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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Botvinnik V.S Capablanca – INTELIGÊNCIA VENCE SUBSTIMAÇÃO




--Computador, me abra essa partida.
-- Pois não, sr.


Capablanca é sem dúvida um dos mais conhecidos enxadristas da história. É o tipo de artista que o mais leigo no xadrez deve ter escutado seu nome, não à toa, já que até o dia mundial do xadrez é comemorado na data de nascimento de José Raúl Capablanca: 17 de agosto. Capablanca era virtualmente invencível na época dele, conhecido por ser tão talentoso, que se gabava de não ter estudado tantos livros como os que derrotava, seu conhecimento de aberturas, diz a lenda, era todo instintivo, e em finais, ele era tido como melhor ainda, tal qual Karpov. Eis que surge Botvinnik, um garoto de 14 anos, que mostra da melhor forma que deuses podem sangrar.

É a vez de Botvinnik, ele está com as peças brancas. Cravou o Cavalo negro de Capablanca, mas aparentemente está em desvantagem de peças e de posição no tabuleiro. Como atacar? Combinar o Bispo e o Cavalo? Mas dará tempo, visto que as negras estão a poucos passos de vencer?




Não. Apenas entregar o Bispo “gratuitamente” em a3.


A Dama o captura. Consegue conciliar o útil de avançar rumo ao mate, bem como diminuir o exército adversário.


Cavalo da xeque em h5. Com o Cavalo ainda cravado, só resta a Capablanca capturar com o peão que está à frente do Rei. Mais um peça entregue. Capablanca devia ser tão confiante que nem mesmo se intimidou com a facilidade que as coisas são entregues.


Hora do troco. Dama em g5 mostra o quanto vulnerável a derrota Capablanca está. O peão em e6 se demonstra mais poderoso por sua posição do que a própria Dama negra. Ele e a Dama é tudo que Botvinnik precisa.







Tranquilamente e7.

Resta tomar o peão de e7 com a Dama, e perdê-la, se não quiser ser obliterado no lance seguinte.


Como alguém sendo enforcado, (é a melhor analogia que eu vejo nesse caso) Capablanca faz uma série de sete xeques consecutivos. Se debate ao máximo contra o inevitável.

Porém quando os xeques param...

Pode me chamar de estranho, ou radicalista, mas tirei algumas lições para a vida só com esses lances. Entre elas a vantagem tática que nós podemos conseguir sendo subestimados, por mais que isso machuque nosso ego. Tudo depende da resposta que nós damos a isso, Loki tentaria destruir o mundo com uma invasão, mas Batman venceria de forma brilhante, como em Cavaleiro das Trevas. Batman não espancou Super-Homem porque ele é um semideus, ou porque o Miller queria fazer uma “mentira “, derrotou porque usou a subestimação que o Kal-El tinha por ele ser quase um idoso, mortal, com “brinquedos caros”. Na vida, o que mais vai ocorrer é sermos subestimados, sendo inteligente, isso logo vai ser um fator triunfante, já que vai lhe tirar da zona de conforto. Isso é constante. Ao chegar a uma escola ou curso novo, em um emprego, ao conhecer alguém. Sempre. Foi algo que eu demorei quase todos os meus 21 anos para conseguir começar a entender, visto que meu pensamento ia sem acanhamento para a ideologia do Loki. E isso infelizmente é normal. Pais criam os filhos muitas vezes como se eles fossem deuses irretocáveis (tal qual criaram Calígula), fazendo com que eles virem adultos chorões e frustrados por professores, chefes, amigos e principalmente mulheres não o tratarem da mesma forma. Logo o indivíduo, não sempre, mas na maioria dos casos que nos vemos no nosso cotidiano, vão fumar maconha e se viciar, encher a cara, fazer vandalismo ou semelhantes. Virando uma bomba-relógio emocional.
No ano passado, profissionalmente, eu fiz parecido com essa jogada de Botvinnik. Cedi coisas importantes, tive que sair da minha zona de conforto e virar socialmente o inverso do que eu era, enquanto o agressor inicial, comemorava, viu que eu tinha percorrido um caminho para ele ilógico, mas que agora ele que estava não em Xeque, mas em xeque-mate.




Força e honra.

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