:


“Bem, alguns corajosos saem no mundo e vão criar arte, jogar esportes, fazer ciência e até guerra, mas se quer fazer os quatro... Tem que jogar xadrez.”

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