terça-feira, 30 de setembro de 2014

Review Cinema: Malévola



E houve um tempo, milhões de anos atrás, em que a Disney era uma das maiores forças criativas na mídia do cinema. Sim, fazem séculos e mais séculos, foi na época em que as TVs eram preto e branco e os humanos conviviam lado a lado com dinossauros. Mas existiu. O maior dos feitos foi o Rei Leão, mas outros bons existiram como Aladin, O Corcunda de Notre Dame e Pocahontas. A Disney tinha a faca e o queijo na mão, a molecada esperava alvoroçada o lançamento do próximo filme do verão (americano) e por aquele ano o assunto era aquele.

Esse tempo passou. Foi outra época, outro mundo. Passou, e por algum tempo a Disney ficou quieta (não exatamente. Não ficou sem fazer nada, fez uma coisa aqui e outra ali, nada muito digno de menção, mas fez.). Os ótimos Piratas do Caribe foram uma exceção, a Disney não era mais relevante. Mas foi Piratas do Caribe que deu um empurrão, a Disney sentiu o gosto e tomou gás, comprou a Marvel e comprou Star Wars. E fez Frozen. E fez Malévola. Olha a Disney de volta ao jogo. Bem vinda de volta Disney, acompanharemos com interesse o que quer de novo que você tenha para nos mostrar.


Angelina Jolie é Malévola. O filme não seria o mesmo sem ela, ela É a Malévola, veste a camisa e faz tudo ao seu alcance para levantar a bandeira do filme com o peso de seu nome. E parece estar se divertindo como nunca ao interpretar essa vilã boazinha. Claro, dentro do limite do seu talento dramático. Sim, Angelina não é nenhuma Meryl Streep cenicamente falando, e ninguém está esperando que ela ganhe o Oscar por sua atuação aqui (embora em seu pior dia ela ainda valha mais do que umas cinquenta Kristen Stewarts juntas). Mas boa parte desse filme é o nome de Angelina Jolie nos créditos. E quanto ao resto? Um crítico mais azedo começaria aqui a empilhar as falhas, mas escolho tomar uma estrada diferente, analisar dentro de seu contexto. Parando pra pensar que não foi feito para ser nenhum E o Vento Levou, o filme cumpre seu papel dentro daquilo que se propõe a ser, um conto de fadas no século XXI tentando estar acessível também a jovens e adultos. E a liçãozinha de moral, sobre o beijo de amor verdadeiro? Nesse quesito dez para a Disney, é a mesma mensagem já passada em Frozen, mas vamos continuar martelando.

Porque se fosse pra parar pra analisar o impacto da mensagem antiga da Disney sobre as nossas crianças... Seria pra tacar pedra! Porque era tipo assim, "menina, o primeiro que passar na sua frente e te chamar de linda pode se jogar e ir entregando o ouro". E depois de uma dúzia de contos de fada iguais, qual é o resultado na vida real? Um monte de meninas magoadas, porque na vida real é bem pouco provável que o primeiro cara que esbarrou em você e te chamou de linda seja a sua alma gêmea, cheia de boas intenções. Esse assunto extrapola um pouco nosso escopo aqui, mas é muito relevante, dado o impacto social da coisa. Não que seja só com as meninas, a mídia e a ficção fazem um belo estrago nos miolos dos coitados dos moleques também, mas no caso da velha mensagem Disney para as meninas parece particularmente cruel.

Mas aí a Disney acordou, antes tarde do que nunca, e está procurando passar umas mensagens imbuídas de algum senso de responsabilidade humana pra não foder demais as cabecinhas das nossas crianças. Aê, valeu, parabéns pra ela! E fez um belo filme, esteticamente muito bonito, mágico e agradável. O texto passa bem longe de ser um Quentin Tarantino, e mesmo no quesito fantasia está longe de ter a riqueza de um Guardiões da Galáxia. Mas funciona dentro daquilo que se propõe a ser, e é um bom filme pra se distrair, viajar e sonhar um pouco. Ozymandias Realista dá nota 7,5 e aguarda para ver que outras cartas a Disney tem para colocar na mesa.

 - Ítalo Azul - 


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