terça-feira, 7 de outubro de 2014

ROCKY – UM LUTADOR – SOCANDO A INÉRCIA






Até os 16 anos, se comparado com hoje, pode-se dizer que eu vivia refém da inércia. Qualquer obstáculo era assustador, tudo era uma desculpa para não tentar nada e cada vez que o pouco que eu tentava dava errado, eu de imediato culpava vários indivíduos, mapeando um efeito dominó que me levava a aquilo. Não só como na vida, mas como no xadrez, eu vivia de respostas imediatas, boa parte impensada, não havia muito planejamento, havia só ir, falhar e culpar.

Eu olhava de longe esse individuo que estrela esse filme, na época a meu ver, apenas um descerebrado cheio de músculos que fazia filmes de ação se nenhum conteúdo... Eu sempre ouvira falar desses Rockys, mas como de costume, só aguardava filmes de porrada e pronto, o que até seria legal, naquele tempo.

Resolvi colocar e logo vi a história de um cara que realmente sofria na vida, que era zoado por quase todos que conhecia, e vivia a vida de maneira honrada e persistente. Que mesmo ficando no meio de fracassados, não aceitava ser um como eles, que pegava todo o mal que o faziam como foco e utilizava tudo em um objetivo firme e inabalável, sem meio termo. Rocky não era o lutador mais forte, o mais carismático, ou de melhor interação social (pelo menos no padrão cretino que nossa sociedade por vezes prega), mas era o tipo de pessoa que aguentaria qualquer dor mentalizando algo maior, e jamais reclamaria por isso.

Assistir a esse filme foi levar uma pancada firme nos meus conceitos, uma pancada benéfica, instrutiva e necessária. Podemos enquadrar essa obra como memorável, e felizmente, Rocky ainda é um daqueles filmes que como poucos conseguem, envolveram qualidade e lucros estratosféricos aos envolvidos. (Na época em que foi lançado, ultrapassou com facilidade lucros de 200%).

Na história acompanhamos um pugilista sem muito rumo (Stallone), fazendo pequenas lutas, e trabalhando para a máfia italiana como cobrador de dívidas, mas sem realmente machucar ninguém, já que não teria coragem para isso, até receber a grande chance de poder enfrentar o campeão mundial, Apolo Creed (Carl Weathers). Rocky foi o veiculo para Stallone contar através de uma história o quanto nosso sucesso depende de sucessivo esforço em coragem em cima do que realmente queremos, o quanto a vontade se torna a força primordial do ser humano, independente do que ele passe. Rocky era um tipo de individuo tão humilde, que quando o chamam para falar a respeito de algo sobre o campeão, ele mesmo toma a frente dizendo que ficaria honrado em ser sparing para este. Tão controlado, que ao tempo que o cunhado o provocava dando razões para uma luta, ele socava carne, assim como inteligente em transformar qualquer barreira em um tijolo para construção de algo, utilizando a partir daquele momento as carnes como treino.

A arrogância (ou excesso de confiança?) de Apolo Creed é um dos fatores que contribuem para o lento avanço de Rocky sobre ele, a ideia dele em ser o campeão, faz com que ele diminua o esforço em se manter no topo, um grave erro, porém comum, um erro que o próprio Rocky cometeria em Rocky III até. Enquanto Rocky treina, Apolo negocia com agentes e sai desenvolvendo a carreira de maneira política, mas uma vez o filme mostrando, como em todos eles, que o excesso de conforto e confiança só colabora para a derrota. Existe um vídeo com o grande enxadrista Kasparov que descreve o que eu digo:



Rocky realmente me pegou de surpresa, tanto ou mais como ele pega Apolo em seu sangrento confronto no final do filme, uma aula sobre perseverança, coração para lutar e raça. Eu poderia escrever um livro sobre esse filme, e mesmo assim não expressaria o quanto ele me passou lições. É o tipo de longa que realmente desperta teu espírito lutador, ou te faz odiá-lo por acertar aonde sempre doerá no ser humano: a inércia.

NOTA: 9.1
☺☺☺☺☺


-- FLOYD BANNER --

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